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9.04.2012

FEIRA DAS ALMAS



Sim. Gosto de ir. Aos sábados menos. Às terças mais. E de lá veio a minha mala vintage de pele castanha que tanto adoro e que elas tanto invejam. Ou o meu chapéu anos 30 que uso em momentos de loucura.
A Feira da Ladra é o único sítio em Lisboa que me transporta para Portobello Road ouCamdem, locais a que me habituei a visitar quando vivi em Londres ou sempre que lá volto. Embora o ar por cá seja assustadoramente decadente em vez de "trendy", a verdade é que não deixa de ser um toque irreal nesta cidade de centros comerciais à pinha, ou pior, de supermercados gigantes onde já se pode comprar tudo.
Chamavam-lhe Feira das Almas, por causa dos muitos sapatos que por lá se vendiam. E os sapatos têm alma, eu que o diga. Mas parece que agora já ninguém compra sapatos na feira, dizem-me algumas velhotas vendedeiras que ali vendem há mais de vinte anos. Agora, na ordem do dia estão os telemóveis, os carregadores e outros acessórios, as pilhas e cartões de todo o género e os cds.
Mesmo assim, não consigo deixar de lá ir saborear. Há por ali uma sensação estranha que resulta da amálgama do novo com o velho, numa decadência reconfortante que só se encontra no Campo de Santa Clara, com a cidade a acordar e os passeios repletos de coisas do outro mundo, de outras gentes, à mistura com coisas e gentes deste mundo.
Mas não me fico por Lisboa. Por onde passo, tenho como ritual ir  à dita feira. Por isso, desde o fantástico Marché aux Puces, Portobello ou Petticoat, às feiras da ladra de Berlim, Budapeste, Praga, Nova Iorque, Amesterdão e muitas outras, as feiras das almas deste mundo são sempre local de peregrinação para mim.

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