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3.20.2011

CARTA DE DESPEDIDA (PODEM COPIAR LOL LOL LOL)

Às vezes tenho tendência para as inseguranças, as incertezas, as imbecilidades, as infantilidades... às vezes esqueço-me de que não tenho assim tão mau feitio e deixo que me pisem. Mas hoje apercebi-me de que era hora de me tornar visível.  Vou deixar-te proque estou cansada da tua imaturidade, dos teus jogos... Mas até lá vais perceber que, apesar do meu metro e sessenta, uma pessoa é alta quando sente que é alta e está provado que podemo-nos sentir altos se olharmos para os outros de cima para baixo, coisa que nunca me habituei a fazer.
Hoje acordei com a sensação de que poderia, com facilidade, largar a minha vida sem fazer barulho e meter-me noutra. Tudo no silêncio das 6h da manhã e perante uma total ausência de gravidade.
Tenho isto a dizer-te: és imaturo, inseguro, indeciso e pouco empenhado. Não é que eu quisesse um lambe-botas. Nem tenho nada contra aqueles homens que lêem nos olhos das suas mulheres... Mas tu és impressionantemente atrofiado emocionalmente...
Sei que o meu grande defeito tem sido a minha total incapacidade de ser bruta... mas só até aqui. A partir de hoje vou tornar-me, com a tua preciosa ajuda, uma verdadeira cabra. Por isso, "get your tongue out of my mouth, I'm kissing you goodbye."

O QUE É QUE FALHOU?

Ela pediu-lhe algo brilhante. Ele ofereceu-lhe um candeeiro.
O que é que falhou? lol

VIDA EM FORMA DE PATCHWORK

A minha vida - se calhar como todas as vidas - é feita de retalhos, um patchwork nem sempre perfeito mas repleto de momentos que certamente me dão muitas razões para sorrir.
Pequenos almoços de nan e laci em terras da Índia, as ruelas de Udaipur atravessadas por elefantes, as cores e cheiros de Jaipur, o mistério do Ganges em Varanasi, o Outono em Londres, deambular pelos mercados de Portobello e Camdem, percorrer as ruas de Oxford, entrar nas suas muitas livrarias, ver teatro em Stratford-Upon-Avon, perder-me em Nova Iorque, ver nevar no Central park, horas perdidas em Manhattan, o fim do ano no Hogmanay de Edimburgo com muitos kilts à minha volta e onde a tradição ainda é o que era (nada por debaixo dos kilts), as danças índias na Cidade do México, o sol do Olodum em São Salvador da Baía, a beleza estonteante do Rio de Janeiro, as pontes de Praga, os bares e música cigana de Buda e de Peste, os bombons de chocolate Mozart de Viena de Aústria, a música de Salzburg, as gentes de Cuba e os seus sorrisos, um café na Bodeguita del Medio em Havana, os cachimbos de água fumados no Cairo, o Khan Al Kha-lili, o deserto de Siwa, a biblioteca de Alexandria, atravessar o Atlas de carro em Marrocos, jantar por 50 cêntimos na praça Jam Al Fna em Marrakesh, perder-me na medina de Fes, um passeio de bibicleta em Amesterdão, o ferragosto na Sicília, uma spagetada com uma família siciliana, percorrer os canais de Veneza a ouvir a banda sonora do filme O Piano, uma bebida numa esplanada da praça S. Marcos, conduzir em Nápoles, o Coliseu de Roma, a Torre de Pizza, as ruínas de Pompeia, o mar revolto de Génova, a arte pelas ruas em Barcelona, os canais de Bruges, as ilhas gregas, as compras na Plaka em Atenas, as ruelas de Jeru´salém ou as praias de Telavive, ou do Mar das Caraíbas, o Oceano Pacífico ou o Índico... banhar-me em Saona e não querer voltar, dançar até cair para o lado em Cabo Verde, percorrer de barco os locais das filmagens do Platoon, um hamam na Turquia, o Hotel PÊRA PALAS e o quarto de Agatha Christie, navegar rios e canais na selva silenciosa da Costa Rica, ver os navios passar o Canal do Panamá, Petra ao fim da tarde, um jantar em Miami Beach, a colorida Sidi bou Said na Tunísia, e Palolem, sempre sempre Palolem...

3.15.2011

O CASAMENTO

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A instituição do casamento, como a (re)conhecemos hoje é indubitavelmente a maior estupidez deste mundo e, provavelmente, do outro.

