Lancei-me, inabalábel, de unhas e dentes, a esta aventura que é amar-te... sem saber se sobreviverei!
Porque a vida não é um fenómeno lógico e a criatividade é um produto derivado do sonho...
7.27.2012
7.26.2012
FÉRIAS DE MIM
Sim, ausentei-me por uns tempos. Ausentei-me de mim, que isto de andarmos sempre connosco atrás também precisa de algum descanso. Voltarei mais completa. E mais rica. Porque se regressa sempre mais rica, venha-se de onde se vier. Vi gente e lugares. Vim em busca do sol. A dolência apoderou-se de mim. Usufrui do prazer de ser apenas. Nada mais do que ser simplesmente. E esqueci-me que existiam horas para chegar. E cidades. E Centros Comerciais. E pessoas a correr. E apercebi-me de que tinha saudades de ti.
OUT OF THE BOX
Há as pessoas que caminham pela vida em linha reta e há as outras.... aquelas que ao longo do percurso se desviam do caminho mais percorrido, entrando, por vezes contra vontade, em bifurcações, reentrâncias, cantos e recantos, onde são obrigadas a confrontarem-se com os lados mais profundos e, por vezes, obscuros de si próprias.
As primeiras nascem, crescem, trabalham, casam, têm filhos, reformam-se e morrem. As outras vão aprendendo a dançar à beira do abismo, a manterem-se estáveis na corda bamba. Espreitam o precipício e, muitas vezes, atiram-se... São estas asn que eu mais admiro, os caminhantes da pradaria, que perceberam desde cedo a linha ténue e quebradiça que separa em muitos de nós, a sanidade da loucura.
São elas, com um pé no Inferno e outro no Paraíso, os verdadeiros heróis da minha banda desenhada.
O HUMOR
A minha mãe perdeu tudo: o andar, a memória, a casa, o juízo...
Mas, nos fugidios momentos de lucidez, que a visitam quando eu menos espero, mantem intacto o seu humor... cortante, inteligente... como convem!
O MILAGRE DE FÁTIMA
Ao passar a ponte Vasco da Gama, os meus olhos foram atraídos por um enorme outdoor que anuncia, sem qualquer recato, a última novidade em entretenimento religioso: O MILAGRE DE FÁTIMA EM ESPETÁCULO INTERATIVO!
Não sei exatamente de que se trata nem estou particularmente interessada mas imaginei de imediato um recinto devidamente abrilhantado por neóns multicolores, tipo parque de diversões, com várias bancas a vender fátinhas da china e falsos rosários, povoado por famílias com muitos filhos, eles a comer algodão enquanto os pais rezam o terço... O Paraíso, portanto...
COMO IDENTIFICAR UM "WOMANISER"
Amigas, se derem de caras com um "womaniser" (mulherengo, em bom português) e tiverem o azar de gostar dele, lembrem-se disto: em primeiro lugar, nenhuma mulher com autoestima no seu devido lugar aguenta um mulherengo. Depois, se quiserem construir uma relação a sério, não há pachorra para ser confundida e/ou comparada com as mil mulheres que ele teve antes. Por outro lado, as hipóteses deste homem se comprometer seriamente são ínfimas.
Características desta espécie? Basicamente, o mulherengo, por essência: (i) mantem as mulheres em stand by (e talvez por isso, quem sabe, não vos deixem ter acesso às suas amigas no facebook); (ii) tem a reputação de mulherengo que os próprios amigos lhe deram; (iii) não tem maturidade emocional e (iv) last but not the least, já teve tantas mulheres que nunca vos dará o valor que vocês merecem!
Pensem nisso que eu vou fazer o mesmo!
7.25.2012
O GASTROSSEXUAL
Ligou-me uma amiga minha excitadíssima com o facto de ter ido ontem jantar com um "date" que se ofereceu para cozinhar. Receosa, tentou a custo que o jantar fosse num restaurante mas não, o rapaz convenceu-a de que cozinhar para ela seria o primeiro de muitos prazeres que teriam juntos e ela concordou... Afinal, não é todas as noites que um tipo giraço e bem posto se oferece para cozinhar. Foi!
Jantou foie gras com qualquer coisa que não me lembro agora e bebeu um vinho cujo nome nenhuma de nós reconhecia. E de sobremesa teve direiro a um arroz doce especial com recheio de mirtilos e licor de canela (que ele mesmo fez).
Ah e nota a registar: este sujeito só se abastece em sítios especiais e vai à praça... sim, vai à praça escolher os vegetais.
Ela voltou conquistada. Mais com a comida do que com o rapaz, digo eu. Culto e inteligente, ele está convencido de que a vai conquistar pelo estômago. Eu tenho dúvidas. Porque a minha amiga não é do tipo de mulher que queira relacionar-se com um gastrossexual mais a sua Bimby!
