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7.22.2012

OS TIPOS DE AMOR

Andei a reler o Sternberg. Agora veio-se com esta... dos tipos de amor. 
Diz ele que, pegando nos três componentes essenciais de uma relação, a saber, PAIXÃO (P), INTIMIDADE (I) e COMPROMISSO (C), podemos ter diferentes tipos e géneros de amor, caracterizando-se cada um deles pelo quantidade ou ausência das componentes atrás referidas. 
Passo a enumerá-los, então:
PAIXONETA = +P -I -C
AMOR ROMÂNTICO = +P +I -C
AMIZADE = +I -P -C
AMOR COMPANHEIRO = +C +I -P
AMOR VAZIO = +C -P -I
AMOR FÁTUO = +P +I -C
AMOR TOTAL = +P +I +C
NÃO AMOR = -P -I -C

Pronto, agora resta perceber qual o seu tipo de amor... e se não percebeu nada, por favor faça de conta!



7.21.2012

PROGRAMAÇÃO


O que sinto neste instante, é a falta do sabor inédito do teu beijo.
O que tenho? Um novo número de telefone, uma cor de olhos que não sei definir com precisão.
Um corpo que se encaixa no meu e... 
Um ser que me mantém fascinada... TU!
Jogas perigosamente com a irrealidade, sentes atração pelos seus instrumentos de fuga e não pretendes mudar. 
Tens o desplante de não concordar comigo com a autoridade de quem não concorda com ninguém e de me chamares coisas que eu não sou... 
O que é suficiente para eu querer odiar-te e, ao mesmo tempo, não conseguir pensar em viver longe de ti...Logo eu que já tinha desistido de me programar para qualquer tipo de eternidade. 

7.20.2012

ENGENHARIA PESSOAL

Após um ano em que quase tudo o que não era suposto ter acontecido aconteceu, entrei em fase de balanço... e de rescaldo. De facto, o meu ano começa em setembro, nunca em janeiro... e o fim de julho marca o quase início de nova viagem.
Assim, após uma espécie de engenharia pessoal continuada, por me saber imperfeita, por me saber periclitante, por me saber carente, procuro alguma paz...

7.12.2012

PALHAÇO 1 & PALHAÇO 2

Tenho andado a conter-me. Quando foi do palhaço 1 (Sócrates + licenciatura ao domingo + caso freeport + etc e tal e coiso), perdi a fé nos políticos e, pior, nos portugueses em geral que continuaram impávidos e serenos como se nada fosse. 
Agora surge outro. O palhaço 2 (Relvas). Envergonha o país. Envergonha-nos a todos. E nós, limitamo-nos a sorrir de sarcasmo.
Chega de palhaçada. Já não bastam as licenciaturas de Bolonha que em 3 anos nunca darão  o que as de 5 deram mas valem o mesmo. Já não bastam os doutoramentos express... Agora, percebe quem quer perceber, que este país está cheio de falcatruas culturais (nem falo nas outras) e quantos doutores não haverá por aí ao desbarato com cursos não pós-Bolonha mas pós-Palermo, leia-se, à Relvas...
O mínimo que este senhor devia fazer era demitir-se. Mas o mínimo que nós, portugueses, pelo menos os que fizeram licenciaturas de 4 anos, pós-graduações de 2 e mestrados de 3, devemos fazer é demiti-lo. 
E JÁ!

PONTO G

Eu gosto de palavras e de ideias. O meu ponto G está nos ouvidos. Acho que não vale a pena tentar encontrá-lo noutro lugar... 

MULHER

Gosto de ser mulher. Gosto especialmente de tudo o que ser mulher implica. Gosto de me emocionar com pequenos nadas e gosto, gosto muito, de não resistir a tentações, essas tentações em forma de vestidos e carteiras e sapatos e relógios e pulseiras e anéis, desses que ficam mesmo quando os dedos se vão... 

LIÇÃO DE VIDA


São miúdos. Têm 13 e 14 anos. Ele, mais calado. Sensível. Com apenas 5 ou 6 anos sentou-se na minha varanda, olhou-me e disse-me: - Está-se muito bem aqui, madrinha. Percebi, ali, que se tratava de um ser especial. Uma sensibilidade acima da média. Alguém que veio ao mundo para o saborear. Ela, cerca de catorze meses mais nova. Nariz empinado. Sensível. Meiga. Comunicativa. Expressiva. Fala pelos cotovelos. Os dois, formam um par imbatível. Não imagino um sem o outro, a crescerem lado a lado. Cúmplices. Confessam um ao outro as suas descobertas.
São meus afilhados. Porque a mãe insistiu. E para tal tive de andar às turras com o tal do padre Nuno.
Hoje encontrámo-nos. Ementa: gelado Hagen Dazz. Conversámos sobre escola, férias, música e namorados. Mais tarde, juntou-se a nós o irmão mais velho. Um jovem responsável e muito meigo por quem nutro um carinho especial.
Vi-os espontaneamente dividirem com ele parte do que eu lhes tinha dado para comprarem um presente de aniversário... Fiquei sem palavras!
Que lição de vida!

