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11.15.2012

LOST TIME

       Como recuperar o tempo perdido a sonhar?

AS MISSIONÁRIAS

Três missionárias, todas freiras, caminham pela rua e uma está a descrever, com as mãos, as enormes toranjas que viu em África. Depois, a segunda, também com as mãos, descreve as enormes bananas que viu na Índia. A terceira freira, um pouco surda, pergunta:
- Padre quê? :)

AUDIÇÕES

Após vários dias, muitos dias, excessivos dias no arame, vomitei de vez tudo o que me incomodava e levantei-me. Não sei como tudo começou. Já não me lembro. Não sei se foi o silêncio que me assolou ou se fui eu que assolei o silêncio. Sei apenas que este, o silêncio, só é autêntico quando estamos completamente sozinhos, isolados do mundo... Mas aprendi também que estar só nada tem a ver com solidão. Estar só é o ponto mais alto da consciência. Percebemos melhor de onde vimos e para onde queremos ir. E eu percebi que estava a perder as asas. Queria voar com uma das asas presa nas asas de alguém. Mas no momento em que perdemos as asas, somos apenas mais um...  Agora, hoje, amanhã, será a altura certa para recomeçar... embora a hora certa nunca chegue. Estamos sempre todos à espera do momento certo, da constelação certa... para recomeçar... Sei agora, mesmo que pareça estranho, que linhas paralelas também se encontram... Mas o problema, o meu grande problema, o meu maior problema foi querer acreditar... esquecendo que quando queremos acreditar, ficamos cegos.

11.11.2012

ARMADILHA

Depois, ela voltou para casa e deu um golo generoso no seu brandy. Um. Depois outro. Só um brandy lhe clareava o pensamento... agora mais confuso do que nunca. Havia já várias semanas que o fazia. Caminhava todos os dias para o vazio. Tinha ficado com o coração cheio de fantasmas e não sabia... Sentia que caíra numa armadilha. A maior de todas as armadilhas possíveis.

11.05.2012

RODOPIOS

Vou hoje rodopiar a rotina, hoje que já não é de hoje, hoje que sobra para um antecipado amanhã esmerilado hoje. Por aqui...
E gosto de rodopios à rotina...De a trapacear! Essa rotina veloz, mortal, letal que nos corroi devagar...
E gosto sobretudo de quem assume essa trapaça, rodopiando nas palavras...
Gosto de me gostar rodopiante, quase imparavelmente senil... onde me sinto acordada, trapaceira dessa rotina interrompida por palavras, também elas rodopiantes... senis, cheias de alma porque precocemente amassadas nas noites destes dias...
Gosto deste rodopio louco... Louca, eu... loucos todos os partilheiros no deserto ilimitado...neste deserto dos dias que passam velozes, loucos, incessantes.
Tu, em tempos partilheiro, que temes? Que medos te assaltam? Que temes, homem de alma cativa rodopiando sobre ti próprio? Que temes tu, amante de dúvidas... amado por desafios?
Onde te encontro, agora que nos perdemos, quando esta dúvida me assola e segue por onde serpenteia a alma, a minha, a tua, essa coisa vigilante do peito, livre, livre... o peito... a alma... tu...
E eu, colecionadora de sonhos... que só os pode colecionar quem os consegue  viver, acordei sem ter dormido, misturando todas as memórias numa só, nessa viagem que  me persegue, nos persegue... a recuperar o que se perdeu, que se recupera sempre o que não se perdeu...

11.04.2012

O MARIDO

Um dia, o marido dissera-lhe:- Ou eu ou o gato.
Ela às vezes lembra-se daquele marido...:)

DIAS

Claro que há dias mais compridos do que outros ... Mas ela agora andava a ter dificuldade em resgatar a sua paz. Queria dormir vários meses seguidos e acordar sem se sentir um pêndulo desengonçado. Era como um espelho embaciado por uma imagem difusa que queria apagar sem conseguir. E a única forma de ultrapassar a angústia será viver sem voltar a pôr-se em perigo...

O GAMANÇO

Numa das últimas aulas que consegui dar a custo, turma arisca mas simpática, clima ameno, entendiamo-nos apenas porque eu não exigia muito, o mínimo para manter o sistema a funcionar e sem introduzir grandes furos na rotina, discutia-se a crise, o desemprego, a situação atual. A dada altura, um aluno de olhos vivos e cabelo estranho, vestido de nikes da ponta dos pés ao alto da cabeça, confronta-me:
- A stora compra tudo? - atirou-me.
E sem me deixar responder, avança
- Nós não, nós gamamos...

11.02.2012

O DESAMOR

DIVÓRCIO, RUPTURA
 = 
DESAMOR COM 8 LETRAS.

OS NOSSOS MORTOS


Mesmo que as pessoas que amamos continuem vivas, é preciso concluir as histórias com os mortos ou estas nunca terão fim...

ONE HUNDRED PERCENT


A boy and a girl were playing together. The boy had a collection of marbles. The girl had some sweets with her. The boy told the girl that he will give her all his marbles in exchange for her sweets. The girl agreed.
The boy kept the biggest and the most beautiful marble aside and gave the rest to the girl. The girl gave him all her sweets as she had promised.
That night, the girl slept peacefully. But the boy couldn’t sleep as he kept wondering if the girl had hidden some sweets from him the way he had hidden his best marble.

Moral of the story: If you don’t give your hundred percent in a relationship, you’ll always keep doubting if the other person has given his/her hundred percent.. This is applicable for any relationship like love, employer-employee relationship etc. Do not regret giving your hundred percent to everything you do even if later you will feel betrayed...

10.31.2012

10.28.2012

ALENTEJO SEEN FROM THE TRAIN


Nothing with nothing around it
and a few trees in between
none of which very clearly green
where no river or flower
pays a visit.
If there be a hell, I’ve found it.
For if ain’t here,
where the Devil it is?