DA COSTA RICA AO PANAMÁ

Dia 1 - TAP AIR PORTUGAL, TP 121, destino - CARACAS, aeroporto Simon Bolivar. Viagem de 8h 05m. Aterrei eram 14h15, hora local na Venezuela. Dali, seriam ainda mais 3h para Sao José, capital da Costa Rica. Hostal Pangea, indicada pela Lonely Planet, foi o lugar escolhido para pernoitar: 23 dias de viagem para limpar a mente e relaxar.
Dia 2 - Mal dormi na primeira noite na Costa Rica. Ou do Jet Lag ou o lado emocional da viagem a falar mais alto. Passei toda a noite a olhar o tecto. Por volta das 5h da matina levantei-me e saí para a rua. A cidade de S. José acorda cedo. Ainda que aparentemente calma àquela hora, por volta das 8h o movimento era já intenso. Mas as pessoas respiram calma, um certo ar de relax, como se a palavra stress lhes fosse estranha. Respira-se tranquilidade. O lema dos ticos parece fazer aqui todo o sentido. Que PURA VIDA!
Deambulei pelas ruas da cidade depois de um delicioso pequeno almoco costariquenho constituido por Gallo Pinto (arroz com feijão e ovos e tomate, tudo acompanhado pelo mais delicioso cafe que se possa imaginar. Pequenos prazeres que fazem a delícia de um viajante. O contacto com os locais , com os seus cheiros e sabores, enfim, a vida na sua maior simplicidade. O povo afectuoso, trata nos com carinho e sem qualquer tipo de pressão. Visita ao Mercado Central de S. José. Dia 2 de Agosto, dia feriado. Dia da Virgem de Los Angeles, conhecida como LA NEGRITA. Milhares der romeiros visitam a Basílica situada em Cartago, antiga capital situada a 22 km de S. José, vindos de toda a Costa Rica. Reza a lenda que esta santa teria aparecido a uma menina em forma de uma pedra negra no local onde hoje se encontra a igreja. A menina pensou ser uma boneca e levou-a para casa. Mas a pedra negra, em forma der santa, tornava a aparecer sempre no local onde surgira pela primeira vez. Perante tal facto, a Igreja permitiu ali o aparecimento de uma basilica que hoje recebe milhares de fiéis.
Dia 3 - Partimos de S. José com destino a Quepos. 4h de viagem em autocarro. Delicieime com uma paisagem luxuriante que me deu o feeling de estar a visitar um jardim botãnico em tamanho gigante. Em Quepos, o Parque Nacional Manuel António era o nosso destino. Escolhemos o inesquecível Hotel Costa Verde cujo lema se rege pela frase "still more monkeys than people". O que posso confirmar ser absolutamente verdade. Vi mais macacos a trepar e a saltar de galho em galho do que pessoas por ali. Passei o dia na piscina virada ao mar azul entre palmeiras e em plena floresta tropical. Adormeci ao som das muitas aves, do som dos insectos e dos gritos dos macacos. O jantar foi em frente ao mar, depois de algumas horas de deleite na varanda do nosso quarto, ao som de uma tempestade tropical. A chuva intensa e os relãmpagos que iluminavam o céu transportam-me para outro mundo. Estava nos trópicos, virada ao oceano pacífico.
Dia 4 - Deambulei pelo Parque Nacional Manuel António, a 7km de Quepos. Macacos, preguicas, jacarés, aves, insectos, tudo embrenhado numa paisagem de perder o fôlego. Praias de capa de revista, de areia imaculadamente branca e águas quentes com palmeiras a baloiçar. E desertas!
De regresso e rumo a outras paragens, pernoitámos novamente em S. José pois perdemos o autocarro para Cariari. Depois de um saboroso jantar, conhecemos o Bairro Amon, repleto de prostitutas e travestis e bares suspeitos, tudo misturado com normais estudantes que por ali passavam.
Dia 5 - Partimos de S. José com destino a Cariari de onde apanhámos um autocarro para um lugar estranhíssimo, ponto de partida do barco que nos levaria a Tortuguero. Duas horas e meia de bote em plena selva. Descemos o Rio Tortuguero entre margens repletas de vegetação virgem habitada por espécies variadas. Macados saltavam de galho em galho e nas margens do rio vi jacares e crocodilos. Em plena noite, caminhámos horas para chegar a uma praia onde as tartarugas vem desovar. Depois tapam os ovos e rumam ao mar. Verdadeiramente tocante. Adormeci cansada.
Dia 6- Acordei ao som da chuva. Muita chuva. Intensa. Tropical. Quente. Após uma deliciosa panqueca com doce e manteiga, mais uma viagem de bote. Desta vez pelos Canais de Tortuguero rumo a Puerto Limon. Alguns crocodilos repousavam tranquilamente nas margens do rio, ao longo dos canais, enquanto árvores estranhas e aves de todas as cores pairavam sobre nos.
Almocei em Puerto LImon, cidade de espirito tipicamente carribenho. Seguimos para Cahuita.
