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9.17.2012

PROFECIAS

Ela percebeu que eram, finalmente, duas pessoas capazes de se alcançarem uma à outra. Mas temiam, ambos, a nostalgia do abismo onde tudo o que eles tinham sido se perderia para sempre. Qual profecia, sabiam que passariam a vida a tentar capturar-se uma o outro... mas sabiam também que quase todas as profecias nada mais são do que meros atos racionais disfarçados com lenços de cigana.

LESS IS MORE O TANAS

O segredo da felicidade, dizem, não está em ter mais mas sim em querer menos. 
Excepto quando se trata de sapatos...

MULHERES QUE CORREM COMO OS LOBOS

WHAT KIND OF BIRD ARE YOU?

ALELUIA!

9.16.2012

O MITO DA MONOGAMIA



O mundo não deve ser reduzido para caber na compreensão... mas a compreensão deve ser aumentada até conseguir conter o mundo. 


(Sir Francis Bacon, 1561-1626)


Já a minha muito querida antropóloga Margaret Mead repetia que a monogamia é a mais complicada e também a mais rara de todas as combinações maritais humanas. Há provas fortíssimas de que os seres humanos não são naturalmente monogâmicos embora possam ser. A verdade é que estudos feitos nesta área mostram que a monogamia não só é rara como difícil e quase anti-natura. E basta darmos uma voltazinha pela História, pela Literatura, pela vida... para o constatar. Já na primeira grande obra da literatura ocidental, Homero fala das consequências do adultério. Na Ilíada, para quem não se recorda ou mesmo para quem não leu, Helena, que era uma rainha grega, casadíssima, manteve uma ligação com Páris, filho do rei Príamo, de Tróia, chegando mesmo a abandonar o seu marido, Menelau, facto que precipitou a Guerra de Tróia. E era uma gaja... 

Mas basta ficarmo-nos pela natureza para percebermos que biologicamente a própria monogamia é rara. Entre quase todos os mamíferos, incluindo a maioria dos primatas, a monogamia simplesmente não existe. É mesmo uma raridade. Das quatro mil espécies de mamíferos existentes, não mais do que algumas dúzias constituem pares estáveis. Parece que os morcegos (coitados, só vêem à noite), as raposas (estúpidas), os saguis (com um instrumento sexual minúsculo, pudera...), mais meia-dúzia de ratos e ratazanas... E se tivermos em conta questões biológicas como o fenómeno da competição dos espermatozóides, esta é ou não uma maneira de dizer "não à monogamia"?
Bem, voltando ao termo monogamia: este designa exclusividade de acasalamento. Mas esta exclusividade não passa de um mito, não é? Ainda que as mulheres sejam mais cuidadosas e prudentes na escolha do parceiro, e os homens significativamente menos selectivos, eles só poderão levar a sua avante se houver um número também significativo de mulheres disponíveis para tal. Certo? Por outro lado, por qualquer razão que desconheço, os homens tendem a exagerar o número de encontros sexuais e as mulheres tendem a diminuir o seu. No fundo, tudo isto se trata de uma grande e perfeita hipocrisia. A espécie humana é propensa a ela, dizendo uma coisa a respeito da monogamia e fazendo outra. 
Por tudo isto, penso que a solução será aceitarmos todos, homens e mulheres, o facto de que a monogamia é um mito e pararmos com hipocrisias desnecessárias. Recordo-me de uma cena do filme "Heartburn" em que a heroína, interpretada por Meryl Streep, conta ao pai, em grande sofrimento, as infidelidades do marido e este limita-se a responder-lhe: "Queres monogamia? Casa com um cisne."
Porém, continuo a acreditar ser possível estar com um parceiro e ser-lhe fiel enquanto a relação existir e for satisfatória a todos os níveis. Mas cada vez mais assisto a situações de infidelidade quer masculina quer feminina embora, ou porque elas não contam ou porque é mesmo assim, eles ainda levem avanço... Como diz um provérbio britânico muito conhecido: "Infants have their infancy. And adults? Adultery."

9.14.2012

DECISÃO

Por isso, decidi, a partir de hoje:

"(...) fazer o possível para não amar demais as pessoas, sobretudo por causa das pessoas. 

Às vezes o amor que se dá pesa, quase como uma responsabilidade na pessoa que o recebe. 

Eu tenho essa tendência geral para exagerar, e resolvi tentar não exigir dos outros senão o mínimo. 

É uma forma de paz..."

