Sinto-me anormal! Hoje sinto-me anormal...
Feliz pelo sol que chegou mas insegura pelo que não sei se é só mais uma rajada de vento a abanar-me a alma...Estou com medo. Medo... E não sei lidar com isto. Logo eu, que habitualmente me armo da coragem dos recomeços...
Resta-me escrever... mas... por acaso, alguém normal escreve?
Porque a vida não é um fenómeno lógico e a criatividade é um produto derivado do sonho...
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5.10.2012
5.09.2012
Como é que se come um elefante?
O Pedro Tochas deu-me uma lição de vida na sua palestra a tocar a standup comedy a que assisti ontem. É quando menos esperamos, que mais aprendemos. O Pedro partilhou conosco o seu caminho, a sua longa viagem até chegar aqui. Doze anos para conseguir vencer no campo da sua paixão. Contra tudo e contra todos... apesar da fama, once a street artist, forever a street artist...
Disse-nos ele que, num do seus primeiros espetáculos de rua, após fazer rir os presentes com a suas trapalhadas, passou o chapéu e um pedinte, de sorriso aberto, abriu uma carteira esfarrapada e deu o único escudo que tinha...
Nesse preciso momento, o Pedro decidiu o seu destino.
É isso que se espera que façamos: que vamos atrás dos nossos sonhos, sejam eles quais forem... E o Pedro foi... Começou a comer o elefante pouco a pouco... Tal como a minha mãe me ensinara: que para se comer um elefante, tem de ser com uma dentada de cada vez!
Mas o que fazer, quando nos apetece comer o elefante todo?.)
5.08.2012
Em busca do carneiro selvagem
De novo, a viagem iniciática. A procura do que se perdeu algures. O contacto com a morte e o que daí resulta para cada protagonista de Murakami. Mais fragmentos dispersos da consciência de um "eu", dos nossos "eus", porque é difícil falar das coisas que realmente nos importam, Murakami vai intercalando na sua quest pelo sentido da existência, personagens que apresentam em comum o contacto com o mar, o refúgio em locais distantes e isolados, o nonsense do que depois se torna essência.
Em Busca do Carneiro Selvagem: tudo o que faz uma vida... acordar, trabalhar, perder, amar, sofrer, chegar, partir. Há coisas que se esquecem, outras desaparecem, outras ainda morrem. não é preciso fazer nenhum drama por isso. (p.32) Pois não. Morte, vida, sonho, sexo, amor, traição, gatos, mar, cabana, mistério, obsessão, rotinas... No aquário da minha imaginação é sempre fim de Outono, diz o protagonista. O mesmo Outono que se sentiu
O
carneiro selvagem que todos possuímos dentro de nós mas deixámos fugir. Ou o
carneiro selvagem que todos procuramos porque toda a gente tem alguma coisa que não quer perder:
Nem essas células dos nossos corpos que se renovam todos os meses e que levam
consigo parte de nós. Tornamo-nos carneiros tresmalhados... Sim, que à força de vivermos rodeados de gente
estúpida, acaba-se por desconfiar e tudo e de todos. Quem
me dera, também eu, partir em busca de qualquer coisa.
Precisamos de ir em busca de qualquer coisa, algo que dê significado à vida. É
isso, a vida: uma busca
permanente. Murakami sabe isso muito bem.
VARANASI OU O RITUAL DA MORTE
Varanasi fica na margem do Ganges, o rio sagrado da Índia onde são atirados os restos mortais dos muitos hindus que ali vão morrer. A poluição do rio atinge, assim, proporções incalculáveis e difíceis de aceitar racionalmente. No entanto, o rio pela manhã apresenta uma paisagem fascinante. Aventurei-me. Um passeio de barco pelo rio. De madrugada. 5h da manhã para ver o sol nascer.
O Rio Ganges está para os hindus como Meca para os Muçulmanos. Eu queria conhecer de perto aquele ritual de morte, tão diferente dos nossos costumes alentejanos. Visitei o principal local de cremação - Manikarmika - ordem os fogos ardem 24h consecutivamente. São precisas cerca de 4000 rupias para comprar toda a lenha necessária à cremação de um corpo. A cremação eléctrica é muito mais barata e custa apenas 151 rupias... Pois, até na morte... E o ritual surgiu: o filho mais velho do morto rapa o cabelo e ateia o fogo dando quatro voltas em redor do morto, ritual que simboliza os quatro elementos: terra, água, ar e fogo. As crianças com menos de 12 anos, as mulheres grávidas, os leprosos e os sacerdotes não são cremados. Estes corpos são directamente atirados ao rio, atados a uma pedra.
