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10.28.2012

DÚVIDA: O MARIDO OU O AMANTE?

SUBLIME:
"Nessa noite, iniciaram as conversas que duraram meses. Ouviram também a  opinião das suas três melhores amigas. Às vezes uma de cada vez e outras vezes todas juntas. De nenhum outro assunto se falou tanto. Num dia ganhava Juan e noutro, o marido. Num dia reinava a prudência e noutro, a audácia. Num dia, o insulto, e noutro, o perdão. Dizia-se de tudo: que se largasse Juan não suportaria vê-lo com outra mulher; que esa simples ideia a fazia estremecer; que nada a faria mais infeliz; que a soberba é mais indestrutível do que o álcool, que viver com isso pode ser insuportável; que viver com o marido era uma matéria já aprendida; que o marido também não era nenhum santo, embora parecesse mais estável e se lhe conhecessem menos confusões; que um falava pouco e o outro demasiado; que um deles tinha habilidades e conhecimentos domésticos que já nenhum homem tem; que o outro gostava de viajar; que Juan era versátil e os negócios o entretinham; que um deles era divertido e o outro reincidia; que Juan er a o único disposto a passar uma tarde inteira, com ou sem chuva, abraçado a ela; que ela iria sentir falta dos filhos; que os dele poderiam estar bem ou mal educados; que pensasse onde passaria o Natal; que não importava qual das casas tinha um jardim maior; que qual dos cheiros lhe era mais imprescindível; (...) que um falava de si próprio trinta e seis vezes em cada vinte e quatro horas e o outro nunca dizia o que pensava de si mesmo, muito menos dela. Que Juan era alegre e o seu marido ensimesmado; que um era bom conversador e o outro bom observador; que Juan tinha acessos de mau génio mas a nuvem negra das suas fúrias era curta; que o marido, pelo contrário, nunca estava aborrecido mas também nunca estava feliz; se alguém que joga dominó seria de mais confiança do que alguém que joga golfe; se algum deles a fazia sentir-se mais necessária; se isso seria um elogio ou uma dependência; por fim, e não menos importante, que um encontrava mais depressa o seu clitóris do que o seu ponto G e vice-versa (...)"

Ángeles Mastretta, Maridos, p.22-23

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