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5.21.2012

CONSTANTINOPLA

Gosto de arte. Gosto de Art Nouveau. E gosto de percorrer o mundo em busca destas manifestações artísticas. Ou de outras. Na transição entre os séculos XIX e XX, muitos ricos sultões contratavam arquitetos  estrangeiros para dar um toque ocidental aos seus palácios. Nós, por aqui, por vezes queremos dar um toque asiático aos nossos lugares. Enfim... desta amálgama se vai vivendo.

Gosto da Turquia. Já percorri o país e já visitei Istambul por mais do que uma vez. E não me canso. Gosto da atmosfera. Gosto das pessoas. E gosto, particularmente, dos cheiros e das cores. Mas, se há algo que me fascina nesta cidade a meio caminho entre a Europa e a Ásia, é a possibilidade que ela nos dá de nos sentirmos de novo a embarcar em grande estilo no Expresso do Oriente. No primeiro dia de um destes anos, foi nesta estação neomourisca de Sirkeci - hoje praticamente dotada ao abandono mas onde se respira ainda o espírito de aventura - que tomei o meu pequeno almoço. O Expresso do Oriente foi certamente o comboio mais famoso do mundo e a sua viagem inaugural  a 4 de outubro de 1883, entre Paris e Istambul (na altura ainda Constantinopla), sempre fez parte do meu imaginário de viajante...

Mas voltando à realidade de Art Nouveau desta cidade, quem gostar pode encontrá-la nos bairros de Galata, Pera (Beyoglu), na Avenida Istiklal e nas margens do Bósforo, em Bebek ou na Ilha dos Príncipes. Porém, em Istambul, há uma outra faceta que nos persegue e não nos deixa indiferentes. Porque não pode deixar! A Mesquita Azul é uma coisa do outro mundo... como também são as Solimão e de In-Chora... Na Basílica bizantina de Santa Sofia só entro quando consigo descaradamenter furar a longa fila de turistas que ali se amontoa... Mas para quem nunca a visitou, vale a pena a espera pelo sincretismo religioso digno de nota. Os símbolos cristãos convivem com os do Corão e até parece que ali a religião vive em paz. Caso contrário, desista... que há muito mais do que fazer em Constantinopla. Vá a TOPKAPI, visite o harém labiríntico com 400 divisões e, faça como eu: perca-se, se for possível... Gosto de me perder nas ruelas das 7 colinas de Istambul, como gosto de me enfiar no Hammam e terminar o meu dia a beber um chá ou café turcos. Gosto de me imaginar no Pera Palas, em cujo quarto 411, Agatha Christy se instalou para escrever o seu livro Um Crime no Expresso do Oriente... Mas gosto sobretudo dos cheiros e das cores desta cidade e de me perder no Bazar Egípcio, mais duramente real do que o Grande Bazar onde os turistas me chateiam de tantos que são a entrar e a sair pelas 16 portas deste mercado... É no Bazar Egípcio que eu gosto de ir pela manhã, comprar especiarias ou simplesmente olhar a vida fervilhante que ali existe. E gosto, gosto muito, da comida turca, provavelmente das melhores do mundo, onde a beringela, para quem não sabe, é cozinhada de 258 maneiras diferentes, quase como o bacalhau...

O Çemberlitas é, sem dúvida, o sítio de onde não se volta a mesma... Como não se explica a magia de tomar o pequeno almoço e escrevinhar a ver o Bósforo, qual Pierre Loti, esse que se perdeu de amores pela Turquia e, como eu, por Istambul... No Pyerloti Kahvesi, um pequeno café de madeira cheio de charme com divâs e mesas otomanas, as palavras surgem de rompante e podemos ficar ali um dia inteiro a beber chá e a escrever, enquanto  olhamos o Corno de Ouro... Ou simplesmente deixarmo-nos ir com Corto Maltese, o marinheiro errante de Hugo Pratt. Se lhe apetecer um pouco de Europa, vá para ORTAKÓI e divirta-se... Ali, se esquecer a língua e a enorme quantidade de vendedores ambulantes, pode imaginar-se numa cidade europeia.


