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11.11.2011

O SEXTO SENTIDO

Hoje escrevo-te, sentido último, para mim primeiro... que sem ti não sobrevivo...
És o sexto e pressinto-te na mente, corpo, na pele e no som destes dias que passam amarelos.... Avisas-me sempre, à mesma hora, para me quedar na viagem...
Mas eu avisei-te que sem rede, me atiro ao abismo, que sem esse voo rasante isto não presta...
E do alto das colinas, do cimo dos montes, sobrevivo à passagem dos dias porque espectadora do que vejo... Sabes tu, que vês mais longe e sabes mais...que vê sempre mais do que é preciso... que a tua visão alcança o longe sem lentes de aproximar...
Acato-te de olhar travesso, quando me apetece partir... num riso que bem conheces... num riso de perceber tudo o que me dizes e mais ainda... num riso de saber que sem mais o teu sentido, sairia de mansinho e sem chorar...
Mas não... porque existes e te partilhas, vou navegando sem bússola os mares revoltos embora tu queiras o navio preso no cais...
Por ti, embriagada de palavras... procuro manter o tino... sim, esse estranho e limitador tino ... e só por ti, por vezes páro esta  bebedeira de palavras... se o quiser manter...
Tempus fugit, dizes-me ao ouvido quando me tento esquecer...
....Como é viver com um coração esburacado, amigo de jornada?
Não sei quem te dá crédito...
Sei que não tenho nada para ti excepto o que sou nos meus impulsos...
Eu que me não recomendo a ninguém... eu que não sei fazer mais nada do que ser ...
Tu me mostras que talvez tudo isto que sou eu não passe de uma banal vulgaridade, tão banal quanto vulgar...
Talvez pouco elevado face à tua dimensão a qual, suspeito eu, vá muito para além do que por aqui se passa.
Mais que tudo, e agora não digo talvez, sobram-me letras onde me faltam sons.
Por isso, te persigo e te escuto... sexto sentido...
Texto escrito a pedido e num momento em que o sexto sentido se me escapa ou quer escapar... 11/11/11

10.23.2011

O PONTO NEGRO

Um professor entra na sala de aula e diz aos alunos:
- Vamos ter um teste. 

Entregou então a folha da prova com a parte do texto virada para baixo e só depois pediu que a virassem. Para surpresa de todos, não havia uma só pergunta ou texto, apenas um ponto negro, no meio da folha. O professor pediu que todos escrevessem um texto sobre o que viam na folha. Os alunos, confusos, começaram, então, a difícil e inexplicável tarefa. Terminado o tempo, o professor recolheu as folhas e começou a ler as respostas voz alta. Todas, sem excepção, definiram o ponto negro, tentando dar explicações por sua presença no centro da folha. 
Terminada a leitura, a sala em silêncio, o professor disse:
- Esse teste não será para nota, apenas serve de lição para todos nós. Ninguém na sala falou sobre a folha em branco.
Todos centralizaram as suas atenções sobre o ponto negro. Assim acontece nas nossas vida. Temos uma folha em branco inteira para observar e aproveitar, mas só nos centramos nos pontos negros.

(Autor desconhecido)

PEDIDO URGENTE

Querido Deus...


Tudo o que eu peço para estes últimos meses de 2011 é uma gorda conta bancária e um corpo magro.
Favor não misturar as coisas, como fez no semestre passado.

AMÉN!

OS FILHOS SÃO DO MUNDO...

Devemos criar os filhos para o mundo.
Torná-los autônomos, libertos, até de nossas ordens.
A partir de certa idade, só valem conselhos.
Especialistas ensinaram-nos a acreditar que só esta postura torna adulto aquele bebê que um dia levamos na barriga.
E a maioria de nós pais acredita e tenta fazer isso.
O que não nos impede de sofrer quando fazem escolhas diferentes daquelas que gostaríamos ou quando eles próprios sofrem pelas escolhas que recomendamos.
Então, filho é um ser que nos emprestaram para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos,
de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem.
Isto mesmo!
Ser pai ou mãe é o maior ato de coragem que alguém pode ter, porque é se expor a todo tipo de dor, principalmente
da incerteza de estar agindo corretamente e do medo de perder algo tão amado.
Perder?
Como?
Não é nosso, recordam-se? Foi apenas um empréstimo!
Então, de quem são nossos filhos?
Eu acredito que são de Deus, mas com respeito aos ateus digamos que são deles próprios, donos de suas vidas,
porém, um tempo precisaram ser dependentes dos pais para crescerem, biológica, sociológica, psicológica e emocionalmente.
E o meu sentimento, a minha dedicação, o meu investimento?
Não deveriam retornar em sorrisos, orgulho, netos e amparo na velhice?
Pensar assim é entender os filhos como nossos e eles, não se esqueçam, são do mundo!
Volto para casa ao fim do plantão, início de férias, mais tempo para os filhos, olho meus pequenos
pimpolhos e penso como seria bom se não fossem apenas empréstimo!
Mas é.
Eles são do mundo.
O problema é que meu coração já é deles.
Santo anjo do Senhor...
É a mais concreta realidade.
Só resta a nós, mães e pais, rezar e aproveitar
todos os momentos possíveis ao lado das nossas 'crias', que mesmo sendo 'emprestadas' são a maior parte de nós !!!
"A vida é breve, mas cabe nela muito mais do que somos capazes de viver " 


JOSÉ SARAMAGO

 

SOCORRO, SOU PROFESSOR


Se um médico, um advogado ou um dentista tivessem, de uma só vez, 26 pessoas no seu gabinete, todas elas com diferentes necessidades e algumas que não querem estar ali, e o médico, o advogado ou o dentista tivessem que tratá-las a todas com elevado profissionalismo durante dez meses, então poderiam fazer uma ideia do que é o trabalho do professor na sala de aula.
 

MORRER SEM TESTEMUNHAS...

"...Um dos erros do ser humano é tentar tirar da cabeça
aquilo que não sai do coração...'

Um dia, um rapaz pobre que vendia mercadorias de porta em port para pagar os seus estudos, viu que só lhe restava uma simples moeda de dez centavos e tinha fome.
Decidiu que pediria comida na próxima casa.
Porém, seus nervos o traíram quando uma encantadora mulher jovem lhe abriu a porta. Em vez de comida, pediu um copo de água.
Ela pensou que o jovem parecia faminto e assim lhe deu um grande copo de leite.
Ele bebeu devagar e depois lhe perguntou:
-Quanto lhe devo ?
-Não me deves nada - respondeu ela.
E continuou: - Minha mãe sempre nos ensinou a nunca aceitar pagamento por uma oferta caridosa.
- Ele disse:
- Pois te agradeço de todo coração.
Quando Howard Kelly saiu daquela casa, não só se sentiu mais forte fisicamente, mas também sua fé em Deus e nos homens ficou mais vigorosa e vibrante.
Ele já estava resignado a se render e deixar tudo.

Anos depois, essa jovem mulher ficou gravemente doente. Os médicos locais estavam confusos.
Finalmente a enviaram à cidade grande, onde chamaram um especialista para estudar a sua rara enfermidade.
Chamaram o Cardiologista Chefe Dr. Howard Kelly. Quando escutou o nome do povoado de onde ela viera, uma estranha luz encheu seus olhos.
Imediatamente, vestido com a sua bata de médico, foi ver a paciente.
Reconheceu imediatamente aquela mulher.
Determinou-se a fazer o melhor para salvar aquela vida. Passou a dedicar atenção especial àquela paciente. Depois de uma demorada luta pela vida da enferma, ganhou a
batalha. O Dr. Kelly pediu a administração do hospital que lhe enviasse a
factura total dos gastos para aprová-la.´Ele a conferiu, depois escreveu algo e mandou entregá-la no quarto da paciente. Ela tinha medo de abri-la, porque sabia que levaria o resto da sua vida para pagar todos os gastos.
Mas finalmente abriu a factura algo lhe chamou a atenção, pois estava escrito o seguinte:

'Totalmente pago há muitos anos com um copo de leite ass. : Dr. Howard Kelly.'

