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3.02.2011

DESCER O RIO


Uns amigos:
- decidiram casar;
- decidiram fazer a tradicional despedida de estado civil descendo o Mondego com a malta.

Fiquei contente. Havia ali afinal algo de criativo. Eles tinham fugido ao jantar e à típica ida às putas e elas também ao jantar (desta vez no chinês) seguido da entediante saída a um bar de música brasileira ou ao show de strip masculino. Em qualquer destes casos, é sempre muito do mesmo e já não tenho paciência. Como também a perdi para os rituais de uma ida à igreja (onde raramente entram) seguida de um discurso religioso irrelevante que ninguém ouve; para não falar do espectáculo que se segue em que 2h após o banquete principal os bocejos se alastram e os rídiculos passos de dança (ao som da musiquinha do momento) abrilhantados pelo teclado electrónico do senhor de fraque se repetems ... Na verdade, cansei-me! Por que não se inventam novas formas de celebrar o amor? Sei lá, foder desmesuradamente à beira mar... embebedarem-se os dois até à loucura... desaparecerem do mapa por um tempo sem ninguém, digo ninguém, saber... adquirirem uns comprimidos de ecstasy e casarem-se numa rave... Será melhor eu ficar por aqui porque a torrente de propostas começa a fervilhar-me no cérebro. A verdade é que esgotámos a criatividade. Anulámos a nossa capacidade de criar. Repetem-se os mesmos padrões. A vida tornou-se uma sequência de rituais mortos. Deixemos espaço para o absurso, o inexplicável, o surpreendente. Paremos de planear tudo ao pormenor como se temessemos o surgimento do novo, do desconhecido. Viva a incoerência porque ela significa viver. Só os mortos, diz OSHO, são consistentes. Fujamos dos "deves" e "não deves" que nos perseguem. Importemos um pouco de  caos para as nossas vidas. Criemos algo novo porque "a criatividade é a maior revolta de toda a existência." 

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