Porque a vida não é um fenómeno lógico e a criatividade é um produto derivado do sonho...
11.27.2012
11.26.2012
11.24.2012
NÃO MORRAS
Vais morrer sem ter sonhado tudo o que me contavas nas noites em que, juntas, partilhávamos a rua quente daqueles longos meses em que nunca páravamos para olhar o outro lado e, cegas, nos mantínhamos ali, presas às paredes da casa branca onde o sol queimava o corpo e a só água do poço conseguia acalmar a angústia da espera...
Morre mas ao menos leva-me contigo na tua viagem. Ou deixa para mim parte do teu sonho... Porque sem te poder tocar, eu não consigo continuar. Mesmo que o sol acalme na nossa rua a sul ou a casa seja transformada em abrigo... Não posso continuar aqui, sem te poder visitar quando precisar apenas do teu olhar nas noites em que acordo sem ter adormecido e te procuro no vazio da madrugada que me procura a mim para te acalmar...
ESQUECIMENTO
Eu sabia que um dia me ia esquecer de tudo...
Não sabia era que um dia todos se iriam esquecer de mim...
11.22.2012
SE EU QUISER
Ainda é possível. Se eu quiser. Ou se eu puder.
Não sei se quero. Ou se consigo. Quero mas não consigo. Ou não quero e consigo... Já não sei.
Mas sei que o riso nunca se tornará um fóssil... Partilhaste comigo a solidão das almas grandes em forma de gargalhadas. A tua grandeza é do tamanho da tua força e o teu sorriso tem a imensidão do rio que observámos. Tens o mundo no corpo e nos olhos o amor que nunca vi. Obrigada por me apoiares nestes dias. E por me mostrares que o tempo forma círculos perfeitos. Talvez me ajudes a resgatar a minha paz. Por me fazeres rir hoje e ontem. E amanhã, se eu quiser. Ou se eu puder.
Sabes, é curioso como a gente se habitua à ausência de carícias...
É AS MOÇAS...
Aula de 9º ano. Numa escola de Lisboa. Cedo: 8h30. Manhã fria de novembro. Estado de espírito da prof: não sabia muito bem o que estava ali a fazer àquela hora.
Sumário. Início da aula. Matéria: o conto "O Tesouro". Caracterização das personagens. Temas. Ganância. Riqueza. Pobreza. Alegria. Tristeza. Os irmãos de medranhos "mergulharam furiosamente as mãos no ouro" - afirma Eça. Furiosamente quer dizer alegremente, atira um dos miúdos. Outro riposta: - Tás mas é parvo... Eles estavam bué felizes...
- E o que é que vos faz felizes, a vocês? - rosnei.
E aí começaram: a família, o meu avô, os meus pais, o meu pai, dinheiro, a minha avó... etc e tal...
Faltava um responder... Por sinal, o melhor aluno, o mais irrequieto, o mais mal comportado, o mais pequeno, o mais engraçado...
- E tu, Guilherme, o que é que te faz feliz? - perguntei.
- É as moças... - respondeu-me com os olhos a brilhar e os seus dentes saídos de Castor. Assim lhe chamam os colegas.... CASTOR.
11.21.2012
HOJE SOUBE DEMAIS
Hoje, soube demais...
Do que podia e do que não podia saber...
Daqui e dali... e d'além...
De ti e de mim e de nós...
Era uma boa relação. - disseram.
Podia resultar! - exclamaram.
Podia resultar! - exclamaram.
Por que acabou? - perguntaram.
Respondi apenas com o silêncio...
11.20.2012
MEDOS
Pela primeira vez na sua vida, o homem decidiu avançar. Atirou-se de cabeça e aterrou num novo território onde se sente feliz. Conseguiu perceber a futilidade do medo. Começou a viver exatamente naquele preciso momento em que se libertou de praticamente todos os medos. Porque quando se perdem os laços que nos ligam à terra, à família, às próprias raízes que nos prendem ao chão, chegou a hora de perder também o controlo de tudo aquilo que não se controla.
E ele percebeu que só seria livre quando finalmente perdesse o medo de perder...
11.19.2012
COZINHADOS
Algo de errado de passa. Dou, de repente, comigo cheia de vontade de cozinhar. Talvez tenha sido a travessia do deserto que me abriu o apetite. Seja como for, ando desvairada por comida. Foi o arroz de marisco com paprika que encantou, a açorda de gambas que brilhou, o borrego à alentejana com alecrim que gozou, a sopa de cação que fascinou...
Seja como for, nestas noites de Inverno, o melhor restaurante do mundo é, ficou provado, na minha sala.
11.18.2012
UM CIRCO, ISTO TUDO...
É assim... numa mistura de saber
a sol, a sal... que me encontro...
É assim, nesta confusão de
reserva e audácia que me concerto... ou vou concertando... com e sem a
influência das estações. Sim, que se morre e se renasce a casa instante se
fizermos prudentes concessões a nós próprios e às nossas fraquezas. Não sei se
é assim ou não...não é fatal, nada é fatal, exceto a não quebra dos hábitos...
Sacudo os medos... os preconceitos... a melancolia... Sacudo-me
incessantemente com ou sem plural.
E vamos, eu e tu, espiando
com curiosidade estes rumores de um interior... ou dois... (des)conhecido(s)...
Um circo, isto tudo... e nós
dependurados no trapézio da vida... qual arte, essa, a infinita, que tudo
repara... até os seres, todos os seres, mesmo os desprovidos de
alma...
11.17.2012
TEMPUS FUGIT
Hoje acordei com esta sensação de que, se me deixasses, iria amanhã visitar-te e passaria contigo o resto da minha vida. Sairia da minha pele com a mesma facilidade com que entraria na tua... Porque o que mais quero da vida é viver-te.
11.15.2012
AS MISSIONÁRIAS
Três missionárias, todas freiras, caminham pela rua e uma está a descrever, com as mãos, as enormes toranjas que viu em África. Depois, a segunda, também com as mãos, descreve as enormes bananas que viu na Índia. A terceira freira, um pouco surda, pergunta:
- Padre quê? :)
AUDIÇÕES
Após vários dias, muitos dias, excessivos dias no arame, vomitei de vez tudo o que me incomodava e levantei-me. Não sei como tudo começou. Já não me lembro. Não sei se foi o silêncio que me assolou ou se fui eu que assolei o silêncio. Sei apenas que este, o silêncio, só é autêntico quando estamos completamente sozinhos, isolados do mundo... Mas aprendi também que estar só nada tem a ver com solidão. Estar só é o ponto mais alto da consciência. Percebemos melhor de onde vimos e para onde queremos ir. E eu percebi que estava a perder as asas. Queria voar com uma das asas presa nas asas de alguém. Mas no momento em que perdemos as asas, somos apenas mais um... Agora, hoje, amanhã, será a altura certa para recomeçar... embora a hora certa nunca chegue. Estamos sempre todos à espera do momento certo, da constelação certa... para recomeçar... Sei agora, mesmo que pareça estranho, que linhas paralelas também se encontram... Mas o problema, o meu grande problema, o meu maior problema foi querer acreditar... esquecendo que quando queremos acreditar, ficamos cegos.
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