Conselho: se tem um gastrossexual a querer cozinhar para si, agarre-o... que lhe vai saber bem a refeição, Dizem os entendidos que os gastrossexuais compensam na cozinha as artes que lhes faltam noutro sítio da casa...
7.24.2012
NEGO-ME
"Nego-me a viver num mundo comum como uma mulher comum. A estabelecer relações comuns. Necessito do êxtase. Não me adaptarei ao mundo. Adapto-me a mim mesma."
Anaïs Nin
Anaïs Nin
ENTREGUE AS BOTAS
MAUS NA CAMA
Sim, está provado que os portugueses são maus na cama. Pelo menos a dormir. 47% dos portugueses dormem mal. Não estou sozinha.
Pela parte que me toca, já passei por tudo: cair redonda na cama e dormir até ao dia seguinte, levar horas até adormecer, dormir de imediato até meio da noite e não pregar mais olho e todas as outras variantes possíveis do mesmo problema. Também já tomei comprimidos, bebi leite, chá de ervas X, Y e Z, banho quente, etc e tal. Às vezes, nada resulta e ponto final.
Devia ser fácil. Caíamos ali e pumba, adormecíamos até à manha seguinte. Sem mais! E há pessoas que o conseguem. Conheço algumas. O problema é o ruído que fazem nessa passagem... Mas adiante, que essa é outra questão.
A verdade é que se o sono é fundamental para todos, para as mulheres ele é essencial pois rezam os estudos mais recentes que DORMIR EMAGRECE!
O DIA EM QUE O MEU TEMPO ESTICOU
Há dias, uma pessoa de ar stressado perguntou-me: - Como faz para gerir tão bem os seu tempo?
Ops! Já enganei mais uma, pensei... Mas disse-lhe o que penso sobre o tempo... que é a coisa mais democrática que existe e que contrariamente ao dinheiro, o tempo é igual para todos: 24 horas por dia sem tirar nem pôr.
A verdade é que cada pessoa gere o tempo à sua maneira e parece que este não chega para tudo. Apesar das dificuldades, julgo conseguir gerir o meu tempo. E expliquei à dita pessoa que a primeira coisa a aprender é a palavra NÃO; a segunda, é aprender a fazer DELETE sem medos nem complexos e sem olhar para trás.
Uma das coisas que mais atrapalha a gestão do tempo é a dificuldade em selecionar, em peneirar, em excluir... Quando estamos entupidos com excesso seja do que for, a coisa só pode acabar mal. Por isso, eu começo sempre por deitar fora o que não me interessa (há sempre qualquer coisa que, se a olharmos segunda vez, não nos interessa para nada).
Outro skill fundamental da gestão do tempo é saber distinguir oque é urgente do que é importante porque há coisas urgentes que não são importantes... Por isso, expliquei-lhe, passo a passo, as minhas estratégias que ela ouvia esbugalhando os olhos como se eu fosse uma extraterrestre. Sim, escrevo na agenda todas as tarefas que quero realizar e atribuo-lhes um tempo de execução. Sim, há tarefas que ficam por concluir e passo-as para o dia seguinte. Sim, deixo sempre um tempo para os imprevistos que ocorrem sempre sempre graças a Deus... Sim, apesar se definir objetivos, eu também deixo a minha fluir ao sabor do vento, sopre ele de onde soprar... Disse-lhe que o grande caos da minha vida é a minha secretária contra a qual luto diariamente. Não, não gosto de post its, irritam-me desmedidamente, detesto aqueles papelinhos multicolores espalhados por ali.
Sim, fujo dos ladrões de tempo quando preciso de concluir uma tarefa importante. Ladrões de tempo? Sim, verdadeiros ladrões de tempo como o telefone, o facebook, os filmes no you tube, os mails, a tv ou simplesmente os meus gatos a pedirem-me festas...
7.23.2012
7.22.2012
OS TIPOS DE AMOR
Andei a reler o Sternberg. Agora veio-se com esta... dos tipos de amor.
Diz ele que, pegando nos três componentes essenciais de uma relação, a saber, PAIXÃO (P), INTIMIDADE (I) e COMPROMISSO (C), podemos ter diferentes tipos e géneros de amor, caracterizando-se cada um deles pelo quantidade ou ausência das componentes atrás referidas.
Passo a enumerá-los, então:
PAIXONETA = +P -I -C
AMOR ROMÂNTICO = +P +I -C
AMIZADE = +I -P -C
AMOR COMPANHEIRO = +C +I -P
AMOR VAZIO = +C -P -I
AMOR FÁTUO = +P +I -C
AMOR TOTAL = +P +I +C
NÃO AMOR = -P -I -C
Pronto, agora resta perceber qual o seu tipo de amor... e se não percebeu nada, por favor faça de conta!
7.21.2012
PROGRAMAÇÃO
O que tenho? Um novo número de telefone, uma cor de olhos que não sei definir com precisão.
