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10.07.2014

RISKS

“Life will break you. Nobody can protect you from that, and living alone won’t either, for solitude will also break you with its yearning. You have to love. You have to feel. It is the reason you are here on earth. You are here to risk your heart. You are here to be swallowed up. And when it happens that you are broken, or betrayed, or left, or hurt, or death brushes near, let yourself sit by an apple tree and listen to the apples falling all around you in heaps, wasting their sweetness. Tell yourself you tasted as many as you could.” 

Louise Erdich, The Painted Drum

9.20.2014

O CASAL

Para haver um casal, são precisos dois a querer.
E às vezes, falta um.
Existem pessoas que não nos querem amar, a nós especifica e concretamente. E há pessoas a quem nós não queremos, ou não conseguimos amar, específica e concretamente. Pode parecer cruel, mas é assim. Por vezes, sentimos que para termos amor na nossa vida era preciso tão pouco.

MOUSTACHES

Guns don't kill people. Men with mustaches do!

CUPID'S PICNIC

Dan Cupid gave a picnic
once of a Summer's day
And invites all the other loves
To join him in his play.
There was Big Love and Little Love
And the Love that flies away
And Naughty Love and Taughty Love
And the Love that loves away
And Long Love and Strong Love
And Love for the happy hour,
and Love that Loves
for love alone,
And Love with the visage sour.

Yet the picnic 
proved a failure,
for the best loves 
stayed away
The Constant Love and
The Tender Love
And the Love that Never says nay.

Auhor: James S. Metcalf

KEEP IT SIMPLE


See it big and keep it simple, PLEASE!

PPT

PERMANENT POSITIVE THINKING

9.19.2014

LINHA RETA


Passei demasiado tempo para conseguir avançar em linha reta. Desviei-me do trilho e perdi-me nos caminhos, nas veredas. Era-me difícil vir a direito para casa. Distrair-me no seu rosto. 

Perco-me ainda nas tuas mãos. Afundo-me no teu sorriso... Diluo-me na tua voz. Vem-me ainda a verdade das noites, destas noites em que o sono se vai e a saudade fica.

Encontro-me numa cruzada, numa peregrinação, até ao dia em que conseguir voltar a encontrar aquele pedaço que me roubaste de mim. 


9.18.2014

RISCO MENOR


Quando o amor se torna forte, a loucura é um risco menor.

AS PALAVRAS



Por isso, não… as palavras não me magoam porque há muito que habito com elas e, juntas, habituámo-nos a ver a lua cheia iluminar a minha cama. E o peso do meu peito vem de longe, com os tempos e perseguir-me-á. Habituei-me a ele e juntos, partilhamo-nos, como às palavras... 

LIES

A mim, tudo me morre. Menos esta vontade de inventar histórias e de as por no papel... 

90 POR MANHÃ

Mais uma manhã das 8 às 13, non stop!
Passaram-me pela sala, pelos olhos e pelo coração, 90 alunos. Não consigo ainda juntar o rosto ao nome mas mais uma semana e já saberei como se chamam.
Início das aulas: primeira semana. Vamos escrever?
Não fazem ideia de que um texto tem partes obrigatórias; o que se põe na conclusão, stora? perguntam com ar aflito. Um título, stora? Mas ajude-me... Eu, sim, podia pedir ajuda. Dentro da sala, 30 seres vivos tentam como podem sobreviver a um ensino massificado que os trata a todos por igual como se ocupassem a mesma posição na grelha de partida. Não ocupam. O Bruno leva uma hora para escrever uma frase de sete palavras. O Paulo não fala corretamente e os colegas riem-se. A Elham não fala sequer Português. O Emiv. nunca completou um módulo de que se lembre. Cabe-me agora a mim ajudá-lo nessa tarefa. As fases da escrita, stora? Sei lá... Nunca ouvi falar disso. Sim, planear... Mas não sei como isso se faz. Escrever? Nunca tive jeito para isso... E depois da escrita, stora? Ah, sim, ontem falou-nos nisso... é a vistoria do texto, não é? Sim, penso para mim, a revisão é isso mesmo, uma vistoria...
Cá fora o barulho perturba. Alunos cantam e batem palmas e falam alto enquanto caminham pelos corredores. Na sala ao lado ouço gritos. Um aluno infiltrou-se numa turma à qual não pertence para gozar com a  professora. Frágil, a docente. Forte, aquele aluno. Julga ele...
Fui ver o que que se passava. A auxiliar agarra o aluno pelo braço, a medo. Regresso à sala. Falam alto, obviamente. Tropeço nas mochilas espalhadas pelo chão. Numa turma barulhenta, ousei mandar esta mensagem aos pais:
A professora de Português informa os encarregados de educação de todos os alunos desta turma que o barulho perturba gravemente as aprendizagens e o sucesso escolar. Por isso mesmo, pede que relembre ao seu educando as regras da boa educação na sala de aula.
Saio da sala. Alunos aos magote pelos corredores. O Rui veio ter comigo ao intervalo. Deixou a escola há dois anos. Mas vão abrir concurso na polícia e só a stora me pode ajudar. Sim, ajudo... ajudo sempre, penso... A mãe de um aluno do ano passado quer a ficha de avaliação com urgência. Não teve tempo de a vir levantar... Mas agora, hoje, já... faz-lhe falta. Paciente, ligo o computador. Dou-lha. 
Quero sair da escola. Estou cansada. Quero ensinar a escrever e não consigo. Não me deixam ensinar como se escreve. Não sobra tempo. São 30 alunos por sala. Ainda aprendo todos os dias com o olhar do meus alunos... Tantos, muitos... Autorretrato... hoje vão fazer o vosso autorretrato em dez linhas, que horror, pergunta um, auto-retrato agora é com dois rr's, stora?..
"Sou baixinho e não gosto de mim", "odeio acordar cedo e vir para a escola", "gostava de ter o meu pai de volta", "detesto-me porque sou horrorosa", "o que mais gosto em mim são os meus olhos", "quero ser jogador de futebol", "sou muito consumista e só tou bem a comprar coisas", "um dia vou ser feliz"...
Diferentes entre si e tão solitários quanto o nosso sistema educativo. Isolado do mundo, carente de projeto, triste...