Não. Não receie. Istambul não é uma cidade dura. Apesar de ter mais de 11 milhões de habitantes, Istambul é uma cidade onde se aprende a estar, devagarinho, ao ritmo do som que vem dos minaretes com o canto do muezzin a lembrarmo-nos que estamos ali para nos sentirmos vivos! Tal como hoje, dia em que me sinto viva, desperta e capaz de derrubar todas as barreiras e fronteiras deste mundo.
E provavelmente do outro...
MERHABA!

5.18.2012

COISAS DE GAJAS

Hoje, e  após mais de 24h sem ler o correio eletrónico, abro a caixa e, no meio de centena e meia de mails, recebo este de uma amiga meio tonta que, de vez em quanto, faz uns mailshooting a pedir opinião sobre temas de "gaijas". Habitualmente respondo com alguma sensatez. Mas hoje, isto agravou-se.
E apercebemo-nos de que algo não está bem connosco quando uma amiga nos escreve um mail a pedir uma opinião e nós respondemos assim: :)


Caras Amigas! 
 Cá venho eu pedir a vossa ajuda numa temática, desta feita de gaijas ;-) Resumindo.
Já há alguns anos que estou para fazer depilação “permanente” mas no início tinha um bocado de medo dos efeitos e entretanto foram surgindo vários métodos diferentes e fiquei meio perdida do que deveria fazer… Termos como…
  • Eléctrica
  • Electrólise
  • Laser
  • Foto-depilação
  • Diode Laser ou Light Sheer
  • Luz (intensa) pulsada
  • Laser pulsado de díodo
  •  estão completamente fora do meu conhecimento…
 Portanto o que eu gostaria de saber é se alguém me sabe dizer alguma coisa sobre os diferentes métodos, prós e contras de cada um deles e já agora quem já fez que método usou e se está contente com os resultados.
 Vá, nada de torcerem o nariz; as amigas são para estas coisas.
 Obrigadinha! 
Beijos 
RESPOSTA
Cara AMIGA

Os pêlos, sabemo-lo, são um dos maiores flagelos deste mundo e provavelmente do outro. Acredito mesmo que se não houvesse pêlos, o mundo seria um lugar completamente diferente... Assim, urge combater este flagelo. Há muito que os avanços tecnológicos se têm dedicado ao combate deste enorme problema mundial, quiçá, universal.

Propomos à cara leitora que procure, com a maior urgência e brevidade, um especialista na matéria.... Até lá, a alternância entre creme depilatório e gilette de tampa amarela tem revelado grande eficácia. Caso não obtenha resultados imediatos, tente um maçarico pequeno, habitualmente utilizado na joalharia e passe, levemente, pelos pêlos. Sentirá um odor que rapidamente se extinguirá se aplicar sobre o local umas gotas (cerca de 10 a 20) de álcool etílico.

Caso insista com os sintomas, procure-nos.

A sua conselheira de pêlos.

CLARO QUE APÓS ENVIAR O MAIL COM A RESPOSTA RECEBI UM TELEFONEMA DE IMEDIATO... lol lol

O CAOS É AQUI

Instalou-se o caos por aqui... Sabes a que me refiro... Perdi o sono primeiro, o apetite depois. Brinco com a comida e olho para cima, para os lados... Sinto-me caótica por dentro... Passo o tempo a capturar a tua imagem e tudo se desfaz. Hoje a vida parece uma profecia disfarçada. Espreito o abismo... Estou quase a atirar-me... Sei que não há retorno se o fizer. 
Tudo o que eu era até ontem perdeu-se para sempre. Quem nos observou percebeu: duas pessoas que se alcançaram uma à outra...
Não encontro nada... não sei para onde vou...
Procuro-te e não te encontro... 
Mas faças o que fizeres, eu estarei sempre a teu lado...

5.16.2012

Only two things are infinite

Only two things are infinite: the Universe and human stupidity. and I'm not sure about the former.

