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7.01.2013

FUGA

Na próxima semana e nas seguintes, ela fugiu para parte incerta. Para um sítio qualquer que não estava no mapa. E pediu-lhe apenas:
- Não me faças perguntas e eu telefonar-te-ei uma vez por dia. Está bem?

MOMENTUM

Hoje estou feliz no meu modo de estar triste...

DESCOBERTAS


REFLEXÕES:

Quando me rendo o problema deixa de existir; os que são 

postos à prova de forma mais violenta são aqueles que mais 

têm para dar; o mundo está a contrair-se e nós nem damos 

conta; quero muito pouco, cada vez menos; criar qualquer 

coisa nova, seja lá o que for, é sempre difícil porque  é uma 

tentativa nossa de recuperar o que já foi perdido; gosto de 

pessoas simples, locais simples e refeições simples; ela foi a 

única pessoa que eu conheci que soube usar o silêncio de 

forma eficaz.

MEDO

MEDO. Agora vejo isso em ti, quando dormes, quando enganas, quando te esquivas, quando te escapas, quando procuras o café,a multidão. Relativamente a nós os dois, não consigo compreender porque não havia alguma rzão para a nossa relação ser trágica. Não havia nenhuma... Mas entretanto, ela tornou-se trágica para mim, porque nada fazes para torná-la real; tudo o que fazes dissipa, dissolve, decompõe a nossa relação. Tu volatilizas.

Anais Nín e Henry Miller, Cartas de Amor.

5.22.2013

RECEITA INFALÍVEL

Eis a única receita que nunca desilude:
Duas cadeiras e uma mesa, uma garrafa de vinho tinto, uma açorda de marisco, um bom gelado de chocolate e, diante de ti, a cara de um/a amigo/a, um rosto que conheças bem, um daqueles que só de vê-los nos devolvem a calma. E a alma!

O QUE RESTA

A velhice, disse Borges, pode ser o tempo da nossa felicidade; o animal morreu, ou quase, e ficam o homem e a alma.

ESCRAVOS

Nunca esfregues a tua liberdade na cara dos escravos...

SONO E SOL

A melhor receita para curar uma dor de amor é pôr a cara ao sol, a seguir esperar pela noite e dormir 12 horas... quiça 13...
Sono e sol e esperança fazem maravilhas... Nunca duvides...

JEJUM

Ninguém conhece as receitas da felicidade. Na hora da infelicidade de nada servirão os mais elaborados cozinhados para satisfazer alguém. E até, se em algumas a tristeza é motor do apetite, não convém que nos dias de aflição se empantureem de comida. Na infelicidade, a comida não é assimilada e cria gordura.
Saudável costume é o jejum nos dias de desgraça.
Héctor Abad Faciolince

3.12.2013

MÃE

Dou-te tudo o que tenho através das palavras vividas com carinho delicadas sentidas oferecidas a ti não sei porquê não quero saber porquê que não estou interessada apenas sei que me faz doer o peito senti-lo de peito apertado preocupando-me e dando-te o meu pouco tempo ou muito tempo ou só tempo que ele é sempre o mesmo e com ele brinco aos balanços e balancetes de uma ou várias vidas vividas com ou sem alma - que me interessa isso - desde que a acidez não vingue e que o meu destinatário não chore que não gosto não quero  o que sei da dor é o que há para saber da dor é dor e a dor é sempre igual em qualquer latitude não te faço chorar, com o carinho este carinho que surge do nada e sem saber porquê actor ou piegas ator-piegas só ator não não há atores tão verdadeiros nem o Pessoa que fingia aquilo que nós sabemos que não fingia não sou não serei bálsamo seu nem de ninguém apenas uma voz que atravessa a noite e lhe chega de mansinho para lhe dizer ao ouvido que lhe querem bem que lhe quero bem que ela te quer bem, meu querido.. sim, sim que há mensagens que me enviam as estrelas e o céu e o mar e a terra toda inteira me grita que sim que sim que somos pouco somos nada e este nada que é tudo merece mais do que este rodopio em chuva ácida em que sem querer se cai e eu não gosto não gosto que dances nessa chuva e não perguntes porquê não me perguntes porquê não me perguntes porquê ... eu não gosto de porquês... eleita de atenção sim basta de ti basta de mim basta
                                       de dor 
                                       de rodopios
                                       de dúvidas
                                       de desalmas
                                       de lágrimas 

3.04.2013

TALES OF ORDINARY MADNESS




I felt like crying but nothing came out, it was just a sort sad 

sickness, sick sad when you can't feel any worse. I think you 

know it. I think everybody knows it now and then. But I 

think I have it pretty often, too often.


Charles Bukowsku, Tales of Ordinary Madness

DEPRESSA E MAL


E foi então que ela o olhou de cima a baixo depois de o ouvir falar, e disse para com os seus botões: 
- Este deve fazer sexo como fala. Depressa e mal.

O SENHOR IBRAHIM E AS FLORES DO CORÃO


Em Paris, nos anos 60, Momo, um rapazinho judeu de doze anos, torna-se amigo do velho merceeiro árabe da rua Bleue. Mas as aparência iludem: o Senhor Ibrahim, o merceeiro, não é árabe, a rue Bleue não é azul e o rapazinho talvez não seja judeu.

