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9.11.2012

UM SÍTIO PARA RENASCER


Sem dúvida que vou lá voltar. Quando não sei... mas voltarei. Só ou acompanhada, irei. É o sítio mais estranho que eu conheço. E o mais sagrado. O local eleito pelos hindus para morrer. Ali mesmo, nas margens do Rio Ganges, num dos muitos ghats onde uns empilham a madeira para as piras fúnebres  e outros esperam pela morte. Os cadáveres vão chegando em padiolas ou riquexós, embrulhados em panos brancos, amarelos e laranja. Ali aguardam a seu vez para serem cremados.

Misturei-me com os hindus de madrugada. Queria ver Varanasi do lado do rio ao nascer do sol. Eram 5h da manhã e a margem estava apinhada de hindus no seu banho sagrado.  O barqueiro levou-me, avisando-me para que não me molhasse na poluída água do Ganges. Um micróbio de cólera que em água destilada consegue sobreviver vinte e quatro horas, ali sobrevive apenas três... Tive cuidado mas não exagerei. Coloquei eu própria as minhas velas no rio e o barquinho que me transportava era isso mesmo, um barquinho frágil...
O ruído de Varanasi pela manhã é quase nulo mas o misticismo a esta hora é enorme. Só quando o sol fura as nuvens, a cidade acorda, revelando os primeiros rituais da manhã. Quase nus, os Hindus banham-se nas águas sagradas e começa então a aventura. As pequenas lojas abrem, vendendo incenso, panos e estátuas... Os cheiros misturam-se com os sons e somos transportados para longe de tudo e de nós mesmos. Mas o caos da Índia dos riquexós, motoretas, buzinas, vacas e gente não é aqui, nestas ruelas que levam às escadarias que descem ao rio.
Varanasi é um sítio para morrer. Ou renascer...

P.S. Na foto, Balu, o meu remador no Ganges.

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