'VIVER SEM AMIGOS É MORRER SEM TESTEMUNHAS.'

O QUE NÃO NOS MATA...


Já não tenho dúvidas quanto a isto?

O QUE NÃO ME MATA, TORNA-ME MAIS FORTE!

CONHECIMENTO EXPLÍCITO DA LÍNGUA - AULA DE PORTUGUÊS

 O " filho da puta........."

1. Filho da puta é adjunto adnominal, quando a frase for: ''Conheci um político filho da puta".
2. Se a frase for: "O político é um filho da puta", aí, é predicativo.
3. Agora, se a frase for: "Esse filho da puta é um político", é sujeito.
4. Porém, se o gajo aponta uma arma para a testa do político e diz:
- Agora nega o roubo, filho da puta! - aí é vocativo.
6. Finalmente, se a frase for: "O ex-ministro, aquele filho da puta, arruinou o país e não só" - daí, é aposto.
Agora vem o mais importante para o aluno. Se estiver escrito:
"Saiu de ministro e foi viver para França e ainda se acha o salvador da Nação." 
O "filho da puta" aqui é sujeito oculto...

O HOMEM DAS VIOLETAS ROXAS - UM MÊS

Faz hoje um mês que O Homem das Violetas Roxas foi publicado.

PÃO...

Expliquem-me, por favor. Eu sei que que sou limitada em matérias de alcançar temas difíceis, mas prometo que se me explicarem devagar e com as palavras certas, eu tentarei compreender.

20H30 - protagonista da história em casa; 20h 40 - dá-lhe a aflição dos domingos à noite e decide ir ao Pingo Doce. A estrear. Abriu recentemente. Foi.  20h 45 - Deambulou pelos corredores em busca de compota de pêra e gengibre (não há no Pingo Doce) e parou no pão. 20H 50 - Ia para pagar quando reparou que umas funcionárias agarravam no pão de diferentes variedades que tinha embelezado a vitrine e, à bruta (acreditem - à bruta e com desprezo) - atiravam o pão para enormes sacos de plástico e diretamente com as mãos desprotegidas. Protagonoista fez contas de cabeça e rebuscou algo que lhe tinham dito sobre este assunto: que as sobras do pão dos supermeracdos ia diretinho para o lixo.
20:55 -Afoita e curiosa, pergunta à caixa o que vai acontecer àquele pão ao que esta responde: LIXO!

10:50 - Pronto, expliquem-me...

10.16.2011

ETERNA SAUDADE - S.F. E S.N. 2012

SÓCRATES ENTRA NA SORBONNE COM CUNHA DO DIPLOMATA - E NINGUÉM AVERIGUA ISTO?

A licenciatura domingueira do ex-primeiro-ministro José Sócrates continua a dar que falar. Mas desta vez dá que falar em francês. Rima e é verdade: a entrada de Sócrates no Instituto de Estudos Políticos de Paris, mais conhecido como Sciences Po da Sorbonne, foi por duas vezes recusada. Isto porque o currículo académico em Engenharia não terá sido considerado à altura da instituição francesa, que tem todos os anos 35 mil candidatos para 3500 lugares.
À terceira lá foi aceite nos estudos de Filosofia, mas para isso teve de entrar em acção o diplomata Francisco Seixas da Costa, embaixador de Portugal na capital francesa, que mexeu e remexeu os cordelinhos necessários para permitir a entrada do ex-chefe de governo na universidade.
Seixas da Costa esteve também na cerimónia de atribuição do doutoramento honoris causa ao ex-presidente brasileiro Lula da Silva, de que o Correio indiscreto deu conta aqui na edição da semana passada.
Nesse dia ficou provado, a quem ainda tivesse dúvidas, que José Sócrates aceitou o convite que lhe foi endereçado por Lula e pela sua sucessora Dilma para ser uma espécie de representante especial dos interesses do Brasil na Europa.
Sem terem de passar por Portugal, uma das portas de entrada dos brasileiros no Velho Continente, grandes empresas do país-irmão, como a gigante petrolífera Petrobras ou a cimenteira Camargo Correia, vão dispor de Sócrates como cartão--de-visita na UE.
Os serviços prestados não se ficam por aqui: o famoso ex-assessor de imprensa Luís Bernardo vai ser a lança de José Sócrates – e do Brasil de Dilma Rousseff – na África lusófona, de Angola a Moçambique.
DIREITO DE RESPOSTA
Recebemos do embaixador de Portugal em França, Francisco Seixas da Costa, o seguinte pedido de Direito de Resposta, que transcrevemos na íntegra:
"Chegou ao meu conhecimento que o ‘Correio da Manhã’ publicou, na passada semana, uma notícia relativa à admissão do Engº José Sócrates no Instituto de Estudos Políticos, em Paris, na qual se assegurava que o embaixador de Portugal em França "mexeu e remexeu os cordelinhos para permitir a entrada do ex-chefe do governo na universidade", após uma suposta "terceira recusa" à sua admissão. Isto não corresponde à verdade. Nunca me foi pedida, nem eu levei a cabo, qualquer diligência para facilitar o acesso do Engº José Sócrates ao Instituto de Estudos Políticos, nem nunca chegou ao meu conhecimento que tenha havido qualquer dificuldade na respectiva admissão naquela escola.
No que me toca, e sobre este assunto, os factos são muito simples e não admito que sejam contestados. Em inícios de Julho, o antigo Primeiro-ministro contactou o embaixador de Portugal, porque gostaria de obter uma informação sobre os cursos existentes em Paris, numa determinada área académica que estava a pensar frequentar. Foi-lhe proporcionado um contacto com dois professores universitários dessa área, que melhor o poderiam elucidar sobre o assunto, facto que, aliás, surgiu então referido na imprensa portuguesa. A intervenção do embaixador de Portugal neste processo começou e acabou ali. Só no final de Agosto, quando regressei a Paris, é que vim a saber que o Engº José Sócrates havia escolhido aquela escola e que nela fora admitido."

SIM, SR.º EMBAIXADOR,
NÓS ACREDITAMOS EM SI...

ESCOLA ESSDINIS, CHELAS, LISBOA

"A Escola Secundária de D. Dinis - Lisboa está de Parabéns!

Conseguimos manter a classificação média de exames realizados do ano anterior, mesmo aumentando o seu número em 58 exames. Com igual sucesso, trepamos pelo ranking de escolas nacionais, passando de um 465º lugar em 605 escolas para um 324º lugar em 604 escolas. Estes dados são avançados pelo Correio da Manhã.

2010
Lugar: 465 (em 605 escolas consideradas)
Nº de Exames: 257
Média Geral: 9.96

2011
Lugar: 324 (em 604 escolas consideradas)
Nº de Exames: 315
Média Geral: 9.96

RANKING DAS ESCOLAS

O ranking das escolas faz todo o sentido... Especialmente quando se colocam, lado a lado, em comparação colégios com 8 alunos por aula, acompanhados pelo mesmo professor desde o 1..º ciclo e escolas, como a minha, com 28 marmanjos por sala, todos repetentes à excepção de um ou dois recambiados de outra escola e que andam, desde o 1.º ciclo, perdidos na família, na escola, na sociedade e no mundo.

Sim, o ranking das escolas faz todo o sentido. Especialmente se compararmos alunos oriundos de famílias classe média alta, com todo o acompanhamento necessário ao sucesso escolar e social, com alunos provenientes de famílias disfuncionais, com pais ausentes, violentos, mães alcóolicas,e mesmo prostitutas...