9.15.2014

A ESTÁTUA


Adormecia enrolada sobre si própria como um novelo, ficando cada vez mais ausente. Ia fazendo o melhor que podia para não se perder naquela ausência. Mas viveu muitas noites de desistência. E a sua mente, juntamente com o seu coração, tornaram-se os seus órgãos mais vulneráveis. 

Muito, muito tempo passou até conseguir reerguer-se como uma estátua...

CARTA DE AMOR

E foi assim que dei por mim a escrever-te hoje, em pedaços de papel arrancados a folhas que queriam voar para longe. Tu, que contrariamente ao expectável, me dominas e controlas. Logo a mim, que não me habituei nunca a ser controlada... 
Nunca nos cruzámos antes mas eu já sabia o teu nome muito antes de encontrar naquela cadeira ao sol, que sempre tive jeito para dar largas à imaginação a partir do nada. Quando te vi, quando nos vimos, medi-te de alto abaixo e soube, ali mesmo, que serias o maior dos meus casos de amor. O maior dos maiores. E gosto, de ser subjugada por ti, até o suor me escorrer pelo corpo. E a necessidade que tenho de ti é urgente... mas avancei devagar, que a isso me obrigaste,
Gostava que encontrasses em mim o que julgaste irremediavelmente perdido, seja isso o que for. Estarás continuamente comigo, num recanto da minha mente incansável. Sou demasiado vertiginosa para ti. Sei que te posso assustar. Mas conheço o teu cheiro de cor e sei localizar todas as marcas do teu corpo. Corro a toda a velocidade para a beira do precipício que tu podes ser na minha vida. Mas continuarei a correr porque, simplesmente, não me apetece parar. É possível amar-se alguém que mal se conhece? Não sei... És como um lobo vestido de lobo e eu caio nas tuas ciladas, nas ciladas que me fazes com as mãos e com o teu olhar... Gravei na memória tudo o que te diz respeito. Já quase não recordo os meus pensamentos, aqueles de antes, antes de estarem cheios de ti até transbordarem. O pior dos desastres da minha vida aparentemente arrumada seria apaixonar-me assim. E aconteceu! 
Quero agora de volta tudo o que extorquiste de mim: a minha serenidade, o meu equilíbrio, a minha paz... 

O ALÇAPÃO

Hoje, com a alma a correr atrás do tempo, agarro a festa... Sem medo, com empenho e sem ciúme. Desarranjo a ordem definida por quem não sabe definir e, percorrendo o trilho ou a sua ausência, agarro-me a ti. Sei que há almas que nunca serão resgatadas mas nem me importo. Almas contra as quais ninguém se previne o suficiente...
Hoje, agora, espalham-se os  pensamentos em todas as direções... Hoje, com sempre, estou inundada de palavras. Ainda penso em ti como quem pensa num poço vazio. Sei do que falo porque moro lá dentro, nesse alçapão azul que  nos embaraça, embaraçando-me...

9.14.2014

DITADURA DA MEDIOCRIDADE


Não sei se serei apenas eu que ando farta de tanta estupidez. Na rua, na televisão, nos jornais, nas escolas, nas organizações... a estupidez predomina. Quando digo estupidez, refiro-me à incapacidade de pensar e de agir consoante uma engenharia de conduta que se está a perder porque, muitas vezes, nem chegou a ser desenhada. Andamos todos alheados do fundamental, não andamos? Basta ligar a televisão ou ler o jornal. Não há modelos identitários que nos salvem ou ajudem... Já não encontro consistência em quase nada nem em ninguém. As pessoas excitam-se com a mediocridade e a vulgaridade. As casas dos segredos imperam, a estupidez alastra-se e a incoerência predomina... 
Quero rodear-me de pessoas com vistas largas, extensas que toquem o futuro!