Albert Einstein

ENTREGA-SE OURO EM TROCA DO ARCO ÍRIS



FAIT- DIVERS SOBRE ALGUNS SIGNOS DO ZODÍACO:)
O virginiano, regido por Mercúrio, tem as suas artimanhas e costuma esconder o jogo. Mantém uma aparência austera e comportada e não se expõe a flirts inúteis. Mas basta ter confiança no(a) parceiro(a) para libertar todo o seu potencial erótico. Aí surge um verdadeiro especialista no assunto, esmerado nos detalhes mais excitantes, preocupado em encontrar as fontes de onde jorra o autêntico prazer. Gosta de prolongar ao máximo as preliminares e descobre mistérios nunca antes desvendados. Em troca, não pede, mas espera um tratamento classe A, de preferência com fidelidade e constância. Afinal, quando se entrega plenamente, o mínimo que exige é respeito.
ATRAÇÃO FATAL: por Peixes, principalmente pelos mistérios e surpresas que os nativos desse signo reservam. :)
Quem alimenta a fantasia de um sexo delirante, transcendente e além da imaginação, deve tentar aproximar-se de um nativo de Peixes para conferir se tudo isso realmente existe. Não vai se arrepender, pois ele é mesmo capaz de concretizar seus sonhos mais absurdos. Só que Peixes, regido por Neptuno, não dá de graça a chave dos seus segredos. Quer amor em troca. Precisa de muito carinho, gosta de colo e sussurros ao ouvido... Só abre a guarda se tiver garantias de fidelidade. Só entrega o ouro se conseguir o arco-íris como recompensa. Para um verdadeiro pisciano, sexo é a oitava maravilha do mundo, mas ele quer conhecer muito bem, antes, as outras sete.
ATRAÇÃO FATAL: por Virgem. Com os virginianos, chega perto do paraíso e por isso até aceita uma lista enorme de exigências. :)

5.14.2012

O Sr. PADRE NUNO


Sempre tive reticências quanto à operância/utilidade de algumas instituições... uma delas é a Igreja Católica. Porém, a pedidos incessantes de uma amiga lá acedi a ser madrinha da sua filha de 4 anos. Tentei explicar a esta mãe que não seria um bom exemplo de madrinha para a filha porque estou quase sempre ausente, porque não vou a missas, porque sou pecadora, porque não tenho filhos nem especial vocação para os filhos dos outros, blá, blá, blá... Mas ela desarmou-me ao dizer que "eu era a madrinha que ela gostava que a filha tivesse". Ora, se ela sabia então os riscos que estava a correr, que mais poderia eu fazer? Lá me decidi.

Assim, e perante a necessidade de ir a reuniões de preparação para esta hercúlea tarefa, informei que no dia agendado (terça às 21h 30) não poderia estar presente. Primeira falha grave no meu currículo de madrinha: faltei à reunião. Contudo, marquei a vermelho na minha atarefada agenda a urgência em contactar com o sr.º padre.

Foi assim que no  Domingo e após um dia cheio de precalços, me dirigi à dita paróquia. Estando a missazita a decorrer, sentei-me nos degraus e aguardei. Estava frio. Era noite. Aqueci-me com alguns cigarros e, quando finalmente a missa terminou, lá fui eu. Dirigi-me humildemente ao sr.º padre que me fitou e, quase sem me deixar terminar a minha "Sr.º Padre, venho falar com o senhor por causa do baptizado...", me atacou prepotente e agressivamente com palavras:
- A esta hora? Agora é que vem? Madrinha? Mas tem preparação para tal? Porque não falou comigo antes? Agora não posso... Não a vou poder atender, blá, blá, blá...

Mantive a minha calma, disposta a mostrar-lhe que estava enganado em relação a mim, que não tinha agido por "má fé", que apenas tinha tido pouco tempo disponível... e, sendo o dito evento dentro de 15 dias, me parecia tempo suficiente para me "preparar". Mas o supreendentemente jovem padre (não terá mais de 30 anos) manteve a sua arrogância e não desarmou. Não me podia atender, disse. Iria viajar no dia seguinte e voltaria na véspera do baptizado. Ora, disse-lhe eu,
- Como é que o sr. padre queria que eu adivinhasse tal facto? - e insisti que faria toda a preparação no sentido de desempenhar o melhor possível a minha função. Fitou-me de novo e mandou-me procurar um padre que me "preparasse"...