Sim, o ranking das escolas faz todo o sentido. Especialmente se compararmos o empenho e desgaste de um professor com 8 alunos pela frente, aplicados e com métodos de trabalho, com o empenho e desgaste de um professor que, perante 28 alunos repetentes, tenta a custo salvar a pele, procurando sobretudo sair da sala sem levar consigo uma ofensa... ou até mesmo uma cadeira pela tola...

Sim, o ranking das escolas faz todo o sentido...

10.12.2011

5 MINUTES MANAGEMENT COURSE

Lesson 1 :A priest offered a Nun a lift... She got in and crossed her legs, forcing her gown to reveal a leg.
The priest nearly had an accident. After controlling the car, he stealthily slid his hand up her leg.....
The nun said, 'Father, remember Psalm 129?' The priest removed his hand. But, changing gears, he let his hand slide up her leg again.   The nun once again said, 'Father, remember Psalm 129?'
The priest apologized 'Sorry sister but the flesh is weak.'
Arriving at the convent, the nun sighed heavily and went on her way.
On his arrival at the church, the priest rushed to look up Psalm 129.
It said, 'Go forth and seek, further up, you will find glory.'

Moral of the story:

If you are not well informed in your job, you might miss a great opportunity.
Lesson 2:A sales rep, an administration clerk, and the manager are walking to lunch when they find an antique oil lamp. They rub it and a Genie comes out.  The Genie says, 'I'll give each of you just one wish.'
'Me first! Me first!' says the admin clerk..  'I want to be in the Bahamas , driving a speedboat, without a care in the world..'  Poof! She's gone.
'Me next! Me next!' says the sales rep. 'I want to be in  Hawaii , relaxing on the beach with my personal masseuse, an endless supply of Pina Coladas, and the love of my life.'  Poof! He's gone.
'OK, you're up,' the Genie says to the manager.  The manager says, 'I want those two back in the office after lunch.'

Moral of the story:

Always let your boss have the first say.
Lesson 3:An eagle was sitting on a tree resting, doing nothing.
A small rabbit saw the eagle and asked him, 'Can I also sit like you and do nothing?'  The eagle answered: 'Sure, why not.'
So, the rabbit sat on the ground below the eagle and rested. All of a sudden, a fox appeared, jumped on the rabbit and ate it.
Moral of the story:
To be sitting and doing nothing, you must be sitting very, very high up.

Lesson 4:A turkey was chatting with a bull.  'I would love to be able to get to the top of that tree' sighed the turkey, 'but I haven't got the energy.'
'Well, why don't you nibble on some of my droppings?' replied the bull.  It's full of nutrients.'
The turkey pecked at a lump of dung, and found it actually gave him enough strength to reach the lowest branch of the tree.
The next day, after eating some more dung, he reached the second branch... Finally after a fourth night, the turkey was proudly perched at the top of the tree.
He was promptly spotted by a farmer, who shot him out of the tree.

Moral of the story:

Bull Shit might get you to the top, but it won't keep you there...

Lesson 5:

A little bird was flying south for the winter.  It was so cold the bird froze and fell to the ground into a large field. While he was lying there, a cow came by and dropped some dung on him. As the frozen bird lay there in the pile of cow dung, he began to realize how warm he was.
The dung was actually thawing him out!
He lay there all warm and happy, and soon began to sing for joy.  A passing cat heard the bird singing and came to investigate... Following the sound, the cat discovered the bird under the pile of cow dung, and promptly dug him out and ate him.

Morales of the story:

(1) Not everyone who shits on you is your enemy.

(2) Not everyone who gets you out of shit is your friend.

(3) And when you're in deep shit, it's best to keep your mouth shut!

THUS ENDS THE 5-MINUTE MANAGEMENT COURSE.

FOGO GREGO

VIRIATO SOROMENHO-MARQUES

Fogo grego

DN, 9 de Outubro de 2011

por VIRIATO SOROMENHO-MARQUES
Nenhuma cultura europeia amou tanto a herança da Grécia clássica como a cultura germânica no período do seu apogeu, que vai de Hölderlin e Hegel até Nietzsche. Este último, ao lado do nosso Andrade Corvo, foi um dos primeiros intelectuais europeus a antecipar a grande guerra civil europeia de 1914-1945, que deixaria o mundo, por duas vezes, em escombros.
Nietzsche, que como enfermeiro tinha visitado os campos de batalha da guerra franco-prussiana de 1870, teve uma clara visão da hecatombe que aí vinha. Em 1878, numa época de felicidade quase hipnótica - para evocar as memórias do grande escritor judeu, de língua alemã, Stefan Zweig -, Nietzsche recorreu à Grécia Antiga para representar o trágico futuro da Europa. Escreveu ele que os europeus iriam imitar os gregos, no seu pior. No auge do seu poderio, em vez de transformarem a sua profunda unidade cultural e civilizacional numa comunidade política ao serviço do espírito, fazendo de cada Estado um cantão numa grande Confederação Europeia, Nietzsche temia que a Europa replicasse, em escala ciclópica, a Guerra do Peloponeso. A Europa, tal como a Grécia clássica o fizera, caminharia para um suicídio sangrento.
No deserto de cultura humanista que hoje habita as chancelarias europeias, estas palavras soam aos ouvidos como se fossem proferidas em mandarim. Daria tudo para estar enganado, mas, quando em 2012, as ruas das cidades europeias, de Lisboa a Paris, passando por Berlim e Roma, forem ocupadas por multidões que vão exigir aos seus governos a devolução de um futuro que lhes foi roubado, então até as bisonhas criaturas que nos governam vão perceber que a Grécia, afinal, não habita a periferia, mas sim o coração da Europa.



Viriato Soromenho-Marques
Full Professor University of Lisbon

BRINDEMOS!

"Um brinde aos nossos defeitos,
porque as nossas qualidades
nenhum filho da puta
reconhece".



NEL MEZZO DEL CAMINO

Das duas uma: ou fluimos como o rio, deixando-nos ir ao sabor da corrente mesmo que ela nos leve a sítios onde preferíamos não ter ido ou lutamos contra a corrente e ficamos parados, seguros, tementes, engando-nos a nós próprios... convencendo-nos de que esse foi a melhor forma de estabelecer limites, de não ultrapassarmos a zona de conforto e de nos protegermos!
Puro engano!
O valor das coisas não está no tempo em que elas duram,
mas na intensidade com que acontecem.
Por isso existem momentos inesquecíveis,
coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.

(Fernando Pessoa)

QUINQUILHARIAS

Ela tinha a mente povoada de quinquilharias
e não sabia...

Claro!

Claro que isso é o que acontece, dum modo geral, quando se comem bolos, mas Alice estava já de tal maneira metida em coisas impossíveis que lhe parecia banal e estúpido que a vida continuasse na mesma.


Lewis Carroll

BONS CONSELHOS

 
Ela geralmente dava muitos bons conselhos a si própria embora raramente os seguisse...

RAINHA DOS PRADOS

No mundo por ela habitado, onde o deixou entrar, existe espaço para os dois. Mas ele ainda não sabe.
Ela podia, se quisesse, ter-se escapado dele pelos caminhos secretos que só ela conhece, onde tudo existe sem ser tocado pelos homens... Pelo contrário, abriu-lhe as portas do seu Santuário secreto sem temer que ele lhe desvendasse os segredos. Sabia que ele nunca os alcançaria, por mais que tentasse. Há mundos únicos, habitados apenas por seres irrequietos, plenos de luz. Poder-lhe-ia ter dito as palavras mágicas. Poderia tê-lo beijado como aprendera com as Deusas.. poderia até ter-lhe permitido aceder aos seus recantos interiores, onde reinam as pradarias macias e húmidas como os seus dois corpos unidos. Mas nada fez.
E ele regressou a casa, em triunfo...  Transportava consigo mais uma vitória. Outro momento em que se desafiara a si próprio... porque disso precisa para poder acordar. Esqueceu-se, ele, que há poucos momentos na vida em que o mundo de cima desce para nos salvar.
A Rainha dos Prados nunca hesitara quanto ao caminho a tomar, quanto ao lugar por onde devia ir... excepto naquela manhã em que desejara existir como os demais, ser real... e poder ser abraçada para sempre por aquele abraço que ele lhe recusou...

