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5.22.2012

O RITUAL INICIÁTICO DE KAFKA KAMURA


Difícil adormecer depois de ler Murakami. Kafka Tamura transporta-nos aos nossos próprios demónios interiores, numa viagem de passagem para a idade adulta, ou num rito de iniciação para a vida. Ao longo das 615 páginas que devorei noite e dia, apercebi-me não só da beleza da escrita, do fluir das palavras, como e sobretudo em como  vida pode ser uma metáfora e o destino uma tempestade que muda de sentido sem nos avisar.


Kafka Tamura prendeu-me. Como é possível deixar-me enredar pela personagem de um jovem de 15 anos? E não fui só eu. Oshima, Sakura, Miss Saeki também não lhe resistiram. Ou como me permiti apaixonar-me por Nakata, the cat talker, tal como o próprio Hoshino, que também lhe não resistiu?

Kafka decide fugir de casa. Tal como ele diz: When all it is said and done, it is my life. E de facto, tenha-se 15 ou 30 ou 60 anos, tem-se sobretudo o direito de partir e procurar um sentido para a vida. Claro que Running away não implica necessariamente resolver o problema. Mas no caso de Kafka, deparamo-nos com uma personagem apaixonante, organizada, segura nas suas inseguranças, determinada a seguir em frente. Posto à prova perante várias tempestades mentais, emocionais e espirituais, ele sabe que quando a tempestade passar ele já não será o mesmo e é disso mesmo que este livro fala.

And once the storm is over you won't remember how you made it through, how you managed to survive. You won't be sure, in fact, whether the storm is really over. But one thing is certain. When you come out of the storm you won't be the same person you walked in.

                                     Haruki Marukami, Kafka on the Shore, p. 5.

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