Um corpo que se encaixa no meu e...
Um ser que me mantém fascinada... TU!
Jogas perigosamente com a irrealidade, sentes atração pelos seus instrumentos de fuga e não pretendes mudar.
Tens o desplante de não concordar comigo com a autoridade de quem não concorda com ninguém e de me chamares coisas que eu não sou...
O que é suficiente para eu querer odiar-te e, ao mesmo tempo, não conseguir pensar em viver longe de ti...Logo eu que já tinha desistido de me programar para qualquer tipo de eternidade.
7.20.2012
ENGENHARIA PESSOAL
Após um ano em que quase tudo o que não era suposto ter acontecido aconteceu, entrei em fase de balanço... e de rescaldo. De facto, o meu ano começa em setembro, nunca em janeiro... e o fim de julho marca o quase início de nova viagem.
Assim, após uma espécie de engenharia pessoal continuada, por me saber imperfeita, por me saber periclitante, por me saber carente, procuro alguma paz...
7.12.2012
PALHAÇO 1 & PALHAÇO 2
Tenho andado a conter-me. Quando foi do palhaço 1 (Sócrates + licenciatura ao domingo + caso freeport + etc e tal e coiso), perdi a fé nos políticos e, pior, nos portugueses em geral que continuaram impávidos e serenos como se nada fosse.
Agora surge outro. O palhaço 2 (Relvas). Envergonha o país. Envergonha-nos a todos. E nós, limitamo-nos a sorrir de sarcasmo.
Chega de palhaçada. Já não bastam as licenciaturas de Bolonha que em 3 anos nunca darão o que as de 5 deram mas valem o mesmo. Já não bastam os doutoramentos express... Agora, percebe quem quer perceber, que este país está cheio de falcatruas culturais (nem falo nas outras) e quantos doutores não haverá por aí ao desbarato com cursos não pós-Bolonha mas pós-Palermo, leia-se, à Relvas...
O mínimo que este senhor devia fazer era demitir-se. Mas o mínimo que nós, portugueses, pelo menos os que fizeram licenciaturas de 4 anos, pós-graduações de 2 e mestrados de 3, devemos fazer é demiti-lo.
E JÁ!
PONTO G
Eu gosto de palavras e de ideias. O meu ponto G está nos ouvidos. Acho que não vale a pena tentar encontrá-lo noutro lugar...
MULHER
Gosto de ser mulher. Gosto especialmente de tudo o que ser mulher implica. Gosto de me emocionar com pequenos nadas e gosto, gosto muito, de não resistir a tentações, essas tentações em forma de vestidos e carteiras e sapatos e relógios e pulseiras e anéis, desses que ficam mesmo quando os dedos se vão...
LIÇÃO DE VIDA
São miúdos. Têm 13 e 14 anos. Ele, mais calado. Sensível. Com apenas 5 ou 6 anos sentou-se na minha varanda, olhou-me e disse-me: - Está-se muito bem aqui, madrinha. Percebi, ali, que se tratava de um ser especial. Uma sensibilidade acima da média. Alguém que veio ao mundo para o saborear. Ela, cerca de catorze meses mais nova. Nariz empinado. Sensível. Meiga. Comunicativa. Expressiva. Fala pelos cotovelos. Os dois, formam um par imbatível. Não imagino um sem o outro, a crescerem lado a lado. Cúmplices. Confessam um ao outro as suas descobertas.
São meus afilhados. Porque a mãe insistiu. E para tal tive de andar às turras com o tal do padre Nuno.
Hoje encontrámo-nos. Ementa: gelado Hagen Dazz. Conversámos sobre escola, férias, música e namorados. Mais tarde, juntou-se a nós o irmão mais velho. Um jovem responsável e muito meigo por quem nutro um carinho especial.
Vi-os espontaneamente dividirem com ele parte do que eu lhes tinha dado para comprarem um presente de aniversário... Fiquei sem palavras!
Que lição de vida!
JÁ ME CHEGAVA
Já me chegava de exames, testes, termos, pautas, atas, planos, relatórios, reuniões, avaliações e revaliações por este ano...
A CABANA NA LUA
Os homens não sabem. Ou melhor, alguns homens não sabem. Ou melhor ainda, a maioria dos homens não sabe... que existe uma íntima relação entre a psique das mulheres e o seu funcionamento ovárico. Não sabem que o nosso ciclo mentrual começa com um estado de espírito de primavera, de desinibição e optimismo e até, mais ou menos à fase de ovulação, estamos receptivas, mais abertas aos outros. Depois, entramos no outono do nosso ciclo em que ficamos introspetivas e mais tendentes à reflexão.
E muitas de nós, quase todas, procuramos voltar a casa, à nossa cabana na Lua.
BLOOD TYPE
Não vale a pena ir por outro caminho que não este. Mesmo quando tudo parece desmoronar à minha volta, mantenho-me firme!
