Porque a vida não é um fenómeno lógico e a criatividade é um produto derivado do sonho...
10.26.2013
OH HAPPY DAYS
Tenho saudades dos tempos em que ríamos, felizes, sabendo que ela nos esperava sempre lá.
Tenho saudades dos dias em que chegávamos a casa, vindas de longe.
Tenho saudades dos dias em que ela nos recebia vestida de azul.
9.26.2013
A SENHORA PROFESSORA
Aconteceu na Escola Básica Integrada de Rabo de Peixe (Ilha de S. Miguel - Açores/Portugal), desconhecendo-se qual a nota atribuída ao referido aluno. A professora pediu aos alunos para fazerem uma composição sobre a escola.
Um deles escreveu:
"A minha escola é pequena, mas muito bem arranjada. A minha escola é como se fosse um jardim. Nós os alunos, somos as flores e a senhora professora é como se fosse um monte de estrume que nos faz crescer belos e fortes."
9.11.2013
PROFESSORES
Vivem-se tempos de mudança. Veloz.
Brutal. Irrevogável! E com ela,
surgem alterações inevitáveis nas nossas vidas profissionais e pessoais. A
escola, a cidade, o país, o mundo estão em transformação… Nós próprios, se
estivermos atentos, mudamos a cada dia que passa. Só desejamos, todos, que essa
mudança seja no sentido do desenvolvimento e não o contrário. A escola pública
está em mudança. Nós, os atores deste organismo, esforçamo-nos dia a dia para
fazer da escola um espaço de equidade, de solidariedade, de crescimento, de
cultura, de inovação. Após um ano intenso de trabalho que acabou, parece, há
poucos dias, somos de novo confrontados com um novo ano letivo a começar no
qual procuramos proporcionar a todos
os alunos experiências de aprendizagem enriquecedoras, dentro e fora da escola,
capazes de os tornar indivíduos mais plenos.
Mas instabilidade, desequilíbrio,
ansiedade acrescida foram e continuam a ser a pedra de toque do nosso
quotidiano profissional. Acrescente-se a este rol, mais alunos por turma, menos
professores por escola, “requalificação profissional”, perda de salário,
decisões com efeitos sérios, contradições, falhas de comunicação,
esclarecimentos e esclarecimentos sobre os esclarecimentos… e temos a receita
de um ano atípico nas nossas vidas suspensas, qual governo nacional,
continuando, todos nós, a aguardar calmamente por resoluções que tardam em
chegar.
Por isso, fizemos greves. Às
avaliações. Aos exames. Greve nacional. Final de ano atribulado. Início de novo
ano numa escola que se transformou em mera fábrica de papel, onde os alunos são
colocados na linha de montagem para serem formatados durante alguns meses e
pouco mais...
Os professores estão zangados.
Desolados. Tristes. DESMOTIVADOS! Cansados de funcionar! Queremos sentir que
amanhã teremos condições de vida para continuar a existir com dignidade. Sobretudo,
para continuar a ensinar com o prazer e a motivação, essenciais ao desempenho
desta profissão! Somos professores por vocação. E ser professor é pensar
criticamente, enfrentar o futuro, sem medos nem grilhões, cada vez mais difíceis
de contornar...
7.01.2013
PALAVRAS
Realizo-me em palavras. Tenho uma relação cúmplice com o verbo. Sou EU quem sou através da escrita, esta evanescente escapa emocional que me torna, que nos torna... indestrutíveis. Porque estabilizada nas agonias privadas, escrevo para melhor lidar com a morte. A minha morte. A nossa morte. A tua morte. Esta fome voraz por experiências vai matar-me e só pela imaginação chegam a mim. Tenho em mãos dois projetos incipientes: o meu livro e tu. O único homem com quem me casaria... tu, que consegues disfarçar a minha loucura... tu que nunca amarás ninguém. Por isso, me rebelo contra mim própria, eu que aprendi contigo a não viver por impulso, por emoção. Afoguei-me nas palavras que me sacudiram de repente quando percebi que, finalmente, seria capaz de te amar. Atordoada, quero duas coisas: amar e ser livre ao mesmo tempo. E pouco mais. E nada mais. Por isso escrevo. receando perder-lhe o hábito... Teço assim mais umas páginas deste projeto anódino mas repleto de desejo de verdade. Há aqui uma enxurrada de palavras que tu temes. Movo-me aos solavancos. Sei... Temo mesmo que a lucidez me fuja. Quero sair de mansinho... esgueirar-me do mundo discretamente. Talvez tenhas razão. Talvez a melhor coisa a fazer seja dormir.