Foi aqui que, perante tamanha estupidez do padreco, a corda se esticou. Havia várias pessoas ainda dentro da Igreja a ultimar as suas oraçõezitas de Domingo que olhavam perplexas para o jovem prior... e para mim.

Informei então o Sr.º padre Nuno, olhos nos olhos, que não se fala com ninguém da forma como ele falou comigo, nem dentro nem fora da casa de Deus.
E continuei... calmamente... dizendo-lhe que:
(i)  lá por não ir à missa todos os Domingos não queria dizer que não tivesse fé...
(ii) talvez até que a minha fosse superior à dele mas que não necessitava daquelas manifestações hipócritas de fé...
(iii) eram situações e pessoas como ele que, ao longo da vida, me fizeram desacreditar na Igreja Católica...

Caindo um pouco em si, o Sr.º Padre Nuno pediu-me desculpas... uma vez... outra vez... que estava exausto... que tinha dado 4 missas e feito 7 baptizados... que ia viajar no dia seguinte... que não percebia o que tinha acontecido... que nunca tal lhe tinha sucedido... que sim, que me ouvia... que sim, que entrasse... que sim, que me sentasse... que sim,,, que eu também devia estar com problemas e que provavelmente precisava de ajuda...
E atirou esta preciosa pérola:
-Por que não procura o apoio da nossa comunidade para a ajudar?
 Respondi-lhe que não precisava de uma comunidade para me apoiar... que me apoiava numa outra comunidade contituída pelos meus amigos... E, para espanto meu, o Sr.º Padre Nuno olhou-me e disse-me: -Amigos? Mas os amigos só nos desiludem... só a nossa comunidade católica a pode ajudar...!

Já quase a atingir os meus limites de suportar tantas barbaridades em tão curto espaço de tempo, contei-lhe quase em segredo que não frequentava a Igreja porque tinha locais muito mais interessantes para visitar e pessoas muito mais inteligentes com quem partilhar a minha vida.

Sai daquela casa de rastos. Não sem antes lhe dizer que o perdoava embora duvidasse que Deus fizesse o mesmo... É claro quenaquele dia pensei que não seria madrinha. Não possuo, perante as regras impostas pela Igreja, o perfil adequado, isto é, sou um "daqueles padrinhos que nunca põem os pés na Igreja, sem qualquer preparação religiosa e muito menos a frequência dos sacramentos..." (IN Quem pode ou não ser Padrinho, documento da Igreja Católica) Sou, portanto, o exemplo perfeito da PECADORA.

Mas afinal, o tão jovem padre Nuno pareceu-me,  ele sim,  um pecador...

Talvez o Sr Padre Nuno tivesse  as suas hormonas excessivamente acorrentadas e escondidas sob o hábito...

P.S. TEXTO ESCRITO ALGURES EM 2004 AQUANDO DO BAPTIZADO DA MARIA ANA E DO LUÍS.

O RISO DE DEUS


Talvez a principal aventura a ser vivida seja a da descoberta. A descoberta diária de nós próprios e de nós próprios nos outros, que isto de descobrirmos os outros não me convence...

Creio que ninguém se deixa descobrir / conhecer totalmente, pela simples razão de que não me parece que nesta azáfama em que vivemos, alguém tenha tido já tempo para se conhecer a si próprio.

Descobri Alçada Baptista.
Descobri-o, na medida em que me reflito nas suas palavras.
E dos muitos autores que vou associando à minha lista, este transformou-se na minha última grande paixão. Experimentem! O Riso de Deus!