Naquele tempo...

No princípio de tudo, era o tempo dos sonhos... Aquele tempo em que, em vez de moelas recheadas de alfinetes, jantávamos salmão à sombra dos abismos e éramos felizes! Um tempo em que o grande segredo do amor era simplesmente não amar... Tempos em que passávamos noites juntos à luz do fogo que ardia nas nossas mentes sem nunca tocarem o coração.

Nessa altura, eu sabia já, como sei hoje, que tudo o que deixamos ir está perdido para sempre.

BLACK DRESS

Ela pertencia àquele grupo de mulheres que se sentam sempre na segunda fila embora desesperadas por se sentarem na primeira. Naquela tarde, quando procurava a sua metade perdida entre os estilhaços que restavam da sua vida, percebeu duas coisas. Uma, que as emoções são o colorido da alma e que não valia a pena disfarçá-las de palhaço... a outra, menos relevante e, por isso, mais interessante, que os corações sobrevivem...


10.11.2011

GONE

Após aqueles dias de verão, tudo o que eu era perdeu-se para sempre! GONE...

GET YOUR TONGUE OUT OF MY MOUTH, I'M KISSING YOU GOODBYE

Às vezes tenho tendência para as inseguranças, as incertezas, as imbecilidades, as infantilidades... às vezes esqueço-me de que não tenho assim tão mau feitio e deixo que me pisem. Nem todas as manhãs ao acordar dou graças por ser como sou: irrequieta, segura e carente.

Por isso, hoje apercebi-me de que era hora de me tornar visível. Chega de invisibilidades e a partir de hoje mesmo vais saber quem sou. Vou deixar-te porque estou cansada da tua imaturidade, dos teus jogos, da tua incapacidade gritante para amares. Mas até lá vais perceber que, apesar do meu metro e sessenta e cinco, uma pessoa é alta quando sente que é alta e está provado que podemo-nos sentir altos se olharmos para os outros de cima para baixo, coisa que nunca me habituei a fazer.

Sim, hoje acordei com a sensação de que poderia, com facilidade, largar a minha vida sem fazer barulho e meter-me noutra. Tudo no silêncio das 6h da manhã e perante uma total ausência de gravidade. Mas são momentos em que constato também que não consigo viver sem o teu cheiro a pó de talco de bebé...

Acho que o meu maior defeito é a ingenuidade disfarçada de manias de independência e autodomínio. Mas confesso a minha limitação: fui profundamente dependente de ti. E gostei de o ser. Não, não sou independente como ando há anos a autoconvencer-me. E talvez por isso, hoje tenha acordado com esta necessidade de te dizer que, de ti, quero tudo ou nada.

Mas és imaturo, inseguro, indeciso e pouco empenhado. Não é que eu quisesse um lambe-botas. Nem tenho nada contra aqueles homens que lêem nos olhos das suas mulheres... Mas tu és impressionantemente atrofiado emocionalmente e estás a dar-me cabo da alma... e do juízo também. É claro que não gostaria que me dissesses: - Queridinha, é a minha alma gémea e não consigo viver... Sabes como detesto a neurose das almas gémeas. Porém, que tal dizeres-me, apenas, o que sentes?

Hoje, mais uma vez, acordei de madrugada, algo que acontece quando me sinto particularmente bem ou particularmente mal. Se que o meu outro grande defeito tem sido a minha total incapacidade de ser bruta... mas só até aqui. A partir de hoje vou tornar-me, com a tua preciosa ajuda, uma verdadeira cabra.

Por isso, "get your tongue out of my mouth, I'm kissing you goodbye."

7.12.2011

MIND & LIFE

Nos meus cursos de PNL abordo com frequência o treino da mente e, indivíduos adultos, integrados profissionalmente, muitos deles em topo de carreira, fitam-me com ar desconfiado quando lhes digo que podemos transformar os nossos padrões cerebrais e, em consequência, comportamentais.

Nesta última acção, trabalhámos a neuroplasticidade no sentido de mostrar que o treino pode modificar o nosso cérebro, desenvolvendo zonas específicas. Ora, a grande descoberta e que mais fascínio tem exercido em quem se interessa pelos fenómenos da mente, prende-se com a possibilidade de desenvolvermos zonas do cérebro associadas à delicidade. OU seja, ser feliz é uma habilidade que pode ser cultivada, independentemente do contexto das nossas vidas. Há dias, entre amigos, perguntaram-me como conseguia ser feliz no quadro dramático do meu núcleo familiar. Respondi apenas que, não sendo fácil, é possível. Basta começarmos por limpar a mente de todas as toxinas que, sem queremos, lá se alojam. E substitui-las por emoções positivas... destas destaco o altruísmo, o amor, a compaixão e sobretudo, acreditem, a CRIATIVIDADE. Julgo mesmo ser esta a chave de tudo. Apesar de possuirmos um masterplan que nos acompanha, esse genoma que nos acompanha pode não chegar a ser executado.

Assim, a mensagem principal de e para tudo na vida? Existe em todos nós um potencial para a mudança. Não nos acomodemos. A neuroplasticidade - enquanto capacidade de mudar a estrutura do cérebro -é independente da idade e dos factores que podem querer condicionar como grilhões. Fiquemos atentos, pois. Somos capazes de mudar. O mundo pode ruir à nossa volta, os seres queridos podem adoecer e até morrer, o amor da sua vida pode ter desaparecido, não conseguiu o emprego desejado, não consegue ter filhos, etc e tal e tal... pois... basta recordar que a tristeza é incompatível com o prazer mas não propriamente com a felicidade.

Aprendi, com a vida, a ser menos vulneráveis às circunstâncias exteriores... That's it!

7.03.2011

RAINHA DOS PRADOS

Podia ter-se escapado pelos caminhos secretos que só ela conhece. Podia tê-lo beijado como aprendera com as Deusas. Podia mesmo ter-lhe soprado ao ouvido as palavras mágicas... Mas ela nada fez. Limitou-se a abrir-lhe os portões do seu santuário secreto, onde a água e a terra aguardam pelo fogo sagrado para se transformaram e subirem aos céus. Movida por um impulso da sua prória alma, deixou-o entrar sem nunca desviar o olhar. E uma Deusa não se deixa olhar assim... Por qualquer razão sublime, permitiu-lhe o acesso aos mistérios do seu mundo, ainda antes do nascer do sol.
Ele regressou a casa, num descampado da vida... certo de mais uma vitória, de mais um desafio... sem o qual não consegue voltar a acordar.
Ela, que nunca tivera dúvidas quanto ao caminho a seguir, ao lugar por onde devia ir, naquela manhã hesitou... uma manhã em que desejara existir para poder ser abraçada no abraço que ele lhe resusou...

4.08.2011

NOT NOW DARLING, I'M READING HIM

Após ler-te e reler-te e voltar a ler-te, concluo que não me canso de ti.  Quando me sinto escurecer, agarro num dos teus livros e transformo-me em ti. Ora fico por casa ora saio em busca do nada que acabo, inevitavelmente, por encontrar. O telefone toca e é sempre a mesma voz desconhecida a oferecer-me o mistério da minha própria vida numa bandeja de prata. I don't panic. I count to ten. Then I panic! É sempre assim desde que te comecei a ler. Não consigo parar de fazê-lo. E muito menos esquecer as tuas palavras. Como posso eu esquecer-te se, és afinal, a minha infância?

