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4.08.2011

EM BUSCA DO CARNEIRO SELVAGEM

EM BUSCA DO CARNEIRO SELVAGEM

De novo, a viagem iniciática. A procura do que se perdeu algures. O contacto com a morte e o que daí resulta para cada protagonista de Murakami. Mais fragmentos dispersos da consciência de um "eu", dos nossos "eus", porque é difícil falar das coisas que realmente nos importam, Murakami vai intercalando na sua quest pelo sentido da existência, personagens que apresentam em comum o contacto com o mar, o refúgio em locais distantes e isolados, o nonsense do que depois se torna essência.

Em Busca do Carneiro Selvagem: tudo o que faz uma vida... acordar, trabalhar, perder, amar, sofrer, chegar, partir. Há coisas que se esquecem, outras desaparecem, outras ainda morrem. não é preciso fazer nenhum drama por isso. (p.32) Pois não. Morte, vida, sonho, sexo, amor, traição, gatos, mar, cabana, mistério, obcessão, rotinas... No aquário da minha imaginação é sempre fim de Outono, diz o protagonista. O mesmo Outono que se sentiu em Kafka Kamuri, o mesmo Outono do próprio Murakami, o nosso próprio Outono...

O carneiro selvagem que todos possuímos dentro de nós mas deixámos fugir. Ou o carneiro selvagem que todos procuramos porque toda a gente tem alguma coisa que não quer perder: Nem essas células dos nossos corpos que se renovam todos os meses e que levam consigo parte de nós. Tornamo-nos carneiros tresmalhados... Sim, que à força de vivermos rodeados de gente estúpida, acaba-se por desconfiar e tudo e de todos. Quem me dera, também eu, partir em busca de qualquer coisa. Precisamos de ir em busca de qualquer coisa, algo que dê significado à vida. É isso, a vida: uma busca permanente. (p.240)

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