Clarice Lispector

9.13.2012

O TESOURO

Recordo todas e tantas as palavras que te escrevi. Escrevia-me para me abrigar da tempestade que se avizinhava. Tive sempre o sentimento de não pertencer completamente a nenhum lugar. E de repente, com uma mistura de reserva e de audácia, a par com algumas concessões, aceitei a realidade que me cerca e me controla. Apetece-me, hoje mais que ontem, ir procurar-te onde estiveres e gritar-te que chegou a hora de vivermos. Porque sinto agora o que nunca senti antes. Quase tenho vontade de ficar num único lugar para sempre... logo eu, cuja ambição é poder viajar livremente pelo mundo.
Talvez eu esteja a perder o controlo sobre a minha existência. Ou talvez eu aceite, a partir de hoje, ser governada pelo destino que te colocou na minha vida para te viver. Por vezes, temos de decidir entre aquilo a que estamos acostumados e aquilo que gostaríamos de ter. E eu sei que te quero perto de mim. E sempre que o sol cruza o céu, eu pergunto porque não estamos juntos. Tenho medo, medo de concretizar o meu sonho e depois não ter mais motivos para continuar viva. Mas as decisões são apenas o começo de alguma coisa. E ao decidir que te quero, mergulhei nesta corrente poderosa que me leva para um lugar desconhecido onde eu jamais pensei poder chegar. Quando se ama, as coisas fazem ainda mais sentido, sabias? Por vezes, temos os tesouros em frente de nós e não percebemos. Sabes porquê? Porque homens e mulheres não acreditam em tesouros.

TRAIÇÃO

Hoje contaram-me histórias de sítios e gentes distantes. E aprendi que os camelos, como alguns homens, são traiçoeiros: andam milhares de quilómetros sem dar qualquer sinal de cansaço. De repente, porém, ajoelham e morrem...

MATRIMÓNIO

As correntes do matrimónio são tão pesadas que são preciso dois para as carregar... às vezes três...

O ORGASMO

E foi então que ela me disse, entre outras coisas:
- Sabes, amiga, nunca tive um orgasmo com ele em tantos anos... ele não me dava tempo...

PALAVRAS DIFÍCEIS



  • Saudade é considerada a sétima palavra do mundo mais difícil de traduzir depois de ilunga (pessoa capaz de perdoar um abuso ou ofensa duas vezes mas nunca uma terceira - Congo); shlimazi (pessoa com má sorte crónica), radioukacz (alguém que trabalhou com telégrafos no lado soviético da cortina de ferro - polaco);. naa (expressão de acordo com alguém - japonês); altahmam (tristeza profunda - países árabes), e tendo atrás de si selathirupavar (tipo de absentismo escolar - Tamil); porchemuchka (pessoa que faz muitas perguntas - russo) e kiloshar (perdedo do albanês). 
    Ora eu discordo em absoluto com os mil linguistas que tomaram esta decisão.:) Nós, portugueses, temos a mania de que mais ningúem sente saudade, como os ingleses acham que nenhum outro povo possui fair play, como alguns africanos se consideram os únicos com morabeza. Falso! Temos todos de tudo. E é tão fácil traduzir saudade, seus ignorantes. É a falta do outro, do seu abraço, dos seus beijos, do seu corpo, do seu sorriso, das suas mãos, do seu cheiro, da sua voz...

    9.11.2012

    MENTIRAS

    - Tu mentes nos teus livros. - disse-me ela um dia com o olhar revoltado.

    OS BORDÉIS DE CABUL

    Em Cabul, as mulheres estão autorizadas a ir às compras mas têm de usar sempre a burka. E só podem sair se acompanhadas do marido ou de um familiar do sexo masculino. A burka, esse símbolo da independência feminina, é obrigatória a partir da  adolescência. E se uma mulher subir um pouco as mangas da burka, pode ser espancada por um taliban... Apenas porque sim. No autocarro, as mulheres ficam separadas dos maridos e não podem sair nas paragens ao mesmo tempo que eles. Quanto aos encontros femininos, tão apreciados entre mulheres, estes só acontecem dento de casa, em cerimónias fúnebres ou casamentos. Sempre situações festivas, como se vê! 
    E agora, questão central e fulcral e essencial: no Afeganistão, as mulheres não podem andar a um passo normal. Porquê? Porque o barulho dos saltos altos implica uma forte punição. Assim, para se precaverem, as mulheres ou andam descalças ou de saltos rasos. Como consequência de toda esta situação, muitas mulheres sofrem de perturbações mentais e algumas tornam-se prostitutas ou pedintes. Outras optam pelo suicídio.
    Agora vem a melhor parte: um relatória da RAWA indicava que, só em Cabul, existiam em 1999, 25 a 30 bordéis frequentados, imaginem por quem? Por quem? Sim, isso mesmo. Pelos próprios talibans. Cada um destes bordéis tera cerca de 3 a 5 mulheres dirigidas por outra mais idosa desginada também por khala kharabati (prostituta).
    E assim vai o mundo...

