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8.31.2012

PÉS

Gosto de pés...
E gosto dos meus pés... 
Com eles toco a terra molhada e sinto-me renascer.

XIANG-LIAM

Sempre que leio sobre estas e outras atrocidades sinto-me formigueiros galopantes nas palmas das mãos que se estendem a todo o corpo e, desesperada, começo a escrever...
A pequena dimensão dos pés das gueishas era a prova de que esta era uma mulher de boas famílias... Quanto mais pequenos fossem os pés, mais encantadora e virtuosa era a mulher aos olhos dos homens. Não se sabe a origem exata deste bizarro hábito mas há quem diga que remonta  à Dinastia Tang, há mais de oitocentos anos. assim, as mães que queriam que as suas filhas se casassem, faziam com que elas tivessem um pés pequenos. Como se faz isto então? Simples... aqui vai uma descrição poética da coisa. Quando uma menina tem cerca de 2 ou 3 anos, começa-se a apertar-lhe os pés com um par de faixas de tecido compridas. Aperta-se muito, o mais possível,  até partir os ossos. E as faixas só podiam ser retiradas quando as pessoas se lavavam o que também não acontecia muito. E se doía? Era mais ou menos como caminhar sobre os dedos dos pés, dobrados à força na raíz em direção à planta do  pé. Mais ou menos como andar sobre os ossos partidos... E não era por um dia ou por um mês. Era até ao final da juventude. Até à altura em que os pés, já totalmente deformados, param de crescer.


8.28.2012

O ÓLEO DO CARRO

Não gosto que me suguem a energia e muito menos que façam de mim saco de boxe.
Há alturas em que necessitamos de vigiar o nosso amor próprio como se fosse o óleo do carro...
DISSE! 


I AIN'T AFRAID OF YOUR GODS



GOD WITHOUT DRAMA...

THE KLEZMATICS



With music like this, if you don't see GOD, YOU'RE FUCKING BLIND... 

TENTAÇÃO



Consigo resistir a tudo excepto a uma tentação.

OSCAR WILDE

Nota: Podem colocar a escultura no hall de entrada que eu depois arranjo forma de lhe arranjar o local certo para ficar.:)

VOO VERTIGINOSO




E quando queremos voar para muito longe, mas a nossa asa esquerda está presa nas mãos de alguém... Como é que se voa, com uma asa presa na mão de alguém?

E estes mundos mágicos que criamos serão sempre uma utopia? Estes pedaços desfeitos de nós não poderão unir-se? Teremos de ser sempre vasos vazios? Não é possível voar com uma mão presa na tua? Como duas águias reais que entrelaçam as garras e descem em voo vertiginoso...





NO ESCAPE


E mais ninguém vai saber deste galope desenfreado que sentimos à distância... 
Não precisava de ti para sofrer mais um pouco mas tu seguraste-me pelas pontas dos dedos e já sinto formigueiro pelo corpo todo... 
Já não é possível escapar!

TARDE VERDE

Sabes que há tardes roxas e outras verdes e que esta, hoje, foi verde? Sabes que às vezes preciso de mar? E de amar? E de te amar? Sabes?

ESCRITORES


  • "Podemos fazer uma simples divisão entre os escritores que encontram inspiração em si próprios e os que têm de inspirar-se em motivos externos. Há temperamentos reflexivos e temperamentos que reflectem o mundo. Há escritores como John Berger que têm o dom de reflectir. Como já alguém disse, pode ver-se o mundo sem se abandonar o próprio quarto. Isto é típico das pessoas com carácter reflexivo, que encontram inspiração em si próprias, no material que têm em si mesmas, que tem de ser estimulado, formulado, expresso. É um tipo de literatura. No meu caso, ao invés, reflicto o mundo: tenho de ir ao lugar para poder escrever. Se viver num único lugar morro, ao passo que John Berger cria."  Ryszard Kapuscinski, em diálogo com John Berger ("Os Cínicos Não Servem Para Este Ofício", ed. Relógio d'Água)

8.27.2012

SURROUNDED BY WORDS

Tenho a cabeça cheia de palavras... Acordam-me a meio da noite, seguem-me e perseguem-me pelo dia.. Quero escrever... quero escrever sempre, contar-te do meu mundo e dizer-te que encho folhas e livros, esvaziando-me... Os poucos seres que amei, morreram ainda que possam estar vivos. A minha família é talvez uma aldeia, uma rua, uma casa... pouco mais. Restam-me as palavras. Restas-me tu... 
Porque quando o amor se torna forte, a loucura é um risco menor.

O MEDO

O medo não surge por causa da morte, mas por causa da vida que não foi vivida...

