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10.31.2012

10.28.2012

ALENTEJO SEEN FROM THE TRAIN


Nothing with nothing around it
and a few trees in between
none of which very clearly green
where no river or flower
pays a visit.
If there be a hell, I’ve found it.
For if ain’t here,
where the Devil it is?


Fernando Pessoa, Alentejo seen from the train


TEQUILA COM LIMÃO

"Durante a época em que as três amigas se entregaram à celebração dos seus divórcios, habituaram-se a comer juntas às sextas-feiras e continuarem na farra até ganharem ou perderem ou perderem-se. :)
Depois dormiam as três em casa de alguma delas e no dia seguinte tomavam o pequeno-almoço a conversar.
Entre elas, Amélia era a melhor bebedora de tequila. Por isso bebia mais do que as outras e antes de tomar o café, de saída para o trabalho, perguntava às amigas:
- Oiçam, e eu diverti-me ontem?":)

Ángeles Mastretta, Maridos

DÚVIDA: O MARIDO OU O AMANTE?

SUBLIME:
"Nessa noite, iniciaram as conversas que duraram meses. Ouviram também a  opinião das suas três melhores amigas. Às vezes uma de cada vez e outras vezes todas juntas. De nenhum outro assunto se falou tanto. Num dia ganhava Juan e noutro, o marido. Num dia reinava a prudência e noutro, a audácia. Num dia, o insulto, e noutro, o perdão. Dizia-se de tudo: que se largasse Juan não suportaria vê-lo com outra mulher; que esa simples ideia a fazia estremecer; que nada a faria mais infeliz; que a soberba é mais indestrutível do que o álcool, que viver com isso pode ser insuportável; que viver com o marido era uma matéria já aprendida; que o marido também não era nenhum santo, embora parecesse mais estável e se lhe conhecessem menos confusões; que um falava pouco e o outro demasiado; que um deles tinha habilidades e conhecimentos domésticos que já nenhum homem tem; que o outro gostava de viajar; que Juan era versátil e os negócios o entretinham; que um deles era divertido e o outro reincidia; que Juan er a o único disposto a passar uma tarde inteira, com ou sem chuva, abraçado a ela; que ela iria sentir falta dos filhos; que os dele poderiam estar bem ou mal educados; que pensasse onde passaria o Natal; que não importava qual das casas tinha um jardim maior; que qual dos cheiros lhe era mais imprescindível; (...) que um falava de si próprio trinta e seis vezes em cada vinte e quatro horas e o outro nunca dizia o que pensava de si mesmo, muito menos dela. Que Juan era alegre e o seu marido ensimesmado; que um era bom conversador e o outro bom observador; que Juan tinha acessos de mau génio mas a nuvem negra das suas fúrias era curta; que o marido, pelo contrário, nunca estava aborrecido mas também nunca estava feliz; se alguém que joga dominó seria de mais confiança do que alguém que joga golfe; se algum deles a fazia sentir-se mais necessária; se isso seria um elogio ou uma dependência; por fim, e não menos importante, que um encontrava mais depressa o seu clitóris do que o seu ponto G e vice-versa (...)"

Ángeles Mastretta, Maridos, p.22-23

10.27.2012

FARTA

Farta de gente armada ao pingarelho. Farta de tecnologia. Farta da Troika. Farta de gente sem cor. Farta de ténis Nike. Farta de de fruta sem sabor. Farta de gente sem humor. Farta de que só se ouve a si próprio. Farta de animaizinhos mutilados no facebook. Farta de fiambre. Farta de iogurtes com pedaços. Farta de tv. Farta de gente que em vez de dialogar tem monólogos à vez. Farta de usar mala. Farta de políticos. Farta de gente que ouve música pimba no carro e não fecha os vidros. Farta de queixumes. Farta de egoístas. Farta de ti...

10.26.2012

STOP

Dolência. Preguiça. Pausa.

CORRER RISCOS

Comecei um curso de criatividade pela Universidade de Stanford. Quero que a minha vida  sirva para construir uma manta de retalhos e não para me limitar a completar mais um puzzle. Porque os dias que correm são cinzentos. A maioria. Outros nem cor apresentam. E eu só posso continuar à procura da criatividade perdida. Tento rodar-me de pessoas criativas mas são tão poucas...Tento manter-me alerta; escrevo: coisas sem nexo mas ainda escrevo; tento afastar-me do computador e olhar atentamente para o mundo lá fora; procuro bater os meus próprios medos; ouço música que nunca antes tinha ouvido, de todos os géneros; conheci pessoas novas: de diferentes culturas e línguas; procuro os filmes em estreia; vou a alguns sítios onde nunca tinha ido; quebro diariamente algumas regras e ainda não me arrependi. Acima de tudo, corro riscos... especialmente em noites de temporal.

10.25.2012

TU BRILHAS!


