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4.08.2011

ENTRE CONTINENTES

Sempre que reaparece o sol, agarro no meu livro e vou-me instalando nas esplanadas do meu bairro. Por momentos, dou por mim a olhar em volta e a observar.

A esplanada a norte tem sol pela manhã e uma população essencialmente constituída por casais e os seus rebentos mais ou menos barulhentos. Surgem sempre aos pares, acompanhados de carrinhos de bebé ou de crianças de 2, 3 anos pela mão. De vez em quando, aparece uma avó ou outra. Nada mais acontece por ali. Escolho este local apenas pelo sol. Nada tenho contra as crianças. Mas os pais aos berros, clamando pela Carolina, pelo Bruno e pelos Ricardinhos enervam-me. E ainda mais irritante é a terrível abelha-maia que desata a grunhir sempre que recebe uma moeda de 1 euro e onde aqueles seres passam uns momentos de plena felicidade, encavalitados em cima da dita abelha. Resisto. Aguento. Fumo mais um cigarro. O fumo espalha-se. Ai, o fumo!, - pensam alguns pais embora se mantenham em silêncio. Bebo mais um café.

A outra esplanada tem sol pela tarde. É habitada por uma gente diferente. Observo-os de vez em quando. Porra, são giros. E vestem-se bem. Invariavelmente, usam jeans de marca, ténis puma e t-shirt coladinha ao corpo. Perceberam? Coladinha ao corpo... Pois! São eles mesmo. Instalam-se por ali aos pares. Outras vezes sós. Transportam consigo o seu laptop com internet wireless e são uns heróis. De quando em vez atendem o seu telemóvel de terceira geração.

Sorrio. Sorrio-me. Sou uma ilha entre estes dois continentes que nunca se cruzam

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