BE ORIGINAL

Se nasceu como um original,
não morra uma cópia!

TEMPO DE MUDAR

"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos. " Fernando Pessoa 

ENTRE CONTINENTES

Sempre que reaparece o sol, agarro no meu livro e vou-me instalando nas esplanadas do meu bairro. Por momentos, dou por mim a olhar em volta e a observar.

A esplanada a norte tem sol pela manhã e uma população essencialmente constituída por casais e os seus rebentos mais ou menos barulhentos. Surgem sempre aos pares, acompanhados de carrinhos de bebé ou de crianças de 2, 3 anos pela mão. De vez em quando, aparece uma avó ou outra. Nada mais acontece por ali. Escolho este local apenas pelo sol. Nada tenho contra as crianças. Mas os pais aos berros, clamando pela Carolina, pelo Bruno e pelos Ricardinhos enervam-me. E ainda mais irritante é a terrível abelha-maia que desata a grunhir sempre que recebe uma moeda de 1 euro e onde aqueles seres passam uns momentos de plena felicidade, encavalitados em cima da dita abelha. Resisto. Aguento. Fumo mais um cigarro. O fumo espalha-se. Ai, o fumo!, - pensam alguns pais embora se mantenham em silêncio. Bebo mais um café.

A outra esplanada tem sol pela tarde. É habitada por uma gente diferente. Observo-os de vez em quando. Porra, são giros. E vestem-se bem. Invariavelmente, usam jeans de marca, ténis puma e t-shirt coladinha ao corpo. Perceberam? Coladinha ao corpo... Pois! São eles mesmo. Instalam-se por ali aos pares. Outras vezes sós. Transportam consigo o seu laptop com internet wireless e são uns heróis. De quando em vez atendem o seu telemóvel de terceira geração.

Sorrio. Sorrio-me. Sou uma ilha entre estes dois continentes que nunca se cruzam

SOU COMO UM GATO

"Sou como um gato. Atirem-me ao ar e cairei sempre de pé." Bette Davis

Atirou-se da janela do 5.º andar. Pela segunda vez. Apanhei-o de dentro de uma poça de sangue. Olhava-me com os seus olhos ternos e suplicantes. Amo-o. Amei-o desde a primeira vez que o vi. Pequenino, hesitante. Agarrei-o ao colo e trouxe-o comigo para casa contra todas as expectativas. Desde esse dia que me apoio nele. Um ser arisco e ternurento, de uma ternura extraordinariamente independente mas que me prende, me conforta e me dá prazer.

Levei-o às urgências. Disseram-me: "se for coluna vertebral, terá de mandar abater." Assim, nua e cruamente, como se eu pudesse mandá-lo abater e continuar na posse de todas as minhas faculdades. Mas não era. Parecia apenas. Fractura da bacia. Ficou no hospital. Regressou ontem para casa. Agora está aqui ao meu lado, imóvel e questionante, com os seus olhos suplicando mimo e festas. Safou-se desta! Mas só já lhe restam 5 vidas. Sinto-o próximo de mim. É como se, solidário comigo e com os meus momentos de atracção pelo abismo, se atirasse da varanda em meu lugar.

EM BUSCA DO CARNEIRO SELVAGEM

EM BUSCA DO CARNEIRO SELVAGEM

De novo, a viagem iniciática. A procura do que se perdeu algures. O contacto com a morte e o que daí resulta para cada protagonista de Murakami. Mais fragmentos dispersos da consciência de um "eu", dos nossos "eus", porque é difícil falar das coisas que realmente nos importam, Murakami vai intercalando na sua quest pelo sentido da existência, personagens que apresentam em comum o contacto com o mar, o refúgio em locais distantes e isolados, o nonsense do que depois se torna essência.

Em Busca do Carneiro Selvagem: tudo o que faz uma vida... acordar, trabalhar, perder, amar, sofrer, chegar, partir. Há coisas que se esquecem, outras desaparecem, outras ainda morrem. não é preciso fazer nenhum drama por isso. (p.32) Pois não. Morte, vida, sonho, sexo, amor, traição, gatos, mar, cabana, mistério, obcessão, rotinas... No aquário da minha imaginação é sempre fim de Outono, diz o protagonista. O mesmo Outono que se sentiu em Kafka Kamuri, o mesmo Outono do próprio Murakami, o nosso próprio Outono...

O carneiro selvagem que todos possuímos dentro de nós mas deixámos fugir. Ou o carneiro selvagem que todos procuramos porque toda a gente tem alguma coisa que não quer perder: Nem essas células dos nossos corpos que se renovam todos os meses e que levam consigo parte de nós. Tornamo-nos carneiros tresmalhados... Sim, que à força de vivermos rodeados de gente estúpida, acaba-se por desconfiar e tudo e de todos. Quem me dera, também eu, partir em busca de qualquer coisa. Precisamos de ir em busca de qualquer coisa, algo que dê significado à vida. É isso, a vida: uma busca permanente. (p.240)

3.20.2011

CARTA DE DESPEDIDA (PODEM COPIAR LOL LOL LOL)

Às vezes tenho tendência para as inseguranças, as incertezas, as imbecilidades, as infantilidades... às vezes esqueço-me de que não tenho assim tão mau feitio e deixo que me pisem. Mas hoje apercebi-me de que era hora de me tornar visível.  Vou deixar-te proque estou cansada da tua imaturidade, dos teus jogos... Mas até lá vais perceber que, apesar do meu metro e sessenta, uma pessoa é alta quando sente que é alta e está provado que podemo-nos sentir altos se olharmos para os outros de cima para baixo, coisa que nunca me habituei a fazer.
Hoje acordei com a sensação de que poderia, com facilidade, largar a minha vida sem fazer barulho e meter-me noutra. Tudo no silêncio das 6h da manhã e perante uma total ausência de gravidade.
Tenho isto a dizer-te: és imaturo, inseguro, indeciso e pouco empenhado. Não é que eu quisesse um lambe-botas. Nem tenho nada contra aqueles homens que lêem nos olhos das suas mulheres... Mas tu és impressionantemente atrofiado emocionalmente...
Sei que o meu grande defeito tem sido a minha total incapacidade de ser bruta... mas só até aqui. A partir de hoje vou tornar-me, com a tua preciosa ajuda, uma verdadeira cabra. Por isso, "get your tongue out of my mouth, I'm kissing you goodbye."

O QUE É QUE FALHOU?

Ela pediu-lhe algo brilhante. Ele ofereceu-lhe um candeeiro.
O que é que falhou? lol