O rio enche-se de hindus que ali vão banhar-se, deitar flores e rezar. Deitei também a minha vela no Ganges pelos mortos. Pelos amigos. Pelos amores. Não se descreve o que se sente ali. O remador Balu, obrigatoriamente hindu para ser remador no Ganges (e que surge nesta imagem), foi tentando explicar-me alguns daqueles rituais mas eu só ouvia o barulho do sol a bater nos Ghats (locais de cremação) e a iluminar, aos poucos, o casario...
Encontrei viajantes solitários, mulheres aos pares, casais, grupos de meia-idade... Poucos ou nenhuns turistas. Nunca mais esquecerei Varanasi. Flores por todo o lado. Panos cor-de-laranja a cobrir os corpos que passam à nossa volta. Incenso a queimar a todas as portas, quer sejam templos ou não. Mantras repetidos ao som dos muitos sinos.
Das muitas viagens feitas, nunca tinha sentido este clima, esta atmosfera exótica e mística. Em Varanasi, cheira a sândalo e a jasmim pelas ruas. Os cheiros e as cores apoderam-se dos sentidos. Recuei séculos no tempo e quase esqueci quem sou, o que faço, e as preocupações do Ocidente pareceram-me totalmente mesquinhas.
Vi de perto os corpos a arder. Senti no corpo o calor dos fogos e os meus cabelos e corpo encheram-se de cinzas. Chorei. Chorei muito. Chorei tudo.
TEMPUS FUGIT
Estes dias têm passado demasiado depressa e a expectativa anda atrás de mim...
Podemos fugir disto, mas não nos podemos esconder. Se me lês, sabes do que falo e do que sinto e da magia que nos faz acordar com uma nova luz no olhar... Estou a aprender que só devemos amar o que não tem preço e isto que temos vivido não tem . É único... demasiado raro... tão raro que não temos necessidade de fingir.
Nunca me faltou a coragem para viver mas sempre me faltou a coragem para amar.
Há entre nós uma mesa de jogo com um pano verde... e eu sei que nenhum de nós gosta de jogar. Resta-nos viver e esperar que o tempo nos ajude.

Até lá, vou vivendo no interior da tua ausência...
DO CHIQUE AO CHOQUE...
Hoje, eram 8h, uma colega perguntou-me:
- Continuas a viajar? (passo a explicar o porquê desta pergunta: em tempos fiz viagens com grupos organizados pelo mundo e, numa dessas viagens, ia ela, a irmã e a mãe). Desde então, sempre que me encontra, o tema de comnversa é sempre o mesmo...
- Sim. - sempre que posso, respondi-lhe.
-E qual foi a viagem que mais te marcou?
- O mês que passei na Índia com uma mochila às costas... - afirmei.
Mas entretanto afastámo-nos e fiquei a pensar naquilo...
Então e a viagens pelo Atlas marroquino? E o pôr-do-sol no deserto de Siwa? E o mar de Alexandria? E a aventura de Jerusalém? E Telavive? Ou Eilat? E chegar a Petra pela manhã? E descobrir as cidades da Jordânia?E atravessar as fronteiras a pé... correndo todos os riscos? Costa Rica-Panamá, Israel-Jordânia? E as viagens de comboio pela Escócia, chegando às terras altas. E aqui tão perto, o paraíso irlandês? E tomar o pequeno almoço na praça de S. Marcos seguida de um passeio de Gôndola em Veneza? E deambular pelas ruas de Roma? Ou Pizza? Ou Génova? Ou Nápoles? E a arte de Florença? E passar o Ferragosto na Sicília. OU simplesmente descansar junto ao mar em Cabo Verde? Ou descobrir o México? E Havana? Ou as praias das Caraíbas no Inverno? Ou ter uma pousada só para mim no Morro de S. Paulo sem saber quando poderia sair dali? E ouvir os tambores do Olodum em São Salvador das Bahía? E dançar no Rio de Janeiro em banhos de multidão? E acordar ao som dos minaretes em Istambul? Ou no Cairo? Ou em Marraquexe? Ou Fes? E chegar a Xangai a meio da noite sem que ninguém falasse Inglês à minha volta?