JÁ ME CHEGAVA

Já me chegava de exames, testes, termos, pautas, atas, planos, relatórios, reuniões, avaliações e revaliações por este ano...

A CABANA NA LUA

Os homens não sabem. Ou melhor, alguns homens não sabem. Ou melhor ainda, a maioria dos homens não sabe... que existe uma íntima relação entre a psique das mulheres e o seu funcionamento ovárico. Não sabem que o nosso ciclo mentrual começa com um estado de espírito de primavera, de desinibição e optimismo e até, mais ou menos à fase de ovulação, estamos receptivas, mais abertas aos outros. Depois, entramos no outono do nosso ciclo em que ficamos introspetivas e mais tendentes à reflexão. 
E muitas de nós, quase todas, procuramos voltar a casa, à nossa cabana na Lua.

BLOOD TYPE

Não vale a pena ir por outro caminho que não este. Mesmo quando tudo parece desmoronar à minha volta, mantenho-me firme! 
Porque, haja o que houver, venha o que vier, haverá sempre serra de Sintra, barcos no Tejo e noites de luar! 
BE POSITIVE!

O CARDUME


Há algum tempo atrás, quando ainda valia a pena, recordo-me de ter acordado, olhado em redor e ter percebido que a casa onde vivia precisava de uma volta. Assim, saltei da cama, tirei os lençóis, coloquei lavados. Sacudi tapetes. Aspirei. Lavei o chão do quarto. Limpei WCs. Esfreguei a banheira. Pus roupa na máquina. Sequei a roupa que lá estava. Aspirei o hall. Sacudi mais tapetes. Limpei a varanda. Tratei dos gatos. Arrumei armários da despensa. Reciclei lixos. Recolhi roupa. Levei-a para a engomadoria. Trouxe roupa da engomadoria. Fui ao super. Fiz as compras. Carreguei as compras. Arrumei as compras. Limpei gelo do congelador. Fiz jantar. Lavei a loiça que não cabia na máquina. Pus a máquina a lavar. Arrumei a loiça. Perfumei a casa. Pus a mesa. Fiz um chá de canela e sentei-me a descansar um pouco no sofá a olhar para a minha peça de arte favorita: o cardume. Foi então que ele chegou e disse:


 - Sortuda, TODO O DIA EM CASA SEM IR TRABALHAR! O que é o jantar?
Nesse dia percebi que alguém estava ali a mais.

7.09.2012

FELICIDADE

Há dias em que a ideia de felicidade se me atravessa de forma mais intensa, especialmente quando vejo as pessoas que mais amo apertadas numa teia de insatisfação e desmotivação provocada pela ideia de que a felicidade vem de fora, do exterior...
Há muito que me deixei disso... Claro que há condições fundamentais à felicidade: a existência de três coisas, basicamente, dizem os especialistas. Um projeto profissional satisfatório, um projeto afetivo (ninguém gosta de morrer só) e um projeto cultural. Agora, basta fazermos as contas desta equação e vermos onde é que a coisa nos falha ou falta...
Parece simples...

7.07.2012

PRIVATIZAÇÕES

Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e a lei, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E finalmente, para florão e remate de tanto privatizar, privatizem-se os Estados, e entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo... e, já agora, privatize-se a puta que os pariu a todos.

