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6.12.2012

NISHA SHARMA


Tem apenas 22 anos e tornou-se a minha mais recente heroína. A poucas horas de se casar e, estando os convites para a boda há muito na mão dos convidados, Nisha decidiu cancelar o casamento. Tudo por causa do dote, um negócio oficialmente ilegal mas que continua a ser praticado em todos os estratos da sociedade indiana.Indiferente ao facto de provocar uma verdadeira revolução, quando soube que a família do noivo pediu, no próprio dia do casamento, a quantia de um milhão de rupias como dote, a noiva chamou a polícia e o noivo foi detido. 


Nisha transformou-se assim num ícone da Índia progressista e já há várias associações feministas a prestarem homenagem ao seu acto de coragem.

Gosto do país. Gosto dos cheiros. Gosto das gentes. Gosto das cores. Gosto da Índia em geral. Fui e vou voltar muito brevemente. Não gosto de ver as mulheres serem vendidas como gado, cada uma delas com o seu diferente preço.

COMO MANTER UM CERTO NÍVEL DE INSANIDADE



Manter a insanidade, NOS DIAS QUE CORREM, parece ser essencial à saúde mental. 
Assim, aqui vão algumas ideias:




1. No seu horário de almoço, sente-se no seu carro estacionado num local de passagem, e aponte um secador de cabelo aos carros que por si passem. Observe se eles diminuem a velocidade.

2. Sempre que alguém lhe pedir alguma coisa, pergunte se quer batatas fritas a acompanhar.


3. Sempre que alguém lhe disser algo, seja o que for, responda: "Isso é o que tu pensas!"


4. Termine todas as suas frases com: "de acordo com a profecia".


5. Ajuste o brilho do seu monitor ao ponto de iluminar toda a sua área de trabalho.


6. Não use pontuações.


7. Sempre que possível, pule em vez de andar.


8. Pergunte às pessoas de que sexo são. Ria histericamente depois delas responderem.


9. Cante na ópera.


10. Se for a um recital de poesia, pergunte por que razão os poemas não rimam.


11.Comece a imitar alguém que encontra diariamente na sua forma de vestir. Pode ser o seu chefe.


12. Quando levantar dinheiro no multibanco, grite.


13. Ponha um mosquiteiro em redor da sua secretária e um "CD" com sons da floresta a tocar.


14. Se tiver filhos, à hora do jantar diga: "Devido à situação económica, teremos de mandar um de vocês embora."


15. Sempre que lhe apitarem no trânsito sorria...

A MINHA ALMA



Não sei se alguma vez conheceste a minha alma. Mas sei que há muito tempo que não conversas com ela, não sabes o quanto ela mudou, o quanto ela está a pedir desesperadamente para 
que a oiças.

Ou já não. O prazo acabou. A minha alma já não precisa que a oiças. Porque agora encontrou maneira de se ouvir a si própria.

A ARTE DO DESPACHANÇO

A pedido de duas amigas em aflição, pensei no assunto e aqui vai a minha insignificante ajudinha. Perante a penúria chocante de informação sobre este tema, tive de pensar seriamente no assunto da arte de dar com os pés.

Primeira coisa importante a analisar: saber se chegou mesmo a hora de agir. Algumas dicas: sente tolerância zero aos vícios dele/dela? Até a forma como respira a/o irrita? Sonha em mudá-lo/la? É mulher e quando ele começa a falar de assuntos sérios consigo, só lhe ocorre pensar na cor do próximo verniz a usar? Detesta andar de mão dada com o dito/dita na rua? Deixou de cumprir os requisitos básicos de namorado/o? Se respondeu positivamente a um destes sinais, lamento informar que está na hora de iniciar o processo de despachanço.

Mas espere aí. Tente ainda estas técnicas s.o.s? Tentou, num dia feriado, uma perfeita novidade na sua relação, por exemplo uma conversa?
Ele/ela não apresenta sinais patológicos graves?
Fez uma estimativa da magnitude da devastação a infligir ao/à despachado/a  e não prevê consequências nefastas para si?
Começou a perceber que ele/ela se desculpa que não telefonou porque estava em Freixo de Espada à Cinta ou Cinfães e não havia rede? Coloque ainda mais estas duas questões basilares: 
(i) Fica nessa ou põe-se a andar? 
(ii) Está feliz ou tem instintos suicidas?
Respondeu às segundas hipóteses de ambas as questões? Ok... Então inicie já este importante ritual iniciático de dar com os pés. Essa pessoa não lhe interessa! E se é mulher, e desde pequena que lhe contam a história de que é melhor estar com um homem, qualquer homem, do que estar só, desengane-se. Mentiram-lhe! Se é homem e lhe disseram que só terá a sua dose diária de sexo numa relação estável, quem lhe vendeu esta também o enganou...

Vamos então às duas técnicas mais elementares e menos invasoras: 
(i) Desapareça! 
(ii) Tente impingi-lo/impingi-la a alguém em desespero.

Não resultou? Então vai ter de avançar. Seja forte. a melhor hora para um despachanço será sempre entre as sete e as oito de uma sexta-feira, as férias do verão ou o período natalício. 