VIDA EM FORMA DE PATCHWORK

A minha vida - se calhar como todas as vidas - é feita de retalhos, um patchwork nem sempre perfeito mas repleto de momentos que certamente me dão muitas razões para sorrir.
Pequenos almoços de nan e laci em terras da Índia, as ruelas de Udaipur atravessadas por elefantes, as cores e cheiros de Jaipur, o mistério do Ganges em Varanasi, o Outono em Londres, deambular pelos mercados de Portobello e Camdem, percorrer as ruas de Oxford, entrar nas suas muitas livrarias, ver teatro em Stratford-Upon-Avon, perder-me em Nova Iorque, ver nevar no Central park, horas perdidas em Manhattan, o fim do ano no Hogmanay de Edimburgo com muitos kilts à minha volta e onde a tradição ainda é o que era (nada por debaixo dos kilts), as danças índias na Cidade do México, o sol do Olodum em São Salvador da Baía, a beleza estonteante do Rio de Janeiro, as pontes de Praga, os bares e música cigana de Buda e de Peste, os bombons de chocolate Mozart de Viena de Aústria, a música de Salzburg, as gentes de Cuba e os seus sorrisos, um café na Bodeguita del Medio em Havana, os cachimbos de água fumados no Cairo, o Khan Al Kha-lili, o deserto de Siwa, a biblioteca de Alexandria, atravessar o Atlas de carro em Marrocos, jantar por 50 cêntimos na praça Jam Al Fna em Marrakesh, perder-me na medina de Fes, um passeio de bibicleta em Amesterdão, o ferragosto na Sicília, uma spagetada com uma família siciliana, percorrer os canais de Veneza a ouvir a banda sonora do filme O Piano, uma bebida numa esplanada da praça S. Marcos, conduzir em Nápoles, o Coliseu de Roma, a Torre de Pizza, as ruínas de Pompeia, o mar revolto de Génova, a arte pelas ruas em Barcelona, os canais de Bruges, as ilhas gregas, as compras na Plaka em Atenas, as ruelas de Jeru´salém ou as praias de Telavive, ou do Mar das Caraíbas, o Oceano Pacífico ou o Índico... banhar-me em Saona e não querer voltar, dançar até cair para o lado em Cabo Verde, percorrer de barco os locais das filmagens do Platoon, um hamam na Turquia, o Hotel PÊRA PALAS e o quarto de Agatha Christie, navegar rios e canais na selva silenciosa da Costa Rica, ver os navios passar o Canal do Panamá, Petra ao fim da tarde, um jantar em Miami Beach, a colorida Sidi bou Said na Tunísia, e Palolem, sempre sempre Palolem...

3.15.2011

O CASAMENTO

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A instituição do casamento, como a (re)conhecemos hoje é indubitavelmente a maior estupidez deste mundo e, provavelmente, do outro.

DA COSTA RICA AO PANAMÁ

Dia 1 - TAP AIR PORTUGAL, TP 121, destino - CARACAS, aeroporto Simon Bolivar. Viagem de 8h 05m. Aterrei eram 14h15, hora local na Venezuela. Dali, seriam ainda mais 3h para Sao José, capital da Costa Rica. Hostal Pangea, indicada pela Lonely Planet, foi o lugar escolhido para pernoitar: 23 dias de viagem para limpar a mente e relaxar.
Dia 2 - Mal dormi na primeira noite na Costa Rica. Ou do Jet Lag ou o lado emocional da viagem a falar mais alto. Passei toda a noite a olhar o tecto. Por volta das 5h da matina levantei-me e saí para a rua. A cidade de S. José acorda cedo. Ainda que aparentemente calma àquela hora, por volta das 8h o movimento era já intenso. Mas as pessoas respiram calma, um certo ar de relax, como se a palavra stress lhes fosse estranha. Respira-se tranquilidade. O lema dos ticos parece fazer aqui todo o sentido. Que PURA VIDA!
Deambulei pelas ruas da cidade depois de um delicioso pequeno almoco costariquenho constituido por Gallo Pinto (arroz com feijão e ovos e tomate, tudo acompanhado pelo mais delicioso cafe que se possa imaginar. Pequenos prazeres que fazem a delícia de um viajante. O contacto com os locais , com os seus cheiros e sabores, enfim, a vida na sua maior simplicidade. O povo afectuoso, trata nos com carinho e sem qualquer tipo de pressão. Visita ao Mercado Central de S. José. Dia 2 de Agosto, dia feriado. Dia da Virgem de Los Angeles, conhecida como LA NEGRITA. Milhares der romeiros visitam a Basílica situada em Cartago, antiga capital situada a 22 km de S. José, vindos de toda a Costa Rica. Reza a lenda que esta santa teria aparecido a uma menina em forma de uma pedra negra no local onde hoje se encontra a igreja. A menina pensou ser uma boneca e levou-a para casa. Mas a pedra negra, em forma der santa, tornava a aparecer sempre no local onde surgira pela primeira vez. Perante tal facto, a Igreja permitiu ali o aparecimento de uma basilica que hoje recebe milhares de fiéis.
Dia 3 - Partimos de S. José com destino a Quepos. 4h de viagem em autocarro. Delicieime com uma paisagem luxuriante que me deu o feeling de estar a visitar um jardim botãnico em tamanho gigante. Em Quepos, o Parque Nacional Manuel António era o nosso destino. Escolhemos o inesquecível Hotel Costa Verde cujo lema se rege pela frase "still more monkeys than people". O que posso confirmar ser absolutamente verdade. Vi mais macacos a trepar e a saltar de galho em galho do que pessoas por ali. Passei o dia na piscina virada ao mar azul entre palmeiras e em plena floresta tropical. Adormeci ao som das muitas aves, do som dos insectos e dos gritos dos macacos. O jantar foi em frente ao mar, depois de algumas horas de deleite na varanda do nosso quarto, ao som de uma tempestade tropical. A chuva intensa e os relãmpagos que iluminavam o céu transportam-me para outro mundo. Estava nos trópicos, virada ao oceano pacífico.
Dia 4 - Deambulei pelo Parque Nacional Manuel António, a 7km de Quepos. Macacos, preguicas, jacarés, aves, insectos, tudo embrenhado numa paisagem de perder o fôlego. Praias de capa de revista, de areia imaculadamente branca e águas quentes com palmeiras a baloiçar. E desertas!
De regresso e rumo a outras paragens, pernoitámos novamente em S. José pois perdemos o autocarro para Cariari. Depois de um saboroso jantar, conhecemos o Bairro Amon, repleto de prostitutas e travestis e bares suspeitos, tudo misturado com normais estudantes que por ali passavam.
Dia 5 - Partimos de S. José com destino a Cariari de onde apanhámos um autocarro para um lugar estranhíssimo, ponto de partida do barco que nos levaria a Tortuguero. Duas horas e meia de bote em plena selva. Descemos o Rio Tortuguero entre margens repletas de vegetação virgem habitada por espécies variadas. Macados saltavam de galho em galho e nas margens do rio vi jacares e crocodilos. Em plena noite, caminhámos horas para chegar a uma praia onde as tartarugas vem desovar. Depois tapam os ovos e rumam ao mar. Verdadeiramente tocante. Adormeci cansada.
Dia 6- Acordei ao som da chuva. Muita chuva. Intensa. Tropical. Quente. Após uma deliciosa panqueca com doce e manteiga, mais uma viagem de bote. Desta vez pelos Canais de Tortuguero rumo a Puerto Limon. Alguns crocodilos repousavam tranquilamente nas margens do rio, ao longo dos canais, enquanto árvores estranhas e aves de todas as cores pairavam sobre nos.
Almocei em Puerto LImon, cidade de espirito tipicamente carribenho. Seguimos para Cahuita.
Dia 7 - Conhecemos Cahuita, uma vila com uma praia de areia branca e palmeiras mas a chuva impediu-nos de ficar. Seguimos para Puerto Viejo de Talamanca. Estivemos nas Cabanas Yucca, em frente ao mar e ouvimos muito reggae nos bares da vila.
Dia 8 - O dia foi passado em Puerto Viejo e na sua Playa Negra. Habitam esta vila pessoas de 44 nacionalidades diferentes e sente-se o espírito internacional. Malta de todo o lado passeia a pé, de bicicleta, a cavalo. Um mundo!
Dia 9 - Partimos de Puerto Viejo rumo a Sixaola, ultima localidade na Costa Rica antes de entrarmos na Panamá. A fronteira para o Panama surge a seguir a uma ponte apodrecida que se atravessa a pe. Guabito, no Panamá, fica do outro lado do rio e da ponte. Dali, fomos de taxi para Changuinola de onde apanhariamos o barco para Bocas del Toro, capital da Isla Colon. Uma ilha virada ao mar de um lado e, do outro, ao rio, com casas de madeira sobre a água, pintadas de todas as cores imagináveis. Escolhemos um hotel com uma vista soberba sobre o mar e jantámos camarões no El Pirata. Adormeci a ler Falling Angels e a personagem da Avy May nunca mais me saiu da mente.
Dia 10 - Acordei por volta das 9h e instalei me no magnifico terraço do hotel a beber café e a saborear a paisagem. Fomos a Bocas Del Drago, uma praia de aplmeiras e cocos a cair de quando em vez.
Dia 11 - Visitamos a Isla Bastimentos, um local difícil de descrever. Pobre, sem turismo, isolado e repleto de potencialidades. Imagino como será este local dentro de 10 anos. Um caminho íngreme pelo meio da selva levou-nos a uma praia idílica de areia branca, mar azul, aguas quentes e sol, muito sol. Antes do regresso a Bocas del Toro, saboreámos uns momentos de descanso no único bar da ilha, com música reggae e fotos do Bob Marley por todo o lado.
Dia 12 - Viajámos durante todo o dia. De Bocas del Toro, de barco para Almirante.De Almirante para David, 3h 30 de autocarro. Daqui para Penonome, 5h de autocarro. Chegamos a Penonome e optámos por dormir no hotel mais proximo.
Dia 13 - Saimos para El Valle de Anton, uma cidade pitoresca no vale de uma montanha onde, todos os Domingos, se realiza um célebre mercado de artesanato onde indígenas de locais distantes aproveitam para vender os seus produtos. Da varanda do hotel deliciei-me com uma fantástica paisagem sobre a montanha. Andámos de bicicleta e comemos pizza ao jantar.
Dia 14 - Após um passeio pela Feira de Artesanias de El Valle, seguimos de autocarro para a Cidade do Panamá, cerca de 2h de viagem. Visitámos a zona de Casco Viejo, zona antiga da cidade e andámos a pé como forma de conhecermos um pouco a cidade. Cansados, optamos por um tour pelos principais destinos turisticos: Causeway, Ponte de Las Americas, Marbella, Panama La Vieja, Casco Viejo e La Catedral.
Dia 15 - Visita ao Canal do Panamá. Fiquei impressionada com a fabulosa obra de engenharia que ali se encontra. Imaginem que estava no Canal do Panama, a ver os navios passar! A Julia Pinheiro, marido e filhos! lol Dali, perdemos o juizo nas muitas lojas do Allbrook Mall pois o consumismo e o cosmopolitismo de um centro comercial já estava a fazer-nos alguma falta. LOL
Dia 16 - Fui conhecer Panama La Vieja, as ruinas da antiga cidade do Panamá. Ficámos numa esplanada a olhar ao mar na zona antiga da cidade. De regresso, visitei o Multicenter e o jantar foi no Planet Hollywood.
Dia 17 - A Causeway representa uma maravilhosa zona de recreio para os habitantes da cidade. Dali avista-se mar de todos os lados e que bom ver os navios de recreio atracarem. Vive-se bem ali.
Dia 18 - Andamos nos coloridos e folclóricos autocarros da cidade do Panamá. A Avenida Central, repleta de comeárcio, lembra outras baixas de cidades sul americanas como o Rio de Janeiro, Santo Domingo...
Dia 19 - Dia passado na Piscina do luxuoso Hotel Panamá, um bónus merecido após tantos dias de mochila as costas.
Dia 20 - ibidem
Dia 21 - Despedida da Cidade do Panamá. Olhei o mar e os arranha-céus desta pequena Manhattan da America Central. Um gelado na Baskin Robbins transportou-me para a realidade que se aproximava. O regresso no dia seguinte.
Dia 22 - Viagem pela Copa Airlines da Cidade do Panamá, aeroporto Tocumen, para Caracas, 2h 15m. Depois vôo da Tap 130 para Lisboa, partida de Caracas as 17h e chegada prevista a Lisboa às 6h da manha do dia seguinte.
O fascino de uma viagem permanece muitos dias, meses e anos depois de ter acabado.