Não sei se fiz a escolha certa ao afirmar que a India foi a minha melhor viagem. Entãoo e as coisas simples que fazem uma vida? Como comprar pão quente em Paris? Ou navegar nos canais de Amesterdão? Ou descer o Reno? E a noite de Berlim? E Londres, para sempre a minha cidade? Esta lista fica interminada porque há muitos outros sítios onde fui feliz pelo mundo, essa casa gigante que me recebe sempre de braços abertos.
No meio destes pensamentos que me assaltam a esta hora, penso no que dizia uma amiga minha: gosto tanto de viajar como gosto de voltar a Lisboa, esta cidade de luz. Mas a luz verdadeira eu encontro-a em Nova Iorque. Passear pelas ruas, deitar-me a ler no Central Park, ir às compras, andar a pé em Brooklyn...ou simplesmente acordar no Plaza Hotel e ser feliz...
Ah, the plaza Hotel. Naquele tempo em que eu tinha dinheiro e o gastava sem remorsos, instalei-me no The Plaza NYC! Entre o Central park e a 5.º Avenida, é um dos melhores símbolos da hotelaria nova-iorquina e mestre na arte de bem-estar. Melhor do que o Plaza? Não conheço... Gosto do edifício antigo a cheirar a história com uma pitada (grande...) de requinte e de elegância... O The Plaza abriu as suas portas dia 1 de Outubro de 1907 e era, na altura, considerado o maior hotel do mundo. Está na zona mais fashionable da Big Apple e é, sem sombra de dúvida, o mais elegante hotel de todo o mundo onde, ao acordar, nos apetece vestir bem e sair para as compras. Ou simplesmente passar a manhã no SPA...
Gosto de extremos! E da adrenalina que viver os extremos me transmite... Sou tão feliz no The Plaza Hotel NYC a tocar o chique, como no meio dos excrementos das vacas sagradas nas ruelas de Udaipur, Jaipur, Nova Deli ou Bombaim, a tocar o choque!
THAT'S ME!
- Continuas a viajar? (passo a explicar o porquê desta pergunta: em tempos fiz viagens com grupos organizados pelo mundo e, numa dessas viagens, ia ela, a irmã e a mãe). Desde então, sempre que me encontra, o tema de comnversa é sempre o mesmo...
- Sim. - sempre que posso, respondi-lhe.
-E qual foi a viagem que mais te marcou?
- O mês que passei na Índia com uma mochila às costas... - afirmei.
Mas entretanto afastámo-nos e fiquei a pensar naquilo...
Então e a viagens pelo Atlas marroquino? E o pôr-do-sol no deserto de Siwa? E o mar de Alexandria? E a aventura de Jerusalém? E Telavive? Ou Eilat? E chegar a Petra pela manhã? E descobrir as cidades da Jordânia?E atravessar as fronteiras a pé... correndo todos os riscos? Costa Rica-Panamá, Israel-Jordânia? E as viagens de comboio pela Escócia, chegando às terras altas. E aqui tão perto, o paraíso irlandês? E tomar o pequeno almoço na praça de S. Marcos seguida de um passeio de Gôndola em Veneza? E deambular pelas ruas de Roma? Ou Pizza? Ou Génova? Ou Nápoles? E a arte de Florença? E passar o Ferragosto na Sicília. OU simplesmente descansar junto ao mar em Cabo Verde? Ou descobrir o México? E Havana? Ou as praias das Caraíbas no Inverno? Ou ter uma pousada só para mim no Morro de S. Paulo sem saber quando poderia sair dali? E ouvir os tambores do Olodum em São Salvador das Bahía? E dançar no Rio de Janeiro em banhos de multidão? E acordar ao som dos minaretes em Istambul? Ou no Cairo? Ou em Marraquexe? Ou Fes? E chegar a Xangai a meio da noite sem que ninguém falasse Inglês à minha volta?