8.18.2012

THE END OF THE LINE


É o fim da linha. Uma longa e interminável linha percorrida sempre com a garra dos caminhantes, a coragem dos aventureiros e a força de quem sabe que se está sempre e irremediavelmente só.
É o fim da linha. Uma linha feita de outras linhas, entrelaçadas, cosidas, bordadas a fios de seda ou de lã ou de nada...
É o fim da linha. Uma linha feita de dor. Uma caminhada pelo deserto com poucos momentos de água fresca...
É o fim da linha... desta linha. Do outro lado, na outra linha, sei que terás a tua recompensa.

8.17.2012

NUS E PARA SEMPRE

Basicamente, tudo se resume ao mesmo: às velhas expectativas que criamos. O que nós queremos e o que o outro quer e o que nós pensamos que o outro deve querer e o que o outro de facto quer e o que nós criamos na nossa mente como sendo o ideal e que o outro não vê como ideal... 
Basicamente, hoje era um dia especial que não é especial coisa nenhuma senão dentro de uma cabeça cheia de sonhos e de ilusões e de imaginação...
Basicamente, tudo se resume ao mesmo: Nunca há amor como nos filmes... nus e para sempre.

MANTRAS

As pessoas insistem em repetir o mantra:
- Tens de ser forte... tens de ser forte... 
Andam a espalhar a ideia de que precisamos de ser fortes nos momentos mais difíceis. Não estou certa de ser isto o melhor a fazer... ser forte. 
Quando o meu mundo se desmorona e cai, não quero ser forte. Não quero armar-me em forte. Não quero fingir-me forte. 
Quero simplesmente poder ser vulneável. Chorar à exaustão.
Deixem-me em paz. 
Basicamente é isso que eu quero: que me deixem em paz, que me deixem chorar a minha dor e que não de dêem palmadinhas nas cosras repetindo o tal estúpido mantra... tens de ser forte... Porque eu hoje não sou forte...

8.07.2012

TOTAL AUSÊNCIA DE GRAVIDADE

Hoje acordei com a sensação de que poderia, com facilidade, largar a minha vida sem fazer barulho e meter-me noutra. Tudo no silêncio das seis horas da manhã e perante uma total ausência de gravidade.

8.06.2012

NÃO POSSO MORRER JÁ, DOUTOR

"Não posso morrer já, doutor. Ainda não. Tenho coisas para fazer. Depois terei toda a vida para morrer."
Carlos Ruís Zafón, O Jogo do Anjo

I AM UP TO NO GOOD

"As coisas estavam melhores, pensei. Talvez por isso, porque parecia que ia finalmente sair do atoleiro, fiz o que fizera sempre que a minha vida encarreirou pelo bom caminho: deitar tudo a perder."

Carlos Ruís Zafón, O Jogo do Anjo

VOLTO JÁ

Quando se pensa que não é possível, acontece.
Por vezes, vamos sem vontade de voltar. Porque neste verão, todos os meus caminhos vão dar a ti.

DOIS MESES E QUATRO DIAS


THE DARK OF THE MATINEE

A TÁBUA

Pertencemos ao grupo dos que seguem pelos caminhos menos percorridos e que pagam alto o preço da liberdade. Recebemos uma das tábuas de Moisés: LUTARÃO contra todos os mentecaptos deste e do outro mundo. Perante a incapacidade de levar a porto tão megalómana tarefa, fomos punidos.
Castigo: pensamento incessante. Cada um dos nossos neurónios vale por três, isto contando à pressa e muito por alto...

WHO AM I

Não me reconheceu como vem sendo hábito. E trocou-me o nome...
Insisti, desesperada a esconder as lágrimas que queriam saltar...
- Não sabes quem sou, disse-lhe em sussurro.
Ela ouviu-me, olhou-me nos olhos e respondeu:
- Tu é que sabes... Tu é que tens de saber quem és...

O PRÓXIMO CAMELO


Um muçulmano devoto entra num táxi em NYC. Uma vez sentado, pede ao taxista para desligar o rádio, porque não quer ouvir música, como decreta a sua religião, e porque no tempo do profeta não havia música, especialmente música ocidental, que é música dos infiéis.
O motorista do táxi educadamente desliga o rádio, sai do carro dirige-se à porta do lado do cliente e abre-a. O árabe pergunta: 
- O que é você está a fazer?
Resposta do taxista: 
- No tempo do profeta não havia táxis, por isso saia e espere pelo próximo camelo.