NO HAMMAM


Em todas as três viagens que fiz à Turquia, deliciei-me com o banho turco, sempre com  diferentes experiências mais ou menos curiosas para contar. A mais marcante de todas foi sem dúvida no hamman mais antigo de Istambul, o Çemberlitas - onde, prestes já a regressar a Lisboa, ainda atordoada com as paisagens da Capadócia e os banhos em Pamukale, me ofereci o serviço completo de banho turco com direito a exfoliação e massagem. O que eu não esperava era que neste hammam datado de 1584, mandado construir  pela mulher do sultão Selim II (e obra do arquiteto Sinan), situado na praça de Çemberlitas em Sultanahmet e a um pulinho da Mesquita Azul,  eu fosse viver uma experiência inolvidável. 

Convém lembrar que esta experiência de banho turco é a sério e para as mais afoitas pois aqui, as lavadeiras de gajas chegam-se ao pé de nós com ar agreste - de gorduras dependuradas, misturando-se as mamas com a gordura abdominal, não se sabendo onde acaba uma e começa a outra - atiram-se a nós com esponjas próprias e esfregam-nos o corpo, de ponta a ponta, até aguentarmos. Nós, espojadas sobre uma magnífica pedra mármore fervilhante, perante aqueles corpos disformes, sentimo-nos as rainhas do Nilo. Fui assim lavada e esfregada e esfoliada sem dó nem piedade por uma matrona mas saí dali com veludo no lugar da pele. 

Ir a Istambul e não ir ao Çemberlitas Hammam é pior do que ir a Roma e não ver o Papa...

O ESPAÇO INTERMÉDIO


Nascemos e morremos sós. 
Escolher como preencher o espaço intermédio é a única grande função desta vida.
E nesse campo, a nossa criatividade não tem limites...

RELACIONAMENTOS DURADOUROS

FACTO:
O relacionamento mais duradouro que alguma vez terei será comigo própria. Todos os outros começam e acabam...

DESABAFOS

Quando ficava mesmo mal, andava sozinha pela praia fora e a guarda costeira encontrava-a muitas vezes deitada com o corpo todo esticado em cima do seixos, com os olhos pejados de lágrimas... Mas dizem que lhe passou quando se casou.

- Pois a mim não me apareceu senão quando me casei.

in Gustave Flaubert, Madame Bovary

A ÍNDIA É A ÍNDIA

Fui à Índia de mochila às costas seis meses depois do meu pai morrer. Tinha, eu e os meus três companheiros de viagem, o objetivo de chegar a Pushkar, onde se realiza a maior feira de camelos da ásia, na primeira lua cheia daquele mês de inverno. Chegámos a Bombaim eram três horas da manhã e, sem qualquer alojamento à nossa espera, aguardámos pelo nascer do sol nas escadarias da estação de comboio de Bombaim. Apanharíamos o primeiro que rumasse a norte. Foi aqui, nestas horas de espera, entre sentada e deitada nas escadas da estação, encostando-me como podia à mochila que me servia de encosto, que percebi a realidade: eu estava num outro mundo.

Não tive muito tempo para me preparar, para além da consulta de viajante e da vacinação habitual para destinos longínquos e perigosos em termos de saúde. Há muito o fascínio da Índia me perseguia, pelo que foi fácil colocar duas ou três t-shirts na mochila e partir. Mas não há preparação possível para uma viagem à Índia se for uma verdadeira viagem pela Índia real... Se se tratar de uma viagem turística, de hotel em hotel, de autopullman em autopullman e de restaurante aconselhado pelos guias a restaurante aconselhados pelos guias, não é preciso preparação.

Foi assim que iniciei uma longa viagem que me levou de Pushkar a Udaipur, daqui para Jaipur, depois Nova Deli, daqui a Agra, depois a Varanasi, daqui para Bombaim  e de Bombaim a Goa, a Bombaim novamente, viajando em todos os transportes públicos possíveis que a Índia oferece aos seus nativos. 

Muita gente chega À Índia pela via espiritual. Eu cheguei por outra via. A via da descoberta de um país exótico nas cores e nos cheiros, húmido e barulhento nos afetos, carente de rupias, sobrevivendo em paz no meio d rum enorme caos... Não voltei a mesma desta viagem. Talvez nunca volte a mesma de qualquer viagem. Mas a Índia toca-nos por dentro. Continuo a sentir no corpo as cinzas dos crematórios de Varanasi e no coração a beleza do Taj Mahal.

Como vos hei-de explicar? Como diz Alberto Moravia, a Índia é a Índia...