Porque, haja o que houver, venha o que vier, haverá sempre serra de Sintra, barcos no Tejo e noites de luar!
BE POSITIVE!
O CARDUME
Há algum tempo atrás, quando ainda valia a pena, recordo-me de ter acordado, olhado em redor e ter percebido que a casa onde vivia precisava de uma volta. Assim, saltei da cama, tirei os lençóis, coloquei lavados. Sacudi tapetes. Aspirei. Lavei o chão do quarto. Limpei WCs. Esfreguei a banheira. Pus roupa na máquina. Sequei a roupa que lá estava. Aspirei o hall. Sacudi mais tapetes. Limpei a varanda. Tratei dos gatos. Arrumei armários da despensa. Reciclei lixos. Recolhi roupa. Levei-a para a engomadoria. Trouxe roupa da engomadoria. Fui ao super. Fiz as compras. Carreguei as compras. Arrumei as compras. Limpei gelo do congelador. Fiz jantar. Lavei a loiça que não cabia na máquina. Pus a máquina a lavar. Arrumei a loiça. Perfumei a casa. Pus a mesa. Fiz um chá de canela e sentei-me a descansar um pouco no sofá a olhar para a minha peça de arte favorita: o cardume. Foi então que ele chegou e disse:
Nesse dia percebi que alguém estava ali a mais.
7.11.2012
7.09.2012
FELICIDADE
Há dias em que a ideia de felicidade se me atravessa de forma mais intensa, especialmente quando vejo as pessoas que mais amo apertadas numa teia de insatisfação e desmotivação provocada pela ideia de que a felicidade vem de fora, do exterior...
Há muito que me deixei disso... Claro que há condições fundamentais à felicidade: a existência de três coisas, basicamente, dizem os especialistas. Um projeto profissional satisfatório, um projeto afetivo (ninguém gosta de morrer só) e um projeto cultural. Agora, basta fazermos as contas desta equação e vermos onde é que a coisa nos falha ou falta...
Parece simples...
7.07.2012
PRIVATIZAÇÕES
Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e a lei, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E finalmente, para florão e remate de tanto privatizar, privatizem-se os Estados, e entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo... e, já agora, privatize-se a puta que os pariu a todos.
José Saramago, Cadernos de Lanzarote, Diário III, p. 148
CANELA
Cá em casa vai com tudo. Começou por ir com os gelados e os morangos e a gelatina e os pudins e o arroz doce e os pastéis de nata e todo o tipo de fruta mas agora já vai com arroz árabe e serve-me de tempero à carne e ao peixe sem esquecer as misturas de chás que se pode fazer com ela. Pois que sim! Entrou definitivamente na minha ementa e já não passo sem ela. As mentes mais tortuosas (e eu conheço pelo menos uma), estará já a pensar nos efeitos colaterais deste exagero de canela mas repondo aqui a razão dos factos, importa lembrar que a canela, dizem os especialistas, exerce um poder redutor do valor do colesterol e da açucar no sangue. Já para não esquecer que esta fantástica especiaria, no início do séc. XVI era trazida por comerciantes portugueses diretamente do Ceilão (atual Sri Lanka), chegando um quilo a valer dez gramas de ouro. Sim, percebeu bem... dez gramas de ouro... Segundo contava um navegador holandês:"as margens desta ilha estão repletas desta planta e é a melhor em todo o oriente; quando uma pessoa está no litoral, pode-se sentir o aroma a oito léguas de distância".
Pois eu cheiro-a a muito menos léguas... mas quero cheirá-la brevemente no seu habitat natural.
7.06.2012
NUS E PARA SEMPRE
Com o passar do tempo, quase todos os casais que eu conheço se transformam em colegas de trabalho, vivendo uma relação de cordialidade cujo grande objetivo é o bom funcionamento da empresa que é, evidentemente, o seu casamento. Trabalham em equipa, muitas vezes, o que é de louvar e, embora haja habitualmente um gestor de projetos, os objetivos a alcançar resumem-se basicamente a manter os filhos alimentados e as contas pagas... Para estas pessoas, partilhar a conta da água tornou-se mais importante do que partilhar os beijos e, tal como numa empresa, há também que fazer contenção de custos logo, as pequenas grandes coisas que mantinham a chama acesa dão lugar à necessidade de cumprir uma ordem de trabalhos que se repete à exaustão.
Fico a pensar que, se as emoções são o colorido da alma, nestes casos as almas escurecem pouco a pouco e os casais limitam-se a realizar rotineiros actos higiénicos de fim de semana.
Será que nunca se ama como nas histórias? Nus e para sempre?
DEDICAÇÃO
Desde aquele dia, ela decidiu escrever-lhe todos os dias e dedicar-se a ele como os marinheiros antigos se dedicavam ao mar...
NORTE E SUL
Viver é fácil porque meço a partir de ti o Norte e o Sul. Basta que existas para que os meridianos se arrumem e os oceanos não transbordem.