Dia 7 - Conhecemos Cahuita, uma vila com uma praia de areia branca e palmeiras mas a chuva impediu-nos de ficar. Seguimos para Puerto Viejo de Talamanca. Estivemos nas Cabanas Yucca, em frente ao mar e ouvimos muito reggae nos bares da vila.
Dia 8 - O dia foi passado em Puerto Viejo e na sua Playa Negra. Habitam esta vila pessoas de 44 nacionalidades diferentes e sente-se o espírito internacional. Malta de todo o lado passeia a pé, de bicicleta, a cavalo. Um mundo!
Dia 9 - Partimos de Puerto Viejo rumo a Sixaola, ultima localidade na Costa Rica antes de entrarmos na Panamá. A fronteira para o Panama surge a seguir a uma ponte apodrecida que se atravessa a pe. Guabito, no Panamá, fica do outro lado do rio e da ponte. Dali, fomos de taxi para Changuinola de onde apanhariamos o barco para Bocas del Toro, capital da Isla Colon. Uma ilha virada ao mar de um lado e, do outro, ao rio, com casas de madeira sobre a água, pintadas de todas as cores imagináveis. Escolhemos um hotel com uma vista soberba sobre o mar e jantámos camarões no El Pirata. Adormeci a ler Falling Angels e a personagem da Avy May nunca mais me saiu da mente.
Dia 10 - Acordei por volta das 9h e instalei me no magnifico terraço do hotel a beber café e a saborear a paisagem. Fomos a Bocas Del Drago, uma praia de aplmeiras e cocos a cair de quando em vez.
Dia 11 - Visitamos a Isla Bastimentos, um local difícil de descrever. Pobre, sem turismo, isolado e repleto de potencialidades. Imagino como será este local dentro de 10 anos. Um caminho íngreme pelo meio da selva levou-nos a uma praia idílica de areia branca, mar azul, aguas quentes e sol, muito sol. Antes do regresso a Bocas del Toro, saboreámos uns momentos de descanso no único bar da ilha, com música reggae e fotos do Bob Marley por todo o lado.
Dia 12 - Viajámos durante todo o dia. De Bocas del Toro, de barco para Almirante.De Almirante para David, 3h 30 de autocarro. Daqui para Penonome, 5h de autocarro. Chegamos a Penonome e optámos por dormir no hotel mais proximo.
Dia 13 - Saimos para El Valle de Anton, uma cidade pitoresca no vale de uma montanha onde, todos os Domingos, se realiza um célebre mercado de artesanato onde indígenas de locais distantes aproveitam para vender os seus produtos. Da varanda do hotel deliciei-me com uma fantástica paisagem sobre a montanha. Andámos de bicicleta e comemos pizza ao jantar.
Dia 14 - Após um passeio pela Feira de Artesanias de El Valle, seguimos de autocarro para a Cidade do Panamá, cerca de 2h de viagem. Visitámos a zona de Casco Viejo, zona antiga da cidade e andámos a pé como forma de conhecermos um pouco a cidade. Cansados, optamos por um tour pelos principais destinos turisticos: Causeway, Ponte de Las Americas, Marbella, Panama La Vieja, Casco Viejo e La Catedral.
Dia 15 - Visita ao Canal do Panamá. Fiquei impressionada com a fabulosa obra de engenharia que ali se encontra. Imaginem que estava no Canal do Panama, a ver os navios passar! A Julia Pinheiro, marido e filhos! lol Dali, perdemos o juizo nas muitas lojas do Allbrook Mall pois o consumismo e o cosmopolitismo de um centro comercial já estava a fazer-nos alguma falta. LOL
Dia 16 - Fui conhecer Panama La Vieja, as ruinas da antiga cidade do Panamá. Ficámos numa esplanada a olhar ao mar na zona antiga da cidade. De regresso, visitei o Multicenter e o jantar foi no Planet Hollywood.
Dia 17 - A Causeway representa uma maravilhosa zona de recreio para os habitantes da cidade. Dali avista-se mar de todos os lados e que bom ver os navios de recreio atracarem. Vive-se bem ali.
Dia 18 - Andamos nos coloridos e folclóricos autocarros da cidade do Panamá. A Avenida Central, repleta de comeárcio, lembra outras baixas de cidades sul americanas como o Rio de Janeiro, Santo Domingo...
Dia 19 - Dia passado na Piscina do luxuoso Hotel Panamá, um bónus merecido após tantos dias de mochila as costas.
Dia 20 - ibidem
Dia 21 - Despedida da Cidade do Panamá. Olhei o mar e os arranha-céus desta pequena Manhattan da America Central. Um gelado na Baskin Robbins transportou-me para a realidade que se aproximava. O regresso no dia seguinte.
Dia 22 - Viagem pela Copa Airlines da Cidade do Panamá, aeroporto Tocumen, para Caracas, 2h 15m. Depois vôo da Tap 130 para Lisboa, partida de Caracas as 17h e chegada prevista a Lisboa às 6h da manha do dia seguinte.
O fascino de uma viagem permanece muitos dias, meses e anos depois de ter acabado.