Fernando Pessoa, Alentejo seen from the train


TEQUILA COM LIMÃO

"Durante a época em que as três amigas se entregaram à celebração dos seus divórcios, habituaram-se a comer juntas às sextas-feiras e continuarem na farra até ganharem ou perderem ou perderem-se. :)
Depois dormiam as três em casa de alguma delas e no dia seguinte tomavam o pequeno-almoço a conversar.
Entre elas, Amélia era a melhor bebedora de tequila. Por isso bebia mais do que as outras e antes de tomar o café, de saída para o trabalho, perguntava às amigas:
- Oiçam, e eu diverti-me ontem?":)

Ángeles Mastretta, Maridos

DÚVIDA: O MARIDO OU O AMANTE?

SUBLIME:
"Nessa noite, iniciaram as conversas que duraram meses. Ouviram também a  opinião das suas três melhores amigas. Às vezes uma de cada vez e outras vezes todas juntas. De nenhum outro assunto se falou tanto. Num dia ganhava Juan e noutro, o marido. Num dia reinava a prudência e noutro, a audácia. Num dia, o insulto, e noutro, o perdão. Dizia-se de tudo: que se largasse Juan não suportaria vê-lo com outra mulher; que esa simples ideia a fazia estremecer; que nada a faria mais infeliz; que a soberba é mais indestrutível do que o álcool, que viver com isso pode ser insuportável; que viver com o marido era uma matéria já aprendida; que o marido também não era nenhum santo, embora parecesse mais estável e se lhe conhecessem menos confusões; que um falava pouco e o outro demasiado; que um deles tinha habilidades e conhecimentos domésticos que já nenhum homem tem; que o outro gostava de viajar; que Juan era versátil e os negócios o entretinham; que um deles era divertido e o outro reincidia; que Juan er a o único disposto a passar uma tarde inteira, com ou sem chuva, abraçado a ela; que ela iria sentir falta dos filhos; que os dele poderiam estar bem ou mal educados; que pensasse onde passaria o Natal; que não importava qual das casas tinha um jardim maior; que qual dos cheiros lhe era mais imprescindível; (...) que um falava de si próprio trinta e seis vezes em cada vinte e quatro horas e o outro nunca dizia o que pensava de si mesmo, muito menos dela. Que Juan era alegre e o seu marido ensimesmado; que um era bom conversador e o outro bom observador; que Juan tinha acessos de mau génio mas a nuvem negra das suas fúrias era curta; que o marido, pelo contrário, nunca estava aborrecido mas também nunca estava feliz; se alguém que joga dominó seria de mais confiança do que alguém que joga golfe; se algum deles a fazia sentir-se mais necessária; se isso seria um elogio ou uma dependência; por fim, e não menos importante, que um encontrava mais depressa o seu clitóris do que o seu ponto G e vice-versa (...)"

Ángeles Mastretta, Maridos, p.22-23

10.27.2012

FARTA

Farta de gente armada ao pingarelho. Farta de tecnologia. Farta da Troika. Farta de gente sem cor. Farta de ténis Nike. Farta de de fruta sem sabor. Farta de gente sem humor. Farta de que só se ouve a si próprio. Farta de animaizinhos mutilados no facebook. Farta de fiambre. Farta de iogurtes com pedaços. Farta de tv. Farta de gente que em vez de dialogar tem monólogos à vez. Farta de usar mala. Farta de políticos. Farta de gente que ouve música pimba no carro e não fecha os vidros. Farta de queixumes. Farta de egoístas. Farta de ti...

10.26.2012

STOP

Dolência. Preguiça. Pausa.

CORRER RISCOS

Comecei um curso de criatividade pela Universidade de Stanford. Quero que a minha vida  sirva para construir uma manta de retalhos e não para me limitar a completar mais um puzzle. Porque os dias que correm são cinzentos. A maioria. Outros nem cor apresentam. E eu só posso continuar à procura da criatividade perdida. Tento rodar-me de pessoas criativas mas são tão poucas...Tento manter-me alerta; escrevo: coisas sem nexo mas ainda escrevo; tento afastar-me do computador e olhar atentamente para o mundo lá fora; procuro bater os meus próprios medos; ouço música que nunca antes tinha ouvido, de todos os géneros; conheci pessoas novas: de diferentes culturas e línguas; procuro os filmes em estreia; vou a alguns sítios onde nunca tinha ido; quebro diariamente algumas regras e ainda não me arrependi. Acima de tudo, corro riscos... especialmente em noites de temporal.

10.25.2012

TU BRILHAS!


Era uma vez uma serpente que começou a perseguir um pirilampo. Este fugia da predadora, que não desistia facilmente. Mas a serpente estava disposta a ir até às últimas consequências para conseguir a sua refeição.
Um dia passou e a serpente não desistia. Dois dias se foram e a serpente continuava a sua perseguição ao já cansado pirilampo... E então, no terceiro dia, já sem forças para continuar a fugir, o pirilampo decidiu parar e fazer uma pergunta à serpente. E assim foi:
«Posso fazer-te uma pergunta, antes de tudo o que possa acontecer a seguir?», perguntou o pirilampo. «Bom, nunca nenhuma das minhas vítimas me fez tal abordagem, mas como tu foste corajoso, vou deixar-te formular a tua pergunta», respondeu o réptil.
- Por acaso pertenço à tua cadeia alimentar?
- Não. 
- Fiz-te algum mal para que me persigas?
- Não. 
- Então, porque é que queres devorar-me?
- Porque TU BRILHAS ! E eu não suporto ver-te a brilhar!



Uma boa razão para verificar quem o/a rodeia, quem o/a acompanha, quem o/a influencia e o/a aconselha.