E aqui, se a relação for à distância, atenção aos fusos horários!:)

FLUTUAMOS OU AFOGAMO-NOS


Diz o mito que quando os três irmãos Júpiter, Neptuno e Plutão derrubaram o pai, Saturno, dividiram o mundo em três partes. Júpiter ficou com os céus, Plutão os mundos subterrâneos e Neptuno os mares, com a forquilha e as rédeas do reino das águas. O seu mau feitio seria responsável por maremotos, tempestades, inundações, caos, confusões e tudo o que alastra sem controlo. Na bonança, Neptuno representa simboliza a sensibilidade artística, a compaixão, a espiritualidade. Não aceita convenções nem limites. É o sonho e o pesadelo. Flutuamos ou afogamo-nos.


Neptuno no signo do qual é regente, Peixes proporcionará a oportunidade para a descoberta de faculdades espirituais, para o desenvolvimento de formas elevadas de arte e grandes progressos nas curas. Todos os signos sentirão sintomas especiais, mas entre os 12 signos há 4 que passarão por novas experiências com mais intensidade: Peixes, Virgem, Gémeos e Sagitário. Sentirão particularmente a presença deste planeta nas suas vidas: um elo intuitivo com a mente inconsciente; a possibilidade de surgirem medos e problemas neuróticos originados pela captação das energias do inconsciente colectivo; um eventual aumento de fortes tendências místicas, independentemente da religião praticada; haverá a necessidade de privacidade e isolamento para a busca espiritual interior; podem surgir espontaneamente lembranças de encarnações anteriores e muita sabedoria espiritual trazida do passado. Estaremos perante um caso único desta humanidade: o planeta a ascender para a 5ª dimensão e, não por acaso, Neptuno a transitar por Peixes. Este será um contacto muito complexo. É o contacto do divino em nós. É claramente o trânsito que mais faz reflectir sobre a vida e a morte. É necessário aprender a pensar nestes assuntos com uma perspectiva filosófica e metafísica, sem medos. Enquanto solvente, Neptuno abala as raízes da própria personalidade, mas de uma forma muito subtil. Velhos conceitos e atitudes desvanecem-se lentamente, durante os mais de 3 anos do trânsito, e são substituídos por novos conceitos e atitudes.Vai desactivar as obrigações sociais desnecessárias; os anseios e objectivos profissionais são afectados de forma nebulosa; a vontade de viver é vaga e poeirenta; as pessoas com objectivos rígidos são as que sofrem mais; a carreira torna-se decepcionante; o trabalho que fazem parece-lhes completamente inútil; o ambiente onde trabalham parece-lhes decepcionante; sentem necessidade de envolvimento espiritual; estas buscas espirituais podem ser afectadas por conceitos de ateísmo ou por experiências de familiares com seitas ou religiões muito ortodoxas; as filosofias mais metafísicas ou místicas são excelentes para este trânsito.São mudanças subtis, em que os novos valores e atitudes só funcionam se forem universais. A evolução da alma e do espírito requer maior consciência. Perdemos a velha esperança, para criar uma nova, mais universal. Em suma, romper com o velho modelo e criar um novo.

6.11.2012

HÁ PESSOAS QUE SE FALAM SEM PALAVRAS


Fomo-nos cruzando por ali, quais passageiras em trânsito num aeroporto de portas entreabertas para o mundo. Não para o nosso mundo... para um outro mundo  no qual nem sempre nos integrámos.

Há pessoas que se falam sem palavras. Contigo sempre assim falei, em diálogos feitos de silêncios que me iam acompanhando dentro e, algumas vezes, fora dali.

Depois, partiste para o teu mundo. Não me precavi contra a tua ausência. Foi-me entregue o facto numa bandeja... 
- Ela já cá não está. - disseram-me.

Agora vamo-nos cruzando por aqui, neste outro mundo... embora pressinta que podíamos, se quiséssemos, encontrar-mo-nos  olhos nos olhos e sem pestanejar.

Tu és uma mulher que nos chega à alma. Obrigada por teres tocado a minha.

P.S. Pediste, aqui tens! :)

6.10.2012

QUANDO A MEMÓRIA SE ESVAI

Numa sala de seres adormecidos, há uma mulher desperta. Ansiosa... - dizem-me. Parece que pressentiu a sua vinda. Entro e sorrio-lhe. Aproximo-me e abraço-a. Ligam-nos laços fundos, de outras eras, de outras dimensões... Observa-me de olhar cúmplice! Reconheceu-me... Agarra-me o casaco e passa devagar os dedos pelo tecido.
- Não conhecia este... - diz-me. E continua a sua narrativa mental... Tens a chave? - pergunta. Vai já fechar a porta. Eles puseram o relógio de corda antigo no quintal. O relógio de corda que era do teu avô. Eu não quero o relógio no quintal.
Respondi que tinha a chave, que iria fechar a porta e que retiraria o relógio de corda do quintal. Tranquilizou-se. Eu não... Mal tive tempo de me preparar. De entrar no seu mundo, um outro mundo, um novo mundo...ou será este o mundo novo, aquele que nos espera a todos...

Respiro fundo. É preciso manter a calma. Mostrar a força. Manter o sorriso... Enquanto lhe dou o almoço, colher a colher, devagarinho, vou olhando em redor. A D. Emília já não sabe quem é, onde está, quem foi... Deram-lhe 3 comprimidos, ela colocou-os na mão e deitou-lhes um copo de água em cima. A D. Vitória vive no sofá ao lado. É nova ali. Veio substituir quem já partiu. Quis saber o seu nome. Ela respondeu-me apenas: - É a vida! Sim, pensei eu aterrada. É a vida!