O PESO DO MUNDO


Há momentos e pessoas e lugares que nos marcam para sempre.
E há momentos e pessoas e lugares de onde apetece fugir.
E é nesta triagem que reside a nossa capacidade de avançar...
Como escreve Alçada Baptista in O Riso de Deus: "A gente só deve guarda na memória o essencial, que o resto faz parte do peso do mundo."

5.13.2012

POR FAVOR, NÃO EMPURREM!


"A BICHA FORMA-SE À DIREITA. E POR FAVOR NÃO EMPURREM, PODE NÃO HAVER MULHERES PEIXES SUFICIENTES PARA TODOS OS HOMENS, MAS ISSO NÃO É RAZÃO PARA SER INDISCIPLINADO. VOCÊ TERÁ DE ESPERAR PELA SUA VEZ, E FAZER FIGAS."

IN Linda Goodman, Os Signos do Zodíaco



É FACTO!


COMPUTERS CRASH, PEOPLE DIE, RELATIONSHIPS FAIL.

Para quê um barco maior?



Um homem de negócios estava no cais de uma pequena aldeia costeira do México quando chegou um barquito com um só tripulante e vários atuns soberbos. O norte-americano felicitou o mexicano pela qualidade do peixe e perguntou-lhe quanto tempo tinha demorado a pescá-lo. O mexicano respondeu-lhe que foi num instante. O norte-americano perguntou então porque não tinha ficado mais tempo no mar para pescar mais peixes. O mexicano respondeu-lhe que já tinha que chegasse para as suas necessidades e da sua família. O norte-americano voltou a perguntar:
- Mas então o que faz nos tempos livres?
O mexicano respondeu: - Durmo até tarde, pesco um pouco, brinco com os meus filhos, toco guitarra com os amigos, enfim, tenho uma vida cheia e ocupada.
O norte-americano disse-lhe então, num tom trocista:
- Sou licenciado por Harvard e posso ajudá-lo. No meu entender, deveria dedicar-se mais à pesca e, com os lucros, comprar um barco maior. Com os rendimentos que lhe traria o barco maior, poderia comprar vários barcos. E com o tempo, poderia vir a adquirir uma frota de barcos. Em vez de vender a sua captura a um intermediário, poderia vendê-la directamente ao produtor e, poderia até chegar a ter a sua própria fábrica de conservas. Finalmente, quando chegasse o momento oportuno, venderia a empresa em Bolsa e ganharia milhões.
- Milhões? E depois o que faria eu, senhor?, perguntou o mexicano.
Responde o americano: - Depois, poderia reformar-se, dormir até tarde, pescar um pouco, brincar com os netos e ao fim da tarde tocar guitarra com os amigos.

Danah Zohar e Ian Marshall in Inteligência Espiritual.

11 REGRAS PARA ESQUECER UM AMOR


Um dia, em plena aula sobre Camões, o Amor e o desconcerto do mundo, uma aluna que criou este terrível e inexplicável hábito de desabafar os seus males comigo, perguntou-me:
- Stôra, diga-me lá o que hei-de fazer para esquecer um amor?
Engasguei-me. Bebi um pouco de água. Arregalei os olhos. Quando finalmente me recompus, comecei a falar, como se possuída pelo Deus dos revoltosos:
1. Rodeia-te dos teus amigos.
2. Ri. Ri. De ti. Dos outros,. De tudo. Não pares de rir.
3. Não comas. Bebe água. Aproveita o desgosto amoroso para perderes os quilos a mais.
4. Apanha sol. Vai ao mar. Apanha sol. Vai ao mar. Sempre. Sempre. Sempre. Se chover na tua janela, dança... dança sempre...
5. Seduz. Conquista. Sedus-te. Conquista-te. Arranja-te. Sente a mulher única que és.
6. Ocupa-te: trabalha, lê, faz ginástica, vai ao cinema, dorme, escreve...
7. Enumera os defeitos do tipo. Aqueles que tu não querias ver mas sabias que existiam. Por exemplo: Era gordo? Tinha barriga? Usava trousses brancos? Não tinha humor? Era possessivo? Olhava para tudo o que passasse em volta e usasse saias? Deitava lixo para o chão? Era assim tão bom na cama? Era assim tão carinhoso? E sensível? E compreensivo? Era assim tão inteligente? Alguma vez lera um livro ou jornal que não a Bola? 
8. Retira o seu número do teu telemóvel. Se te apetecer mandar-lhe uma mensagem, manda-a para a tua melhor amiga.
9. Faz uma selecção das tuas músicas preferidas e canta, dança, pula, salta...
10. Pensa que tudo passa, tudo sempre passará e que se tu, uma mulher tão especial, foste rejeitada é porque ele não te merecia: "Só uma besta se atreveria a perder-te!"
11. Arruma a um canto todos os objetos que te façam recordá-lo. Ou, melhor, devolve-os com um cartão a dizer: “Já não me interessas. A tua época passou."