Não sei se fiz a escolha certa ao afirmar que a India foi a minha melhor viagem. Entãoo e as coisas simples que fazem uma vida? Como comprar pão quente em Paris? Ou navegar nos canais de Amesterdão? Ou descer o Reno? E a noite de Berlim? E Londres, para sempre a minha cidade? Esta lista fica interminada porque há muitos outros sítios onde fui feliz pelo mundo, essa casa gigante que me recebe sempre de braços abertos.
No meio destes pensamentos que me assaltam a esta hora, penso no que dizia uma amiga minha: gosto tanto de viajar como gosto de voltar a Lisboa, esta cidade de luz. Mas a luz verdadeira eu encontro-a em Nova Iorque. Passear pelas ruas, deitar-me a ler no Central Park, ir às compras, andar a pé em Brooklyn...ou simplesmente acordar no Plaza Hotel e ser feliz...
Ah, the plaza Hotel. Naquele tempo em que eu tinha dinheiro e o gastava sem remorsos, instalei-me no The Plaza NYC! Entre o Central park e a 5.º Avenida, é um dos melhores símbolos da hotelaria nova-iorquina e mestre na arte de bem-estar. Melhor do que o Plaza? Não conheço... Gosto do edifício antigo a cheirar a história com uma pitada (grande...) de requinte e de elegância... O The Plaza abriu as suas portas dia 1 de Outubro de 1907 e era, na altura, considerado o maior hotel do mundo. Está na zona mais fashionable da Big Apple e é, sem sombra de dúvida, o mais elegante hotel de todo o mundo onde, ao acordar, nos apetece vestir bem e sair para as compras. Ou simplesmente passar a manhã no SPA...
Gosto de extremos! E da adrenalina que viver os extremos me transmite... Sou tão feliz no The Plaza Hotel NYC a tocar o chique, como no meio dos excrementos das vacas sagradas nas ruelas de Udaipur, Jaipur, Nova Deli ou Bombaim, a tocar o choque!
THAT'S ME!
5.05.2012
MÁXIMAS DE OURO SOBRE OS GATOS
- Nunca interfiram nos assuntos pessoais dos gatos. Eles são espertos e irão fazer xixi no vosso computador.
- Se souber como fazer amizade com um gato, é uma pessoa de sorte.
- Não há botão algum que cale um gato, quando ele quer o pequeno-almoço.
- No horizonte de um gato, tudo lhe pertence.
- Os cães pensam que são humanos. Os gatos pensam que são Deus.
- De todas as criaturas de Deus, uma só existe que não pode ser subjugada com o chicote. Essa criatura é o gato. Se pudéssemos cruzá-lo com o homem, melhoraria o homem, mas pioraria o gato.
- Os gatos são muito mais espertos do que os cães. Nunca conseguiremos encontrar oito gatos que, na neve, nos puxem o trenó.
- Os gatos têm personalidade a mais para não terem coração.
- As pessoas que detestam os gatos irão ser ratos na próxima reencarnação.
- Os cães respondem de imediato quando os chamamos. Os gatos, guardam a mensagem para mais tarde e aparecem quando bem lhes apetece.
- O meu marido dizia que ou era ele ou o gato. Às vezes tenho saudades do meu marido.
- Há muitas pessoas inteligentes na vida. Todas elas têm gatos.
- Há milhares de anos atrás, os gatos foram comparados aos Deuses. Eles nunca esquecerão isso.
- O tempo gasto com os gatos, nunca é tempo perdido.
- Como qualquer dono sabe, nunca se é dono de um gato.
The world is full of homes...
For me moving and staying at home, travelling and arriving, are all a piece. The world is full of homes in which I have lived for a day, a month, or much longer. How much I care about a home is not measured by the length of time I lived there. One night in a room with a leaping fire may mean more to me than many months in a room without a fireplace, a room in which my life has been paced less excitingly.
Margaret Mead
(1901-1978)(1972). Blackberry Winter:
my earlier years. New York: Washington Square Press. p.7.
Cuba...Um país velho num mar azul
“Já lá
estou antes de chegar e ainda ficarei depois de ter partido.”
Diderot
A Cuba não tinha ainda resolvido ir. O mundo é
tão infinitamente vasto e a sensação que me assalta é que não vou conseguir
conhecer senão uma ínfima percentagem.
Surgiu esta oportunidade. Não se nega nunca a possibilidade de conhecer algo de novo. E muito menos numa altura em que os dias são cinzentos, escolher roupa de verão, comprar um
protector solar e partir para praias de areia branca e mar azul é
rejuvenescedor.