Teolinda Gersão
7.02.2012
CONFISSÃO
Não queria precisar disto mas já preciso como de ar, de sol, de mar... Sei que é um voo
demasiado arriscado que fazemos... um voo rasante e perigoso. Mas não me quero
desfazer de ti. Já não consigo... Guarda para ti esta confissão e faz dela o que quiseres. Não me quero
perder de ti agora que te encontrei.
E fico assim. De joelhos encostados ao queixo, mãos entrelaçadas sobre os
joelhos, contemplandode olhos fechados, a tua imagem ou, na falta dela, a minha imagem de ti...
Nem sei se queres voar, ou voar comigo ou se até terás medo de voar... Mas como é que se voa, com uma asa presa na mão de alguém?
Diz-me, sussurra-me ou grita-me, que é possível voar com uma mão presa na tua mesmo que nos estampemos os dois.
ÁGUA E FOGO
Perante a possibilidade de voltar a Budapeste, quinze anos depois de lá ter passado dois fugazes dias num périplo pelos países mais a leste, quando viajava como guia e escort de grupos de viagens organizadas, dei por mim a reler o meu caderno de viagem...
Das cidades que então visitei, Budapeste, Praga, Viena, Estrasburgo e Bratislava... lembro-me de, num momento único, ter pensado em como gostaria de voltar a Budapeste acompanhada. Essa cidade que me encantou pelo seu misto de simplicidade e sofisticação e que, já na altura, me pareceu um filão ainda por explorar....
Budapeste, centro europeia, tem para mim uma magia inexplicável e os seus habitantes orgulham-me por que não se perdem em lamentos apesar da cidade ter sido destruída 31 vezes e erguida outras tantas... Não me lembro já de muito pois estava de passagem e em trabalho... mas as pontes sobre o Danúbio ao final do dia ficaram retidas na minha memória como também ficou aquele café tomado sozinha no café Gerbeaud... Depois lembro-me dos planos que ficaram por concretizar: deambular por Buda (água) e depois por Peste (fogo ardente), passear no Danúbio ao fim da tarde, ir ao Hamman, atravessar as pontes a pé, subir ao monte Gellert, provar o vinho húngaro, ouvir música zíngara nas ruelas do bairro do castelo e sobretudo, ver a cidade sem pressa...
Das cidades que então visitei, Budapeste, Praga, Viena, Estrasburgo e Bratislava... lembro-me de, num momento único, ter pensado em como gostaria de voltar a Budapeste acompanhada. Essa cidade que me encantou pelo seu misto de simplicidade e sofisticação e que, já na altura, me pareceu um filão ainda por explorar....
Budapeste, centro europeia, tem para mim uma magia inexplicável e os seus habitantes orgulham-me por que não se perdem em lamentos apesar da cidade ter sido destruída 31 vezes e erguida outras tantas... Não me lembro já de muito pois estava de passagem e em trabalho... mas as pontes sobre o Danúbio ao final do dia ficaram retidas na minha memória como também ficou aquele café tomado sozinha no café Gerbeaud... Depois lembro-me dos planos que ficaram por concretizar: deambular por Buda (água) e depois por Peste (fogo ardente), passear no Danúbio ao fim da tarde, ir ao Hamman, atravessar as pontes a pé, subir ao monte Gellert, provar o vinho húngaro, ouvir música zíngara nas ruelas do bairro do castelo e sobretudo, ver a cidade sem pressa...
Constato que se mantém intacta em mim o desejo de voltar. Mas uma coisa está radicalmente diferente: desta vez quero ver Budapeste através do nosso olhar...
6.30.2012
RUGAS
Gosto de me estender ao sol como os meus gatos e sentir que a calor no meu rosto cria rugas mas me apazigua a alma.
TRÊS TRISTES TRAGOS
"Deixei o hospital naquele dia com uma profunda sensação de vazio. Era como se o final de tarde em Lisboa se assemelhasse a um enorme e frequentado ghat indiano nas margens do Ganges, onde todas as pessoas tinham decidido ir morrer. Eu fui para casa embalada pelo som do trânsito; fiz um gin tónico e bebi-o em três tragos: três tristes tragos."
in Eu Mulher de Mim, Edilções Colibri, pág. 92
SEROTONINA
"(...) A Bárbara optara definitivamente pelos comprimidos. Havia-os de todas as cores e para todos os fins. Quando falei com a sua psiquiatra e lhe demonstrei a minha preocupação pelo facto do brilho dos seus olhos ter desaparecido, ela fitou-me com ar indiferente e enumerou uma sequência de substâncias químicas que faltavam à minha amiga.
Fui para casa com serotoninas, oxitocinas e dopaminas a faiscarem aos meus ouvidos e um único pensamento: por que razão viver tinha de ser um processo tão difícil para alguns de nós."
in Eu, Mulher de Mim, Edições Colibri, p. 44
Sei, sinto, vejo...