ESPREME TUDO O QUE PUDERES...


"- E depois? - contrapôs ela. - Porquê perder tempo à procura de razões, à procura de desculpas? A vida vai passar por ti e tu vais continuar a tremer à beira do precipício. Salta! Mergulha, rapariga! Agarra a vida! Agarra-a pelos tomates e espreme tudo o que puderes! Espreme até ela gritar por misericórdia."

in Sheila Norton, A Idade Não Conta

(Texto recuperado do meu antigo blog www.umblogdiferenteblogssapo.pt, Setembro 2005)

A QUADRILHA


João amava Teresa que amava Raimundo
Que amava Maria que amava Joaquim
Que amava Lili que não amava 
Ninguém.

João foi para os Estados Unidos,
Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre.
Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili
Casou com J. Pinto Fernandes
Que não tinha entrado na história.

Carlos Drummond de Andrade

SIMPLESMENTE DELICIOSO! 

5.11.2012

Aconteceu...

Era uma vez antigamente, mas muito antigamente, nas profundezas do passado, quando os bichos falavam, os cachorros eram amarrados com linguiça, alfaiates casavam com princesas e as crianças chegavam no bico das cegonhas... 
Aconteceu naquele tempo então uma história de amor. 

JORGE AMADO

I love you, you are perfect! Now change!

Os actos importantes não são ruidosos. Quando as coisas se desmoronam e caem, o acto mais dotado de sentido pode consistir em ficar-se sentado e nada fazer...

Por isso, vou ficar aqui, sentada e em silêncio.

5.10.2012

THE GAP YEAR

Ainda há gente feliz à minha volta.Dois amigos meus partem amanhã para 4 meses de viagem pelo Canada e Estados Unidos. Levam apenas 14kg de bagagem e o coração cheio de mistérios... E eu fico aqui!
Quero um Gap Year... e já!

NO WAY OUT



 

Voltou a ser difícil acordar. Voltou a ser difícil suportar esta espera. Voltou a ser difícil trabalhar. De repente, tão de repente, tudo se altera na nossa vida como se fosse o fim de uma etapa. Mas não uma etapa qualquer. Provavelmente, a mais importante, a mais profunda, a mais querida. Porque não será nunca possível esquecer o teu sorriso. Ou os teus braços à minha volta. Ou o teu corpo sobre o meu. Percebo hoje, melhor que ontem e que sempre, que os nossos corpos nunca fizeram sexo. As nossas almas é que estiveram sempre lá, numa verdadeira e total fusão como dificilmente voltarei a viver.

Ando perdida em busca de um caminho para continuar.


Hoje

Sinto-me anormal! Hoje sinto-me anormal...
Feliz pelo sol que chegou mas insegura pelo que não sei se é só mais uma rajada de vento a abanar-me a alma...Estou com medo. Medo... E não sei lidar com isto. Logo eu, que habitualmente me armo da coragem dos recomeços...
Resta-me escrever... mas... por acaso, alguém normal escreve?

5.09.2012

Como é que se come um elefante?