    UM SÍTIO PARA RENASCER


    Sem dúvida que vou lá voltar. Quando não sei... mas voltarei. Só ou acompanhada, irei. É o sítio mais estranho que eu conheço. E o mais sagrado. O local eleito pelos hindus para morrer. Ali mesmo, nas margens do Rio Ganges, num dos muitos ghats onde uns empilham a madeira para as piras fúnebres  e outros esperam pela morte. Os cadáveres vão chegando em padiolas ou riquexós, embrulhados em panos brancos, amarelos e laranja. Ali aguardam a seu vez para serem cremados.

    Misturei-me com os hindus de madrugada. Queria ver Varanasi do lado do rio ao nascer do sol. Eram 5h da manhã e a margem estava apinhada de hindus no seu banho sagrado.  O barqueiro levou-me, avisando-me para que não me molhasse na poluída água do Ganges. Um micróbio de cólera que em água destilada consegue sobreviver vinte e quatro horas, ali sobrevive apenas três... Tive cuidado mas não exagerei. Coloquei eu própria as minhas velas no rio e o barquinho que me transportava era isso mesmo, um barquinho frágil...
    O ruído de Varanasi pela manhã é quase nulo mas o misticismo a esta hora é enorme. Só quando o sol fura as nuvens, a cidade acorda, revelando os primeiros rituais da manhã. Quase nus, os Hindus banham-se nas águas sagradas e começa então a aventura. As pequenas lojas abrem, vendendo incenso, panos e estátuas... Os cheiros misturam-se com os sons e somos transportados para longe de tudo e de nós mesmos. Mas o caos da Índia dos riquexós, motoretas, buzinas, vacas e gente não é aqui, nestas ruelas que levam às escadarias que descem ao rio.
    Varanasi é um sítio para morrer. Ou renascer...

    P.S. Na foto, Balu, o meu remador no Ganges.

    9.10.2012

    CARTA DE EUGÉNIO LISBOA AO PRIMEIRO MINISTRO DE PORTUGAL

    Exmo. Senhor Primeiro Ministro

    Hesitei muito em dirigir-lhe estas palavras, que mais não dão do que uma pálida ideia da onda de indignação que varre o país, de norte a sul, e de leste a oeste. Além do mais, não é meu costume nem vocação escrever coisas de cariz político, mais me inclinando para o pelouro cultural. Mas há momentos em que, mesmo que não vamos nós ao encontro da política, vem ela, irresistivelmente, ao nosso encontro. E, então, não há que fugir-lhe.

    Para ser inteiramente franco, escrevo-lhe, não tanto por acreditar que vá ter em V. Exa. qualquer efeito – todo o vosso comportamento, neste primeiro ano de governo, traindo, inescrupulosamente, todas as promessas feitas em campanha eleitoral, não convida à esperança numa reviravolta! – mas, antes, para ficar de bem com a minha consciência. Tenho 82 anos e pouco me restará de vida, o que significa que, a mim, já pouco mal poderá infligir V. Exa. e o algum que me inflija será sempre de curta duração. É aquilo a que costumo chamar “as vantagens do túmulo” ou, se preferir, a coragem que dá a proximidade do túmulo. Tanto o que me dê como o que me tire será sempre de curta duração. Não será, pois, de mim que falo, mesmo quando use, na frase, o “odioso eu”, a que aludia Pascal.

    Mas tenho, como disse, 82 anos, e, portanto, uma alongada e bem vivida experiência da velhice – da minha e da dos meus amigos e familiares. A velhice é um pouco – ou é muito – a experiência de uma contínua e ininterrupta perda de poderes. “Desistir é a derradeira tragédia”, disse um escritor pouco conhecido. Desistir é aquilo que vão fazendo, sem cessar, os que envelhecem. Desistir, palavra horrível. Estamos no verão, no momento em que escrevo isto, e acorrem-me as palavras tremendas de um grande poeta inglês do século XX (Eliot): “Um velho, num mês de secura”... A velhice, encarquilhando-se, no meio da desolação e da secura. É para isto que servem os poetas: para encontrarem, em poucas palavras, a medalha eficaz e definitiva para uma situação, uma visão, uma emoção ou uma ideia.