"- Porque nunca sorris, Momo? - perguntou-me o Senhor Ibrahim.
Esta pergunta era um verdadeiro murro, um golpe tramado, não estava preparado para ela.
- Sorrir é coisa para pessoas ricas, senhor Ibrahim. Não tenho meios para isso.
Para me aborrecer começou precisamente a sorrir.
- E julgas que eu sou rico?
- Tem sempre notas na caixa. Não conheço ninguém com tantas notas à frente durante todo o dia.
- Mas as notas servem para pagar a mercadoria e a renda. Sabes, pouco me resta no fim do mês.
E sorria ainda mais, como que para me provocar.
- Senhor Ibrahim, quando digo que é uma coisa de pessoas ricas, quero dizer que é algo para pessoas felizes.
- Pois bem, é aí que te enganas. É o facto de sorrir que nos faz felizes.
- Uma ova.
- Experimenta.
- Uma ova, já disse.
- És bem educado, não és, Momo?
- Que remédio, senão apanho uns tabefes.
- É bonito ser bem-educado. Amável é ainda melhor. Experimenta sorrir e logo verás.
(...)
No dia seguinte comporto-me mesmo como um doente que tivesse sido picado toda a noite: sorrio a todos.
- Não, senhora doutora, peço desculpa mas não compreendi o exercicio de matemática.
Pumba: sorriso.
- Não consegui fazê-lo!
- Pois bem, Moisés, vou explicar-te outra vez.
Nunca tinha visto uma coisa assim. Nada de descomposturas, nem de avisos. Nada.
Na cantina...
- Não se importa de me dar mais um pouco de creme de castanha?
Pumba: sorriso.
- Sim, com queijo fresco...
E obtenho-o.
(...)
É a embriagez. Já nada me resiste. O senhor Ibrahim deu-me a arma absoluta. Metralho toda a gente com o meu sorriso. Nao me tratam mais como um chato.
(pag.22)

2.25.2013

PORQUE SIM

Por que não desisto já? Porque esta vida neste mundo é ainda o campo de todas as possibilidades.

2.19.2013

O BONECO



"Influenciável. E oco. É o que tu és: um cabrão de um influenciável oco. Afirmas o que queres negar e negas o que queres afirmar. Influenciável. É o que tu és: um passador no tráfico de influências (nem a estatuto de traficante tens direito); o tipo que recebe a influência de braços abertos e a distribui por inocentes sem pensar. E sem pesar consequências ou danos – tantas e tantas vezes irremediáveis. 

Influenciável. E oco. É o que tu és: um títere, um boneco movido pelos cordéis da ambição e engonços do poder. A fantochada corre-te nas veias e sentes que tens veia para manobrador – tu, logo tu, ó manobrado mor. É o que tu és: um imitador de gestos humanos, um bufão que se deixa levar facilmente por outrem palhaço- só o mando de outro de inspira e te faz agir. Então é assim, autómato: admite, em definitivo, que és um influenciodependente. Vai-te tratar. 
A influenciodependência: esse aditivo que destrói amores- que já destruiu o teu amor. E o que precisas, ó bonifrate, é de uma droga de amor. Sim, uma droga de amor. E das pesadas. Uma boa trip de amor, bem injetada, e que te faça correr amor nessas veias; o amor que assumiste como perdido, mas que te corre no sangue- ainda. E és compatível, totalmente compatível, absurdamente compatível. Só precisas de desatar – mesmo que seja à dentada- o garrote que sempre te aperta o espirito e voar. Vá, fantoche, deixa-te transplantar e recebe, na plenitude do teu eu, um novo sangue: sangue tipo A- sangue tipo Amor."

Rui Miguel Mendonça

2.17.2013

FELICIDADE


Por vezes, penso que sou feliz. Hoje, por exemplo, acordei com sol, o que à partida é meio caminho andado para a felicidade; celebrei o aniversário da minha mãe, o que também me deixa radiante; e até consegui, com relativa facilidade, antever uns dias de férias. Possuo, desta forma, e de acordo com as mentes mais pragmáticas, todos os ingredientes necessários para a dita cuja.

Ora bem, a verdade é que tenho dias. Como a Cecília Meireles, tenho fases, tal como a lua. E tanto posso acordar com a sensação de que as torres gémeas voltaram a cair, como com a ideia de que tudo é fácil, porque para mim tudo é possível.

Uma vez confessei sentir-me feliz. Foi um desabafo, num daqueles dias em que acordo plena de energia e grata ao universo por existir. E leve. Extremamente leve (o que para mim é um grande sinal de felicidade). Mas alguém me disse (não me lembro já quem) para ter cuidado com o que dizia. É verdade que há pessoas que cultivam a tristeza. Mas, não é bem o meu caso. Nada me agrada mais que umas boas gargalhadas decorrentes de uma boa dose de non sense. E tenho, felizmente, alguns amigos/amigas peritos nisso. Confesso, porém, que há dias em que sinto escurecer por dentro. Mas faço sempre o possível (e o impossível) por renascer no dia seguinte, logo de manhãzinha.

2.10.2013

VIVER OU FUGIR?

Viver uma paixão com data marcada para acabar ou recusar o fogo e simplesmente fugir?

QUASE QUASE


Andou o caos por aqui. Sabes a que me refiro. Espreitei apenas o abismo quando te conheci. E agora? Agora estou quase quase a atirar-me por aqui abaixo...


SAPIOSEXUAL


OS DEZ MANDAMENTOS

Parece que são 10, os mandamentos para uma relação minimamente estável e eu não sabia:

1. Ser correspondido
2. Ter-se coisas em comum
3. Conhecer o outro em vez de o imaginar ou projetar à nossa medida
4. Não nos matar de tédio
5. Apresentar as regras do jogo antes de jogar
6. Se já o fez antes, pode voltar a fazê-lo agora
7. Negociar e nunca sacrificar
8. Não guardar segredos
9. Ser igualitária
10. Fazer-nos sentir felizes