Dou por mim enroscada já numa manta azul e a
ouvir a rota prevista: Açores, Bermudas, Nassau e Varadero. Neste momento, a sensação infernal e trepidante
pelo corpo e pela cabeça, provocada por este monstro a levantar voo para 9
horas de viagem. Continuo a escrever, a caneta tomba, os ouvidos palpitam e
pela minha mente passa algo indecifrável, ruído, mal-bem estar, receio, prazer. Tudo isto me assalta em catadupa como a um barco
sem almirante. O meu coração está cheio e a minha mente repleta. Todas as
sensações do mundo se misturam em mim neste momento.
A visão de Havana
enternece e revolta. Uma vaga de tristeza passa por mim. As cores esbatidas das
casas contrastam com o colorido das roupas de quem passa. Lembro-me da rumba e da salsa, do ritmo
vertiginoso de quem dança num país que vive devagar. Passo pelo município da
Playa, um dos 15 que tem Havana. Alguns hotéis de 5 estrelas ferem a paisagem.
A zona rica de Havana, dizem-me. O bairro de Miramar fora o bairro das pessoas
ricas que o abandonaram aquando da revolução na esperança de aí voltar. Hoje
essas casas são, na maioria, embaixadas. Cruzo a 5ª avenida; parece irónico
como Cuba suporta o legado cultural dos E.U.A.: o dólar, a 5ª avenida ou
Avenida de las Americas.
Desespero calmamente com as longas esperas para
entrar e sair do país. Pouco ou nada comprei. E ainda bem. Senti-me,
bruscamente, menos consumista. Tudo teria sido pago só e apenas em dólares
americanos num país embargado pela América do Norte.
Em Cuba não há grandes diferenças sociais. A
grande elite é formado pelo Governo. Fico com vontade de rir.Fundada em 1519, já em 1492 Cristovão Colombo
tinha alcançado o oriente de Cuba. O povo cubano resulta de uma miscigenação
entre três culturas diferentes: a espanhola, a indígena e a africana. É isto o
creolo. Aquele que se passeia vagarosamente pelo Malécon, os sete quilómetros à
beira-mar
Onde namorados, crianças, velhos, turistas e
prostitutas se misturam indiscriminadamente.
É como se tivessemos parado no tempo. Mais precisamente
nos anos cinquenta. Havana move-se calmamente. Os Lada e alguns Cadillac
deslizam sem businar. Fidel Castro discursa horas indefinidamente no seu tom
cadenciado e monótono.
Os velhos sentam-se nos portais, fumam charuto e
deixam os dias passar.
As praias são muito azuis. O sol brilha todos os
dias, embora nem sempre com a mesma vontade. Os hotéis vivem. O resto não.
Varadero, a Playa Azul, é o destino preferencial dos turistas. É pecaminoso ver
as lojas de jóias do Hotel quando lá fora o leite é racionado e o ordenado
mínimo escandaloso.
Observo as prostitutas que nada pedem em troca.
Lembro-se de São Cristovão de Havana cujo centro histórico é património da
Unesco, dos pedintes de olhar sorridente e canso-me de ali estar. Lembro
Hemingway. O Velho e o mar.
É isso Cuba – um país velho num mar azul.
O que eu queria...
- E o que eu queria é que não aparecesses e desaparecesses tão de repente, pões-me doida de todo! - disse Alice.
- Está bem. - disse o Gato, e dessa vez desapareceu muito devagarinho, a começar pela ponta do rabo e a acabar pelo sorriso, que ficou ainda um bocado depois de tudo o resto ter sumido
- Bonito! - disse Alice... Já vi muitos gatos sem sorriso... mas um sorriso sem Gato é a coisa mais curiosa que já vi e toda a minha vida!
- Está bem. - disse o Gato, e dessa vez desapareceu muito devagarinho, a começar pela ponta do rabo e a acabar pelo sorriso, que ficou ainda um bocado depois de tudo o resto ter sumido
- Bonito! - disse Alice... Já vi muitos gatos sem sorriso... mas um sorriso sem Gato é a coisa mais curiosa que já vi e toda a minha vida!
