Hoje contaram-me histórias de sítios e gentes distantes. E aprendi que os camelos, como alguns homens, são traiçoeiros: andam milhares de quilómetros sem dar qualquer sinal de cansaço. De repente, porém, ajoelham e morrem...
Porque a vida não é um fenómeno lógico e a criatividade é um produto derivado do sonho...
9.13.2012
O ORGASMO
E foi então que ela me disse, entre outras coisas:
- Sabes, amiga, nunca tive um orgasmo com ele em tantos anos... ele não me dava tempo...
PALAVRAS DIFÍCEIS
Ora eu discordo em absoluto com os mil linguistas que tomaram esta decisão.:) Nós, portugueses, temos a mania de que mais ningúem sente saudade, como os ingleses acham que nenhum outro povo possui fair play, como alguns africanos se consideram os únicos com morabeza. Falso! Temos todos de tudo. E é tão fácil traduzir saudade, seus ignorantes. É a falta do outro, do seu abraço, dos seus beijos, do seu corpo, do seu sorriso, das suas mãos, do seu cheiro, da sua voz...
9.11.2012
OS BORDÉIS DE CABUL
Em Cabul, as mulheres estão autorizadas a ir às compras mas têm de usar sempre a burka. E só podem sair se acompanhadas do marido ou de um familiar do sexo masculino. A burka, esse símbolo da independência feminina, é obrigatória a partir da adolescência. E se uma mulher subir um pouco as mangas da burka, pode ser espancada por um taliban... Apenas porque sim. No autocarro, as mulheres ficam separadas dos maridos e não podem sair nas paragens ao mesmo tempo que eles. Quanto aos encontros femininos, tão apreciados entre mulheres, estes só acontecem dento de casa, em cerimónias fúnebres ou casamentos. Sempre situações festivas, como se vê!
E agora, questão central e fulcral e essencial: no Afeganistão, as mulheres não podem andar a um passo normal. Porquê? Porque o barulho dos saltos altos implica uma forte punição. Assim, para se precaverem, as mulheres ou andam descalças ou de saltos rasos. Como consequência de toda esta situação, muitas mulheres sofrem de perturbações mentais e algumas tornam-se prostitutas ou pedintes. Outras optam pelo suicídio.
Agora vem a melhor parte: um relatória da RAWA indicava que, só em Cabul, existiam em 1999, 25 a 30 bordéis frequentados, imaginem por quem? Por quem? Sim, isso mesmo. Pelos próprios talibans. Cada um destes bordéis tera cerca de 3 a 5 mulheres dirigidas por outra mais idosa desginada também por khala kharabati (prostituta).
E assim vai o mundo...
UM SÍTIO PARA RENASCER
Sem dúvida que vou lá voltar. Quando não sei... mas voltarei. Só ou acompanhada, irei. É o sítio mais estranho que eu conheço. E o mais sagrado. O local eleito pelos hindus para morrer. Ali mesmo, nas margens do Rio Ganges, num dos muitos ghats onde uns empilham a madeira para as piras fúnebres e outros esperam pela morte. Os cadáveres vão chegando em padiolas ou riquexós, embrulhados em panos brancos, amarelos e laranja. Ali aguardam a seu vez para serem cremados.
Misturei-me com os hindus de madrugada. Queria ver Varanasi do lado do rio ao nascer do sol. Eram 5h da manhã e a margem estava apinhada de hindus no seu banho sagrado. O barqueiro levou-me, avisando-me para que não me molhasse na poluída água do Ganges. Um micróbio de cólera que em água destilada consegue sobreviver vinte e quatro horas, ali sobrevive apenas três... Tive cuidado mas não exagerei. Coloquei eu própria as minhas velas no rio e o barquinho que me transportava era isso mesmo, um barquinho frágil...
O ruído de Varanasi pela manhã é quase nulo mas o misticismo a esta hora é enorme. Só quando o sol fura as nuvens, a cidade acorda, revelando os primeiros rituais da manhã. Quase nus, os Hindus banham-se nas águas sagradas e começa então a aventura. As pequenas lojas abrem, vendendo incenso, panos e estátuas... Os cheiros misturam-se com os sons e somos transportados para longe de tudo e de nós mesmos. Mas o caos da Índia dos riquexós, motoretas, buzinas, vacas e gente não é aqui, nestas ruelas que levam às escadarias que descem ao rio.
Varanasi é um sítio para morrer. Ou renascer...
P.S. Na foto, Balu, o meu remador no Ganges.
9.10.2012
CARTA DE EUGÉNIO LISBOA AO PRIMEIRO MINISTRO DE PORTUGAL
Exmo. Senhor Primeiro Ministro
Hesitei muito em dirigir-lhe estas palavras, que mais não dão do que uma pálida ideia da onda de indignação que varre o país, de norte a sul, e de leste a oeste. Além do mais, não é meu costume nem vocação escrever coisas de cariz político, mais me inclinando para o pelouro cultural. Mas há momentos em que, mesmo que não vamos nós ao encontro da política, vem ela, irresistivelmente, ao nosso encontro. E, então, não há que fugir-lhe.
Para ser inteiramente franco, escrevo-lhe, não tanto por acreditar que vá ter em V. Exa. qualquer efeito – todo o vosso comportamento, neste primeiro ano de governo, traindo, inescrupulosamente, todas as promessas feitas em campanha eleitoral, não convida à esperança numa reviravolta! – mas, antes, para ficar de bem com a minha consciência. Tenho 82 anos e pouco me restará de vida, o que significa que, a mim, já pouco mal poderá infligir V. Exa. e o algum que me inflija será sempre de curta duração. É aquilo a que costumo chamar “as vantagens do túmulo” ou, se preferir, a coragem que dá a proximidade do túmulo. Tanto o que me dê como o que me tire será sempre de curta duração. Não será, pois, de mim que falo, mesmo quando use, na frase, o “odioso eu”, a que aludia Pascal.
Mas tenho, como disse, 82 anos, e, portanto, uma alongada e bem vivida experiência da velhice – da minha e da dos meus amigos e familiares. A velhice é um pouco – ou é muito – a experiência de uma contínua e ininterrupta perda de poderes. “Desistir é a derradeira tragédia”, disse um escritor pouco conhecido. Desistir é aquilo que vão fazendo, sem cessar, os que envelhecem. Desistir, palavra horrível. Estamos no verão, no momento em que escrevo isto, e acorrem-me as palavras tremendas de um grande poeta inglês do século XX (Eliot): “Um velho, num mês de secura”... A velhice, encarquilhando-se, no meio da desolação e da secura. É para isto que servem os poetas: para encontrarem, em poucas palavras, a medalha eficaz e definitiva para uma situação, uma visão, uma emoção ou uma ideia.
A velhice, Senhor Primeiro Ministro, é, com as dores que arrasta – as físicas, as emotivas e as morais – um período bem difícil de atravessar. Já alguém a definiu como o departamento dos doentes externos do Purgatório. E uma grande contista da Nova Zelândia, que dava pelo nome de Katherine Mansfield, com a afinada sensibilidade e sabedoria da vida, de que V. Exa. e o seu governo parecem ter défice, observou, num dos contos singulares do seu belíssimo livro intitulado The Garden Party: “O velho Sr. Neave achava-se demasiado velho para a primavera.” Ser velho é também isto: acharmos que a primavera já não é para nós, que não temos direito a ela, que estamos a mais, dentro dela... Já foi nossa, já, de certo modo, nos definiu. Hoje, não. Hoje, sentimos que já não interessamos, que, até, incomodamos.
Todo o discurso político de V. Exas., os do governo, todas as vossas decisões apontam na mesma direcção: mandar-nos para o cimo da montanha, embrulhados em metade de uma velha manta, à espera de que o urso lendário (ou o frio) venha tomar conta de nós. Cortam-nos tudo, o conforto, o direito de nos sentirmos, não digo amados (seria muito), mas, de algum modo, utilizáveis: sempre temos umas pitadas de sabedoria caseira a propiciar aos mais estouvados e impulsivos da nova casta que nos assola. Mas não. Pessoas, como eu, estiveram, até depois dos 65 anos, sem gastar um tostão ao Estado, com a sua saúde ou com a falta dela. Sempre, no entanto, descontando uma fatia pesada do seu salário, para uma ADSE, que talvez nos fosse útil, num período de necessidade, que se foi desejando longínquo. Chegado, já sobre o tarde, o momento de alguma necessidade, tudo nos é retirado, sem uma atenção, pequena que fosse, ao contrato anteriormente firmado. É quando mais necessitamos, para lutar contra a doença, contra a dor e contra o isolamento gradativamente crescente, que nos constituímos em alvo favorito do tiroteio fiscal: subsídios (que não passavam de uma forma de disfarçar a incompetência salarial), comparticipações nos custos da saúde, actualizações salariais – tudo pela borda fora. Incluindo, também, esse papel embaraçoso que é a Constituição, particularmente odiada por estes novos fundibulários. O que é preciso é salvar os ricos, os bancos, que andaram a brincar à Dona Branca com o nosso dinheiro e as empresas de tubarões, que enriquecem sem arriscar um cabelo, em simbiose sinistra com um Estado que dá o que não é dele e paga o que diz não ter, para que eles enriqueçam mais, passando a fruir o que também não é deles, porque até é nosso.
Já alguém, aludindo à mesma falta de sensibilidade de que V. Exa. dá provas, em relação à velhice e aos seus poderes decrescentes e mal apoiados, sugeriu, com humor ferino, que se atirassem os velhos e os reformados para asilos desguarnecidos , situados, de preferência, em andares altos de prédios muito altos: de um 14º andar, explicava, a desolação que se comtempla até passa por paisagem. V. Exa. e os do seu governo exibem uma sensibilidade muito, mas mesmo muito, neste gosto. V. Exas. transformam a velhice num crime punível pela medida grande. As políticas radicais de V. Exa, e do seu robôtico Ministro das Finanças - sim, porque a Troika informou que as políticas são vossas e não deles... – têm levado a isto: a uma total anestesia das antenas sociais ou simplesmente humanas, que caracterizam aqueles grandes políticos e estadistas que a História não confina a míseras notas de pé de página.
Falei da velhice porque é o pelouro que, de momento, tenho mais à mão. Mas o sofrimento devastador, que o fundamentalismo ideológico de V. Exa. está desencadear pelo país fora, afecta muito mais do que a fatia dos velhos e reformados. Jovens sem emprego e sem futuro à vista, homens e mulheres de todas as idades e de todos os caminhos da vida – tudo é queimado no altar ideológico onde arde a chama de um dogma cego à fria realidade dos factos e dos resultados. Dizia Joan Ruddock não acreditar que radicalismo e bom senso fossem incompatíveis. V. Exa. e o seu governo provam que o são: não há forma de conviverem pacificamente. Nisto, estou muito de acordo com a sensatez do antigo ministro conservador inglês, Francis Pym, que teve a ousadia de avisar a Primeira Ministra Margaret Thatcher (uma expoente do extremismo neoliberal), nestes termos: “Extremismo e conservantismo são termos contraditórios”. Pym pagou, é claro, a factura: se a memória me não engana, foi o primeiro membro do primeiro governo de Thatcher a ser despedido, sem apelo nem agravo. A “conservadora” Margaret Thatcher – como o “conservador” Passos Coelho – quis misturar água com azeite, isto é, conservantismo e extremismo. Claro que não dá.
Alguém observava que os americanos ficavam muito admirados quando se sabiam odiados. É possível que, no governo e no partido a que V. Exa. preside, a maior parte dos seus constituintes não se aperceba bem (ou, apercebendo-se, não compreenda), de que lavra, no país, um grande incêndio de ressentimento e ódio. Darei a V. Exa. – e com isto termino – uma pista para um bom entendimento do que se está a passar. Atribuíram-se ao Papa Gregório VII estas palavras: ”Eu amei a justiça e odiei a iniquidade: por isso, morro no exílio.” Uma grande parte da população portuguesa, hoje, sente-se exilada no seu próprio país, pelo delito de pedir mais justiça e mais equidade. Tanto uma como outra se fazem, cada dia, mais invisíveis. Há nisto, é claro, um perigo.
De V. Exa., atentamente,
Eugénio Lisboa
Ex-Director da Total, em MoçambiqueEx
Director da SONAP MOC
Ex-Administrador da SONAPMOC e da SONAREP
Ex-Conselheiro Cultural da Embaixada de Portugal em Londres
Prof. Catedrático Especial de Estudos Portugueses (Univ. Nottingham)
Ex-Presidente da Comissão Nacional da UNESCO
Prof. Catedrático Visitante da Univ. de Aveiro
Doutor Honoris Causa pela Univ. de Nottingham
Doutor Honoris Causa pela Universidade de Aveiro
Medalha de Mérito Cultural (Câmara de Cascais)
NORMALIDADES
Já tentei. Juro que já tentei. Fiz tudo como diz o livro mas não resultou. Até já tomei decisões importantes. Leio O Principezinho todos os anos a ver se não me esqueço do essencial. Passei a atender os telefonemas e tento, às vezes a custo, responder a todas as chamadas que me fazem. Tenho tentado, por todas as vias, ser mais condescendente com os outros... Já me calo mais vezes do que era habitual. Já quase, mas a muito muito custo, consigo entender aquelas pessoas que usam véu... Já comecei a tentar descer a fasquia das minhas exigências. E até deixei de tentar descobrir a face oculta da lua.
Mas a normalidade continua a ficar-me muito apertada dos lados...
ESCURIDÃO
Escrever um romance é como entrar num quarto às escuras.
Não vemos nada e tentamos descrevê-lo...
Não vemos nada e tentamos descrevê-lo...
Amy Waldman
A COMUNICAÇÃO DO AMOR
Diz-me a experiência que o único casal que tem potencial para ter sucesso é aquele que compreendeu que a comunicação e a empatia (o saber colocar-se no lugar do outro) são os utensílios mais extraordinários de perceção das necessidades e desejos do pessoa que nós queremos ter a nosso lado. E por vezes, falhamos nisso sem querer...
Por outro lado, também me parece que a melhor maneira de comunicar no amor (e fora dele) é seguir a célebre máxima de Immanuel Kant: Age com o outro como gostarias que o outro agisse contigo. Caso contrário, a comunicação deixa de acontecer, os momentos de desilusão podem surgir e os mal entendidos podem suceder-se uns aos outros sem o serem. É difícil comunicar no amor? Talvez! Mas se assim for, então toda a comunicação em geral só pode ser um perfeito fracasso. Se eu não comunicar eficazmente com a pessoa que eu amo, com quem vou comunicar com eficácia? Se é com ela que eu quero partilhar e partilhar-me, porque não consigo que a comunicação flua como o rio?
Por isso é que tantas relações falham mesmo antes de terem começado.
Por isso é que a verdadeira liberdade amorosa dos nossos dias se tornou a liberdade de ficar ou de partir.
9.09.2012
NÃO SABIA
Não sabia que virias tão depressa logo não me preparei para te receber. Esperava a tua chegada mas disseram-me que ainda demorarias. Por isso, aguardava calmamente... Passei vários anos à tua espera. Meses e dias sucederam-se, intermináveis. E enquanto esperei, aprendi a sonhar com um mundo perfeito onde nos dedicaríamos um ao outro e viveríamos felizes para sempre. Desculpa se sonhei demais... Agora, aconteça o que acontecer, não posso fazer mais nada...
SEGREDOS DEBAIXO DO SOL
Quarto de hospital. A loucura toca as paredes do quarto onde me encontro e quer entrar. Não deixo. Tento a custo fechar a porta. Tranco as janelas. Escondo-me a um canto. Não a deixarei entrar, decido. E, a custo, protejo-me como posso. Tapo-me. Cubro-me. Escondo-me. Fujo-lhe. Falo-lhe em voz baixa. Peço-lhe que se vá. A loucura, esta loucura... Presença contra a qual não me precavi. Apressada, tenta falar-me. Tenta meter-se entre mim e o meu grande amor. Escondo-me. Ela também... que a loucura sem as suas máscaras não é nada.
Depois tive de vir. Deixei-te só. E fiz o melhor que pude para não nos perdermos as duas na saudade e nos longos silêncios a que a vida nos sujeitou. Logo a nós duas, mãe, que gastámos tantas tardes quentes a partilhar segredos debaixo do sol...
Ficámos pequeninas hoje, mãe... que a separação é dolorosa e faz-me nódoas negras na alma...
9.06.2012
FRIENDS
Don't walk in front of me, I may not follow.
Don't walk behind me, I may not lead.
Walk beside me and be my friend.
- Albert Camus
O FERIADO
O erotismo é sempre um despertar. Com ele, passamos para outra dimensão. Abrimos uma nova porta... para o novo, o risco, a incerteza, a descoberta, a revelação.
O encontro erótico é como um feriado...
9.04.2012
FEIRA DAS ALMAS
Sim. Gosto de ir. Aos sábados menos. Às terças mais. E de lá veio a minha mala vintage de pele castanha que tanto adoro e que elas tanto invejam. Ou o meu chapéu anos 30 que uso em momentos de loucura.
A Feira da Ladra é o único sítio em Lisboa que me transporta para Portobello Road ouCamdem, locais a que me habituei a visitar quando vivi em Londres ou sempre que lá volto. Embora o ar por cá seja assustadoramente decadente em vez de "trendy", a verdade é que não deixa de ser um toque irreal nesta cidade de centros comerciais à pinha, ou pior, de supermercados gigantes onde já se pode comprar tudo.
Chamavam-lhe Feira das Almas, por causa dos muitos sapatos que por lá se vendiam. E os sapatos têm alma, eu que o diga. Mas parece que agora já ninguém compra sapatos na feira, dizem-me algumas velhotas vendedeiras que ali vendem há mais de vinte anos. Agora, na ordem do dia estão os telemóveis, os carregadores e outros acessórios, as pilhas e cartões de todo o género e os cds.
Mesmo assim, não consigo deixar de lá ir saborear. Há por ali uma sensação estranha que resulta da amálgama do novo com o velho, numa decadência reconfortante que só se encontra no Campo de Santa Clara, com a cidade a acordar e os passeios repletos de coisas do outro mundo, de outras gentes, à mistura com coisas e gentes deste mundo.
Mas não me fico por Lisboa. Por onde passo, tenho como ritual ir à dita feira. Por isso, desde o fantástico Marché aux Puces, Portobello ou Petticoat, às feiras da ladra de Berlim, Budapeste, Praga, Nova Iorque, Amesterdão e muitas outras, as feiras das almas deste mundo são sempre local de peregrinação para mim.
Mas não me fico por Lisboa. Por onde passo, tenho como ritual ir à dita feira. Por isso, desde o fantástico Marché aux Puces, Portobello ou Petticoat, às feiras da ladra de Berlim, Budapeste, Praga, Nova Iorque, Amesterdão e muitas outras, as feiras das almas deste mundo são sempre local de peregrinação para mim.
DÚVIDAS
Pode a paixão aparecer subitamente como uma flecha?
Há ligações amorosas fortes, médias e fracas? O que as distingue?
Há experiências eróticas que ficam marcadas em nós para sempre?
Pode a paixão irromper entre dois seres totalmente estranhos um ao outro?
Pode o enamoramento provocar caos, confusão e desordem?
Por que nos enamoramos?
É o enamoramento um acto de maturidade ou de imaturidade?
É possível estar enamorado e continuar a fazer explorações amorosas?
São, como dizem os experts, os grandes amores acelerações do processo de mudança, do movimento para a frente dos indivíduos?
Quando é que se sabe se o estado de enamoramento avança para outro estado ou morre ali?
Há ligações amorosas fortes, médias e fracas? O que as distingue?
Há experiências eróticas que ficam marcadas em nós para sempre?
Pode a paixão irromper entre dois seres totalmente estranhos um ao outro?
Pode o enamoramento provocar caos, confusão e desordem?
Por que nos enamoramos?
É o enamoramento um acto de maturidade ou de imaturidade?
É possível estar enamorado e continuar a fazer explorações amorosas?
São, como dizem os experts, os grandes amores acelerações do processo de mudança, do movimento para a frente dos indivíduos?
Quando é que se sabe se o estado de enamoramento avança para outro estado ou morre ali?
9.03.2012
FIESTA
Acabei ontem. Fiesta! Viajantes, hedonistas, aventureiros, expatriados, escritores... Paris, Budapeste, Madrid, Pamplona... Uma obra-prima da literatura universal. E uma certeza:
Quando as pessoas defrontam o mundo com tanta coragem, o mundo só pode quebrá-las matando-as, e por isso, é claro, mata-as. O mundo quebra toda a gente, e depois muitos ficam mais fortes no lugar da fractura. Mas àqueles que não consegue quebrar, mata-os. (Farewell to Arms)
MERDA
O fim de Agosto, as férias que não são bem férias, os seres que partem sem terem partido, a proximidade do Outono, o medo de não querer acordar sempre à mesma hora, a expectativa do mesmo... tudo uma merda, tudo uma grande merda!
FIGOS
FIGOS.
Tanto que ela gostava de figos com pão ao fim de uma tarde quente do Alentejo profundo. Saboreava-os devagarinho, com a calma das almas grandes e a certeza de quem sabe o seu destino.
Agora é alimentada através de uma seringa e olha-me com desdém... como se nunca me fosse perdoar por ser verão e eu não lhe levar figos...
9.02.2012
NASCER TRABALHAR MORRER?
Saio sempre do teu quarto em bicos de pés... parto à pressa, como um ladrão, culpada, faltosa... Eu sei... Perdoa-me! Não te devia deixar atravessar as noites sozinha... E depois passo horas a tentar a fazer um esforço para deixar de pensar no Inferno. Ganhei com mérito, nestes últimos dias, o meu diploma de fragilidade. E agora caminho pelos dias com a firme intenção de me fazer adoptar por eles... e recuso-me a saber que o tempo passou.
8.31.2012
XIANG-LIAM
Sempre que leio sobre estas e outras atrocidades sinto-me formigueiros galopantes nas palmas das mãos que se estendem a todo o corpo e, desesperada, começo a escrever...
A pequena dimensão dos pés das gueishas era a prova de que esta era uma mulher de boas famílias... Quanto mais pequenos fossem os pés, mais encantadora e virtuosa era a mulher aos olhos dos homens. Não se sabe a origem exata deste bizarro hábito mas há quem diga que remonta à Dinastia Tang, há mais de oitocentos anos. assim, as mães que queriam que as suas filhas se casassem, faziam com que elas tivessem um pés pequenos. Como se faz isto então? Simples... aqui vai uma descrição poética da coisa. Quando uma menina tem cerca de 2 ou 3 anos, começa-se a apertar-lhe os pés com um par de faixas de tecido compridas. Aperta-se muito, o mais possível, até partir os ossos. E as faixas só podiam ser retiradas quando as pessoas se lavavam o que também não acontecia muito. E se doía? Era mais ou menos como caminhar sobre os dedos dos pés, dobrados à força na raíz em direção à planta do pé. Mais ou menos como andar sobre os ossos partidos... E não era por um dia ou por um mês. Era até ao final da juventude. Até à altura em que os pés, já totalmente deformados, param de crescer.
8.29.2012
8.28.2012
O ÓLEO DO CARRO
Não gosto que me suguem a energia e muito menos que façam de mim saco de boxe.
Há alturas em que necessitamos de vigiar o nosso amor próprio como se fosse o óleo do carro...
DISSE!
TENTAÇÃO
Consigo resistir a tudo excepto a uma tentação.
OSCAR WILDE
Nota: Podem colocar a escultura no hall de entrada que eu depois arranjo forma de lhe arranjar o local certo para ficar.:)
VOO VERTIGINOSO
E quando queremos voar
para muito longe, mas a nossa asa esquerda está presa nas mãos de alguém... Como é que se voa, com uma asa presa na mão de alguém?
E estes mundos mágicos que criamos serão sempre uma utopia? Estes pedaços desfeitos de nós não poderão unir-se? Teremos de ser sempre vasos
vazios? Não é possível voar com uma mão presa na tua? Como duas águias reais que entrelaçam as garras e descem em voo vertiginoso...
NO ESCAPE
E mais ninguém vai saber deste galope desenfreado que sentimos à
distância...
Não precisava de ti para sofrer mais um pouco mas tu seguraste-me pelas pontas dos dedos e já sinto formigueiro pelo corpo todo...
Já não é possível escapar!
Não precisava de ti para sofrer mais um pouco mas tu seguraste-me pelas pontas dos dedos e já sinto formigueiro pelo corpo todo...
Já não é possível escapar!
TARDE VERDE
Sabes que há tardes roxas e outras verdes e que esta, hoje, foi verde? Sabes que às vezes preciso de mar? E de amar? E de te amar? Sabes?
ESCRITORES
- "Podemos fazer uma simples divisão entre os escritores que encontram inspiração em si próprios e os que têm de inspirar-se em motivos externos. Há temperamentos reflexivos e temperamentos que reflectem o mundo. Há escritores como John Berger que têm o dom de reflectir. Como já alguém disse, pode ver-se o mundo sem se abandonar o próprio quarto. Isto é típico das pessoas com carácter reflexivo, que encontram inspiração em si próprias, no material que têm em si mesmas, que tem de ser estimulado, formulado, expresso. É um tipo de literatura. No meu caso, ao invés, reflicto o mundo: tenho de ir ao lugar para poder escrever. Se viver num único lugar morro, ao passo que John Berger cria." Ryszard Kapuscinski, em diálogo com John Berger ("Os Cínicos Não Servem Para Este Ofício", ed. Relógio d'Água)
8.27.2012
SURROUNDED BY WORDS
Tenho a cabeça cheia de palavras... Acordam-me a meio da noite, seguem-me e perseguem-me pelo dia.. Quero escrever... quero escrever sempre, contar-te do meu mundo e dizer-te que encho folhas e livros, esvaziando-me... Os poucos seres que amei, morreram ainda que possam estar vivos. A minha família é talvez uma aldeia, uma rua, uma casa... pouco mais. Restam-me as palavras. Restas-me tu...
Porque quando o amor se torna forte, a loucura é um risco menor.
8.18.2012
THE END OF THE LINE
É o fim da linha. Uma longa e interminável linha percorrida sempre com a garra dos caminhantes, a coragem dos aventureiros e a força de quem sabe que se está sempre e irremediavelmente só.
É o fim da linha. Uma linha feita de outras linhas, entrelaçadas, cosidas, bordadas a fios de seda ou de lã ou de nada...
É o fim da linha. Uma linha feita de dor. Uma caminhada pelo deserto com poucos momentos de água fresca...
É o fim da linha... desta linha. Do outro lado, na outra linha, sei que terás a tua recompensa.
8.17.2012
NUS E PARA SEMPRE
Basicamente, tudo se resume ao mesmo: às velhas expectativas que criamos. O que nós queremos e o que o outro quer e o que nós pensamos que o outro deve querer e o que o outro de facto quer e o que nós criamos na nossa mente como sendo o ideal e que o outro não vê como ideal...
Basicamente, hoje era um dia especial que não é especial coisa nenhuma senão dentro de uma cabeça cheia de sonhos e de ilusões e de imaginação...