TOQUES
Só um pequeno toque de sol e fica eufórica. Só um pequeno toque de felicidade e esquece as misérias. Fundamentalmente, dá-me bem com quase toda a gente. Principalmente, dã-se bem consigo própria...
FUGA
Na próxima semana e nas seguintes, ela fugiu para parte incerta. Para um sítio qualquer que não estava no mapa. E pediu-lhe apenas:
- Não me faças perguntas e eu telefonar-te-ei uma vez por dia. Está bem?
DESCOBERTAS
REFLEXÕES:
Quando me rendo o problema deixa de existir; os que são
postos à prova de forma mais violenta são aqueles que mais
têm para dar; o mundo está a contrair-se e nós nem damos
conta; quero muito pouco, cada vez menos; criar qualquer
coisa nova, seja lá o que for, é sempre difícil porque é uma
tentativa nossa de recuperar o que já foi perdido; gosto de
pessoas simples, locais simples e refeições simples; ela foi a
única pessoa que eu conheci que soube usar o silêncio de
forma eficaz.
MEDO
MEDO. Agora vejo isso em ti, quando dormes, quando enganas, quando te esquivas, quando te escapas, quando procuras o café,a multidão. Relativamente a nós os dois, não consigo compreender porque não havia alguma rzão para a nossa relação ser trágica. Não havia nenhuma... Mas entretanto, ela tornou-se trágica para mim, porque nada fazes para torná-la real; tudo o que fazes dissipa, dissolve, decompõe a nossa relação. Tu volatilizas.
Anais Nín e Henry Miller, Cartas de Amor.
5.22.2013
RECEITA INFALÍVEL
Eis a única receita que nunca desilude:
Duas cadeiras e uma mesa, uma garrafa de vinho tinto, uma açorda de marisco, um bom gelado de chocolate e, diante de ti, a cara de um/a amigo/a, um rosto que conheças bem, um daqueles que só de vê-los nos devolvem a calma. E a alma!
O QUE RESTA
A velhice, disse Borges, pode ser o tempo da nossa felicidade; o animal morreu, ou quase, e ficam o homem e a alma.
SONO E SOL
A melhor receita para curar uma dor de amor é pôr a cara ao sol, a seguir esperar pela noite e dormir 12 horas... quiça 13...
Sono e sol e esperança fazem maravilhas... Nunca duvides...
JEJUM
Ninguém conhece as receitas da felicidade. Na hora da infelicidade de nada servirão os mais elaborados cozinhados para satisfazer alguém. E até, se em algumas a tristeza é motor do apetite, não convém que nos dias de aflição se empantureem de comida. Na infelicidade, a comida não é assimilada e cria gordura.
Saudável costume é o jejum nos dias de desgraça.