Lewis Carroll, Alice nos País das Maravilhas
11.11.2011
O SEXTO SENTIDO
Hoje escrevo-te, sentido último, para mim primeiro... que sem ti não sobrevivo...
És o sexto e pressinto-te na mente, corpo, na pele e no som destes dias que passam amarelos.... Avisas-me sempre, à mesma hora, para me quedar na viagem...
Mas eu avisei-te que sem rede, me atiro ao abismo, que sem esse voo rasante isto não presta...
És o sexto e pressinto-te na mente, corpo, na pele e no som destes dias que passam amarelos.... Avisas-me sempre, à mesma hora, para me quedar na viagem...
Mas eu avisei-te que sem rede, me atiro ao abismo, que sem esse voo rasante isto não presta...
E do alto das colinas, do cimo dos montes, sobrevivo à passagem dos dias porque espectadora do que vejo... Sabes tu, que vês mais longe e sabes mais...que vê sempre mais do que é preciso... que a tua visão alcança o longe sem lentes de aproximar...
Acato-te de olhar travesso, quando me apetece partir... num riso que bem conheces... num riso de perceber tudo o que me dizes e mais ainda... num riso de saber que sem mais o teu sentido, sairia de mansinho e sem chorar...
Mas não... porque existes e te partilhas, vou navegando sem bússola os mares revoltos embora tu queiras o navio preso no cais...
Por ti, embriagada de palavras... procuro manter o tino... sim, esse estranho e limitador tino ... e só por ti, por vezes páro esta bebedeira de palavras... se o quiser manter...
Tempus fugit, dizes-me ao ouvido quando me tento esquecer...
....Como é viver com um coração esburacado, amigo de jornada?
Não sei quem te dá crédito...
Sei que não tenho nada para ti excepto o que sou nos meus impulsos...
Eu que me não recomendo a ninguém... eu que não sei fazer mais nada do que ser ...
Tu me mostras que talvez tudo isto que sou eu não passe de uma banal vulgaridade, tão banal quanto vulgar...
Talvez pouco elevado face à tua dimensão a qual, suspeito eu, vá muito para além do que por aqui se passa.
Mais que tudo, e agora não digo talvez, sobram-me letras onde me faltam sons.
Por isso, te persigo e te escuto... sexto sentido...
Texto escrito a pedido e num momento em que o sexto sentido se me escapa ou quer escapar... 11/11/11
10.23.2011
O PONTO NEGRO
Um professor entra na sala de aula e diz aos alunos:
- Vamos ter um teste.
Entregou então a folha da prova com a parte do texto virada para baixo e só depois pediu que a virassem. Para surpresa de todos, não havia uma só pergunta ou texto, apenas um ponto negro, no meio da folha. O professor pediu que todos escrevessem um texto sobre o que viam na folha. Os alunos, confusos, começaram, então, a difícil e inexplicável tarefa. Terminado o tempo, o professor recolheu as folhas e começou a ler as respostas voz alta. Todas, sem excepção, definiram o ponto negro, tentando dar explicações por sua presença no centro da folha.
Terminada a leitura, a sala em silêncio, o professor disse:
- Esse teste não será para nota, apenas serve de lição para todos nós. Ninguém na sala falou sobre a folha em branco.
Todos centralizaram as suas atenções sobre o ponto negro. Assim acontece nas nossas vida. Temos uma folha em branco inteira para observar e aproveitar, mas só nos centramos nos pontos negros.
(Autor desconhecido)
PEDIDO URGENTE
Querido Deus...
Tudo o que eu peço para estes últimos meses de 2011 é uma gorda conta bancária e um corpo magro.
Favor não misturar as coisas, como fez no semestre passado.
AMÉN!
Tudo o que eu peço para estes últimos meses de 2011 é uma gorda conta bancária e um corpo magro.
Favor não misturar as coisas, como fez no semestre passado.
AMÉN!
OS FILHOS SÃO DO MUNDO...
Devemos criar os filhos para o mundo.
Torná-los autônomos, libertos, até de nossas ordens.
A partir de certa idade, só valem conselhos.
Especialistas ensinaram-nos a acreditar que só esta postura torna adulto aquele bebê que um dia levamos na barriga.
E a maioria de nós pais acredita e tenta fazer isso.