HEMODIÁLISE AFECTIVA


"Quando, numa daquelas noites mágicas em que conseguimos abrir o coração e revelar os nossos segredos mais inconfessáveis, lhe contei a minha história, ele agarrou-me a cabeça com cuidado, trocou o olhar com o meu como se tivesse entrado na minha cabeça e disse-me uma das coisas mais queridas e belas que alguma vez ouvi: meu amor, o que tu precisas é de uma transfusão emocional.
Graças a ele, estive dois anos em hemodiálise afectiva (...)."
in Pessoas como Nós

VIDA EM FORMA DE PATCHWORK


A minha vida - se calhar como todas as vidas - é feita de retalhos, um patchwork nem sempre perfeito mas repleto de momentos que certamente me dão muitas razões para sorrir.
Pequenos almoços de nan e laci em terras da Índia, as ruelas de Udaipur atravessadas por elefantes, as cores e cheiros de Jaipur, o mistério do Ganges em Varanasi, o Outono em Londres, deambular pelos mercados de Portobello e Camdem, percorrer as ruas de Oxford, entrar nas suas muitas livrarias, ver teatro em Stratford-Upon-Avon, perder-me em Nova Iorque, ver nevar no Central park, horas perdidas em Manhattan, o fim do ano no Hogmanay de Edimburgo com muitos kilts à minha volta e onde a tradição ainda é o que era (nada por debaixo dos kilts), as danças índias na Cidade do México, o sol do Olodum em São Salvador da Baía, a beleza estonteante do Rio de Janeiro, as pontes de Praga, os bares e música cigana de Buda e de Peste, os bombons de chocolate Mozart de Viena de Aústria, a música de Salzburg, as gentes de Cuba e os seus sorrisos, um café na Bodeguita del Medio em Havana, os cachimbos de água fumados no Cairo, o Khan Al Kha-lili, o deserto de Siwa, a biblioteca de Alexandria, atravessar o Atlas de carro em Marrocos, jantar por 50 cêntimos na praça Jam Al Fna em Marrakesh, perder-me na medina de Fes. um passeio de bibicleta em Amesterdão, o ferragosto na Sicília, uma spagetada com uma família siciliana, percorrer os canais de Veneza a ouvir a banda sonora do filme O Piano, uma bebida numa esplanada da praça S. Marcos, conduzir em Nápoles, o Coliseu de Roma, a Torre de Pizza, as ruínas de Pompeia, o mar revolto de Génova, a arte pelas ruas em Barcelona, os canais de Bruges, as ilhas gregas, compras em Atenas, as praias do Mar das Caraíbas, o Oceano Pacífico ou o Índico... banhar-me em Saona e não querer voltar, percorrer de barco os locais das filmagens do Platoon, um hamam na Turquia, o Hotel PÊRA PALAS e o quarto de Agatha Christie, navegar rios e canais na selva silenciosa da Costa Rica, ver os navios passar o Canal do Panamá, a colorida Sidi bou Said na Tunísia e Palolem, sempre sempre Palolem...

O HOMEM CASADO



E foi então que ele lhe disse que tinha casado, que até gostava da mulher e era quase feliz mas que tinha saudades, morria de saudades, do sexo que faziam juntos e que adoraria se pudessem voltar a encontrar-se... e que se ela quisesse ele seria sempre dela... :)

A ROTINA QUOTIDIANA DO CONCUBINATO


Há qualquer coisa de errado nas famílias ou será apenas impressão minha? Não encontro nada de mais irritante do que as obrigações impostas por esta instituição criada não sei bem com que fim e, cada mais, subscrevo o que diz o MEC:
"A família é um equívoco. A família está a dar cabo das pessoas. Há algo de promíscuo na maneira como as pessoas vivem. As pessoas vivem umas em cima das outras. São obrigadas a ver o mesmo canal de televisão, a comer o mesmo arroz de polvo, a ouvir as mesmas discussões, a ver os mesmos roupões... É pouco saudável. Não admira que toda a gente queira bater a asa à primeira oportunidade. (...) Se se quer conservar a família, é preciso mantê-la separada. A distância facilita o respeito. marido e mulher deveriam ser obrigados a convidar-se diariamente para jantar. As refeições obrigatórias sabem sempre mal. O convívio forçado à mesa não é uma prova de amor, é um refeitório de penitenciários. Só separada a família pode sobreviver. Contígua mas não comunitária. Adjacente mas não jazente. Se um casal for impelido, por razões habitacionais, a tocar à porta, a levar flores, a convidar para jantar, a fazer a corte para poderem dormir juntos, o amor pode durar muitíssimo mais. (...) Para uma família ser feliz tem de haver sedução. (...) Marido e Mulher, caso queiram permanecer juntos, têm de passar a vida a engatar-se. (...)
O Amor é demasiado raro e difícil para se estar a esbanjar na rotina quotidiana do concubinato."

PÉSSIMOS AMANTES

No fundo, e pensando bem, à distância de algumas boas doses de lágrimas, nós mulheres, somos as verdadeiras e únicas culpadas do sofrimento que os homens nos infligem. Porque, se o mundo está tão cheio de péssimos amantes, a culpa é nossa, é da imensidão de mulheres porque, na maioria das vezes, não nos atrevemos a dizer-lhes onde é que eles falham e que o sexo com eles é uma verdadeira merda, e que já tivemos amantes fantásticos juntos dos quais eles não têm absolutamente valor nenhum. Mas não... Somos peritas em enganá-los, iludi-los, fazendo-os acreditar que, sendo pro vezes  vergonhosamente ridículos, são os maiores amantes do planeta. Estúpidas... estúpidas e grandes cabras que nós somos.