A D. Luísa está lúcida mas não anda. Vive há décadas numa cadeira de rodas e tem o sorriso mais bonito que eu já vi. Enche-me de beijos e eu a ela sempre que nos vemos. Pergunta-me sempre: - Então veio ver a sua mãezinha?  Respondo-lhe que sim e ela continua sempre a sorrir... A D. Ana também está lúcida. Tem um problema que lhe dificulta o andar. Devora livros. Levo-lhe livros. Vê-me e diz-me: - Gosto tanto de a ver. E eu a si. - respondo-lhe, fazendo-lhe uma festa no rosto. Olha para as pernas paradas, olha para mim e atira:
- É andar enquanto há pernas, menina!
A D. Guadalupe chama pela filha o dia inteiro. Ouço uma funcionária dizer-lhe que a filha não está ali e que não pode chamar por ela... A D. Guadalupe faz que ouve e que percebe mas é mentira. Continua a chamar pela filha até ser noite... Sim. - pensei aterrada. É a vida.

Levanto-me e passo pela D. Francisca. Tem 80 anos e bate palmas o dia inteiro enquanto cantarola uma canção que só ela entende. Olha bem para dentro de mim e diz-me do nada: - Eu era muito bonita quando era nova. Respondo-lhe que ainda é e ela, feliz, continua a bater palmas...

É uma sala ampla e branca com várias janelas para a planície. A um canto,  de olhar meigo e impotente, senta-se ela. Pede-me ajuda com o olhar... Entro por ela pelos afetos que nos unem. Sei que esses estão intocáveis. Quero raptá-la e trazê-la comigo. Parece perceber. Olhou para os meus pés e, subitamente ouço:
- Estes sapatos são deste ano? Rejubilo de felicidade pelo momento de lucidez. Por pouco tempo... A chave, pergunta-me, a chave... já fechaste a porta?

Deixei a Casa de Repouso. Olhei de frente a planície. Já não olhei para o céu. Deixei que as lágrimas caíssem a rodos...  É a vida... É andar enquanto há pernas...

6.09.2012

CONFIRMAÇÕES

Hoje confirmei várias coisas de que andava há muito a desconfiar:

(i) há pessoas com fair-play;
(ii) há amores intermináveis;
(iii) há palavras que nos falam;
(iv) há cidades para se descobrir devagar;
(v) há amigos verdadeiros;
(vi) há vidas que começam tarde e...
(vii) há quem se esqueça de viver.

ESCREVO-TE EM VOZ BAIXA PARA NÃO TE ACORDAR

Hoje escrevo-te em voz baixa para não te acordar. Nestas noites de audácia, só as palavras me acompanham. Tu não. Não me precavi o suficiente contra isto... e pensava estar precavida. Fui sempre uma pessoa apressada... mal chegava e já estava de partida. Até hoje... Não me apetece apressar. Quase já não me apetece partir. Apenas esperar. Depus as máscaras e parei. Pus de lado a efabulação. Quero o real... este real onde tu existes. E faço o melhor que posso para não me perder nesta saudade. Ou nos silêncios.

Invejo-te. És mais livre do que eu. Mas a gente habitua-se a tudo... Até a viver neste trapézio a fazer furos na rotina e de onde sei de antemão que cairei.

KITSCH



Kitsch is a form of art that is considered an inferior, tasteless copy of an extant style of art or a worthless imitation of art of recognized value. The concept is associated with the deliberate use of elements that may be thought of as cultural icons while making cheap mass-produced objects that are unoriginal. Kitsch also refers to the types of art that are aesthetically deficient (whether or not being sentimental, glamorous, theatrical, or creative) and that make creative gestures which merely imitate the superficial appearances of art through repeated conventions and formulae. Excessive sentimentality often is associated with the term.

Hoje foi um dia estranho. Ou eu estive mais sensível ao exterior, ou o kitsch está a aumentar exponencialmente e eu não tinha dado conta. E é perigoso! :) Entrava eu na segunda circular quando me deparo com um Mercedes mesmo à minha frente. Olhei e vi-as. Esfreguei os olhos e voltei a olhar. Podia ter sido uma visão. Mas não era. Ali estavam cinco almofadinhas de tricot impecavelmente alinhadas contra o vidro traseiro do carro...

Um dia perguntaste-me o que era o Kitsch, lembras-te? Para alguns é considerado uma forma de arte... inferior, é certo! Dada ao ridículo para alguns e à beleza para outros... O kitsch são os cãezinhos de louça no móvel da sala, ou os outros, os de cabeça a abanar pendurados no espelho retrovisor; o kitsch são as nossas senhoras de Fátima de plástico na mesa de cabeceira... por cima de um naperon de renda branca... O kitsch são os pais natais do chinês e os lacinhos e as fitinhas que os enfeitam.. o kitsch são os galozinhos de Barcelos ou as torres Eiffell a fazer de porta-chaves...

Mas o kitsch é sobretudo uma manifestação de gosto! Duvidoso para uns e de excelência para outros...

That's the world we live in...

6.08.2012

HOW MUCH WE WOULD BE WORTH?

THE REAL MEASURE OF OUR WEALTH IS HOW MUCH WE WOULD BE WORTH IF WE LOST ALL OUR MONEY...