Estás de novo à beira do abismo e, mais uma vez, não te deixarei cair. E se caíres, estarei lá para te amparar na queda!
EM CÍRCULOS
"(...) Enquanto esperávamos, a Bárbara não resistiu e caiu no abismo. Foi quando me vi obrigada a lidar de novo com as idiossincrasias da mente. Mais uma vez, encontrava-me perto de alguém que perdera o caminho de regresso. Ela ainda tentara caminhar rumo ao equilíbrio, Contudo, há muito que transmitia uma sensação de desmoronamento e, subitamente, perdeu o seu lugar no mundo. Creio que todos nós, mais cedo ou mais tarde, acabamos por questionar que lugar será esse. Quanto a ela, encerrou-se numa casa de repouso, primeiro, foi encerrada num hospital psiquiátrico, depois. Quando a visitei na clínica, reparei na coluna de livros empulhados equilibradamente na mesa de cabeceira... Meses mais tarde visitei-a no hospital. (...) Olhei para as pessoas que lá se encontravam e todas me pareceram girar incessantemente em círculos, encurraladas dentro de si próprias. Perturbei-me. Com as portas trancadas. Os corredores brancos e gelados. A dureza das enfermeiras. Como se a locura não andasse aí espalhada pelo mundo e estivesse apenas confinada àquelas paredes!"
in Eu, Mulher de Mim, Edições Colibri
LOTARIA
Eram oito da manhã quando tudo começou. Reunião do 11º ano. Bem conduzida. Correu sem sobressaltos. Dez da manhã. Reunião de 8º ano. Consensual. Chumbou quem tinha de chumbar e passou quem tinha de passar. Uma da tarde: reunião do 10º. Conflituosa. Difícil. Dura. Três da tarde: outra reunião do 8º ano. Discrepâncias. Grandes.
Percebi, afinal que alunos com 4 e 5 negativas transitam e alunos com 3 negas reprovam. Percebi também o que já vinha a pressentir. A passagem de um aluno, se em situação periclitante, depende muito do conselho de turma que lhe coube em sorte. Pereitamente aleatório. Passa tudo pelo perfil do d.t., da sua postura, perfil e capacidade de liderança. Mas também do sentido de equidade dos professores presentes e da sua forma de estar perante o ensino.
A quem compete acabar com este regabofe? A uniformização de critérios, sendi difícil, é urgente e desejada. Cada caso é um caso, sabemo-lo... E as variáveis em análise são mais que muitas... os resultados a Português e a Matemática, repetências, absentismo, interesse, postura...
Mas a grande e terrível verdade é que, nestes desgastantes dias de avaliação, saio da escola com a sensação de que não sabemos muito bem, nenhum de nós, o que andamos ali a fazer...
6.28.2012
MORTE SÚBITA
Cada um escolhe a forma como se embrutece. Eu cá tenho a minha que consiste em criar teorias para os factos que vou observando...
Durante a emissão do jogo Portugal-Espanha avancei com uma teoria que me parece muito mais útil à saúde pública do que aquilo a que a UEFA nos obriga a assistir uma vez que aquela coisa dos penalties que acontece após o prolongamento provoca, a meu ver, deficiências cardíacas graves nos seres menos fortalecidos no tal músculo. Tenho pois dito.
Ora, em plena sucessão de penalties, ocorreu-me informar a malta que me rodeava que, se eu mandasse nestas coisas dos futebóis, esta parte do jogo não existiria. Para mim, os jogadores deveriam continuar a jogar simplesmente até irem, um a um, caindo desfalecidos no relvado.
Isso sim, seria morte súbita... E pronto...
DA ANORMALIDADE DO SISTEMAS OU DA INEFICÁCIA DOS PROFESSORES?
Acabei a primeira reunião de avaliação. Estou de tal forma enjoada que admito vomitar a qualquer momento...
Perante a decisão de passar de ano os alunos com quatro negativas, opus-me. Provocando de imediato uma reação de defesa na responsável da reunião... que me olhou como quem pensa: - Vem aí chatice e o que eu quero mesmo é desaparecer daqui e despachar esta treta com o mínimo de atrito possível. Ok! Estavamos, até ali, exatamente no mesmo barco...
Mas insisti! Opus-me e exigi que houvesse votação. Primeiro, porque os ditos alunos revelaram comportamentos antissociais, total falta de educação e respeito pelos mais básicos valores e atitudes, falta de interesse e uma postura mais de animal do que de pessoa...
Não, não se espantem. Várias vezes, ao longo este ano, pensei se estaria numa sala de aula ou numa estrebaria... desabafos de realidades que só os mais corajosos admitem existir dentro de uma sala de aula em algumas escolas públicas do nosso país.