O Pedro Tochas deu-me uma lição de vida na sua palestra a tocar a standup comedy a que assisti ontem. É quando menos esperamos, que mais aprendemos. O Pedro partilhou conosco o seu caminho, a sua longa viagem até chegar aqui. Doze anos para conseguir vencer no campo da sua paixão. Contra tudo e contra todos... apesar da fama, once a street artist, forever a street artist...
Disse-nos ele que, num do seus primeiros espetáculos de rua, após fazer rir os presentes com a suas trapalhadas, passou o chapéu e um pedinte, de sorriso aberto, abriu uma carteira esfarrapada e deu o único escudo que tinha... 

Nesse preciso momento, o Pedro decidiu o seu destino.


É isso que se espera que façamos: que vamos atrás dos nossos sonhos, sejam eles quais forem... E o Pedro foi... Começou a comer o elefante pouco a pouco... Tal como a minha mãe me ensinara: que para se comer um elefante, tem de ser com uma dentada de cada vez!

Mas o que fazer, quando nos apetece comer o elefante todo?.)

5.08.2012

Did you ever?

Em busca do carneiro selvagem



De novo, a viagem iniciática. A procura do que se perdeu algures. O contacto com a morte e o que daí resulta para cada protagonista de Murakami. Mais fragmentos dispersos da consciência de um "eu", dos nossos "eus", porque é difícil falar das coisas que realmente nos importam, Murakami vai intercalando na sua quest pelo sentido da existência, personagens que apresentam em comum o contacto com o mar, o refúgio em locais distantes e isolados, o nonsense do que depois se torna essência.



Em Busca do Carneiro Selvagem: tudo o que faz uma vida... acordar, trabalhar, perder, amar, sofrer, chegar, partir. Há coisas que se esquecem, outras desaparecem, outras ainda morrem. não é preciso fazer nenhum drama por isso. (p.32) Pois não. Morte, vida, sonho, sexo, amor, traição, gatos, mar, cabana, mistério, obsessão, rotinas... No aquário da minha imaginação é sempre fim de Outono, diz o protagonistaO mesmo Outono que se sentiu em Kafka Kamuri, o mesmo Outono do próprio Murakami, o nosso próprio Outono...


O carneiro selvagem que todos possuímos dentro de nós mas deixámos fugir. Ou o carneiro selvagem que todos procuramos porque toda a gente tem alguma coisa que não quer perder: Nem essas células dos nossos corpos que se renovam todos os meses e que levam consigo parte de nós. Tornamo-nos carneiros tresmalhados... Sim, que à força de vivermos rodeados de gente estúpida, acaba-se por desconfiar e tudo e de todos. Quem me dera, também eu, partir em busca de qualquer coisa. Precisamos de ir em busca de qualquer coisa, algo que dê significado à vida. É isso, a vida: uma busca permanente. Murakami sabe isso muito bem.

VARANASI OU O RITUAL DA MORTE


Varanasi fica na margem do Ganges, o rio sagrado da Índia onde são atirados os restos mortais dos muitos hindus que ali vão morrer. A poluição do rio atinge, assim, proporções incalculáveis e difíceis de aceitar racionalmente. No entanto, o rio pela manhã apresenta uma paisagem fascinante. Aventurei-me. Um passeio de barco pelo rio. De madrugada. 5h da manhã para ver o sol nascer.


O Rio Ganges está para os hindus como Meca para os Muçulmanos. Eu queria conhecer de perto aquele ritual de morte, tão diferente dos nossos costumes alentejanos. Visitei o principal local de cremação - Manikarmika - ordem os fogos ardem 24h consecutivamente. São precisas cerca de 4000 rupias para comprar toda a lenha necessária à cremação de um corpo. A cremação eléctrica é muito mais barata e custa apenas 151 rupias... Pois, até na morte... E o ritual surgiu: o filho mais velho do morto rapa o cabelo e ateia o fogo dando quatro voltas em redor do morto, ritual que simboliza os quatro elementos: terra, água, ar e fogo. As crianças com menos de 12 anos, as mulheres grávidas, os leprosos e os sacerdotes não são cremados. Estes corpos são directamente atirados ao rio, atados a uma pedra.

