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5.14.2012

O Sr. PADRE NUNO


Sempre tive reticências quanto à operância/utilidade de algumas instituições... uma delas é a Igreja Católica. Porém, a pedidos incessantes de uma amiga lá acedi a ser madrinha da sua filha de 4 anos. Tentei explicar a esta mãe que não seria um bom exemplo de madrinha para a filha porque estou quase sempre ausente, porque não vou a missas, porque sou pecadora, porque não tenho filhos nem especial vocação para os filhos dos outros, blá, blá, blá... Mas ela desarmou-me ao dizer que "eu era a madrinha que ela gostava que a filha tivesse". Ora, se ela sabia então os riscos que estava a correr, que mais poderia eu fazer? Lá me decidi.

Assim, e perante a necessidade de ir a reuniões de preparação para esta hercúlea tarefa, informei que no dia agendado (terça às 21h 30) não poderia estar presente. Primeira falha grave no meu currículo de madrinha: faltei à reunião. Contudo, marquei a vermelho na minha atarefada agenda a urgência em contactar com o sr.º padre.

Foi assim que no  Domingo e após um dia cheio de precalços, me dirigi à dita paróquia. Estando a missazita a decorrer, sentei-me nos degraus e aguardei. Estava frio. Era noite. Aqueci-me com alguns cigarros e, quando finalmente a missa terminou, lá fui eu. Dirigi-me humildemente ao sr.º padre que me fitou e, quase sem me deixar terminar a minha "Sr.º Padre, venho falar com o senhor por causa do baptizado...", me atacou prepotente e agressivamente com palavras:
- A esta hora? Agora é que vem? Madrinha? Mas tem preparação para tal? Porque não falou comigo antes? Agora não posso... Não a vou poder atender, blá, blá, blá...

Mantive a minha calma, disposta a mostrar-lhe que estava enganado em relação a mim, que não tinha agido por "má fé", que apenas tinha tido pouco tempo disponível... e, sendo o dito evento dentro de 15 dias, me parecia tempo suficiente para me "preparar". Mas o supreendentemente jovem padre (não terá mais de 30 anos) manteve a sua arrogância e não desarmou. Não me podia atender, disse. Iria viajar no dia seguinte e voltaria na véspera do baptizado. Ora, disse-lhe eu,
- Como é que o sr. padre queria que eu adivinhasse tal facto? - e insisti que faria toda a preparação no sentido de desempenhar o melhor possível a minha função. Fitou-me de novo e mandou-me procurar um padre que me "preparasse"...

Foi aqui que, perante tamanha estupidez do padreco, a corda se esticou. Havia várias pessoas ainda dentro da Igreja a ultimar as suas oraçõezitas de Domingo que olhavam perplexas para o jovem prior... e para mim.

Informei então o Sr.º padre Nuno, olhos nos olhos, que não se fala com ninguém da forma como ele falou comigo, nem dentro nem fora da casa de Deus.
E continuei... calmamente... dizendo-lhe que:
(i)  lá por não ir à missa todos os Domingos não queria dizer que não tivesse fé...
(ii) talvez até que a minha fosse superior à dele mas que não necessitava daquelas manifestações hipócritas de fé...
(iii) eram situações e pessoas como ele que, ao longo da vida, me fizeram desacreditar na Igreja Católica...

Caindo um pouco em si, o Sr.º Padre Nuno pediu-me desculpas... uma vez... outra vez... que estava exausto... que tinha dado 4 missas e feito 7 baptizados... que ia viajar no dia seguinte... que não percebia o que tinha acontecido... que nunca tal lhe tinha sucedido... que sim, que me ouvia... que sim, que entrasse... que sim, que me sentasse... que sim,,, que eu também devia estar com problemas e que provavelmente precisava de ajuda...
E atirou esta preciosa pérola:
-Por que não procura o apoio da nossa comunidade para a ajudar?
 Respondi-lhe que não precisava de uma comunidade para me apoiar... que me apoiava numa outra comunidade contituída pelos meus amigos... E, para espanto meu, o Sr.º Padre Nuno olhou-me e disse-me: -Amigos? Mas os amigos só nos desiludem... só a nossa comunidade católica a pode ajudar...!

Já quase a atingir os meus limites de suportar tantas barbaridades em tão curto espaço de tempo, contei-lhe quase em segredo que não frequentava a Igreja porque tinha locais muito mais interessantes para visitar e pessoas muito mais inteligentes com quem partilhar a minha vida.

Sai daquela casa de rastos. Não sem antes lhe dizer que o perdoava embora duvidasse que Deus fizesse o mesmo... É claro quenaquele dia pensei que não seria madrinha. Não possuo, perante as regras impostas pela Igreja, o perfil adequado, isto é, sou um "daqueles padrinhos que nunca põem os pés na Igreja, sem qualquer preparação religiosa e muito menos a frequência dos sacramentos..." (IN Quem pode ou não ser Padrinho, documento da Igreja Católica) Sou, portanto, o exemplo perfeito da PECADORA.

Mas afinal, o tão jovem padre Nuno pareceu-me,  ele sim,  um pecador...

Talvez o Sr Padre Nuno tivesse  as suas hormonas excessivamente acorrentadas e escondidas sob o hábito...

P.S. TEXTO ESCRITO ALGURES EM 2004 AQUANDO DO BAPTIZADO DA MARIA ANA E DO LUÍS.

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