SÓ DESGRAÇAS LOL LOL

(...)
Se, uma noite, numa festa, me acho irresistível, posso ter a certeza de que, na manhã seguinte, me nasce uma borbulha no queixo. Uma daquelas que doem, mesmo que não lhe toques.
Se, depois de uma fogosa noite de sexo desenfreado, e decido sair de casa sem dizer uma palavra, como mulher verdadeiramente emancipada, é certo e sabido que me roubaram o carro.
Se vou cedo para a cama, é certo e sabido de que não ouvirei o despertador na manhã seguinte.
Se me apaixono, é pelo homem errado.
Se sou traída, é pelo homem certo.
Se perco peso, é só água.
Em mim, há sempre qualquer coisa que não bate certo. Sou eu que não sei agir de outra maneira. Mal resolvo um problema, arranjo outro."
Por isso, continuo à espera que Jesus abra uma fenda no céu e diga: "Bem, meus meninos, desta vez, chegou a hora daquela pequena, ali, ao fundo."
in Ildiko von Kurthy, Coração à Deriva

PARA QUÊ BARRICAR AS EMOÇÕES?

Comecei a apreciar a manhã e a brisa que me despenteia os cabelos já de si pouco penteados. Agora... ler e meditar, observar os pequenos nadasmatinais, sentir o valor de cada pequena coisa ganharam sentido. A calmia emocional tende a instalar-me, pouco a pouco, após tantas noites de luta desenfreada contra a sensaçáo de vazio e de mal estar. Percebi que de nada vale tentar barricar as emoções que, inevitavelmente, cabam sempre por se derramar. Só o tempo pode ajudar à tranquilidade. É preciso tempo. Tempo para viver. Tempo para esquecer. Tempo para escutar.
Agora aprecio as diferentes tonalidades que o Tejo toma até o sol surgir por completo no horizonte. Agora usufruo finalmente do prazer da manhã ao sol do Alentejo. Agora estou numa pausa da minha viagem em busca do sol.

GATO DESLUMBRADO

Há dias dei por mim perplexa perante o louco corropio do meu mimado gato citadino face aos pequeninos seres esvoaçantes que habitam o meu jardim alentejano. Nunca tinha visto um gato deslumbrado. E também eu me senti deslumbrada perante a vida naquela manhã de quase Priumavera.

SO WHAT?


Sim, sobra-me viver, que é bem giro. Sim, estive em Barcelona. Sim, dormi no quarto de um anarco-sindicalista. Sim, fui a um bar barroco lindo. Sim, conheci uma aventureira alemã especialista em "branding". Sim, conheci um gay que edita a maior secção de uma revista de grande sucesso. Não, não me chega. Falta-me uma coisa essencial. Sabes o que é? A paz de espírito que só surge quando se ama e é amado incondicionalmente, mantendo individualidade e liberdade, sem querer prender o outro a nós mas sentindo a plenitude do encontro.

3.11.2011

NO MEIO DO DESERTO


Ninguém se apaixona quando tudo corre bem. Apaixonamo-nos quando acaba a gasolina, no meio do deserto. Atesta-se o depósito com umas patranhas, umas palavras, uns absurdos, e enfia-se tudo no desgraçado do reservatório, que está seco. Ninguém quer estar parado, sozinho, no meio do nada.

O RISO DE DEUS


"Eu não era uma amargurada mas tinha algumas ansiedades. Dava as minhas aulas na universidade, tiha uma boa relação com o meu marido e com os meus filhos. Hoje, já sei de que era o meu vazio: acho que só a minha relação com os filhos era verdadeira. As aulas não me diziam nada porque a gente a certa altura descrê dos saberes e repara que estamos ali a cumprir um ritual... Com o Bob eu estava bem, mas não tinhamos nada a dizer um ao outro. A gente não consegue convencer-se de que não é vida chegar a casa à noite, comer, ouvir uma música e ficar naquele frente-a-frente absurdo, em que a imaginação e a novidade, quando aparecem, vêm da televisão e não de nós."

O Riso de Deus de António Alçada Baptista

SUBIR A ESCADA ROLANTE QUE DESCE

"A minha vida começa no dia em que decidi deixar de viver a minha vida como quem sobe uma escada rolante que desce." 
(Pascal de Duve, Poeta belga, 1964-1993)

Decidi deixar de ser boazinha para ser verdadeira. Fartei-me de dizer sim. Fartei-me de te aturar. Fartei-me de concordar. Fartei-me de suportar. Fartei-me de repetir. Fartei-me de me mentir. Fartei-me de te sorrir. Fartei-me. E se eu não mudar, morro. A mudança é a minha essência. Tudo no universo se move e eu tenho andado parada. Preciso de ser quem sou e não quem gostariam que eu fosse. Não serei uma "nice dead person"... Por isso, começarei hoje a tratar da minha paz interior como a minha mãe costumava tratar das flores no seu jardim.

SEM MÁSCARA

"Só quando conseguirmos ser verdadeiramente nós próprios, sem máscara e sem rótulo, deixaremos o outro ser verdadeiramente ele mesmo... O verdadeiro encontro acontece entre os seres, não entre as personagens que usam máscaras." (Thomas D'Ansembourg, Seja Verdadeiro, Ésquilo, p.162)

NO AMOR E NA GUERRA VALE TUDO?