A reunião de hoje mostrou-me o que eu já pressentia: em situações limite, perante a necessidade de dar a cara, de assumir decisões, os professores são cobardes. Houve mesmo uma professora mais afoita que disse com bravura: "É melhor não mexer, se não estamos tramados!" :)
A verdade é esta: O aproveitamento e comportamento da turma em questão foram considerados insatisfatórios. Marcaram-se visitas de estudo a que nenhum aluno compareceu e, facto, num total de 24 alunos, apenas quatro transitaram por mérito próprio. Os outros três transitaram porque as suas notas foram votadas.
Manifestei por isso a minha oposição perante o facto de estes três alunos verem as suas notas votadas. Não fazia sentido.... Ao que me foi dito que se os não passássemos com quatro negativas, eles meteriam recurso, o problema iria a Conselho Pedagógico e eles passariam... Nós teríamos entretanto de realizar mais reuniões... o que seria uma enormíssima chatice. Tem razão...Talvez tenha razão... Não se aguentam mais reuniões... Mas muito menos se aguenta presentear alunos de péssimo aproveitamento e comportamento animalesco com uma transição dada de bandeja, sob pena de estarmos a aumentar ainda mais o número de anormais à solta pelas nossas escolas e pelo nosso país.
Mas a culpa não é do sistema... A culpa, não tenham dúvidas, é dos professores.. A decisão e posição tomadas nesta reunião refletem o estado do sistema educativo. E nas escolas, reflexo de um país moribundo, consatatei hoje mais uma vez: abundam professores cansados e desistentes (de pensar?)... que passam os alunos à toa só para poderem evitar repetir procedimentos burocráticos a que todos queremos fugir... É o que temos! Vive-se com isto ou fica-se, como eu hoje, logo de manhã, com vontade de vomitar.
Mas quando é que eu deixo de pensar e me junto ao grupo dos desistentes?
6.25.2012
DESCOBERTAS
Descobri hoje que tenho amigos a ler o meu blog, para além de Portugal, nos Estados Unidos, Suiça, Rússia, Angola, Brasil, Alemanha e Moçambique. E descobri hoje, no meio de papéis perdidos, a lista dos sítios onde quero ir... Perú, Argentina, Vietname, Camboja, Laos, Malásia, Singapura, Tailândia, Myanmar, Moçambique, Hong Kong, Tóquio, S. Francisco, Grand Canyon, Granada e voltar a Budapeste e à India...
6.24.2012
NAÚFRAGOS
Já não acredito na guerra entre homens e mulheres.
Somos todos naúfragos do mesmo barco em alto mar e sem terra à vista...
COMO UMA LEOA
Sentia-se como uma leoa de pêlo dourado, cheia de cicatrizes de antigas batalhas, exigindo-o a seu lado.
SEM PIRUETAS
Uma coisa parece certa. Eram quase dez horas da noite e nada lhe fazia sentido. Nem um livro já conseguia apaziguar tanta revolta. Chegou de repente. Toda de uma só vez. A revolta... e a raiva, a ira, a dúvida...
Porquê? Porque tinha de ser assim?
Deixara-se ficar ali. Parada. Quieta. Deixara-se cair, simplesmente, sem estrondo. Sem piruetas. Sem alvoroços. Discreta... Sem ruídos de fundo... Quase um silêncio.
Chegou o dia e, tanto ela como o rio, os pássaros, as árvores e a ponte, valeram-se das mais variadas estratégias para suportar aquela dor...
Há dias e noites assim... dias e noites sem atrito, sem confronto, sem diálogo... noites de desistência... em que apetece chorar... apetece vomitar até...
DE MOLHO
Nada disso, digo eu que não me lembro de ter escrito uma única carta de amor desde que sou gente. Dá-me para escrever de tudo menos disso... Mas as melhores cartas de amor devem ser as que são escritas a meio da tarde, sol no rosto e vento nas ideias, a varrer a prosa dos arremessos menos lógicos que o amor pode proporcionar, esse mesmo que segundo Dante, move o sol e as outras estrelas.
E foi assim que dei por mim a escrever-te hoje, em pedaços de papel arrancados a folhas que queriam voar para longe. Tu, que contrariamente ao expectável, me dominas e controlas. Logo a mim, que não me habituei nunca a ser controlada...