José Saramago, Cadernos de Lanzarote, Diário III, p. 148

CANELA

Cá em casa vai com tudo. Começou por ir com os gelados e os morangos e a gelatina e os pudins e o arroz doce e os pastéis de nata e todo o tipo de fruta mas agora já vai com arroz árabe e serve-me de tempero à carne e ao peixe sem esquecer as misturas de chás que se pode fazer com ela. Pois que sim! Entrou definitivamente na minha ementa e já não passo sem ela. As mentes mais tortuosas (e eu conheço pelo menos uma), estará já a pensar nos efeitos colaterais deste exagero de canela mas repondo aqui a razão dos factos, importa lembrar que a canela, dizem os especialistas, exerce um poder redutor do valor do colesterol e da açucar no sangue. Já para não esquecer que esta fantástica especiaria, no início do séc. XVI era trazida por comerciantes portugueses diretamente do Ceilão (atual Sri Lanka), chegando um quilo a valer dez gramas de ouro. Sim, percebeu bem... dez gramas de ouro... Segundo contava um navegador holandês:"as margens desta ilha estão repletas desta planta e é a melhor em todo o oriente; quando uma pessoa está no litoral, pode-se sentir o aroma a oito léguas de distância".
Pois eu cheiro-a a muito menos léguas... mas quero cheirá-la brevemente no seu habitat natural.

7.06.2012

NUS E PARA SEMPRE

Com o passar do tempo, quase todos os casais que eu conheço se transformam em colegas de trabalho, vivendo uma relação de cordialidade cujo grande objetivo é o bom funcionamento da empresa que é, evidentemente, o seu casamento. Trabalham em equipa, muitas vezes, o que é de louvar e, embora haja habitualmente um gestor de projetos, os objetivos a alcançar resumem-se basicamente a manter os filhos alimentados e as contas pagas... Para estas pessoas, partilhar a conta da água tornou-se mais importante do que partilhar os beijos e, tal como numa empresa, há também que fazer contenção de custos logo, as pequenas grandes coisas que mantinham a chama acesa dão lugar à necessidade de cumprir uma ordem de trabalhos que se repete à exaustão.
Fico a pensar que, se as emoções são o colorido da alma, nestes casos as almas escurecem pouco a pouco e os casais limitam-se a realizar rotineiros actos higiénicos de fim de semana. 
Será que nunca se ama como nas histórias? Nus e para sempre?

DEDICAÇÃO


Desde aquele dia, ela decidiu escrever-lhe todos os dias e dedicar-se a ele como os marinheiros antigos se dedicavam ao mar...

NORTE E SUL

Viver é fácil porque meço a partir de ti o Norte e o Sul. Basta que existas para que os meridianos se arrumem e os oceanos não transbordem. 

Teolinda Gersão

7.02.2012

CONFISSÃO



Não queria precisar disto mas já preciso como de ar, de sol, de mar...  Sei que é um voo demasiado arriscado que fazemos... um voo rasante e perigoso. Mas não me quero desfazer de ti. Já não consigo... Guarda para ti esta confissão e faz dela o que quiseres. Não me quero perder de ti agora que te encontrei.
E fico assim. De joelhos encostados ao queixo, mãos entrelaçadas sobre os joelhos, contemplandode olhos fechados, a tua imagem ou, na falta dela, a minha imagem de ti...
Nem sei se queres voar, ou voar comigo ou se até terás medo de voar... Mas como é que se voa, com uma asa presa na mão de alguém?
Diz-me, sussurra-me ou grita-me, que é possível voar com uma mão presa na tua mesmo que nos estampemos os dois.


ÁGUA E FOGO

Perante a possibilidade de voltar a Budapeste, quinze anos depois de lá ter passado dois fugazes dias num périplo pelos países mais a leste, quando viajava como guia e escort de grupos de viagens organizadas, dei por mim a reler o meu caderno de viagem...
Das cidades que então visitei, Budapeste, Praga, Viena, Estrasburgo e Bratislava... lembro-me de, num momento único, ter pensado em como gostaria de voltar a Budapeste acompanhada. Essa cidade que me encantou pelo seu misto de simplicidade e sofisticação  e que, já na altura, me  pareceu um filão ainda por explorar....
Budapeste, centro europeia, tem para mim uma magia inexplicável e os seus habitantes orgulham-me por que não se perdem em lamentos apesar da cidade ter sido destruída 31 vezes e erguida outras tantas... Não me lembro já de muito pois estava de passagem e em trabalho... mas as pontes sobre o Danúbio ao final do dia ficaram retidas na minha memória como também ficou aquele café tomado sozinha no café Gerbeaud... Depois lembro-me dos planos que ficaram por concretizar: deambular por Buda (água) e depois por Peste (fogo ardente), passear no Danúbio ao fim da tarde, ir ao Hamman, atravessar as pontes a pé, subir ao monte Gellert, provar o vinho húngaro, ouvir música zíngara nas ruelas do bairro do castelo e sobretudo, ver a cidade sem pressa...
Constato que se mantém intacta em mim o desejo de voltar. Mas uma coisa está radicalmente diferente: desta vez quero ver Budapeste através do nosso olhar...