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6.04.2012

NÃO ME DÁ JEITO NENHUM

Diz o MEC (in Jornal Expresso) : "Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama...."

Pois discordo, caro Miguel. Apaixonar-mo-nos é tudo menos prático e não dá jeito nenhum. É um abalo na rotina, sim senhor, mas as dores de estômago, a ansiedade que se acumula no peito, a sensação de não sabermos qual é a próxima paragem, o medo que se apodera de nós, o total caos que se instala em tudo aquilo em que tocamos, a perda de apetite, o indescritível deixar andar  as coisas mais comezinhas, o estupidamente querermos estar na presença permanente do outro... não, caro Miguel, não é nada prático e não dá jeito absolutamente nenhum.


Se pretendes, como dizes,  fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, fala-nos da sensação de incompletude, da vontade de quebrar regras... e fala-nos dos riscos... esses que se correm quando aceitamos que alguém entre no nosso mundo e fique  por ali... mesmo quando já partiu.  Não, Miguel, o amor não passou a ser passível de ser combinado;  e a paixão desmedida, quando é forte e vem de repente como o vento do Sul,  é mesmo desmedida...

Não, Miguel, os amantes são capazes de  gestos largos, de correr  riscos, de rasgos de ousadia. Não, Miguel, o amor não é uma coisa e a vida  outra. O amor não é sopas e descanso, Miguel. O amor é uma maluquice, uma grande maluquice, tal e qual a própria vida. Essa mesma que desata a correr atrás do que não sabe, não apanha, não compreende... Mas tal como na vida, na paixão também continuamos a correr... na esperança de que desta vez possamos sair na estação certa...

Sim, Miguel, num momento, num olhar, o coração apanha-nos para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. E tens razão, aqui tens toda a razão: "O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem..."

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