Nunca nos cruzámos antes mas eu já sabia o teu nome, que sempre tive jeito para dar largas à imaginação a partir do nada. Quando te vi, quando nos vimos, medi-te de alto a baixo e soube, ali mesmo, que serias o maior dos meus casos de amor. O maior dos maiores. E gosto, contragosto, de ser subjugada por ti, até o suor me escorrer pelo corpo. E a necessidade que tenho de ti é urgente... mas avanço devagar, forçada a este caminhar lento a que a vida me força, essa vida que julga que sabe muito mais do que nós. Gostava que encontrasses em mim o que julgaste irremediavelmente perdido, seja isso o que for. Estás continuamente comigo, num recanto da minha mente incansável. Sou demasiado vertiginosa para ti... sei que te posso assustar. Mas conheço o teu cheiro de cor e sei localizar todas as marcas do teu corpo... Corro a toda a velocidade para a beira do precipício que tu podes ser na minha vida. Mas continuarei a correr porque, simplesmente, não me apetece parar. É possível amar-se alguém que mal se conhece? Não sei... És como um lobo vestido de lobo e eu caio nas tuas ciladas... nas ciladas que me fazes com as mãos e com o teu olhar... Gravei na memória tudo o que te diz respeito. Já quase não recordo os meus pensamentos, aqueles de antes, antes de estarem cheios de ti até transbordarem. O pior dos desastres da minha vida aparentemente arrumada seria apaixonar-me assim. E aconteceu!
Quero agora de volta tudo o que extorquiste de mim: a minha serenidade, o meu equilíbrio, a minha paz...
6.22.2012
ESTAMOS TODOS A JOGAR O MESMO JOGO
Assisti há dias a uma palestra sobre o crescimento pessoal e a expansão da consciência... Entrei receosa mas sai rendida às ideias apresentadas. Talvez pela qualidade dos oradores, um mestre de Reiki e o outro instrutor de yoga ou talvez pelas energias que circulavam na sala ou as duas coisas não sei bem... Basicamente, a palestra pretendeu passar ensinamentos dos Kahunas, curadores xamânicos e para tal, começou pela Física Quântica e sobre os paralelos que se revelam idênticos em culturas milenares... Quem somos nós, afinal? Ouviram-se relatos de 14 cientistas sobre o que é a energia, sobre o estudo do movimento do átomo, sobre as toerias de Heisenberg... O mundo é mesmo o campo de todas as possibilidades e o funcionamento dos átomos está além do tempo...
Assim, seremos responsáveis pela nossa própria realidade? E as coincidências serão meros cruzamentos de energia?
Chegou-se então ao ponto de refletir sobre a forma como lidamos com os obstáculos. Interessei-me... Abolir os pensamentos destrutivos, todos eles... - disseram-me. E usar as 4 leis da energia dos índios Kahunas:
1ª- IKE - criamos a nossa realidade através de crenças, desejos, atitudes e pensamentos persistentes;
2ª - MAKIA - recebemos aquilo em que nos concentramos; os pensamentos ou sentimentos que nutrimos consicente ou inconcientemente moldam a nossa realidade; conselho: não pensar no que ficou para trás, seja em forma de trabalho, pessoa, oportunidade... Basicamente esquecer a última coca-cola gelada do deserto...
3ª - KALA - Somos ilimitados; tudo é formado de átomos que podem ser moldados pelo nosso pensamento.
4ª - MANAWA - o nosso momento de poder é o AGORA e podemos, se quisermos, mudar crenças, pensamentos e padrões de comportamento que nos aprisionam e impedem o nosso crescimento.
Sai dali a pensar que, vestida com outras roupagens, aquilo que me foi apresentado foi a teoria de John Grinder que há tanto tempo usamos em coaching e em formação sobre Programação Neurolinguística. Perguntas básicas: O que queremos da vida? Qual o nosso projeto? O que fazer para o alcançar?
Em suma, temos o poder dentro de nós. Só precisamos de o resgatar! Como eu costumo dizer aos meus formandos, todos temos experiências de "pico" e experiências de "flow" mas estamos, TODOS, a jogar o mesmo jogo.: chama-se VIDA...
6.21.2012
SOU FELIZ SÓ POR PREGUIÇA
No final de um curso, disseram-me:
-Vê-se mesmo que a formadora é uma mulher feliz!
Engoli em seco... estremeci... voltei a engolir em seco e, recomposta, respondi mais ou menos isto: Acho que sou feliz. Que sempre fui... A felicidade é uma vocação... Todos somos chamados a ser felizes...
Hoje, ainda penso nesse dia. Sim, sou feliz... Sou feliz só por preguiça... Porque... porque... poderia não ser. Teria, sem me esforçar, algumas - fortes - razões para ser infeliz. Mas recuso-as. Todas. Uma a uma... Luto contra elas dia a dia.
Encontrei-me... Levei tempo até chegar aqui... Três décadas, no mínimo, à deriva sem saber o caminho... Projeto de vida? Tenho o possível. Talvez ainda não o sonhado...
Sobretudo, aprendi cedo a saber esperar. Foi o mais difícil de aprender... Apostar naquilo que tarda em chegar. E que não sei se chegará...
Tenho aguardado, com a calma possível, por um projeto afetivo que complemente a minha vida... sem o qual vivo bem mas com o qual sei que viverei melhor.
Entretanto, nesta caminhada a que chamam vida, tenho seguido o princípio de Píndaro e não me tenho dado mal...
Não resulta querermos ser o que não somos!
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