O que não nos impede de sofrer quando fazem escolhas diferentes daquelas que gostaríamos ou quando eles próprios sofrem pelas escolhas que recomendamos.
Então, filho é um ser que nos emprestaram para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos,
de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem.
Isto mesmo!
Ser pai ou mãe é o maior ato de coragem que alguém pode ter, porque é se expor a todo tipo de dor, principalmente
da incerteza de estar agindo corretamente e do medo de perder algo tão amado.
Perder?
Como?
Não é nosso, recordam-se? Foi apenas um empréstimo!
Então, de quem são nossos filhos?
Eu acredito que são de Deus, mas com respeito aos ateus digamos que são deles próprios, donos de suas vidas,
porém, um tempo precisaram ser dependentes dos pais para crescerem, biológica, sociológica, psicológica e emocionalmente.
E o meu sentimento, a minha dedicação, o meu investimento?
Não deveriam retornar em sorrisos, orgulho, netos e amparo na velhice?
Pensar assim é entender os filhos como nossos e eles, não se esqueçam, são do mundo!
Volto para casa ao fim do plantão, início de férias, mais tempo para os filhos, olho meus pequenos
pimpolhos e penso como seria bom se não fossem apenas empréstimo!
Mas é.
Eles são do mundo.
O problema é que meu coração já é deles.
Santo anjo do Senhor...
É a mais concreta realidade.
Só resta a nós, mães e pais, rezar e aproveitar
todos os momentos possíveis ao lado das nossas 'crias', que mesmo sendo 'emprestadas' são a maior parte de nós !!!
"A vida é breve, mas cabe nela muito mais do que somos capazes de viver "
Torná-los autônomos, libertos, até de nossas ordens.
A partir de certa idade, só valem conselhos.
Especialistas ensinaram-nos a acreditar que só esta postura torna adulto aquele bebê que um dia levamos na barriga.
E a maioria de nós pais acredita e tenta fazer isso.
O que não nos impede de sofrer quando fazem escolhas diferentes daquelas que gostaríamos ou quando eles próprios sofrem pelas escolhas que recomendamos.
Então, filho é um ser que nos emprestaram para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos,
de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem.
Isto mesmo!
Ser pai ou mãe é o maior ato de coragem que alguém pode ter, porque é se expor a todo tipo de dor, principalmente
da incerteza de estar agindo corretamente e do medo de perder algo tão amado.
Perder?
Como?
Não é nosso, recordam-se? Foi apenas um empréstimo!
Então, de quem são nossos filhos?
Eu acredito que são de Deus, mas com respeito aos ateus digamos que são deles próprios, donos de suas vidas,
porém, um tempo precisaram ser dependentes dos pais para crescerem, biológica, sociológica, psicológica e emocionalmente.
E o meu sentimento, a minha dedicação, o meu investimento?
Não deveriam retornar em sorrisos, orgulho, netos e amparo na velhice?
Pensar assim é entender os filhos como nossos e eles, não se esqueçam, são do mundo!
Volto para casa ao fim do plantão, início de férias, mais tempo para os filhos, olho meus pequenos
pimpolhos e penso como seria bom se não fossem apenas empréstimo!
Mas é.
Eles são do mundo.
O problema é que meu coração já é deles.
Santo anjo do Senhor...
É a mais concreta realidade.
Só resta a nós, mães e pais, rezar e aproveitar
todos os momentos possíveis ao lado das nossas 'crias', que mesmo sendo 'emprestadas' são a maior parte de nós !!!
"A vida é breve, mas cabe nela muito mais do que somos capazes de viver "
JOSÉ SARAMAGO
SOCORRO, SOU PROFESSOR
Se um médico, um advogado ou um dentista tivessem, de uma só vez, 26 pessoas no seu gabinete, todas elas com diferentes necessidades e algumas que não querem estar ali, e o médico, o advogado ou o dentista tivessem que tratá-las a todas com elevado profissionalismo durante dez meses, então poderiam fazer uma ideia do que é o trabalho do professor na sala de aula.
MORRER SEM TESTEMUNHAS...
"...Um dos erros do ser humano é tentar tirar da cabeça
aquilo que não sai do coração...'
Um dia, um rapaz pobre que vendia mercadorias de porta em port para pagar os seus estudos, viu que só lhe restava uma simples moeda de dez centavos e tinha fome.
