Número total de visualizações de página

9.14.2014

A ÍNDIA É A ÍNDIA

Fui à Índia de mochila às costas seis meses depois do meu pai morrer. Tinha, eu e os meus três companheiros de viagem, o objetivo de chegar a Pushkar, onde se realiza a maior feira de camelos da ásia, na primeira lua cheia daquele mês de inverno. Chegámos a Bombaim eram três horas da manhã e, sem qualquer alojamento à nossa espera, aguardámos pelo nascer do sol nas escadarias da estação de comboio de Bombaim. Apanharíamos o primeiro que rumasse a norte. Foi aqui, nestas horas de espera, entre sentada e deitada nas escadas da estação, encostando-me como podia à mochila que me servia de encosto, que percebi a realidade: eu estava num outro mundo.

Não tive muito tempo para me preparar, para além da consulta de viajante e da vacinação habitual para destinos longínquos e perigosos em termos de saúde. Há muito o fascínio da Índia me perseguia, pelo que foi fácil colocar duas ou três t-shirts na mochila e partir. Mas não há preparação possível para uma viagem à Índia se for uma verdadeira viagem pela Índia real... Se se tratar de uma viagem turística, de hotel em hotel, de autopullman em autopullman e de restaurante aconselhado pelos guias a restaurante aconselhados pelos guias, não é preciso preparação.

Foi assim que iniciei uma longa viagem que me levou de Pushkar a Udaipur, daqui para Jaipur, depois Nova Deli, daqui a Agra, depois a Varanasi, daqui para Bombaim  e de Bombaim a Goa, a Bombaim novamente, viajando em todos os transportes públicos possíveis que a Índia oferece aos seus nativos. 

Muita gente chega À Índia pela via espiritual. Eu cheguei por outra via. A via da descoberta de um país exótico nas cores e nos cheiros, húmido e barulhento nos afetos, carente de rupias, sobrevivendo em paz no meio d rum enorme caos... Não voltei a mesma desta viagem. Talvez nunca volte a mesma de qualquer viagem. Mas a Índia toca-nos por dentro. Continuo a sentir no corpo as cinzas dos crematórios de Varanasi e no coração a beleza do Taj Mahal.

Como vos hei-de explicar? Como diz Alberto Moravia, a Índia é a Índia...


Sem comentários:

Enviar um comentário

DEIXE AQUI O SEU COMENTÁRIO: