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8.31.2012

XIANG-LIAM

Sempre que leio sobre estas e outras atrocidades sinto-me formigueiros galopantes nas palmas das mãos que se estendem a todo o corpo e, desesperada, começo a escrever...
A pequena dimensão dos pés das gueishas era a prova de que esta era uma mulher de boas famílias... Quanto mais pequenos fossem os pés, mais encantadora e virtuosa era a mulher aos olhos dos homens. Não se sabe a origem exata deste bizarro hábito mas há quem diga que remonta  à Dinastia Tang, há mais de oitocentos anos. assim, as mães que queriam que as suas filhas se casassem, faziam com que elas tivessem um pés pequenos. Como se faz isto então? Simples... aqui vai uma descrição poética da coisa. Quando uma menina tem cerca de 2 ou 3 anos, começa-se a apertar-lhe os pés com um par de faixas de tecido compridas. Aperta-se muito, o mais possível,  até partir os ossos. E as faixas só podiam ser retiradas quando as pessoas se lavavam o que também não acontecia muito. E se doía? Era mais ou menos como caminhar sobre os dedos dos pés, dobrados à força na raíz em direção à planta do  pé. Mais ou menos como andar sobre os ossos partidos... E não era por um dia ou por um mês. Era até ao final da juventude. Até à altura em que os pés, já totalmente deformados, param de crescer.


8.28.2012

O ÓLEO DO CARRO

Não gosto que me suguem a energia e muito menos que façam de mim saco de boxe.
Há alturas em que necessitamos de vigiar o nosso amor próprio como se fosse o óleo do carro...
DISSE! 


I AIN'T AFRAID OF YOUR GODS



GOD WITHOUT DRAMA...

THE KLEZMATICS



With music like this, if you don't see GOD, YOU'RE FUCKING BLIND... 

TENTAÇÃO



Consigo resistir a tudo excepto a uma tentação.

OSCAR WILDE

Nota: Podem colocar a escultura no hall de entrada que eu depois arranjo forma de lhe arranjar o local certo para ficar.:)

VOO VERTIGINOSO




E quando queremos voar para muito longe, mas a nossa asa esquerda está presa nas mãos de alguém... Como é que se voa, com uma asa presa na mão de alguém?

E estes mundos mágicos que criamos serão sempre uma utopia? Estes pedaços desfeitos de nós não poderão unir-se? Teremos de ser sempre vasos vazios? Não é possível voar com uma mão presa na tua? Como duas águias reais que entrelaçam as garras e descem em voo vertiginoso...





NO ESCAPE


E mais ninguém vai saber deste galope desenfreado que sentimos à distância... 
Não precisava de ti para sofrer mais um pouco mas tu seguraste-me pelas pontas dos dedos e já sinto formigueiro pelo corpo todo... 
Já não é possível escapar!

TARDE VERDE

Sabes que há tardes roxas e outras verdes e que esta, hoje, foi verde? Sabes que às vezes preciso de mar? E de amar? E de te amar? Sabes?

ESCRITORES


  • "Podemos fazer uma simples divisão entre os escritores que encontram inspiração em si próprios e os que têm de inspirar-se em motivos externos. Há temperamentos reflexivos e temperamentos que reflectem o mundo. Há escritores como John Berger que têm o dom de reflectir. Como já alguém disse, pode ver-se o mundo sem se abandonar o próprio quarto. Isto é típico das pessoas com carácter reflexivo, que encontram inspiração em si próprias, no material que têm em si mesmas, que tem de ser estimulado, formulado, expresso. É um tipo de literatura. No meu caso, ao invés, reflicto o mundo: tenho de ir ao lugar para poder escrever. Se viver num único lugar morro, ao passo que John Berger cria."  Ryszard Kapuscinski, em diálogo com John Berger ("Os Cínicos Não Servem Para Este Ofício", ed. Relógio d'Água)

8.27.2012

SURROUNDED BY WORDS

Tenho a cabeça cheia de palavras... Acordam-me a meio da noite, seguem-me e perseguem-me pelo dia.. Quero escrever... quero escrever sempre, contar-te do meu mundo e dizer-te que encho folhas e livros, esvaziando-me... Os poucos seres que amei, morreram ainda que possam estar vivos. A minha família é talvez uma aldeia, uma rua, uma casa... pouco mais. Restam-me as palavras. Restas-me tu... 
Porque quando o amor se torna forte, a loucura é um risco menor.

O MEDO

O medo não surge por causa da morte, mas por causa da vida que não foi vivida...

8.18.2012

THE END OF THE LINE


É o fim da linha. Uma longa e interminável linha percorrida sempre com a garra dos caminhantes, a coragem dos aventureiros e a força de quem sabe que se está sempre e irremediavelmente só.
É o fim da linha. Uma linha feita de outras linhas, entrelaçadas, cosidas, bordadas a fios de seda ou de lã ou de nada...
É o fim da linha. Uma linha feita de dor. Uma caminhada pelo deserto com poucos momentos de água fresca...
É o fim da linha... desta linha. Do outro lado, na outra linha, sei que terás a tua recompensa.

8.17.2012

NUS E PARA SEMPRE

Basicamente, tudo se resume ao mesmo: às velhas expectativas que criamos. O que nós queremos e o que o outro quer e o que nós pensamos que o outro deve querer e o que o outro de facto quer e o que nós criamos na nossa mente como sendo o ideal e que o outro não vê como ideal... 
Basicamente, hoje era um dia especial que não é especial coisa nenhuma senão dentro de uma cabeça cheia de sonhos e de ilusões e de imaginação...
Basicamente, tudo se resume ao mesmo: Nunca há amor como nos filmes... nus e para sempre.

MANTRAS

As pessoas insistem em repetir o mantra:
- Tens de ser forte... tens de ser forte... 
Andam a espalhar a ideia de que precisamos de ser fortes nos momentos mais difíceis. Não estou certa de ser isto o melhor a fazer... ser forte. 
Quando o meu mundo se desmorona e cai, não quero ser forte. Não quero armar-me em forte. Não quero fingir-me forte. 
Quero simplesmente poder ser vulneável. Chorar à exaustão.
Deixem-me em paz. 
Basicamente é isso que eu quero: que me deixem em paz, que me deixem chorar a minha dor e que não de dêem palmadinhas nas cosras repetindo o tal estúpido mantra... tens de ser forte... Porque eu hoje não sou forte...

8.07.2012

TOTAL AUSÊNCIA DE GRAVIDADE

Hoje acordei com a sensação de que poderia, com facilidade, largar a minha vida sem fazer barulho e meter-me noutra. Tudo no silêncio das seis horas da manhã e perante uma total ausência de gravidade.

8.06.2012

NÃO POSSO MORRER JÁ, DOUTOR

"Não posso morrer já, doutor. Ainda não. Tenho coisas para fazer. Depois terei toda a vida para morrer."
Carlos Ruís Zafón, O Jogo do Anjo

I AM UP TO NO GOOD

"As coisas estavam melhores, pensei. Talvez por isso, porque parecia que ia finalmente sair do atoleiro, fiz o que fizera sempre que a minha vida encarreirou pelo bom caminho: deitar tudo a perder."

Carlos Ruís Zafón, O Jogo do Anjo

VOLTO JÁ

Quando se pensa que não é possível, acontece.
Por vezes, vamos sem vontade de voltar. Porque neste verão, todos os meus caminhos vão dar a ti.

DOIS MESES E QUATRO DIAS


THE DARK OF THE MATINEE

A TÁBUA

Pertencemos ao grupo dos que seguem pelos caminhos menos percorridos e que pagam alto o preço da liberdade. Recebemos uma das tábuas de Moisés: LUTARÃO contra todos os mentecaptos deste e do outro mundo. Perante a incapacidade de levar a porto tão megalómana tarefa, fomos punidos.
Castigo: pensamento incessante. Cada um dos nossos neurónios vale por três, isto contando à pressa e muito por alto...

WHO AM I

Não me reconheceu como vem sendo hábito. E trocou-me o nome...
Insisti, desesperada a esconder as lágrimas que queriam saltar...
- Não sabes quem sou, disse-lhe em sussurro.
Ela ouviu-me, olhou-me nos olhos e respondeu:
- Tu é que sabes... Tu é que tens de saber quem és...

O PRÓXIMO CAMELO


Um muçulmano devoto entra num táxi em NYC. Uma vez sentado, pede ao taxista para desligar o rádio, porque não quer ouvir música, como decreta a sua religião, e porque no tempo do profeta não havia música, especialmente música ocidental, que é música dos infiéis.
O motorista do táxi educadamente desliga o rádio, sai do carro dirige-se à porta do lado do cliente e abre-a. O árabe pergunta: 
- O que é você está a fazer?
Resposta do taxista: 
- No tempo do profeta não havia táxis, por isso saia e espere pelo próximo camelo.

8.02.2012

NÃO PENSES


"Senta-te com as pernas juntas, anda direita, não tenhas pressa, fala baixinho, sorri, não faças perguntas, não faças caretas que ficarás com rugas, cala-te e finge interesse. Os homens sentem-se lisonJeados quando as mulheres os ouvem..." ISABEL ALLENDE

SÓ FALTA UMA: NÃO PENSES!:)

AINDA BEM


AINDA BEM QUE AGORA ENCONTREI VOCÊ
EU REALMENTE NÃO SEI
O QUE EU FIZ PARA MERECER ... VOCÊ
QUE NINGUÉM DAVA NADA POR MIM
QUEM DAVA EU NÃO TAVA A FIM|
ATÉ DESACREDITEI... DE MIM
O MEU CORAÇÃO JÁ ESTAVA ACOSTUMADO
COM A SOLIDÃO... QUEM DIRIA QUE AO MEU LADO
VOCÊ IRIA FICAR
VOCÊ VEIO PARA FICAR
VOCÊ QUE ME FAZ FELIZ
VOCÊ QUE ME FAZ CANTAR... ASSIM
O MEU CORAÇÃO JÁ ESTAVA APOSENTADO
SEM NENHUMA ILUSÃO
TINHA SIDO MALTRATADO
TUDSO SE TRANSFORMOU
AGORA VOCÊ CHEGOU
VOCÊ QUE ME FAZ FELIZ
VOCÊ QUE ME FAZ CANTAR... ASSSIM... NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA
AINDA BEM

8.01.2012

ARANJUEZ


He and his wife had their honeymoon in Aranjuez. They hoped to have her first child. The child was stillborn and his wife was about to die. In the second movement Joaquin questions God by the death of his son and calls his wife to remain alive. This is expressed by the pulse of the guitar, which represents a beating heart. The movement has grief, rage and despair. Finally in the climax of the guitar and orchestra author of "God hears" and at last there is acceptance and peace made.

O BASILISCO

Para quem não tem família próxima, os amigos podem mesmo ser a verdadeira família. Eu, felizmente, tenho-os de todas as espécies. E posso afirmar que sim, que há amigos fiéis. Entenda-se aqui por fidelidade: + permanência no tempo (mais ou menos 20 anos) + raridade dos encontros (pode variar de uma vez por semana  a uma vez por ano) + qualquer traço de loucura positiva + sensação de que foi ontem que os vimos pela última vez.
Não sei se é esta a fórmula da fidelidade na amizade. Talvez não, dirão alguns. Mas isso nada me interessa. Aliás, eu até nem gosto particularmente de fórmulas. Neste caso, o reencontro, quando acontece, deixa-me com esta inevitável sensação que só a verdadeira amizade consegue: deixa-nos felizes e não nos cobra nada.
Caso 1 - Afastamento desde a faculdade: 1984. Perdemo-nos o rasto desde 1997. Reencontrámo-nos há dias. Pusemos 15 anos em cima da mesa e retomámos a conversa no sítio exato em que a tínhamos deixado.
Caso 2 - Conheço-mo-nos há 20 anos e desde então vamo-nos acompanhando à distância, com alguns raros encontros pelo meio, quando as vidas o permitem. E ultimamente, têm permitido pouco... A pessoa desde caso 2 é aquela a quem recorro sempre que preciso de um documento audio ou video ou papel que não existe em mais local nenhum. A sua casa é um labirinto porque nela se guarda tudo. E é literalmente tudo. Já lá contei 14 listas telefónicas de anos atrasados, todas as revistas do Expresso, sim, todas, repito todas, caixas e caixas de bonecos devidamente selados, oferta das Happy Meals. Para não continuar esta lista até ao infinito, digo apenas que lá também se encontram todos os recibos do Multibanco desde que tem cartão e tem-no há mais de 20 anos... Um dia, perguntei-lhe a razão dos seus preciosos tesouros. Hesitou por breves instantes mas encontrou a resposta, como encontra sempre o que se dedica a procurar... Alturas houve em que colecionava animais, mais especificamente, peixes, aranhas, rãs, sapos, tartarugas, iguanas e outros répteis horrorosos.
Tem 1 assoalhada só para guardar jornais e revistas. Outra só para aquários e terrários. Outra só para equipamento informático: tem vários computadores ligados a vários ecráns gigantes que trabalham todos ao mesmo tempo, a mostrar tudo o  que vai pelo mundo, dentro e fora dele...
De todos os bichos que lhe conheci, apenas um me fascinou. Um Basilisco que quando lhe fazíamos festas, fingia-se morto. Depois, passado o perigo, acordava! 
Amigos loucos? Claro que sim! Com uma dose necessária de loucura que ataca devagarinho mas parece ser essencial à normalidade. Loucura dona de uma lucidez estonteante e de um coração em forma de ouro.
Há pessoas assim. Diferentes do resto. Capazes de mudar o mundo. Mas são geralmente estas a quem a máquina-mundo trucida lentamente com as suas rodas dentadas...



7.31.2012

EXORCISMO

O exorcismo pelas palavras é o meu escudo, o  meu véu, a minha morada e a minha paixão.

Tahar Ben Jelloun, O Escrivão Público, p.130

O RISCO MENOR

Quando o amor se torna forte, a loucura é um risco menor.

POR VEZES E OUTRAS VEZES

Por vezes, tudo se passa em longos silêncios. Por vezes, calo-me porque me sei vinda de fora, numa estrada íngreme que me leva à beira da falésia de onde, em vez de queda mortal, sou atirada pelo vento em direção ao infinito. Outras vezes, não tenho disposição para brincar aos trapezistas...
Sou assim...

5771

São os quilómetros que me separam de ti...

QUANDO

Quando deixei de fazer concessões ao que é acessório (coisas, tarefas e pessoas) e me passei a concentrar apenas no essencial, a vida tornou-se mais fácil...
Quando aprendi que o mais importante não é ser coerente com os outros, mas ser coerente comigo própria...
Quando percebi que a atitude pode prevalecer sobre as circunstâncias, sejam elas quais forem... 
Quando interiorizei que viver é estar sempre numa posição incompleta, é estar sempre no meio do caminho...
Quando comecei a retirar da vida o melhor de tudo, de todos, de cada um, de mim...
Quando deixei de iniciar empreendimentos impossíveis como modo equilibrado de conduta...

A VIDA TORNOU-SE MAIS FÁCIL!


7.27.2012

HOW TO BUILD TRUST

PRAGA, A MÍSTICA

Praga é uma cidade marcada por lendas medievais ou pela crendice popular, tanto faz. A verdade é que ao anoitecer, a cidade ganha um misticismo difícil de descrever, próprio das cidades com alma. Os símbolos esotéricos estão por todo o lado: o cálice de ouro na Rua do Castelo e a serpente, também de ouro, na rua Karlova são apenas alguns exemplos. E quando o relógio astrológico na Praça da Cidade Velha - STAROMETSKÉ NAMESTI - marca as doze badaladas a marcar a meia noite, é a figura da velha morte que ali aparece de foice na mão, a avisar-nos de que um dia virá para nos levar... Do Castelo de Praga emanam lendas várias: a da princesa Libuse e do seu enviado especial, o cavaleiro sem cabeça - de VYSEHRAD -, um dos mais antigos fantasmas de Praga, entre tantos que habitam a cidade...
Praga é mística e vibra de paganismo, misticismo e astrologia, todos ligados à história desta cidade. Já Carlos IV, o Rei mais famoso, era iniciado no esoterismo e mandou construir o NOVÉ MESTO (cidade nova) segundo as cartas celestes. Para não falar do excêntrico Rodolfo II ao ordenar que os seus alquimistas, encarregues de lhe descobrir a Pedra Filosofal, fossem instalados em pequenas e coloridas casas na viela de ouro do castelo - ZLATÁ ULICKA. Deambular por Praga à noite põe-nos em contacto com todos estes seres do além que nos perseguem mas sobretudo confronta-nos com os nossos próprios fantasmas, que todos temos escondidos dentro de nós.

Visitei Praga pouco tempo depois da queda do Muro de Berlim, quando a cidade se abria à Europa primeiro, ao mundo depois. Desde então, o Leste ficou mais próximo e a sua riqueza histórica e cultural é indiscutível. Praga é uma cidade que se deixa visitar a pé, como eu gosto. Uma cidade do exterior  que nos dá verdadeiras lições de gótico, barroco, românico e arte nova, tudo à frente dos nossos olhos, pelas ruas... Lembro-me de, ao fim da tarde atravessar a ponte D. Carlos  com as suas estátuas de mármore e pensar que Praga, como Budapeste, são cidades para serem visitadas a dois. E não como eu fiz: orgulhosamente só!

É MAIS FÁCIL DESEJAR

É mais fácil desejar do que querer. Desejar é mais superficial e imediato. Querer é mais profundo e distante. O primeiro está no curto-prazo, com vistas curtas. O segundo está no longo-prazo, com vistas largas, extensas, nos confins do futuro...

DO NOT TOUCH ME

Lancei-me, inabalábel, de unhas e dentes, a esta aventura que é amar-te... sem saber se sobreviverei!

7.26.2012

FÉRIAS DE MIM



Sim, ausentei-me por uns tempos. Ausentei-me de mim, que isto de andarmos sempre connosco atrás também precisa de algum descanso. Voltarei mais completa. E mais rica. Porque se regressa sempre mais rica, venha-se de onde se vier. Vi gente e lugares. Vim em busca do sol. A dolência apoderou-se de mim. Usufrui do prazer de ser apenas. Nada mais do que ser simplesmente.  E esqueci-me que existiam horas para chegar. E cidades. E Centros Comerciais. E pessoas a correr. E apercebi-me de que tinha saudades de ti.

OUT OF THE BOX

Há as pessoas que caminham pela vida em linha reta e há as outras.... aquelas que ao longo do percurso se desviam do caminho mais percorrido, entrando, por vezes contra vontade, em bifurcações, reentrâncias, cantos e recantos, onde são obrigadas a confrontarem-se com os lados mais profundos e, por vezes, obscuros de si próprias.
As primeiras nascem, crescem, trabalham, casam, têm filhos, reformam-se e morrem. As outras vão aprendendo a dançar à beira do abismo, a manterem-se estáveis na corda bamba. Espreitam o precipício e, muitas vezes, atiram-se... São estas asn que eu mais admiro, os caminhantes da pradaria, que perceberam desde cedo a linha ténue e quebradiça que separa em muitos de nós, a sanidade da loucura.
São elas, com um pé no Inferno e outro no Paraíso, os verdadeiros heróis da minha banda desenhada.


O HUMOR

A minha mãe perdeu tudo: o andar, a memória, a casa, o juízo...
Mas, nos fugidios momentos de lucidez, que a visitam quando eu menos espero, mantem intacto o seu humor... cortante, inteligente... como convem!

O MILAGRE DE FÁTIMA

Ao passar a ponte Vasco da Gama, os meus olhos foram atraídos por um enorme outdoor que anuncia, sem qualquer recato, a última novidade em entretenimento religioso: O MILAGRE DE FÁTIMA EM ESPETÁCULO INTERATIVO!
Não sei exatamente de que se trata nem estou particularmente interessada mas imaginei de imediato  um recinto devidamente abrilhantado por neóns multicolores, tipo parque de diversões, com  várias bancas a vender fátinhas da china e falsos rosários, povoado por famílias com muitos filhos, eles a comer algodão enquanto os pais rezam o terço... O Paraíso, portanto...

COMO IDENTIFICAR UM "WOMANISER"


Amigas, se derem de caras com um "womaniser" (mulherengo, em bom português) e tiverem o azar de gostar dele, lembrem-se disto: em primeiro lugar, nenhuma mulher com autoestima no seu devido lugar aguenta um mulherengo. Depois, se quiserem construir uma relação a sério, não há  pachorra para ser confundida e/ou comparada com as mil mulheres que ele teve antes. Por outro lado, as hipóteses deste homem se comprometer seriamente são ínfimas.
Características desta espécie? Basicamente, o mulherengo, por essência: (i) mantem as mulheres em stand by (e talvez por isso, quem sabe, não vos deixem ter acesso às suas amigas no facebook); (ii) tem a reputação de mulherengo que os próprios amigos lhe deram; (iii) não tem maturidade emocional e (iv) last but not the least,  já teve tantas mulheres que nunca vos dará o valor que vocês merecem!
Pensem nisso que eu vou fazer o mesmo!

7.25.2012

O GASTROSSEXUAL

Ligou-me uma amiga minha excitadíssima com o facto de ter ido ontem jantar com um "date" que se ofereceu para cozinhar. Receosa, tentou a custo que o jantar fosse num restaurante mas não, o rapaz convenceu-a de que cozinhar para ela seria o primeiro de muitos prazeres que teriam juntos e ela concordou... Afinal, não é todas as noites que um tipo giraço e bem posto se oferece para cozinhar. Foi!
Jantou foie gras com qualquer coisa que não me lembro agora e bebeu um vinho cujo nome nenhuma de nós reconhecia. E de sobremesa teve direiro a um arroz doce especial com recheio de mirtilos e licor de canela (que ele mesmo fez).
Ah e nota a registar: este sujeito só se abastece em sítios especiais e vai à praça... sim, vai à praça escolher os vegetais.
Ela voltou conquistada. Mais com a comida do que com o rapaz, digo eu. Culto e inteligente, ele está convencido de que a vai conquistar pelo estômago. Eu tenho dúvidas. Porque a minha amiga não é do tipo de mulher que queira relacionar-se com um gastrossexual mais a sua Bimby!

Conselho: se tem um gastrossexual a querer cozinhar para si, agarre-o... que lhe vai saber bem a refeição, Dizem os entendidos que os gastrossexuais compensam na cozinha as artes que lhes faltam noutro sítio da casa...

BORN TO CREATE DRAMA (III)

BORN TO CREATE DRAMA (II)

BORN TO CREATE DRAMA (I)

IN THE DESERT

7.24.2012

NEGO-ME

"Nego-me a viver num mundo comum como uma mulher comum. A estabelecer relações comuns. Necessito do êxtase. Não me adaptarei ao mundo. Adapto-me a mim mesma."

Anaïs Nin

ENTREGUE AS BOTAS


Aquela máxima tão banalizada: NEVER GIVE UP! é, para mim, uma perfeita idiotice. O elogio da persistência pode ser devastador. Por vezes, a decisão mais importante das nossas vidas é aquela que tomamos quando, pura e simplesmente, deixamos ir, entregamos as botas, saímos de cena e mandamos tudo ao ar.

MAUS NA CAMA

Sim, está provado que os portugueses são maus na cama. Pelo menos a dormir. 47% dos portugueses dormem mal. Não estou sozinha.
Pela parte que me toca, já passei por tudo: cair redonda na cama e dormir até ao dia seguinte, levar horas até adormecer, dormir de imediato até meio da noite e não pregar mais olho e todas as outras variantes possíveis do mesmo problema. Também já tomei comprimidos, bebi leite, chá de ervas X, Y e Z, banho quente, etc e tal. Às vezes, nada resulta e ponto final.
Devia ser fácil. Caíamos ali e pumba, adormecíamos até à manha seguinte. Sem mais! E há pessoas que o conseguem. Conheço algumas. O problema é o ruído que fazem nessa passagem... Mas adiante, que essa é outra questão.
A verdade é que se o sono é fundamental para todos, para as mulheres ele é essencial pois rezam os estudos mais recentes que DORMIR EMAGRECE!

O DIA EM QUE O MEU TEMPO ESTICOU

Há dias, uma pessoa de ar stressado perguntou-me: - Como faz para gerir tão bem os seu tempo?
Ops! Já enganei mais uma, pensei... Mas disse-lhe o que penso sobre o tempo... que é a coisa mais democrática que existe e que contrariamente ao dinheiro, o tempo é igual para todos: 24 horas por dia sem tirar nem pôr.
A verdade é que cada pessoa gere o tempo à sua maneira e parece que este não chega para tudo. Apesar das dificuldades, julgo conseguir gerir o meu tempo. E expliquei à dita pessoa que a primeira coisa a aprender é a palavra NÃO; a segunda, é aprender a fazer DELETE sem medos nem complexos e sem olhar para trás.
Uma das coisas que mais atrapalha a gestão do tempo é a dificuldade em selecionar, em peneirar, em excluir... Quando estamos entupidos com excesso seja do que for, a coisa só pode acabar mal. Por isso, eu começo sempre por deitar fora o que não me interessa (há sempre qualquer coisa que, se a olharmos segunda vez, não nos interessa para nada).
Outro skill fundamental da gestão do tempo é saber distinguir oque é urgente do que é importante porque há coisas urgentes que não são importantes... Por isso, expliquei-lhe, passo a passo, as minhas estratégias que ela ouvia esbugalhando os olhos como se eu fosse uma extraterrestre. Sim, escrevo na agenda todas as tarefas que quero realizar e atribuo-lhes um tempo de execução. Sim, há tarefas que ficam por concluir e passo-as para o dia seguinte. Sim, deixo sempre um tempo para os imprevistos que ocorrem sempre sempre graças a Deus...  Sim, apesar se definir objetivos, eu também deixo a minha fluir ao sabor do vento, sopre ele de onde soprar... Disse-lhe que o grande caos da minha vida é a minha secretária contra a qual luto diariamente. Não, não gosto de post its, irritam-me desmedidamente, detesto aqueles papelinhos multicolores espalhados por ali.
Sim, fujo dos ladrões de tempo quando preciso de concluir uma tarefa importante. Ladrões de tempo? Sim, verdadeiros ladrões de tempo como o telefone, o facebook, os filmes no you tube, os mails, a tv ou simplesmente os meus gatos a pedirem-me festas...

DON'T BE AFRAID

7.22.2012

OS TIPOS DE AMOR

Andei a reler o Sternberg. Agora veio-se com esta... dos tipos de amor. 
Diz ele que, pegando nos três componentes essenciais de uma relação, a saber, PAIXÃO (P), INTIMIDADE (I) e COMPROMISSO (C), podemos ter diferentes tipos e géneros de amor, caracterizando-se cada um deles pelo quantidade ou ausência das componentes atrás referidas. 
Passo a enumerá-los, então:
PAIXONETA = +P -I -C
AMOR ROMÂNTICO = +P +I -C
AMIZADE = +I -P -C
AMOR COMPANHEIRO = +C +I -P
AMOR VAZIO = +C -P -I
AMOR FÁTUO = +P +I -C
AMOR TOTAL = +P +I +C
NÃO AMOR = -P -I -C

Pronto, agora resta perceber qual o seu tipo de amor... e se não percebeu nada, por favor faça de conta!



7.21.2012

PROGRAMAÇÃO


O que sinto neste instante, é a falta do sabor inédito do teu beijo.
O que tenho? Um novo número de telefone, uma cor de olhos que não sei definir com precisão.
Um corpo que se encaixa no meu e... 
Um ser que me mantém fascinada... TU!
Jogas perigosamente com a irrealidade, sentes atração pelos seus instrumentos de fuga e não pretendes mudar. 
Tens o desplante de não concordar comigo com a autoridade de quem não concorda com ninguém e de me chamares coisas que eu não sou... 
O que é suficiente para eu querer odiar-te e, ao mesmo tempo, não conseguir pensar em viver longe de ti...Logo eu que já tinha desistido de me programar para qualquer tipo de eternidade. 

7.20.2012

ENGENHARIA PESSOAL

Após um ano em que quase tudo o que não era suposto ter acontecido aconteceu, entrei em fase de balanço... e de rescaldo. De facto, o meu ano começa em setembro, nunca em janeiro... e o fim de julho marca o quase início de nova viagem.
Assim, após uma espécie de engenharia pessoal continuada, por me saber imperfeita, por me saber periclitante, por me saber carente, procuro alguma paz...

7.12.2012

PALHAÇO 1 & PALHAÇO 2

Tenho andado a conter-me. Quando foi do palhaço 1 (Sócrates + licenciatura ao domingo + caso freeport + etc e tal e coiso), perdi a fé nos políticos e, pior, nos portugueses em geral que continuaram impávidos e serenos como se nada fosse. 
Agora surge outro. O palhaço 2 (Relvas). Envergonha o país. Envergonha-nos a todos. E nós, limitamo-nos a sorrir de sarcasmo.
Chega de palhaçada. Já não bastam as licenciaturas de Bolonha que em 3 anos nunca darão  o que as de 5 deram mas valem o mesmo. Já não bastam os doutoramentos express... Agora, percebe quem quer perceber, que este país está cheio de falcatruas culturais (nem falo nas outras) e quantos doutores não haverá por aí ao desbarato com cursos não pós-Bolonha mas pós-Palermo, leia-se, à Relvas...
O mínimo que este senhor devia fazer era demitir-se. Mas o mínimo que nós, portugueses, pelo menos os que fizeram licenciaturas de 4 anos, pós-graduações de 2 e mestrados de 3, devemos fazer é demiti-lo. 
E JÁ!

PONTO G

Eu gosto de palavras e de ideias. O meu ponto G está nos ouvidos. Acho que não vale a pena tentar encontrá-lo noutro lugar... 

MULHER

Gosto de ser mulher. Gosto especialmente de tudo o que ser mulher implica. Gosto de me emocionar com pequenos nadas e gosto, gosto muito, de não resistir a tentações, essas tentações em forma de vestidos e carteiras e sapatos e relógios e pulseiras e anéis, desses que ficam mesmo quando os dedos se vão... 

LIÇÃO DE VIDA


São miúdos. Têm 13 e 14 anos. Ele, mais calado. Sensível. Com apenas 5 ou 6 anos sentou-se na minha varanda, olhou-me e disse-me: - Está-se muito bem aqui, madrinha. Percebi, ali, que se tratava de um ser especial. Uma sensibilidade acima da média. Alguém que veio ao mundo para o saborear. Ela, cerca de catorze meses mais nova. Nariz empinado. Sensível. Meiga. Comunicativa. Expressiva. Fala pelos cotovelos. Os dois, formam um par imbatível. Não imagino um sem o outro, a crescerem lado a lado. Cúmplices. Confessam um ao outro as suas descobertas.
São meus afilhados. Porque a mãe insistiu. E para tal tive de andar às turras com o tal do padre Nuno.
Hoje encontrámo-nos. Ementa: gelado Hagen Dazz. Conversámos sobre escola, férias, música e namorados. Mais tarde, juntou-se a nós o irmão mais velho. Um jovem responsável e muito meigo por quem nutro um carinho especial.
Vi-os espontaneamente dividirem com ele parte do que eu lhes tinha dado para comprarem um presente de aniversário... Fiquei sem palavras!
Que lição de vida!

JÁ ME CHEGAVA

Já me chegava de exames, testes, termos, pautas, atas, planos, relatórios, reuniões, avaliações e revaliações por este ano...

A CABANA NA LUA

Os homens não sabem. Ou melhor, alguns homens não sabem. Ou melhor ainda, a maioria dos homens não sabe... que existe uma íntima relação entre a psique das mulheres e o seu funcionamento ovárico. Não sabem que o nosso ciclo mentrual começa com um estado de espírito de primavera, de desinibição e optimismo e até, mais ou menos à fase de ovulação, estamos receptivas, mais abertas aos outros. Depois, entramos no outono do nosso ciclo em que ficamos introspetivas e mais tendentes à reflexão. 
E muitas de nós, quase todas, procuramos voltar a casa, à nossa cabana na Lua.

BLOOD TYPE

Não vale a pena ir por outro caminho que não este. Mesmo quando tudo parece desmoronar à minha volta, mantenho-me firme! 
Porque, haja o que houver, venha o que vier, haverá sempre serra de Sintra, barcos no Tejo e noites de luar! 
BE POSITIVE!