HEMODIÁLISE AFECTIVA


"Quando, numa daquelas noites mágicas em que conseguimos abrir o coração e revelar os nossos segredos mais inconfessáveis, lhe contei a minha história, ele agarrou-me a cabeça com cuidado, trocou o olhar com o meu como se tivesse entrado na minha cabeça e disse-me uma das coisas mais queridas e belas que alguma vez ouvi: meu amor, o que tu precisas é de uma transfusão emocional.
Graças a ele, estive dois anos em hemodiálise afectiva (...)."
in Pessoas como Nós

VIDA EM FORMA DE PATCHWORK


A minha vida - se calhar como todas as vidas - é feita de retalhos, um patchwork nem sempre perfeito mas repleto de momentos que certamente me dão muitas razões para sorrir.
Pequenos almoços de nan e laci em terras da Índia, as ruelas de Udaipur atravessadas por elefantes, as cores e cheiros de Jaipur, o mistério do Ganges em Varanasi, o Outono em Londres, deambular pelos mercados de Portobello e Camdem, percorrer as ruas de Oxford, entrar nas suas muitas livrarias, ver teatro em Stratford-Upon-Avon, perder-me em Nova Iorque, ver nevar no Central park, horas perdidas em Manhattan, o fim do ano no Hogmanay de Edimburgo com muitos kilts à minha volta e onde a tradição ainda é o que era (nada por debaixo dos kilts), as danças índias na Cidade do México, o sol do Olodum em São Salvador da Baía, a beleza estonteante do Rio de Janeiro, as pontes de Praga, os bares e música cigana de Buda e de Peste, os bombons de chocolate Mozart de Viena de Aústria, a música de Salzburg, as gentes de Cuba e os seus sorrisos, um café na Bodeguita del Medio em Havana, os cachimbos de água fumados no Cairo, o Khan Al Kha-lili, o deserto de Siwa, a biblioteca de Alexandria, atravessar o Atlas de carro em Marrocos, jantar por 50 cêntimos na praça Jam Al Fna em Marrakesh, perder-me na medina de Fes. um passeio de bibicleta em Amesterdão, o ferragosto na Sicília, uma spagetada com uma família siciliana, percorrer os canais de Veneza a ouvir a banda sonora do filme O Piano, uma bebida numa esplanada da praça S. Marcos, conduzir em Nápoles, o Coliseu de Roma, a Torre de Pizza, as ruínas de Pompeia, o mar revolto de Génova, a arte pelas ruas em Barcelona, os canais de Bruges, as ilhas gregas, compras em Atenas, as praias do Mar das Caraíbas, o Oceano Pacífico ou o Índico... banhar-me em Saona e não querer voltar, percorrer de barco os locais das filmagens do Platoon, um hamam na Turquia, o Hotel PÊRA PALAS e o quarto de Agatha Christie, navegar rios e canais na selva silenciosa da Costa Rica, ver os navios passar o Canal do Panamá, a colorida Sidi bou Said na Tunísia e Palolem, sempre sempre Palolem...