Héctor Abad Faciolince
3.12.2013
MÃE
Dou-te tudo o que tenho através das
palavras vividas com carinho delicadas sentidas oferecidas a ti não
sei porquê não quero saber porquê que não estou interessada apenas sei que me
faz doer o peito senti-lo de peito apertado preocupando-me e dando-te o meu
pouco tempo ou muito tempo ou só tempo que ele é sempre o mesmo e com ele brinco
aos balanços e balancetes de uma ou várias vidas vividas com ou sem alma - que
me interessa isso - desde que a acidez não vingue e que o meu destinatário não
chore que não gosto não quero o que sei
da dor é o que há para saber da dor é dor e a dor é sempre igual em qualquer
latitude não te faço chorar, com o carinho este carinho que surge do nada e sem
saber porquê actor ou piegas ator-piegas só ator não não há atores tão
verdadeiros nem o Pessoa que fingia aquilo que nós sabemos que não fingia
não sou não serei bálsamo seu nem de ninguém apenas uma voz que atravessa a
noite e lhe chega de mansinho para lhe dizer ao ouvido que lhe querem bem que
lhe quero bem que ela te quer bem, meu querido.. sim, sim que há mensagens que
me enviam as estrelas e o céu e o mar e a terra toda inteira me grita que sim
que sim que somos pouco somos nada e este nada que é tudo merece mais do que
este rodopio em chuva ácida em que sem querer se cai e eu não gosto não gosto
que dances nessa chuva e não perguntes porquê não me perguntes porquê não me
perguntes porquê ... eu não gosto de porquês... eleita de atenção sim
basta de ti basta de mim basta
de dor
de rodopios
de dúvidas
de desalmas
de
lágrimas
3.04.2013
TALES OF ORDINARY MADNESS
I felt like crying but nothing came out, it was just a sort sad
sickness, sick sad when you can't feel any worse. I think you
know it. I think everybody knows it now and then. But I
think I have it pretty often, too often.
Charles Bukowsku, Tales of Ordinary Madness
DEPRESSA E MAL
E foi então que ela o olhou de cima a baixo depois de o ouvir falar, e disse para com os seus botões:
- Este deve fazer sexo como fala. Depressa e mal.
O SENHOR IBRAHIM E AS FLORES DO CORÃO
Em Paris, nos anos 60, Momo, um rapazinho judeu de doze anos, torna-se amigo do velho merceeiro árabe da rua Bleue. Mas as aparência iludem: o Senhor Ibrahim, o merceeiro, não é árabe, a rue Bleue não é azul e o rapazinho talvez não seja judeu.
"- Porque nunca sorris, Momo? - perguntou-me o Senhor Ibrahim.
Esta pergunta era um verdadeiro murro, um golpe tramado, não estava preparado para ela.
- Sorrir é coisa para pessoas ricas, senhor Ibrahim. Não tenho meios para isso.
Para me aborrecer começou precisamente a sorrir.
- E julgas que eu sou rico?
- Tem sempre notas na caixa. Não conheço ninguém com tantas notas à frente durante todo o dia.
- Mas as notas servem para pagar a mercadoria e a renda. Sabes, pouco me resta no fim do mês.
E sorria ainda mais, como que para me provocar.
- Senhor Ibrahim, quando digo que é uma coisa de pessoas ricas, quero dizer que é algo para pessoas felizes.
- Pois bem, é aí que te enganas. É o facto de sorrir que nos faz felizes.
- Uma ova.
- Experimenta.
- Uma ova, já disse.
- És bem educado, não és, Momo?
- Que remédio, senão apanho uns tabefes.
- É bonito ser bem-educado. Amável é ainda melhor. Experimenta sorrir e logo verás.
(...)
No dia seguinte comporto-me mesmo como um doente que tivesse sido picado toda a noite: sorrio a todos.
- Não, senhora doutora, peço desculpa mas não compreendi o exercicio de matemática.
Pumba: sorriso.
- Não consegui fazê-lo!
- Pois bem, Moisés, vou explicar-te outra vez.
Nunca tinha visto uma coisa assim. Nada de descomposturas, nem de avisos. Nada.
Na cantina...
- Não se importa de me dar mais um pouco de creme de castanha?
Pumba: sorriso.
- Sim, com queijo fresco...
E obtenho-o.
(...)
É a embriagez. Já nada me resiste. O senhor Ibrahim deu-me a arma absoluta. Metralho toda a gente com o meu sorriso. Nao me tratam mais como um chato.
(pag.22)
Subscrever:
Mensagens (Atom)



