Uma amiga afirmou isto várias vezes na última semana ao ponto de me fazer pensar sobre o assunto. Será que no amor e na guerra vale mesmo tudo? Tenho dúvidas. Não me parece que assim seja. Quando se perde no amor, ganha-se na experiência e enriquece-se a história de vida. Não faço a apologia do "vale tudo" porque tal me parece serem os trunfos de quem joga sem regras. O amor é um jogo de trocas, de dar e receber e, quando perdemos alguém para outra pessoa, temos de saber aceitar essa opção. Por mais que doa. Por mais que apeteça gritar. Mas não vale fazer um jogo sujo, cobrar, chantagear... As almas superiores são apenas aquelas que aceitam e deixam o rio caminhar. E são tão poucas...

O TSUNAMI

A vida, a minha vida, surge não em ondas vulgares, tipo três metros. Não! A vida surge-me sempre em forma de Tsunami, arrasadora, brutal, sem me dar tempo para hesitar...

3.02.2011

A SEITA DO SONHO

Não vale a pena assitirmos à destruição domiciliária dos sentimentos. Afinal, de que vale andarmos a desmanchar o amor para ver como funciona por dentro?
"Talvez seja necessário despojarmo-nos de muitas coisas e tornar a vestir as vestes da inocência para que o amor nos possa ser revelado."
Olho ao meu redor e assisto a relações que terminam, outras que começam, e ainda a outras que nunca deveriam ter começado... Sinto que mais uma vez estou só a segurar nas mãos as interrogações de sempre. Não estão TODAS as relações destinadas a um fim? Não é verdade que tudo o que começa acaba? Não é real que tudo o que nasce morre? Não sabemos todos que andamos a adiar a vida que queremos viver? E que nem sempre corresponde à vida que vivemos?
Pois, concluo que tudo o que tem valor vem até mim, "devagarinho, do lado do coração"...

O QUE TE FAZ FALTA...

É a intensidade, segundo Carl Jung, que faz falta ao homem para ele se sentir auto-realizado. Mas muitos de nós vivemos num limbo onde a única intensidade sentida é a da azáfama estupidificante e repetitiva que mantemos. Viver com intensidade pressupõe quebrar o jogo, romper as barreiras, abrir alas e deixar passar a vida, aceitar os imprevistos, criar absurdos, perder os medos, abandonar hábitos, clichés... mudar, evoluir, rever, reconstruir quem somos. E sobretudo é aceitarmos todas as partes presentes em nós, por mais dolorosas, inponderáveis, imprevisíveis ou loucas que possam ser. 
Porque o que deixamos de nós ao abandono voltará um dia para nos cobrar...

E ELES?


Há dias, refletia com uma amiga recém-casada sobre esta terrível pergunta. Trocávamos ideias e ela mostrou-me algumas leituras que andava a fazer sobre a problemática em questão. Eu avancei mesmo com uma outra pergunta, mais terrível ainda: And... what happens to sex after marriage? Na verdade, fiquei a pensar sobre o assunto. Quando duas pessoas têm absolutamente toda a "liberdade" e disponibilidade para se conhecerem, amarem, aprofundarem o conhecimento uma da outra e "usufruirem-se", eis que surgem estas temidas questões. O pior e talvez mais irritante é que, a muita bibliografia de auto-ajuda existente sobre "como salvar o seu casamento", é maioritariamente dirigida a um público feminino (a autora diz mesmo: "I have addressed this book to women, the relationship watchdogs in our society... if you are a male reader, please accept my apologies...), o único que, pelos vistos, tem destas angústias e sofre estupidamente, a meu ver. Senão, vejamos: o livro de JAMIE TURNDORF, espantosamente intitulado Till Death Do Us Part (UNLESS I KILL YOU FIRST) - a step-by-step guide for resolving marital conflict) revela-se como um importante documento de ajuda a essas muitas mulheres que decidem tomar a peito a árdua tarefa de salvar o casamento ou a relação /ralação (como se tal fosse possível!!!!)... Na verdade, apresenta um curso completíssimo de técnicas, estratégias e conselhos a utilizar diariamente sempre que confrontada com um dos muitos problemas que insistem em persistir num casamento. Exemplos: Como entender a química da luta? O campo de batalha do casamento: conflitos; Como negociar? Como negociar um contrato? e muitas, muitas outras dicas... Confesso que cheguei ao fim do livro cansada. E não acredito que depois de ler aquilo tudo, exista alguma mulher com vontade de tentar salvar o que quer que seja. E o pior é aquela revolta miudinha que ao longo das páginas se vai agudizando... afinal, e eles? Não têm de fazer absolutamente nada?

VIVER


O poeta Henry David Thoreau quando foi viver para Walden Pond em 1845 escreveu: 
"Fui para o bosque porque queria viver deliberadamente, confrontar-me apenas com os factos essenciais da vida e ver se seria capaz de aprender aquilo que ela tinha para me ensinar, e não, ao chegar a hora de morrer, descobrir que não tinha vivido."