AVANÇAR EM LINHA RETA

Já não consegue avançar em linha reta. Desviou-se do trilho e perdeu-se nos caminhos, nas veredas... Já lhe é difícil vir a direito para casa... Distrai-se no teu rosto. Perde-se nas tuas mãos. Afunda-se no teu sorriso. Dilui-se na tua voz. Tudo o que é importante, ou parecia importante, ou era importante, desfez-se em pó. Tudo se desmoronou quando te foste. 

Tenta convencer-se de que vai conseguir... que a estrada, longa e sinuosa a levará a ti. Mas depois vem-lhe a verdade das noites... destas noites em que o sono se vai e a saudade fica. E apetece-lhe gritar a verdade. essa, que permanece sempre... mesmo após o mundo se desmoronar e dissolver... Está numa cruzada... em peregrinação... até ao dia em que conseguir voltar a encontrar aquele pedaço de si que lhe roubaste. 

Ficou parada... acabou-se a gasolina no meio do deserto... Sem bússola, desconhece o caminho de regresso a ti.

YESBUTTERS OR WHYNOTTERS...

Tim Soloman, CEO da Ogilvy Portugal, discursou e foi talvez o seu, o melhor momento da noite. Não que tenha dito coisas novas... Apenas porque me pôs a pensar sobre as coisas velhas que todos nós já sabemos e, sobretudo, sobre essa necessidade premente e crescente de sermos, dia a dia, nos nossos trabalhos e nas nossas vidas, o mais criativos possível. 

A propósito da criatividade, das novas ideias, dos desafios, do derrubar barreiras e expormo-nos perante o novo, diz Soloman que as pessoas se dividem em dois grupos: Os "Yes, butters"... e os "why notters". Gostei! E vim para a casa a pensar sobre o assunto... 

De facto, ele tem razão... Há as pessoas que, perante uma nova ideia, dizem Sim, logo seguido de um mas... São os convencinais, os castradores, os que matam ideias, projetos, empresas, países... E há os outros... Os que, sem medo, se atiram para as coisas e fazem o mundo avançar. 

Quero convencer-me de que após ter já dito muitos Sim, mas..., faço finalmente parte do segundo grupo.

QUATRO LEIS

Na Índia um velho de barbas brancas explicou-me quais são as 4 leis da espiritualidade. Ouvi-o devagarinho e nunca mais as esqueci:


PRIMEIRA LEI  - A pessoa que chega é a pessoa certa.
                 Nada ocorre por acaso; quem surge nas nossas vidas, surge por uma razão... para que possamos aprender algo que faz falta ao nosso percurso na terra.


SEGUNDA LEI - O que aconteceu é a única coisa que tinha que podia ter acontecido. E não estava previsto que fosse de outra maneira. Tinha de ser assim.


TERCEIRA LEI - Qualquer momento em que algo se inicia é o momento certo. Nem antes nem depois. Era ali!


QUARTA LEI - Quando algo termina, termina. O que acabou, aconteceu para a nossa evolução. A seguir é necessário o desapego e seguir em diante, mais ricos... 

6.07.2012

EU NÃO QUERO QUE ME MORRA A FANTASIA

Eu não quero que me morra a fantasia. Nem sequer quero saber mais ou falar melhor. Quero apenas saber  o número exato da porta que me leva a outras dimensões... A TI... É mais uma sede de alma que me assalta... Essa sede que surge sempre que este sopro quente passa pela minha face e  se detem no meu ombro. Sim, esse sopro detem-se aqui e só percebendo-o, consigo perceber o mundo. Comecei cedo a descoberta do invisível... Existe. Existe mesmo o infinito. 

Por isso, procuro-te. Entro em ti pelas palavras que trocamos, pelos sorrisos que partilhamos. Revelamo-nos, todos os dias, e quero que conheças de mim a minha alma. Sim, nua de alma estarei quando vieres, após tantos dias em que nos partilharemos. Não quero depender de um ecrã para viver... sabes disso... Quero, sim, evitar que os oceanos transbordem... e sei que transbordarão se entre nós aumentar este fascínio... Mas a vida não é psiquiatrizável e para evitar o caos, esta noite fui contigo devagar, à maneira mineira, que as avalanches foram muitas nos dias que cá estiveste...quando o que eu queria era ter sido um tsunami na tua noite a sul...

CONTOS DE FADAS PARA MULHERES DO SÉC.XXI

Era uma vez, numa terra muito distante... uma princesa linda, independente e cheia de auto-estima. Ora, andava ela a pavonear-se pelo reino, quando se deparou com uma rã enquanto contemplava a natureza e pensava em como o maravilhoso lago do seu castelo estava de acordo com as conformidades ecológicas.
Então a rã pulou para o seu colo e disse: " - Linda princesa, eu já fui um príncipe muito bonito. Uma bruxa má lançou-me um encanto e eu transformei-me nesta rã asquerosa. Um beijo teu, no entanto, há-de transformar-me de novo num belo príncipe e poderemos casar e constituir um lar feliz no teu lindo castelo. A tua mãe poderia vir morar connosco e tu poderias preparar o meu jantar, lavar as minhas roupas, criar os nossos filhos e seríamos felizes para sempre. 
Naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã à sautée, acompanhadas de um cremoso molho acebolado e de um finíssimo vinho branco, a princesa sorria, pensando consigo mesma:
                                - Nem morta!



DEMASIADO ÓBVIO

Uma amiga hoje disse-me isto: 
- Viver com ele é como viver com um amigo. E esta não é nem nunca foi a minha ideia de casamento... Nem de trabalho de equipa. Não é sequer a minha ideia de partilha. Se fôssemos amigos a partilhar um apartamento, seria perfeito e estaríamos a viver no melhor dos mundos. Mas ele é meu marido... 