Decidiu que pediria comida na próxima casa.
Porém, seus nervos o traíram quando uma encantadora mulher jovem lhe abriu a porta. Em vez de comida, pediu um copo de água.
Ela pensou que o jovem parecia faminto e assim lhe deu um grande copo de leite.
Ele bebeu devagar e depois lhe perguntou:
-Quanto lhe devo ?
-Não me deves nada - respondeu ela.
E continuou: - Minha mãe sempre nos ensinou a nunca aceitar pagamento por uma oferta caridosa.
- Ele disse:
- Pois te agradeço de todo coração.
Quando Howard Kelly saiu daquela casa, não só se sentiu mais forte fisicamente, mas também sua fé em Deus e nos homens ficou mais vigorosa e vibrante.
Ele já estava resignado a se render e deixar tudo.
Decidiu que pediria comida na próxima casa.
Porém, seus nervos o traíram quando uma encantadora mulher jovem lhe abriu a porta. Em vez de comida, pediu um copo de água.
Ela pensou que o jovem parecia faminto e assim lhe deu um grande copo de leite.
Ele bebeu devagar e depois lhe perguntou:
-Quanto lhe devo ?
-Não me deves nada - respondeu ela.
E continuou: - Minha mãe sempre nos ensinou a nunca aceitar pagamento por uma oferta caridosa.
- Ele disse:
- Pois te agradeço de todo coração.
Quando Howard Kelly saiu daquela casa, não só se sentiu mais forte fisicamente, mas também sua fé em Deus e nos homens ficou mais vigorosa e vibrante.
Ele já estava resignado a se render e deixar tudo.
Anos depois, essa jovem mulher ficou gravemente doente. Os médicos locais estavam confusos.
Finalmente a enviaram à cidade grande, onde chamaram um especialista para estudar a sua rara enfermidade.
Chamaram o Cardiologista Chefe Dr. Howard Kelly. Quando escutou o nome do povoado de onde ela viera, uma estranha luz encheu seus olhos.
Imediatamente, vestido com a sua bata de médico, foi ver a paciente.
Reconheceu imediatamente aquela mulher.
Determinou-se a fazer o melhor para salvar aquela vida. Passou a dedicar atenção especial àquela paciente. Depois de uma demorada luta pela vida da enferma, ganhou a
batalha. O Dr. Kelly pediu a administração do hospital que lhe enviasse a
factura total dos gastos para aprová-la.´Ele a conferiu, depois escreveu algo e mandou entregá-la no quarto da paciente. Ela tinha medo de abri-la, porque sabia que levaria o resto da sua vida para pagar todos os gastos.
Mas finalmente abriu a factura algo lhe chamou a atenção, pois estava escrito o seguinte:
'Totalmente pago há muitos anos com um copo de leite ass. : Dr. Howard Kelly.'
'VIVER SEM AMIGOS É MORRER SEM TESTEMUNHAS.'
CONHECIMENTO EXPLÍCITO DA LÍNGUA - AULA DE PORTUGUÊS
O " filho da puta........."
1. Filho da puta é adjunto adnominal, quando a frase for: ''Conheci um político filho da puta".
2. Se a frase for: "O político é um filho da puta", aí, é predicativo.
3. Agora, se a frase for: "Esse filho da puta é um político", é sujeito.
4. Porém, se o gajo aponta uma arma para a testa do político e diz:
- Agora nega o roubo, filho da puta! - aí é vocativo.
6. Finalmente, se a frase for: "O ex-ministro, aquele filho da puta, arruinou o país e não só" - daí, é aposto.
1. Filho da puta é adjunto adnominal, quando a frase for: ''Conheci um político filho da puta".
2. Se a frase for: "O político é um filho da puta", aí, é predicativo.
3. Agora, se a frase for: "Esse filho da puta é um político", é sujeito.
4. Porém, se o gajo aponta uma arma para a testa do político e diz:
- Agora nega o roubo, filho da puta! - aí é vocativo.
6. Finalmente, se a frase for: "O ex-ministro, aquele filho da puta, arruinou o país e não só" - daí, é aposto.
Agora vem o mais importante para o aluno. Se estiver escrito:
"Saiu de ministro e foi viver para França e ainda se acha o salvador da Nação."
O "filho da puta" aqui é sujeito oculto...
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