Basicamente, tudo se resume ao mesmo: Nunca há amor como nos filmes... nus e para sempre.
MANTRAS
As pessoas insistem em repetir o mantra:
- Tens de ser forte... tens de ser forte...
Andam a espalhar a ideia de que precisamos de ser fortes nos momentos mais difíceis. Não estou certa de ser isto o melhor a fazer... ser forte.
Quando o meu mundo se desmorona e cai, não quero ser forte. Não quero armar-me em forte. Não quero fingir-me forte.
Quero simplesmente poder ser vulneável. Chorar à exaustão.
Deixem-me em paz.
Basicamente é isso que eu quero: que me deixem em paz, que me deixem chorar a minha dor e que não de dêem palmadinhas nas cosras repetindo o tal estúpido mantra... tens de ser forte... Porque eu hoje não sou forte...
8.07.2012
TOTAL AUSÊNCIA DE GRAVIDADE
Hoje acordei com a sensação de que poderia, com facilidade, largar a minha vida sem fazer barulho e meter-me noutra. Tudo no silêncio das seis horas da manhã e perante uma total ausência de gravidade.
8.06.2012
NÃO POSSO MORRER JÁ, DOUTOR
"Não posso morrer já, doutor. Ainda não. Tenho coisas para fazer. Depois terei toda a vida para morrer."
Carlos Ruís Zafón, O Jogo do AnjoI AM UP TO NO GOOD
"As coisas estavam melhores, pensei. Talvez por isso, porque parecia que ia finalmente sair do atoleiro, fiz o que fizera sempre que a minha vida encarreirou pelo bom caminho: deitar tudo a perder."
Carlos Ruís Zafón, O Jogo do Anjo
VOLTO JÁ
Quando se pensa que não é possível, acontece.
Por vezes, vamos sem vontade de voltar. Porque neste verão, todos os meus caminhos vão dar a ti.
A TÁBUA
Pertencemos ao grupo dos que seguem pelos caminhos menos percorridos e que pagam alto o preço da liberdade. Recebemos uma das tábuas de Moisés: LUTARÃO contra todos os mentecaptos deste e do outro mundo. Perante a incapacidade de levar a porto tão megalómana tarefa, fomos punidos.
Castigo: pensamento incessante. Cada um dos nossos neurónios vale por três, isto contando à pressa e muito por alto...
WHO AM I
Insisti, desesperada a esconder as lágrimas que queriam saltar...
- Não sabes quem sou, disse-lhe em sussurro.
Ela ouviu-me, olhou-me nos olhos e respondeu:
- Tu é que sabes... Tu é que tens de saber quem és...
O PRÓXIMO CAMELO
O motorista do táxi educadamente desliga o rádio, sai do carro dirige-se à porta do lado do cliente e abre-a. O árabe pergunta:
- O que é você está a fazer?
Resposta do taxista:
- No tempo do profeta não havia táxis, por isso saia e espere pelo próximo camelo.
8.02.2012
NÃO PENSES
"Senta-te com as pernas juntas, anda direita, não tenhas pressa, fala baixinho, sorri, não faças perguntas, não faças caretas que ficarás com rugas, cala-te e finge interesse. Os homens sentem-se lisonJeados quando as mulheres os ouvem..." ISABEL ALLENDE
SÓ FALTA UMA: NÃO PENSES!:)
AINDA BEM
AINDA BEM QUE AGORA ENCONTREI VOCÊ
EU REALMENTE NÃO SEI
O QUE EU FIZ PARA MERECER ... VOCÊ
QUE NINGUÉM DAVA NADA POR MIM
QUEM DAVA EU NÃO TAVA A FIM|
ATÉ DESACREDITEI... DE MIM
O MEU CORAÇÃO JÁ ESTAVA ACOSTUMADO
COM A SOLIDÃO... QUEM DIRIA QUE AO MEU LADO
VOCÊ IRIA FICAR
VOCÊ VEIO PARA FICAR
VOCÊ QUE ME FAZ FELIZ
VOCÊ QUE ME FAZ CANTAR... ASSIM
O MEU CORAÇÃO JÁ ESTAVA APOSENTADO
SEM NENHUMA ILUSÃO
TINHA SIDO MALTRATADO
TUDSO SE TRANSFORMOU
AGORA VOCÊ CHEGOU
VOCÊ QUE ME FAZ FELIZ
VOCÊ QUE ME FAZ CANTAR... ASSSIM... NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA
AINDA BEM
8.01.2012
ARANJUEZ
He and his wife had their honeymoon in Aranjuez. They hoped to have her first child. The child was stillborn and his wife was about to die. In the second movement Joaquin questions God by the death of his son and calls his wife to remain alive. This is expressed by the pulse of the guitar, which represents a beating heart. The movement has grief, rage and despair. Finally in the climax of the guitar and orchestra author of "God hears" and at last there is acceptance and peace made.