ANTES SER PUTA

MUITAS PESSOAS ME PERGUNTAM:
- E "ANTES SER PUTA" É LÁ NOME DE BLOG? LOL LOL
Aqui vai a resposta:
Antes ser puta do que ... viver contra os meus princípios, aturar pessoas estúpidas, acordar de madrugada num dia de chuva, perder tempo com quem não o merece, engordar desmesuradamente, voltar a votar num dos partidos existentes, ser contra o aborto, trair os meus amigos, suportar os discursos de Fidel Castro, viajar em grupos de 50, viver presa a laços injustificáveis, comer orelha de porco, deixar de fumar... lol lol lol E ainda... suportar clichés, frases tipo "fica bem" / "não fica bem", suportar certas regras, crenças e crendices, suportar preconceitos... "ter de" porque "tem de", incompetências, fanatismos, invejas ou a pequenez moral.
Antes ser puta do que suportar quem não sabe perder ou viver rodeada de estupidez...

DESCER O RIO


Uns amigos:
- decidiram casar;
- decidiram fazer a tradicional despedida de estado civil descendo o Mondego com a malta.

Fiquei contente. Havia ali afinal algo de criativo. Eles tinham fugido ao jantar e à típica ida às putas e elas também ao jantar (desta vez no chinês) seguido da entediante saída a um bar de música brasileira ou ao show de strip masculino. Em qualquer destes casos, é sempre muito do mesmo e já não tenho paciência. Como também a perdi para os rituais de uma ida à igreja (onde raramente entram) seguida de um discurso religioso irrelevante que ninguém ouve; para não falar do espectáculo que se segue em que 2h após o banquete principal os bocejos se alastram e os rídiculos passos de dança (ao som da musiquinha do momento) abrilhantados pelo teclado electrónico do senhor de fraque se repetems ... Na verdade, cansei-me! Por que não se inventam novas formas de celebrar o amor? Sei lá, foder desmesuradamente à beira mar... embebedarem-se os dois até à loucura... desaparecerem do mapa por um tempo sem ninguém, digo ninguém, saber... adquirirem uns comprimidos de ecstasy e casarem-se numa rave... Será melhor eu ficar por aqui porque a torrente de propostas começa a fervilhar-me no cérebro. A verdade é que esgotámos a criatividade. Anulámos a nossa capacidade de criar. Repetem-se os mesmos padrões. A vida tornou-se uma sequência de rituais mortos. Deixemos espaço para o absurso, o inexplicável, o surpreendente. Paremos de planear tudo ao pormenor como se temessemos o surgimento do novo, do desconhecido. Viva a incoerência porque ela significa viver. Só os mortos, diz OSHO, são consistentes. Fujamos dos "deves" e "não deves" que nos perseguem. Importemos um pouco de  caos para as nossas vidas. Criemos algo novo porque "a criatividade é a maior revolta de toda a existência." 

A MULHER, O PRÍNCIPE E OS SAPATOS



Era uma vez uma mulher que sonhava com o seu Príncipe encantado. Infelizmente, desde criança que lhe contavam histórias onde havia sempre um príncipe encantado (lindo de morrer... não interessava se antes tinha sido um sapo ou um burro ou uma lagartixa) e em que os dois ficavam juntos, tinham muitos "filhinhos" e eram felizes para sempre. Ora, a merda toda, é que as nossas queridas mães e avós e tias não tiveram o bom senso de nos explicarem que tudo aquilo era história, ficção, mito, ilusão e outras porras...
A verdade é que o Príncipe Encantado é isso mesmo... encantado e por mais que se deseje, ele não se desencanta em sítio algum. Ora bem, a juntar a este quadro, vem uma outra faceta das históriazinhas com as quais crescemos que particularmente me irrita. Num desses contitos, chega a Fada e fornece à Cinderela todos os apetrechos necessários para ela ir ao tal bailarico... até aqui tudo bem, mas já pensaram que a puta da fada não lhe perguntou sequer se ela queria ir ao baile? Ou se queria o vestido daquela cor? Ou se gostava de sapatos de cristal? E pior ainda, por que raio é que o dito Príncipe haveria de ser o homem dos sonhos da Cinderela? Bem, isto de os outros decidirem por nós já tem os dias contados (espero eu!), porém não deixa de me intrigar que tudo acabe com um homem a correr o reino com um sapato na mão em busca do pé perdido... E com tudo isto, como é que as mulheres não haveriam de ser taradas por sapatos?
(É grande, o nonsense que hoje se apodera de mim... lol)

AS VIÚVAS INDIANAS

Há coisas que me perturbam! Visitei a Índia durante quase um mês numa viagem que não esquecerei. Vai-se à Ìndia e não se volta igual. Um país que não consigo descrever. Sente-se. Vive-se. Mas não se descreve. Qualquer descrição limitaria a extensão da sua grandeza positiva ou negativamente falando. Das muitas questões que se me levantaram ao longo desta viagem, preocupa-me particularmente a situação das mulheres viúvas. Segundo a tradição indiana, as viúvas deixam de ter direito ao leito conjugal e passam a dormir no chão. Como se tal não bastasse, alimentam-se frugalmente e vivem solitárias como se o mundo tivesse acabado. Não podem voltar a ter uma posição social a não ser pela morte e chegam ao ponto de se deixarem queimar vivas sobre a pira funerária dos seus maridos.