E, no fim perguntou-me: 
- O que faço? 


EU NÃO CONSEGUI RESPONDER-LHE. PARECEU-ME DEMASIADO ÓBVIO...

ALTERNATIVA AOS LIVROS DE AUTO-AJUDA



lHOJE PEDIRAM-ME PARA ESCREVER SOBRE AUTO-AJUDA... COMO NÃO TENHO NADA PARA DIZER SOBRE O TEMA, AQUI VAI UM CHORRILHO DE NONSENSES, ADEQUADO AO ESTÚPIDO PEDIDO E AO TEMA:



1. Perca a esperança
2. Desista (ser perseverante é uma grande estupidez)
3. Tenha pensamentos negativos
4. Contente-se com o último lugar
5. Seja pessimista
6. Você não é uma vítima: a vida é que é mesmo assim... uma grande merda
7. Não tente descobrir o seu poder pessoal porque você não tem nenhum
8. Culpe os outros como deve ser
9. Não acarinhe a sua criança interior... mande-a antes dar uma volta
10. Evite os grupos de apoio que não incluam uma garrafa (ou várias) de Ermelinda Freitas tinto
11. Deixe de ser assertivo: cale-se
12.Assuma: a sua família ( e as famílias em geral...) não batem bem da bola
13.Negue a sua dependência: você não é viciada em chocolate; você devora-o porque sabe bem comó caraças
14.Não procure o Homem ou a Mulher ideiais... eles simplesmente não existem
15. Se acha que se apaixonou, cure-se
16. E SEMPRE QUE TIVER FOME, COMA MELANCIA...

6.06.2012

A PROFISSÃO MAIS ANTIGA DO MUNDO

- Stora, podemos estudar pó teste de Matemática? - pergunta um miúdo de 13 anos, olhar suplicante, meio aflito, hoje às 8h da manhã...
- Podem! - respondo de imediato. E agradeci. Bendito teste de matemática que me vai permitir estar calada por uma hora inteira e poder, assim, acordar devagarinho, mesmo que rodeada por 25 seres de voz estridente e com as energias aos saltos. Tão diferentes das minhas...
Hoje, a minha energia reduz-se a conseguir mover-me... Pouco mais... Sinto-me como se tivesse sido engolida e vomitada... Como se o mundo pudesse terminar daqui a pouco que eu sairia de mansinho, quase como a Frida Kahlo... e sem incomodar ninguém... Como se fosse o dia seguinte de uma grande bebedeira, de uma trip de qualquer substância ilícita, de um maremoto ou terramoto. A verdade é simples: estou de ressaca. Uma ressaca profunda que me despe e deixa nua perante os meus clientes assíduos: os meus alunos.
Por isso, hoje não consegui disfarçar quando um aluno me atira com:
- A stora hoje está triste... - e segue, dizendo: - É porque não há sol e e a stora gosta de sol... Mantive-me calada, porque nos momentos em que tudo parece desabar, o melhor é ficarmos calados e sentados e imóveis... Porém, o raio do aluno continuou a olhar para mim e disse em voz alta, calando todos os outros:
- Se a stora quiser, eu desenho-lhe um sol...


Foi o fim. Desisti, ali mesmo, de me manter forte no desempenho desta profissão, das mais antigas do mundo certamente...

6.04.2012

ESTE VERÃO

Era num fim de tarde e ela estava sentada a uma mesa da esplanada. Olhava o mar. De frente. O mar, pelo menos aquele, ficava em frente. Estava queimada pelo sol e lia um livro qualquer sempre na mesma página.
De vez em quando, olhava de novo para o mar. Depois, fitava o relógio e novamente o mar. E ficava assim, sem se mover. Alheada. Como se do mar, ele surgisse para sempre...

NÃO ME DÁ JEITO NENHUM

Diz o MEC (in Jornal Expresso) : "Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama...."

Pois discordo, caro Miguel. Apaixonar-mo-nos é tudo menos prático e não dá jeito nenhum. É um abalo na rotina, sim senhor, mas as dores de estômago, a ansiedade que se acumula no peito, a sensação de não sabermos qual é a próxima paragem, o medo que se apodera de nós, o total caos que se instala em tudo aquilo em que tocamos, a perda de apetite, o indescritível deixar andar  as coisas mais comezinhas, o estupidamente querermos estar na presença permanente do outro... não, caro Miguel, não é nada prático e não dá jeito absolutamente nenhum.


Se pretendes, como dizes,  fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, fala-nos da sensação de incompletude, da vontade de quebrar regras... e fala-nos dos riscos... esses que se correm quando aceitamos que alguém entre no nosso mundo e fique  por ali... mesmo quando já partiu.  Não, Miguel, o amor não passou a ser passível de ser combinado;  e a paixão desmedida, quando é forte e vem de repente como o vento do Sul,  é mesmo desmedida...

Não, Miguel, os amantes são capazes de  gestos largos, de correr  riscos, de rasgos de ousadia. Não, Miguel, o amor não é uma coisa e a vida  outra. O amor não é sopas e descanso, Miguel. O amor é uma maluquice, uma grande maluquice, tal e qual a própria vida. Essa mesma que desata a correr atrás do que não sabe, não apanha, não compreende... Mas tal como na vida, na paixão também continuamos a correr... na esperança de que desta vez possamos sair na estação certa...

Sim, Miguel, num momento, num olhar, o coração apanha-nos para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. E tens razão, aqui tens toda a razão: "O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem..."

5.30.2012

ESCOLAS VOLUNTÁRIAS

Ela acorda e, sonâmbula, dirige-se à escola onde a esperam dezenas de rostos. Estaciona o carro perto da entrada. Ainda tem uns minutos. Ainda pode respirar. Olha em redor. Duas colegas corrigem testes nos carros. Ainda nem 8h da manhã são... Entra. Dirige-se à sala dos Profs... Vários, muitos, estão agarrados à máquina de café. Cafeína precisa-se para ultrapassar o dia. Mais um dia. Não feito no conforto de uma secretária... mas na luta permanente de uma sala de aula. Aguarda na fila. Cafeína! Precisa de cafeína, pensa. E segue para a outra sala onde vários profs discutem os processos disciplinares da semana. Desta vez, nada de facas diretamente dirigidas aos colegas. Desta vez, foi soft! Apenas cortaram os fios elétricos das salas com uma faca... Quantos dias de suspensão terão, pensa enquanto esconde os óculos escuros e mostra o sorriso ... Nas notícias ouviu que o Nuno Crato saiu do gabinete e foi a uma escola. Show Off! É disto que a educação é feita. Querem atribuir às escolas uma espécie de certificação: "Escolas Voluntárias" - pensa. Todos! Somos todos voluntários! Professores que se arrastam desde setembro a tentar salvar o que a família e as políticas educativas destruíram. Nesta quarta feira que se apresenta longa, salvou-a o Portugalex que anuncia objetos de "Nando Pessoa" à venda na feira do relógio...

5.29.2012

AGARRO A FESTA

Gosto de palavras... certas... incertas... sussurradas, escritas em voz baixa, partilhadas com cúmplice olhar... palavras rodopiantes nas quais me revejo.

Hoje agarro a festa... agarro-a como puder mas agarro-a... Sem embaraços, sem medos... aqueles medos que me tolhem os movimentos e me paralisam se eu quiser. Mas eu não quero...
Quero viver sem os receios que tolhem os movimentos...
E a alma...
Ponho de lado a dúvida ou o seu plural... Abandono-a(s)!
E agarro a festa que és tu!
Sem excepções, assaltos,angústias ou dúvidas...
Agarro-a! Que a festa pode acabar antes de tempo... do seu tempo, do nosso tempo...
Celebro a incerteza, essa amante eterna, inquieta...
Celebro, apenas! E celebro-te!
Sem medo... com empenho e sem cíume... Desarranjo esta ordem definida por quem não sabe definir.... sem medos! Percorrendo, sempre, o trilho ou a sua ausência... Agarro-a... à festa..

Sim. Há palavras incertas... escritas em voz baixa...
E há palavras exorcistas...
Elas...o meu escudo, o meu véu...
Elas, são elas que me protegerão no labirinto do malogro, se o houver...
Esse labirinto contra o qual ninguém se previne o suficiente...

P:S. Hoje, agora, espalham-se os  pensamentos em todas as direcções... mas não pedirei que me internem para já! :)

CURIOSO COMO A GENTE SE HABITUA...


Não consigo ficar quieta...Terrível, terrível e perigoso quando escrevo poesia... logo eu que não escrevo poesia.
Curioso como a gente se habitua...ao perigo. Como que a fazer furos na rotina...

Agarremos a festa, sim... estimulante e sem desperdícios que aqui e agora a festa somos nós...
Essa festa, onde nos olhamos com cúmplice olhar...
Um olhar de palavras nuas, cegas, loucas...
Indagando, em todas as frases, o estado das raízes...
Um olhar... esse olhar atravessado pela ausência...
Alugado à pressa num fim de festa...

Ou aquele olhar, outro olhar...o olhar que penetra audacioso...
Ou o outro, o olhar que rodopia, incessante, louco, qual dervichee... sagaz... a querer transpor a vida para ficar do outro lado... detrás da cortina... a olhar-te através do véu... do meu véu... transparente... frágil...

Há olhares assim... olhares que ditam os poemas aos poetas...

PARA QUE HAVIA EU DE QUERER UM SONHO?


Mas para que havia eu de querer um sonho que não fosse para o partilhar, andando?

TRAPACEAR A ROTINA


Contigo, fiz rodopiar a rotina
Hoje que já não é de hoje, hoje... o  que sobra de ontem para um antecipado amanhã esmerilado hoje.
E gosto...
De rodopios à rotina...
De a trapacear... essa rotina veloz, mortal, letal que nos corroi devagar...
E gosto... de quem assume essa trapaça...

Gosto de me gostar rodopiante... imparavelmente senil... onde me sinto acordada, trapaceira dessa rotina interrompida por palavras, cheiros e toques... o teu toque... as tuas mãos
Rodopiantes... senis, cheias de alma porque... precocemente amassadas nas noites destes dias...

Gosto deste rodopio...louco...
Louca, eu... loucos nós... partilheiros no deserto ilimitado...neste deserto dos dias que passam velozes, loucos, incessantes...de pensamentos, de sonhos... de medos...

Onde te encontro, diz-me, quando o pássaro voar... e quando a dúvida me assolar e seguir por onde serpenteia a alma, a minha, essa vigilante do peito, livre, livre...

Sou colecionadora de sonhos... que só os posso colecionar para poder vivê-los...Que me importa a vida, agora que te descobri, se não quebrada pela insensatez da fuga?

E o tempo que não temos, este tempo que não temos, amor, persegue-nos... vem rodopiante por essa estrada de véus...
O tempo sabe, ele sabe que a viagem nos espera...

Apenas uma precoce senilidade nos poderia ter levado a tais paragens.
Os derviches, os tais derviches de que falámos uma noite...estão cá dentro desde então. Dentro de mim e de ti...





5.24.2012

AJUDE-ME, STORA... O QUE É QUE EU FAÇO?

Hoje, como todos os dias, aconteceu-me mais uma aventura. E só ainda são 10h da manhã. A minha vida parece ser pautada pelos momentos desconcertantes e, nestes momentos, viro-me indubitavelmente para a escrita, único local do mundo onde me sinto segura. Escrever não me custa. Escrevo como respiro: com a mesma naturalidade. Mas é também perante momentos de desconcerto que as conversas interiores nos surgem mais amiúde. A mim, estes diálogos, monólogos e solilóquios tendem a aparecer-me em forma de tsunami e, sabemo-lo, estes levam tudo pela frente.
Hoje, especialmente hoje em que não me sinto apta a ajudar ninguém, surge-me uma adolescente a pedir-me S.O.S. Apaixonou-se pelo J., da turma ao lado. Quem não sabe o que é a paixão de uma adolescente, é melhor ir informar-se. Eu tenho 26 adolescentes à minha frente e conheço os sintomas. Habitualmente, desconcerto-os quando me pedem ideias, conselhos e ajudas... Ficam deliciados com as minhas abordagens geralmente pouco habituais sobre o tema... Mas hoje, hoje não... Hoje não estou capaz de falar disto. Por mais técnicas que eu conheça para disfarçar emoções, hoje iria falhar... Hoje iriam perceber que, como ela, que me pede ajuda, também eu teria de lançar um s.o.s.: Ajudem-me...o que é que eu faço?

O SAPO

De acordo com um autor cujo nome não me ocorre agora pois mal consigo pensar, cada um de nós deveria engolir um sapo todas as manhãs para ter a certeza de que durante o resto do dia não terá de se haver com outras coisas mais repugnantes...

5.23.2012

LIVING ON THE EDGE


I often think we all have a task in life: to decide what to keep and what to unload...
That's what the main characters of Kafka on the Shore do: to stop or make the mechanism buried inside themselves work. One way or another, they / we all have an omen inside. And the most important thing in life seems to be comfortable with who we are.
Kafka Tamura and Nakata come across chance encounters and these are what keeps us going, after all. We are all coming from somewhere, heading somewhere else,and during this trip we have to find out which path to follow and once we've decided, let us just go all the way through it, no matter how.
Kafka Tamura is totally alone like a solitary explorer who's lost his compass and his map. But aren't we all alone, after all?
Nakata, the old character, the strange and weird one, the not-so-dumb-after-all, is able to talk to cats.There are all sorts of cats, just as there are all sorts of people, he tells us. His problem? His quest? He's in search of the other hald of his shadow. It seems he's half of what he should be. Anyway, he turns up to the be most complete of all, the only one who felt safe inside the container that was him. After killing Johnie Walker, he stopped being able to talk to cats just because there's a time, in our lives, when we have to make options and decide.
Hoshino, the trunk driver who turns out to be Nakata's fellow, is by far one of the deepest. He acceps Nakata's weirdness as natural, telling us: I happen to like the strange ones. People who look normal and live a normal life - they're the ones you have to watch out for. No studies, no culture, no good talk... however the one who knows the world changes every minute, things change every day: With each new dawn it's not the same world as the day before. And you'e not the same person you were, either.
Oshima, the librarian boy, for example, is the paragon of virtue and the one who has experienced all sorts of discrimination for being a woman in a man's body. He asks himself: What the hell am I, anyway? Really, what am I? As a matter of fact, we feel the urge to tell him just what Kafka told him: I don't care what you are. Whatever you are, I like you. We identify ourselves with Oshima because, just like him what disgusts us even more are people who have no imagination.
Kafka Tamursa is searching for his other half and follows the most difficult path: the unknown. He accepts the extraordinary as common stuff, as if to tell us that there's no such things as absolutes.
All the characters are lonely, showing that solitude comes in different varieties. Silence is something they / we all can hear. And sometimes our dreams are what keep us going. It's all in our imagination: in dreams begin responsibility. They are all in a quest for internal peace but whatever it is you're seeking won't come in the form you're expecting. That's truth for Kafka Tamura. That's true for Oshima. That's true for Sakura. That's true for Miss Saeki. That's true for Nakata and that's also true for Hoshino.
All in all, in everybody's life there's a point of no return. And in a  few cases, a point where you can't go forward any more. It happens when Kafka entered the woods. He had to keep on going. And he also had to return because there was no other road to follow.
A book about people's lives and quests and miseries and karmas. Sometimes, we are just like Kafka Tamura, not knowing what to do anymore, which direction to face. We all swing like a pendulum, we are all fluid and in transition and we are all building fences for protection. We learn that sometimes we must close the entrance stone to keep on moving. But no character in this book is a bad one. They all show any kind of virtue: It seems people are drawn deeper into tragedy not by their defects but by their virtues. A book about life and death, showing us that even alive, we can all become ghosts. One way or another, when these times come,  the best to do is just listening to the wind. Other times, the best thing to do is never ever looking back.
We are all just like Kafka Tamura, taking journeys inside ourselves  lonely voyagers standing on the deck. It's hard to tell the difference between the grey sea and the horizon. It's hard to tell the difference between sea and sky. Between voyager and sea. Between reality and the workings of the heart. (p. 28)
As Goethe said: Everything is a metaphor.

Much obliged, Mr. Haruki Marukami.

QUEM VIU GOA TAMBÉM PRECISA DE VER LISBOA


Hoje a linha do Oriente termina no Parque das Nações mas tempos houve em que terminava em Goa.

Visitei Pangin pela primeira vez casualmente. Deambulava por Zurique ao entardecer quando duma montra saiu um grito irrecusável: Índia. Fui. Desde a Volta ao Mundo N.º29 que tinha vontade de fazer uma ronda pelos despojos do nosso império. Escolhi Goa primeiro pelo exotismo, depois por querer revisitar os lugares da nossa história ou os destroços que dela restavam. Pude confirmar que o misticismo da Velha Goa ainda paira no ar mas deixei essa quase cidade fantasma com um nó nacionalista no peito a recordar-me as profecias do poeta: 

"Cumpriu-se o mar e o Império se desfez / Senhor, falta cumprir-se Portugal".

Mas Goa tem muito mais para oferecer do que os monumentos de outrora. Outros viajantes me tinham contado das praias de Goa de onde se avistava o paraíso; das ruas com cheiro a sândalo e jasmim; e da célebre "feni", cerveja goesa saboreada numa esplanada ao sol do mar arábico. De todos os locais prazenteiros que circundam Pangin, Calangute e Palolem foram os meus eleitos. Por menos de 400 rupias por noite, Palolem ofereceu-me um bungalow feito de cordas entrançadas na madeira que tocava corajosamente o mar. Fiz dele o meu Forte da Aguada Beach Resort e foi ali que todas as noites ao adormecer já te ouvia o sussurrar-me segredos ao ouvido... Ao que eu te respondia sempre: 
- Habibi, quem viu Goa, também precisa de ver Lisboa. :)

O PIONÉS

Aulas das 8:15. Turma de putos. Teste de Matemática na aula seguinte. Um dos mais pequenitos da turma que ainda praticamente brinca com carrinhos, decidiu colocar um pionés na cadeira da prof que ele odeia na esperança de que, durante o  teste, ela se pique. Ok! So far so good! :)
Contrariando o que me é habitual, sentei-me um pouco... Apercebi-me de que estava um pionés na cadeira e, escondendo o riso, agarrei no dito e fiz de conta que nada se passava. Quando todos estavam à espera que começasse a aula, perguntei, com toda a assertividade possível, quem tinha colocado ali o pionés, propondo a seguinte negociação:
1. Quem o colocou, acusar-se-ia, sendo picado por mim com o dito e ficaríamos amigos como dantes;
2. Quem o colocou não se acusaria e toda a turma seria alvo de uma participação à diretora de turma.
Assunto resolvido: todos apontaram o dedo para o G., o tal puto pequenito de ar reguila e simpático que se senta mesmo ali à minha frente. Este levanta-se de imediato, dirige-se a mim e diz-me:
- Fui eu, stora. Mas não era para si. Era para a stora de Matemática. Pode picar-me...
- Ok, vamos lá então decidir onde vais ser picado com o pionés... - silêncio total na aula... e continuei com uma terrível vontade de rir, embora tentando manter a formalidade que o assunto exigia:
-  mas primeiro tens de me dar um abraço e prometer que não voltas a fazer isso aos profs de quem não gostas. Prometes?
E o G. abraçou-me e pediu desculpa.

5.22.2012

IMPERDÍVEL: O JORNAL DAS MOÇAS


Algumas frases que foram encontradas em revistas femininas da década de 50 e 60 ...
1. Não se deve irritar o homem com ciúmes e dúvidas. (Jornal das Moças, 1957)

2. Se desconfiar da infidelidade do marido, a esposa deve redobrar o seu carinho e provas de afecto. (Revista Claudia, 1962)

3. A desordem na casa de banho desperta no marido a vontade de ir tomar banho fora de casa. (Jornal das Moças, 1945)

4. A mulher deve fazer o marido descansar nas horas vagas, nada de incomodá-lo com serviços domésticos. (Jornal das Moças, 1959)

5. A esposa deve vestir-se depois de casada com a mesma elegância de solteira, pois é preciso lembrar-se de que a caça já foi feita, mas é preciso mantê-la bem presa. (Jornal das Moças, 1955)

6. Se o seu marido fuma, não discuta pelo facto de caírem cinzas no tapete. Tenha cinzeiros espalhados por toda casa. (Jornal das Moças, 1957)

7. A mulher deve estar ciente que dificilmente um homem pode perdoar uma mulher por não ter resistido às experiências pré-nupciais, mostrando que era perfeita e única, exactamente como ele a idealizara. (Revista Claudia, 1962)

8. Mesmo que um homem consiga divertir-se com sua namorada ou noiva, na verdade ele não irá gostar de ver que ela cedeu. (Revista Querida, 1954)

9. É fundamental manter sempre a aparência impecável diante do marido. (Jornal da 
Moças, 1957)

10.O lugar de mulher é no lar, o trabalho fora de casa masculiniza. (Revista Querida, 1955)