Saio sempre do teu quarto em bicos de pés... parto à pressa, como um ladrão, culpada, faltosa... Eu sei... Perdoa-me! Não te devia deixar atravessar as noites sozinha... E depois passo horas a tentar a fazer um esforço para deixar de pensar no Inferno. Ganhei com mérito, nestes últimos dias, o meu diploma de fragilidade. E agora caminho pelos dias com a firme intenção de me fazer adoptar por eles... e recuso-me a saber que o tempo passou.
Porque a vida não é um fenómeno lógico e a criatividade é um produto derivado do sonho...
9.02.2012
8.31.2012
XIANG-LIAM
Sempre que leio sobre estas e outras atrocidades sinto-me formigueiros galopantes nas palmas das mãos que se estendem a todo o corpo e, desesperada, começo a escrever...
A pequena dimensão dos pés das gueishas era a prova de que esta era uma mulher de boas famílias... Quanto mais pequenos fossem os pés, mais encantadora e virtuosa era a mulher aos olhos dos homens. Não se sabe a origem exata deste bizarro hábito mas há quem diga que remonta à Dinastia Tang, há mais de oitocentos anos. assim, as mães que queriam que as suas filhas se casassem, faziam com que elas tivessem um pés pequenos. Como se faz isto então? Simples... aqui vai uma descrição poética da coisa. Quando uma menina tem cerca de 2 ou 3 anos, começa-se a apertar-lhe os pés com um par de faixas de tecido compridas. Aperta-se muito, o mais possível, até partir os ossos. E as faixas só podiam ser retiradas quando as pessoas se lavavam o que também não acontecia muito. E se doía? Era mais ou menos como caminhar sobre os dedos dos pés, dobrados à força na raíz em direção à planta do pé. Mais ou menos como andar sobre os ossos partidos... E não era por um dia ou por um mês. Era até ao final da juventude. Até à altura em que os pés, já totalmente deformados, param de crescer.
8.29.2012
8.28.2012
O ÓLEO DO CARRO
Não gosto que me suguem a energia e muito menos que façam de mim saco de boxe.
Há alturas em que necessitamos de vigiar o nosso amor próprio como se fosse o óleo do carro...
DISSE!
TENTAÇÃO
Consigo resistir a tudo excepto a uma tentação.
OSCAR WILDE
Nota: Podem colocar a escultura no hall de entrada que eu depois arranjo forma de lhe arranjar o local certo para ficar.:)
VOO VERTIGINOSO
E quando queremos voar
para muito longe, mas a nossa asa esquerda está presa nas mãos de alguém... Como é que se voa, com uma asa presa na mão de alguém?
E estes mundos mágicos que criamos serão sempre uma utopia? Estes pedaços desfeitos de nós não poderão unir-se? Teremos de ser sempre vasos
vazios? Não é possível voar com uma mão presa na tua? Como duas águias reais que entrelaçam as garras e descem em voo vertiginoso...
NO ESCAPE
E mais ninguém vai saber deste galope desenfreado que sentimos à
distância...
Não precisava de ti para sofrer mais um pouco mas tu seguraste-me pelas pontas dos dedos e já sinto formigueiro pelo corpo todo...
Já não é possível escapar!
Não precisava de ti para sofrer mais um pouco mas tu seguraste-me pelas pontas dos dedos e já sinto formigueiro pelo corpo todo...
Já não é possível escapar!
TARDE VERDE
Sabes que há tardes roxas e outras verdes e que esta, hoje, foi verde? Sabes que às vezes preciso de mar? E de amar? E de te amar? Sabes?
ESCRITORES
- "Podemos fazer uma simples divisão entre os escritores que encontram inspiração em si próprios e os que têm de inspirar-se em motivos externos. Há temperamentos reflexivos e temperamentos que reflectem o mundo. Há escritores como John Berger que têm o dom de reflectir. Como já alguém disse, pode ver-se o mundo sem se abandonar o próprio quarto. Isto é típico das pessoas com carácter reflexivo, que encontram inspiração em si próprias, no material que têm em si mesmas, que tem de ser estimulado, formulado, expresso. É um tipo de literatura. No meu caso, ao invés, reflicto o mundo: tenho de ir ao lugar para poder escrever. Se viver num único lugar morro, ao passo que John Berger cria." Ryszard Kapuscinski, em diálogo com John Berger ("Os Cínicos Não Servem Para Este Ofício", ed. Relógio d'Água)
8.27.2012
SURROUNDED BY WORDS
Tenho a cabeça cheia de palavras... Acordam-me a meio da noite, seguem-me e perseguem-me pelo dia.. Quero escrever... quero escrever sempre, contar-te do meu mundo e dizer-te que encho folhas e livros, esvaziando-me... Os poucos seres que amei, morreram ainda que possam estar vivos. A minha família é talvez uma aldeia, uma rua, uma casa... pouco mais. Restam-me as palavras. Restas-me tu...
Porque quando o amor se torna forte, a loucura é um risco menor.
8.18.2012
THE END OF THE LINE
É o fim da linha. Uma longa e interminável linha percorrida sempre com a garra dos caminhantes, a coragem dos aventureiros e a força de quem sabe que se está sempre e irremediavelmente só.
É o fim da linha. Uma linha feita de outras linhas, entrelaçadas, cosidas, bordadas a fios de seda ou de lã ou de nada...
É o fim da linha. Uma linha feita de dor. Uma caminhada pelo deserto com poucos momentos de água fresca...
É o fim da linha... desta linha. Do outro lado, na outra linha, sei que terás a tua recompensa.
8.17.2012
NUS E PARA SEMPRE
Basicamente, tudo se resume ao mesmo: às velhas expectativas que criamos. O que nós queremos e o que o outro quer e o que nós pensamos que o outro deve querer e o que o outro de facto quer e o que nós criamos na nossa mente como sendo o ideal e que o outro não vê como ideal...
Basicamente, hoje era um dia especial que não é especial coisa nenhuma senão dentro de uma cabeça cheia de sonhos e de ilusões e de imaginação...
Basicamente, tudo se resume ao mesmo: Nunca há amor como nos filmes... nus e para sempre.
MANTRAS
As pessoas insistem em repetir o mantra:
- Tens de ser forte... tens de ser forte...
Andam a espalhar a ideia de que precisamos de ser fortes nos momentos mais difíceis. Não estou certa de ser isto o melhor a fazer... ser forte.
Quando o meu mundo se desmorona e cai, não quero ser forte. Não quero armar-me em forte. Não quero fingir-me forte.
Quero simplesmente poder ser vulneável. Chorar à exaustão.
Deixem-me em paz.
Basicamente é isso que eu quero: que me deixem em paz, que me deixem chorar a minha dor e que não de dêem palmadinhas nas cosras repetindo o tal estúpido mantra... tens de ser forte... Porque eu hoje não sou forte...
8.07.2012
TOTAL AUSÊNCIA DE GRAVIDADE
Hoje acordei com a sensação de que poderia, com facilidade, largar a minha vida sem fazer barulho e meter-me noutra. Tudo no silêncio das seis horas da manhã e perante uma total ausência de gravidade.
8.06.2012
NÃO POSSO MORRER JÁ, DOUTOR
"Não posso morrer já, doutor. Ainda não. Tenho coisas para fazer. Depois terei toda a vida para morrer."
Carlos Ruís Zafón, O Jogo do AnjoI AM UP TO NO GOOD
"As coisas estavam melhores, pensei. Talvez por isso, porque parecia que ia finalmente sair do atoleiro, fiz o que fizera sempre que a minha vida encarreirou pelo bom caminho: deitar tudo a perder."
Carlos Ruís Zafón, O Jogo do Anjo
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