UM ENCONTRO NUM MILHÃO DE DESENCONTROS



ESTÁ PROVADO QUE, POR CADA PESSOA QUE CONHECEMOS, EXISTEM CERCA DE 999.999 QUE JAMAIS CHEGAREMOS A CONHECER. E, DOS POUCOS ENCONTROS QUE TEMOS AO LONGO DA VIDA, SÓ UMA PEQUENA PROPORÇÃO OCORRE EM PERÍODOS E CIRCUNSTÂNCIAS EM QUE O AMOR E OU A RELAÇÃO - PONDO DE LADO O SEXO - SÃO SEQUER POSSÍVEIS. EM SUMA, AS PROBABILIDADES DE CHEGARMOS A CONHECER A NOSSA METADE PERFEITA SÃO MUITO REDUZIDAS, MESMO QUE ELE OU ELA EXISTA.
Por isso, CARPE DIEM!

A MORALIDADE DE NÃO TRABALHAR

Enquanto me ausento POR UNS DIAS e me afasto desta máquina, deixo-vos algumas ideias para reflexão:
(extraídas do livro de Zelinski de que vos falei anteriormente, Editorial presença)

1. Volte a ser criativo em tudo o que faz
2. O melhor teste da qualidade de uma civilização é a qualidade dos seus tempos livre (Irwin Edman)
3.Não existe maior estupidez no mundo do que passar a maior parte da vida a ganhar a vida
4. Ser Yuppie significa ser-se um falhado com êxito
5. Trabalhamos para ter COISAS!
Atenção: Respondendo a alguns comentários, gostaria de dizer apenas que é possível ser feliz trabalhando menos, "esfolando-nos" menos e optando por uma vida de mais tempo livre de qualidade. E isto não implica necessáriamente ter muito dinheiro. Os melhores momentos passados são aqueles em que nem sequer tivemos de gastar nada. Já pensaram nisso? Claro que há necessidades básicas que terão de ser satisfeitas, mas o resto será mesmo necessário e/ou essencial à nossa satisfação pessoal?

DELETE ALL


"(...) e numa manhã em que desci à farmácia para comprar comprimidos porque já não podia com aquela dor de costas, o sol deu-me na cara para me avisar de que estava a malbaratar a minha vida, a única vida de que disponho, porque sou uma mulher e não um gato, e dei-me conta de que havia dois anos que não sentia a carícia dourada do sol no nariz, que a minha juventude estava a escoar-se comigo encerrada num escritório de persianas blindadas, e tranquilamente subi no elevador falante que havia dentro daquele edifício inteligente, terceiro andar, abrindo as portas, dizia o elevador com voz tecnificada, dirigi-me à minha mesa e inseri uma ordem no meu computador: DELETE ALL."
Lúcia Extebárria

LINHA RECTA

"Ninguém anda pela vida em linha recta. Muitas vezes, saímos dos trilhos. Por vezes, perdemo-nos, ou levantmaos voo e desaparecemos como pó."

Henry Miller

I WILL

I WILL NOT FOLLOW MY DREAMS WHEN...


THE MOON WILL RISE IN THE NORTH SKY...
THE SUN WILL RISE AT NIGHT...
THE RIVERS WILL STOP RUNNING DOWN THE SEA...
THE MOUNTAINS WILL START TO CRY...
THE CLOUDS WILL REALLY DANCE UP IN THE SKY...
OR WHEN...
THE BUFFALOS WILL MIGRATE SOUTH...

ENERGIA

Acordou sem energia. Com aquela estranha sensação de que não se aguentaria de pé o dia inteiro e que o melhor seria voltar para a cama e adormecer de novo. Mas não. O tal do maldito trabalho chamava-a. E os 16 rostos expectantes pelas suas palavras, logo às 9h da matina, preocupavam-na. Pois... Começou lentamente a acordar. Teria pela frente uns quilómetros de viagem. Foi. Parou o carro e implsivamente fechou os olhos. Adormeceu. Não estava a aguentar a luz do dia. O peso das pálpebras era superior ao peso da razão. O seu corpo reclamava descanso. Na sua cabeça, o ruído incessante gritava-lhe que parasse. Adormeceu por alguns momentos. De novo. Acordou com as nove badaladas do enorme sino da igreja ali ao lado. Correu para o parquímetro e não tinha uma puta duma moeda. O multibanco mais próximo não ficava próximo. Se não deixasse o ticket teria o carro rebocado antes do próximo intervalo. Se fosse ao multibanco, chegaria muito atrasada o que, naquele sítio, não era de todo recomendável. PUTA DE VIDA, PENSOU. Por que razão não seguira os seus instintos e, simplesmente, não ficara a dormir?

Há dias assim. Em que nos sentimos sem energia e nos interrogamos se não a andaremos a gastar estupidamente em pequenos nadas. Decidi tornar-me absolutamente forreta no dispêndio das minhas energias e nada, nem ninguém que não mereça, me fará dispersá-las por aí, como areia da praia atirada ao vento.