    A velhice, Senhor Primeiro Ministro, é, com as dores que arrasta – as físicas, as emotivas e as morais – um período bem difícil de atravessar. Já alguém a definiu como o departamento dos doentes externos do Purgatório. E uma grande contista da Nova Zelândia, que dava pelo nome de Katherine Mansfield, com a afinada sensibilidade e sabedoria da vida, de que V. Exa. e o seu governo parecem ter défice, observou, num dos contos singulares do seu belíssimo livro intitulado The Garden Party: “O velho Sr. Neave achava-se demasiado velho para a primavera.” Ser velho é também isto: acharmos que a primavera já não é para nós, que não temos direito a ela, que estamos a mais, dentro dela... Já foi nossa, já, de certo modo, nos definiu. Hoje, não. Hoje, sentimos que já não interessamos, que, até, incomodamos. 

    Todo o discurso político de V. Exas., os do governo, todas as vossas decisões apontam na mesma direcção: mandar-nos para o cimo da montanha, embrulhados em metade de uma velha manta, à espera de que o urso lendário (ou o frio) venha tomar conta de nós. Cortam-nos tudo, o conforto, o direito de nos sentirmos, não digo amados (seria muito), mas, de algum modo, utilizáveis: sempre temos umas pitadas de sabedoria caseira a propiciar aos mais estouvados e impulsivos da nova casta que nos assola. Mas não. Pessoas, como eu, estiveram, até depois dos 65 anos, sem gastar um tostão ao Estado, com a sua saúde ou com a falta dela. Sempre, no entanto, descontando uma fatia pesada do seu salário, para uma ADSE, que talvez nos fosse útil, num período de necessidade, que se foi desejando longínquo. Chegado, já sobre o tarde, o momento de alguma necessidade, tudo nos é retirado, sem uma atenção, pequena que fosse, ao contrato anteriormente firmado. É quando mais necessitamos, para lutar contra a doença, contra a dor e contra o isolamento gradativamente crescente, que nos constituímos em alvo favorito do tiroteio fiscal: subsídios (que não passavam de uma forma de disfarçar a incompetência salarial), comparticipações nos custos da saúde, actualizações salariais – tudo pela borda fora. Incluindo, também, esse papel embaraçoso que é a Constituição, particularmente odiada por estes novos fundibulários. O que é preciso é salvar os ricos, os bancos, que andaram a brincar à Dona Branca com o nosso dinheiro e as empresas de tubarões, que enriquecem sem arriscar um cabelo, em simbiose sinistra com um Estado que dá o que não é dele e paga o que diz não ter, para que eles enriqueçam mais, passando a fruir o que também não é deles, porque até é nosso.

    Já alguém, aludindo à mesma falta de sensibilidade de que V. Exa. dá provas, em relação à velhice e aos seus poderes decrescentes e mal apoiados, sugeriu, com humor ferino, que se atirassem os velhos e os reformados para asilos desguarnecidos , situados, de preferência, em andares altos de prédios muito altos: de um 14º andar, explicava, a desolação que se comtempla até passa por paisagem. V. Exa. e os do seu governo exibem uma sensibilidade muito, mas mesmo muito, neste gosto. V. Exas. transformam a velhice num crime punível pela medida grande. As políticas radicais de V. Exa, e do seu robôtico Ministro das Finanças - sim, porque a Troika informou que as políticas são vossas e não deles... – têm levado a isto: a uma total anestesia das antenas sociais ou simplesmente humanas, que caracterizam aqueles grandes políticos e estadistas que a História não confina a míseras notas de pé de página.