O BASILISCO
Para quem não tem família próxima, os amigos podem mesmo ser a verdadeira família. Eu, felizmente, tenho-os de todas as espécies. E posso afirmar que sim, que há amigos fiéis. Entenda-se aqui por fidelidade: + permanência no tempo (mais ou menos 20 anos) + raridade dos encontros (pode variar de uma vez por semana a uma vez por ano) + qualquer traço de loucura positiva + sensação de que foi ontem que os vimos pela última vez.
Não sei se é esta a fórmula da fidelidade na amizade. Talvez não, dirão alguns. Mas isso nada me interessa. Aliás, eu até nem gosto particularmente de fórmulas. Neste caso, o reencontro, quando acontece, deixa-me com esta inevitável sensação que só a verdadeira amizade consegue: deixa-nos felizes e não nos cobra nada.
Caso 1 - Afastamento desde a faculdade: 1984. Perdemo-nos o rasto desde 1997. Reencontrámo-nos há dias. Pusemos 15 anos em cima da mesa e retomámos a conversa no sítio exato em que a tínhamos deixado.
Caso 2 - Conheço-mo-nos há 20 anos e desde então vamo-nos acompanhando à distância, com alguns raros encontros pelo meio, quando as vidas o permitem. E ultimamente, têm permitido pouco... A pessoa desde caso 2 é aquela a quem recorro sempre que preciso de um documento audio ou video ou papel que não existe em mais local nenhum. A sua casa é um labirinto porque nela se guarda tudo. E é literalmente tudo. Já lá contei 14 listas telefónicas de anos atrasados, todas as revistas do Expresso, sim, todas, repito todas, caixas e caixas de bonecos devidamente selados, oferta das Happy Meals. Para não continuar esta lista até ao infinito, digo apenas que lá também se encontram todos os recibos do Multibanco desde que tem cartão e tem-no há mais de 20 anos... Um dia, perguntei-lhe a razão dos seus preciosos tesouros. Hesitou por breves instantes mas encontrou a resposta, como encontra sempre o que se dedica a procurar... Alturas houve em que colecionava animais, mais especificamente, peixes, aranhas, rãs, sapos, tartarugas, iguanas e outros répteis horrorosos.
Tem 1 assoalhada só para guardar jornais e revistas. Outra só para aquários e terrários. Outra só para equipamento informático: tem vários computadores ligados a vários ecráns gigantes que trabalham todos ao mesmo tempo, a mostrar tudo o que vai pelo mundo, dentro e fora dele...
De todos os bichos que lhe conheci, apenas um me fascinou. Um Basilisco que quando lhe fazíamos festas, fingia-se morto. Depois, passado o perigo, acordava!
Amigos loucos? Claro que sim! Com uma dose necessária de loucura que ataca devagarinho mas parece ser essencial à normalidade. Loucura dona de uma lucidez estonteante e de um coração em forma de ouro.
Há pessoas assim. Diferentes do resto. Capazes de mudar o mundo. Mas são geralmente estas a quem a máquina-mundo trucida lentamente com as suas rodas dentadas...
7.31.2012
EXORCISMO
O exorcismo pelas palavras é o meu escudo, o meu véu, a minha morada e a minha paixão.
Tahar Ben Jelloun, O Escrivão Público, p.130
POR VEZES E OUTRAS VEZES
Por vezes, tudo se passa em longos silêncios. Por vezes, calo-me porque me sei vinda de fora, numa estrada íngreme que me leva à beira da falésia de onde, em vez de queda mortal, sou atirada pelo vento em direção ao infinito. Outras vezes, não tenho disposição para brincar aos trapezistas...
Sou assim...
QUANDO
Quando deixei de fazer concessões ao que é acessório (coisas, tarefas e pessoas) e me passei a concentrar apenas no essencial, a vida tornou-se mais fácil...
Quando aprendi que o mais importante não é ser coerente com os outros, mas ser coerente comigo própria...
Quando percebi que a atitude pode prevalecer sobre as circunstâncias, sejam elas quais forem...
Quando interiorizei que viver é estar sempre numa posição incompleta, é estar sempre no meio do caminho...
Quando comecei a retirar da vida o melhor de tudo, de todos, de cada um, de mim...
Quando deixei de iniciar empreendimentos impossíveis como modo equilibrado de conduta...
A VIDA TORNOU-SE MAIS FÁCIL!
7.28.2012
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