8.02.2012

NÃO PENSES


"Senta-te com as pernas juntas, anda direita, não tenhas pressa, fala baixinho, sorri, não faças perguntas, não faças caretas que ficarás com rugas, cala-te e finge interesse. Os homens sentem-se lisonJeados quando as mulheres os ouvem..." ISABEL ALLENDE

SÓ FALTA UMA: NÃO PENSES!:)

AINDA BEM


AINDA BEM QUE AGORA ENCONTREI VOCÊ
EU REALMENTE NÃO SEI
O QUE EU FIZ PARA MERECER ... VOCÊ
QUE NINGUÉM DAVA NADA POR MIM
QUEM DAVA EU NÃO TAVA A FIM|
ATÉ DESACREDITEI... DE MIM
O MEU CORAÇÃO JÁ ESTAVA ACOSTUMADO
COM A SOLIDÃO... QUEM DIRIA QUE AO MEU LADO
VOCÊ IRIA FICAR
VOCÊ VEIO PARA FICAR
VOCÊ QUE ME FAZ FELIZ
VOCÊ QUE ME FAZ CANTAR... ASSIM
O MEU CORAÇÃO JÁ ESTAVA APOSENTADO
SEM NENHUMA ILUSÃO
TINHA SIDO MALTRATADO
TUDSO SE TRANSFORMOU
AGORA VOCÊ CHEGOU
VOCÊ QUE ME FAZ FELIZ
VOCÊ QUE ME FAZ CANTAR... ASSSIM... NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA
AINDA BEM

8.01.2012

ARANJUEZ


He and his wife had their honeymoon in Aranjuez. They hoped to have her first child. The child was stillborn and his wife was about to die. In the second movement Joaquin questions God by the death of his son and calls his wife to remain alive. This is expressed by the pulse of the guitar, which represents a beating heart. The movement has grief, rage and despair. Finally in the climax of the guitar and orchestra author of "God hears" and at last there is acceptance and peace made.

O BASILISCO

Para quem não tem família próxima, os amigos podem mesmo ser a verdadeira família. Eu, felizmente, tenho-os de todas as espécies. E posso afirmar que sim, que há amigos fiéis. Entenda-se aqui por fidelidade: + permanência no tempo (mais ou menos 20 anos) + raridade dos encontros (pode variar de uma vez por semana  a uma vez por ano) + qualquer traço de loucura positiva + sensação de que foi ontem que os vimos pela última vez.
Não sei se é esta a fórmula da fidelidade na amizade. Talvez não, dirão alguns. Mas isso nada me interessa. Aliás, eu até nem gosto particularmente de fórmulas. Neste caso, o reencontro, quando acontece, deixa-me com esta inevitável sensação que só a verdadeira amizade consegue: deixa-nos felizes e não nos cobra nada.
Caso 1 - Afastamento desde a faculdade: 1984. Perdemo-nos o rasto desde 1997. Reencontrámo-nos há dias. Pusemos 15 anos em cima da mesa e retomámos a conversa no sítio exato em que a tínhamos deixado.
Caso 2 - Conheço-mo-nos há 20 anos e desde então vamo-nos acompanhando à distância, com alguns raros encontros pelo meio, quando as vidas o permitem. E ultimamente, têm permitido pouco... A pessoa desde caso 2 é aquela a quem recorro sempre que preciso de um documento audio ou video ou papel que não existe em mais local nenhum. A sua casa é um labirinto porque nela se guarda tudo. E é literalmente tudo. Já lá contei 14 listas telefónicas de anos atrasados, todas as revistas do Expresso, sim, todas, repito todas, caixas e caixas de bonecos devidamente selados, oferta das Happy Meals. Para não continuar esta lista até ao infinito, digo apenas que lá também se encontram todos os recibos do Multibanco desde que tem cartão e tem-no há mais de 20 anos... Um dia, perguntei-lhe a razão dos seus preciosos tesouros. Hesitou por breves instantes mas encontrou a resposta, como encontra sempre o que se dedica a procurar... Alturas houve em que colecionava animais, mais especificamente, peixes, aranhas, rãs, sapos, tartarugas, iguanas e outros répteis horrorosos.
Tem 1 assoalhada só para guardar jornais e revistas. Outra só para aquários e terrários. Outra só para equipamento informático: tem vários computadores ligados a vários ecráns gigantes que trabalham todos ao mesmo tempo, a mostrar tudo o  que vai pelo mundo, dentro e fora dele...
De todos os bichos que lhe conheci, apenas um me fascinou. Um Basilisco que quando lhe fazíamos festas, fingia-se morto. Depois, passado o perigo, acordava! 
Amigos loucos? Claro que sim! Com uma dose necessária de loucura que ataca devagarinho mas parece ser essencial à normalidade. Loucura dona de uma lucidez estonteante e de um coração em forma de ouro.
Há pessoas assim. Diferentes do resto. Capazes de mudar o mundo. Mas são geralmente estas a quem a máquina-mundo trucida lentamente com as suas rodas dentadas...