O HOMEM CASADO



E foi então que ele lhe disse que tinha casado, que até gostava da mulher e era quase feliz mas que tinha saudades, morria de saudades, do sexo que faziam juntos e que adoraria se pudessem voltar a encontrar-se... e que se ela quisesse ele seria sempre dela... :)

A ROTINA QUOTIDIANA DO CONCUBINATO


Há qualquer coisa de errado nas famílias ou será apenas impressão minha? Não encontro nada de mais irritante do que as obrigações impostas por esta instituição criada não sei bem com que fim e, cada mais, subscrevo o que diz o MEC:
"A família é um equívoco. A família está a dar cabo das pessoas. Há algo de promíscuo na maneira como as pessoas vivem. As pessoas vivem umas em cima das outras. São obrigadas a ver o mesmo canal de televisão, a comer o mesmo arroz de polvo, a ouvir as mesmas discussões, a ver os mesmos roupões... É pouco saudável. Não admira que toda a gente queira bater a asa à primeira oportunidade. (...) Se se quer conservar a família, é preciso mantê-la separada. A distância facilita o respeito. marido e mulher deveriam ser obrigados a convidar-se diariamente para jantar. As refeições obrigatórias sabem sempre mal. O convívio forçado à mesa não é uma prova de amor, é um refeitório de penitenciários. Só separada a família pode sobreviver. Contígua mas não comunitária. Adjacente mas não jazente. Se um casal for impelido, por razões habitacionais, a tocar à porta, a levar flores, a convidar para jantar, a fazer a corte para poderem dormir juntos, o amor pode durar muitíssimo mais. (...) Para uma família ser feliz tem de haver sedução. (...) Marido e Mulher, caso queiram permanecer juntos, têm de passar a vida a engatar-se. (...)
O Amor é demasiado raro e difícil para se estar a esbanjar na rotina quotidiana do concubinato."

PÉSSIMOS AMANTES

No fundo, e pensando bem, à distância de algumas boas doses de lágrimas, nós mulheres, somos as verdadeiras e únicas culpadas do sofrimento que os homens nos infligem. Porque, se o mundo está tão cheio de péssimos amantes, a culpa é nossa, é da imensidão de mulheres porque, na maioria das vezes, não nos atrevemos a dizer-lhes onde é que eles falham e que o sexo com eles é uma verdadeira merda, e que já tivemos amantes fantásticos juntos dos quais eles não têm absolutamente valor nenhum. Mas não... Somos peritas em enganá-los, iludi-los, fazendo-os acreditar que, sendo pro vezes  vergonhosamente ridículos, são os maiores amantes do planeta. Estúpidas... estúpidas e grandes cabras que nós somos.

SÓ DESGRAÇAS LOL LOL

(...)
Se, uma noite, numa festa, me acho irresistível, posso ter a certeza de que, na manhã seguinte, me nasce uma borbulha no queixo. Uma daquelas que doem, mesmo que não lhe toques.
Se, depois de uma fogosa noite de sexo desenfreado, e decido sair de casa sem dizer uma palavra, como mulher verdadeiramente emancipada, é certo e sabido que me roubaram o carro.
Se vou cedo para a cama, é certo e sabido de que não ouvirei o despertador na manhã seguinte.
Se me apaixono, é pelo homem errado.
Se sou traída, é pelo homem certo.
Se perco peso, é só água.
Em mim, há sempre qualquer coisa que não bate certo. Sou eu que não sei agir de outra maneira. Mal resolvo um problema, arranjo outro."
Por isso, continuo à espera que Jesus abra uma fenda no céu e diga: "Bem, meus meninos, desta vez, chegou a hora daquela pequena, ali, ao fundo."
in Ildiko von Kurthy, Coração à Deriva

PARA QUÊ BARRICAR AS EMOÇÕES?

Comecei a apreciar a manhã e a brisa que me despenteia os cabelos já de si pouco penteados. Agora... ler e meditar, observar os pequenos nadasmatinais, sentir o valor de cada pequena coisa ganharam sentido. A calmia emocional tende a instalar-me, pouco a pouco, após tantas noites de luta desenfreada contra a sensaçáo de vazio e de mal estar. Percebi que de nada vale tentar barricar as emoções que, inevitavelmente, cabam sempre por se derramar. Só o tempo pode ajudar à tranquilidade. É preciso tempo. Tempo para viver. Tempo para esquecer. Tempo para escutar.
Agora aprecio as diferentes tonalidades que o Tejo toma até o sol surgir por completo no horizonte. Agora usufruo finalmente do prazer da manhã ao sol do Alentejo. Agora estou numa pausa da minha viagem em busca do sol.

GATO DESLUMBRADO

Há dias dei por mim perplexa perante o louco corropio do meu mimado gato citadino face aos pequeninos seres esvoaçantes que habitam o meu jardim alentejano. Nunca tinha visto um gato deslumbrado. E também eu me senti deslumbrada perante a vida naquela manhã de quase Priumavera.

SO WHAT?


Sim, sobra-me viver, que é bem giro. Sim, estive em Barcelona. Sim, dormi no quarto de um anarco-sindicalista. Sim, fui a um bar barroco lindo. Sim, conheci uma aventureira alemã especialista em "branding". Sim, conheci um gay que edita a maior secção de uma revista de grande sucesso. Não, não me chega. Falta-me uma coisa essencial. Sabes o que é? A paz de espírito que só surge quando se ama e é amado incondicionalmente, mantendo individualidade e liberdade, sem querer prender o outro a nós mas sentindo a plenitude do encontro.

3.11.2011

NO MEIO DO DESERTO


Ninguém se apaixona quando tudo corre bem. Apaixonamo-nos quando acaba a gasolina, no meio do deserto. Atesta-se o depósito com umas patranhas, umas palavras, uns absurdos, e enfia-se tudo no desgraçado do reservatório, que está seco. Ninguém quer estar parado, sozinho, no meio do nada.

O RISO DE DEUS


"Eu não era uma amargurada mas tinha algumas ansiedades. Dava as minhas aulas na universidade, tiha uma boa relação com o meu marido e com os meus filhos. Hoje, já sei de que era o meu vazio: acho que só a minha relação com os filhos era verdadeira. As aulas não me diziam nada porque a gente a certa altura descrê dos saberes e repara que estamos ali a cumprir um ritual... Com o Bob eu estava bem, mas não tinhamos nada a dizer um ao outro. A gente não consegue convencer-se de que não é vida chegar a casa à noite, comer, ouvir uma música e ficar naquele frente-a-frente absurdo, em que a imaginação e a novidade, quando aparecem, vêm da televisão e não de nós."

O Riso de Deus de António Alçada Baptista

SUBIR A ESCADA ROLANTE QUE DESCE

"A minha vida começa no dia em que decidi deixar de viver a minha vida como quem sobe uma escada rolante que desce." 
(Pascal de Duve, Poeta belga, 1964-1993)

Decidi deixar de ser boazinha para ser verdadeira. Fartei-me de dizer sim. Fartei-me de te aturar. Fartei-me de concordar. Fartei-me de suportar. Fartei-me de repetir. Fartei-me de me mentir. Fartei-me de te sorrir. Fartei-me. E se eu não mudar, morro. A mudança é a minha essência. Tudo no universo se move e eu tenho andado parada. Preciso de ser quem sou e não quem gostariam que eu fosse. Não serei uma "nice dead person"... Por isso, começarei hoje a tratar da minha paz interior como a minha mãe costumava tratar das flores no seu jardim.

SEM MÁSCARA

"Só quando conseguirmos ser verdadeiramente nós próprios, sem máscara e sem rótulo, deixaremos o outro ser verdadeiramente ele mesmo... O verdadeiro encontro acontece entre os seres, não entre as personagens que usam máscaras." (Thomas D'Ansembourg, Seja Verdadeiro, Ésquilo, p.162)

NO AMOR E NA GUERRA VALE TUDO?

Uma amiga afirmou isto várias vezes na última semana ao ponto de me fazer pensar sobre o assunto. Será que no amor e na guerra vale mesmo tudo? Tenho dúvidas. Não me parece que assim seja. Quando se perde no amor, ganha-se na experiência e enriquece-se a história de vida. Não faço a apologia do "vale tudo" porque tal me parece serem os trunfos de quem joga sem regras. O amor é um jogo de trocas, de dar e receber e, quando perdemos alguém para outra pessoa, temos de saber aceitar essa opção. Por mais que doa. Por mais que apeteça gritar. Mas não vale fazer um jogo sujo, cobrar, chantagear... As almas superiores são apenas aquelas que aceitam e deixam o rio caminhar. E são tão poucas...