    Falei da velhice porque é o pelouro que, de momento, tenho mais à mão. Mas o sofrimento devastador, que o fundamentalismo ideológico de V. Exa. está desencadear pelo país fora, afecta muito mais do que a fatia dos velhos e reformados. Jovens sem emprego e sem futuro à vista, homens e mulheres de todas as idades e de todos os caminhos da vida – tudo é queimado no altar ideológico onde arde a chama de um dogma cego à fria realidade dos factos e dos resultados. Dizia Joan Ruddock não acreditar que radicalismo e bom senso fossem incompatíveis. V. Exa. e o seu governo provam que o são: não há forma de conviverem pacificamente. Nisto, estou muito de acordo com a sensatez do antigo ministro conservador inglês, Francis Pym, que teve a ousadia de avisar a Primeira Ministra Margaret Thatcher (uma expoente do extremismo neoliberal), nestes termos: “Extremismo e conservantismo são termos contraditórios”. Pym pagou, é claro, a factura: se a memória me não engana, foi o primeiro membro do primeiro governo de Thatcher a ser despedido, sem apelo nem agravo. A “conservadora” Margaret Thatcher – como o “conservador” Passos Coelho – quis misturar água com azeite, isto é, conservantismo e extremismo. Claro que não dá. 

    Alguém observava que os americanos ficavam muito admirados quando se sabiam odiados. É possível que, no governo e no partido a que V. Exa. preside, a maior parte dos seus constituintes não se aperceba bem (ou, apercebendo-se, não compreenda), de que lavra, no país, um grande incêndio de ressentimento e ódio. Darei a V. Exa. – e com isto termino – uma pista para um bom entendimento do que se está a passar. Atribuíram-se ao Papa Gregório VII estas palavras: ”Eu amei a justiça e odiei a iniquidade: por isso, morro no exílio.” Uma grande parte da população portuguesa, hoje, sente-se exilada no seu próprio país, pelo delito de pedir mais justiça e mais equidade. Tanto uma como outra se fazem, cada dia, mais invisíveis. Há nisto, é claro, um perigo.

    De V. Exa., atentamente,

    Eugénio Lisboa

    Ex-Director da Total, em MoçambiqueEx
    Director da SONAP MOC 
    Ex-Administrador da SONAPMOC e da SONAREP 
    Ex-Conselheiro Cultural da Embaixada de Portugal em Londres
    Prof. Catedrático Especial de Estudos Portugueses (Univ. Nottingham) 
    Ex-Presidente da Comissão Nacional da UNESCO 
    Prof. Catedrático Visitante da Univ. de Aveiro
    Doutor Honoris Causa pela Univ. de Nottingham
    Doutor Honoris Causa pela Universidade de Aveiro 
    Medalha de Mérito Cultural (Câmara de Cascais)

    NORMALIDADES

    Já tentei. Juro que já tentei. Fiz tudo como diz o livro mas não resultou. Até já tomei decisões importantes. Leio O Principezinho todos os anos a ver se não me esqueço do essencial. Passei a atender os telefonemas e tento, às vezes a custo, responder a todas as chamadas que me fazem. Tenho tentado, por todas as vias, ser mais condescendente com os outros... Já me calo mais vezes do que era habitual. Já quase, mas a muito muito custo, consigo entender aquelas pessoas que usam véu... Já comecei a tentar descer a fasquia das minhas exigências. E até deixei de tentar descobrir a face oculta da lua.
    Mas a normalidade continua a ficar-me muito apertada dos lados... 

    PODES VIR A QUALQUER HORA

    ESCURIDÃO

    Escrever um romance é como entrar num quarto às escuras. 
    Não vemos nada e tentamos descrevê-lo...
    Amy Waldman

    A COMUNICAÇÃO DO AMOR


    Diz-me a experiência que  o único casal que tem potencial para ter sucesso é aquele que compreendeu que a comunicação e a empatia (o saber colocar-se no lugar do outro) são os utensílios mais extraordinários de perceção das necessidades e desejos do pessoa que nós queremos ter a nosso lado. E por vezes, falhamos nisso sem querer...
    Por outro lado, também me parece que a melhor maneira de comunicar no amor (e fora dele) é seguir a célebre máxima de Immanuel Kant: Age com o outro como gostarias que o outro agisse contigo. Caso contrário, a comunicação deixa de acontecer, os momentos de desilusão podem surgir e os mal entendidos podem suceder-se uns aos outros sem o serem. É difícil comunicar no amor? Talvez! Mas se assim for, então toda a comunicação em geral só pode ser um perfeito fracasso. Se eu não comunicar eficazmente com a pessoa que eu amo, com quem vou comunicar com eficácia? Se é com ela que eu quero partilhar e partilhar-me, porque não consigo que a comunicação flua como o rio?
    Por isso é que tantas relações falham mesmo antes de terem começado. 
    Por isso é que a verdadeira liberdade amorosa dos nossos dias se tornou a liberdade de ficar ou de partir.