Era uma vez uma serpente que começou a perseguir um pirilampo. Este fugia da predadora, que não desistia facilmente. Mas a serpente estava disposta a ir até às últimas consequências para conseguir a sua refeição.
Um dia passou e a serpente não desistia. Dois dias se foram e a serpente continuava a sua perseguição ao já cansado pirilampo... E então, no terceiro dia, já sem forças para continuar a fugir, o pirilampo decidiu parar e fazer uma pergunta à serpente. E assim foi:
«Posso fazer-te uma pergunta, antes de tudo o que possa acontecer a seguir?», perguntou o pirilampo. «Bom, nunca nenhuma das minhas vítimas me fez tal abordagem, mas como tu foste corajoso, vou deixar-te formular a tua pergunta», respondeu o réptil.
- Por acaso pertenço à tua cadeia alimentar?
- Não. 
- Fiz-te algum mal para que me persigas?
- Não. 
- Então, porque é que queres devorar-me?
- Porque TU BRILHAS ! E eu não suporto ver-te a brilhar!



Uma boa razão para verificar quem o/a rodeia, quem o/a acompanha, quem o/a influencia e o/a aconselha.

10.20.2012

CREATIVITY COURSE



"Everyone has the key to their own
 innovation engine."




HÁ PESSOAS ASSIM

Há pessoas assim. Capazes de tudo para se salvarem a si próprias. Voláteis. Inseguras. Mutáveis. Como o vento...
Há pessoas assim... Frias. Incapazes de não magoar.
Há pessoas assim... Hábeis para destruir quem neles confiou.
Há pessoas assim... De sentimentos opacos, incapazes de se colocarem no lugar dos outros.
Há pessoas assim... São aquelas que para se salvarem, atiram-nos para o precipício. Empurram-nos, quando estamos de costas, rapidamente e sem avisar.
De seguida, fumam um cigarro e adormecem.

SORTE

Naqueles dias, ela teve a sorte de adoecer. Antes isso que definhar lentamente em frente aos outros. Assim, remeteu-se sozinha ao isolamento, à espera de que a dor daquela ferida aberta e em sangue vivo fechasse. Há doenças que os medicamentos não curam. Ela ainda tentou drogar-se todos os dias.. Descuidada, não temeu o contágio. Sem preservativo que a salvasse, deixou-se infetar... pelo sonho. Confundiu-o com a realidade. 
Por isso agora, até a sua ferida sarar, ela vai tecendo os dias como pode, atando as estrelas aos caminhos, os trilhos do acaso às montanhas, as montanhas às montanhas e todas as árvores ao céu.

10.18.2012

O CORAÇÃO É COMO UM HOTEL DE PUTAS


"A vida afetiva é a única que vale a pena.

A outra serve apenas para organizar na  

consciência o processo da inutilidade de   

tudo."  Miguel Torga

10.17.2012

TOMA LÁ, DÁ CÁ

Há muito tempo atrás, não no tempo em que os animais falavam mas num outro tempo, em que ainda havia subsídios de Natal e as pessoas pareciam mais  felizes, houve um homem, um grande amigo, hoje célebre figura televisiva, que me disse estas palavras que nunca esquecerei:
- A partir de hoje, tens de aprender que a única regra para seres feliz é dares à medida que recebes. Nunca dês mais do que aquilo que recebes porque um dia, depois de te terem sugado tudo o que tinhas para dar, vão-se embora sem uma palavra e tu ficas sem nada.
Eu não acreditei...

O CAMINHO DE REGRESSO

Por vezes, optamos pelo mais fácil. Pelo que não nos retire tempo. Energia. Paz. Chegar ao outro dá trabalho. Chegar a nós ainda mais. Muitos de nós ficam assim reduzidos aos seus mundinhos fechados, na esperança de que, da próxima vez, seja mais fácil.
Nunca temi o longe ou a distância. Nunca temi o trabalho. O esforço. A espera. Nunca temi ter de mergulhar dentro de mim, se fosse preciso. Por isso, talvez por isso, mesmo nestes momentos em que o vazio se quer instalar, olho à minha volta e orgulho-me de ser quem sou. De ser como sou. De ser assim. Capaz de ir ao mais alto dos promontórios mesmo que tenha de fazer o caminho de regresso sozinha, com os pés em ferida e uma gota, uma gota apenas de água no meu cantil.

10.15.2012

REVOLUTION NOW

Sometimes, there's no way out... no second chance, no time out...
Sometimes, you can't keep on to the past and you can't wait for the future...
Sometimes, it's now or never.

10.09.2012

NO MORIRÁS

Só escrevemos os livros que precisamos de escrever, ou que somos capazes de escrever e depois temos de largá-los, reconhecendo que o que quer que lhes aconteça de seguida não é mais da nossa conta. O mesmo se passa com as pessoas que amamos. Por vezes, temos de deixá-las ir... Por mais que as queiramos agarrar para sempre... por mais que perdê-las nos dilacere o corpo todo. E a alma também...

10.07.2012

FORRETA



Há dias assim. Em que nos sentimos sem energia e nos interrogamos se não a andaremos a gastar estupidamente em pequenos nadas. Decidi tornar-me absolutamente forreta no dispêndio das minhas energias e nada, nem ninguém que não mereça, me fará dispersá-las por aí, como areia da praia atirada ao vento.

RODOPIOS


Há dias em que o mundo rodopia sobre mim própria e eu não sei quem sou...

10.06.2012

CANSAÇO

Cansaço. É cansaço... 
Cansaço de esperar...
Por isso, doente e cansada, escrevo. Há quem escreva com medo de enlouquecer. Outros escrevem porque não sabem fazer mais anda. Outros ainda, como eu, escrevem porque não podem deixar de escrever... Escrevo para transpor a vida, para chegar ao outro lado, para me abrigar, para esquecer...