O rio enche-se de hindus que ali vão banhar-se, deitar flores e rezar. Deitei também a minha vela no Ganges pelos mortos. Pelos amigos. Pelos amores. Não se descreve o que se sente ali. O remador Balu, obrigatoriamente hindu para ser remador no Ganges (e que surge nesta imagem), foi tentando explicar-me alguns daqueles rituais mas eu só ouvia o barulho do sol a bater nos Ghats (locais de cremação) e a iluminar, aos poucos, o casario...

Encontrei viajantes solitários, mulheres aos pares, casais, grupos de meia-idade... Poucos ou nenhuns turistas. Nunca mais esquecerei Varanasi. Flores por todo o lado. Panos cor-de-laranja a cobrir os corpos que passam à nossa volta. Incenso a queimar a todas as portas, quer sejam templos ou não. Mantras repetidos ao som dos muitos sinos.

Das muitas viagens feitas, nunca tinha sentido este clima, esta atmosfera exótica e mística. Em Varanasi, cheira a sândalo e a jasmim pelas ruas. Os cheiros e as cores apoderam-se dos sentidos. Recuei séculos no tempo e quase esqueci quem sou, o que faço, e as preocupações do Ocidente pareceram-me totalmente mesquinhas.

Vi de perto os corpos a arder. Senti no corpo o calor dos fogos e os meus cabelos e corpo encheram-se de cinzas. Chorei. Chorei muito. Chorei tudo.

TEMPUS FUGIT

Estes dias têm passado demasiado depressa e a expectativa anda atrás de mim...
Podemos fugir disto, mas não nos podemos esconder. Se me lês, sabes do que falo e do que sinto e da magia que nos faz acordar com uma nova luz no olhar... Estou a aprender que só devemos amar o que não tem preço e isto que temos vivido não tem . É único... demasiado raro... tão raro que não temos necessidade de fingir.
Nunca me faltou a coragem para viver mas sempre me faltou a coragem para amar.
Há entre nós uma mesa de jogo com um pano verde... e eu sei que nenhum de nós gosta de jogar. Resta-nos viver e esperar que o tempo nos ajude.
Até lá, vou vivendo no interior da tua ausência...

DO CHIQUE AO CHOQUE...

Hoje, eram  8h, uma colega perguntou-me:
- Continuas a viajar? (passo a explicar o porquê desta pergunta: em tempos fiz viagens com grupos organizados pelo mundo e, numa dessas viagens, ia ela, a irmã e a mãe). Desde então, sempre que me encontra, o tema de comnversa é sempre o mesmo...
- Sim. - sempre que posso, respondi-lhe.
-E qual foi a viagem que mais te marcou?
- O mês que passei na Índia com uma mochila às costas... - afirmei.
Mas entretanto afastámo-nos e fiquei a pensar naquilo...

Então e a viagens pelo Atlas marroquino? E o pôr-do-sol no deserto de Siwa? E o mar de Alexandria? E a aventura de Jerusalém? E Telavive? Ou Eilat? E chegar a Petra pela manhã? E descobrir as cidades da Jordânia?E atravessar as fronteiras a pé... correndo todos os riscos? Costa Rica-Panamá, Israel-Jordânia? E as viagens de comboio pela Escócia, chegando às terras altas. E aqui tão perto, o paraíso irlandês? E tomar o pequeno almoço na praça de S. Marcos seguida de um passeio de Gôndola em Veneza? E deambular pelas ruas de Roma? Ou Pizza? Ou Génova? Ou Nápoles? E a arte de Florença? E passar o Ferragosto na Sicília. OU simplesmente descansar junto ao mar em Cabo Verde? Ou descobrir o México? E  Havana? Ou as praias das Caraíbas no Inverno? Ou ter uma pousada só para mim no Morro de S. Paulo sem saber quando poderia sair dali? E ouvir os tambores do Olodum em São Salvador das Bahía? E dançar no Rio de Janeiro em banhos de multidão? E acordar ao som dos minaretes em Istambul? Ou no Cairo? Ou em Marraquexe? Ou Fes? E chegar a Xangai a meio da noite sem que ninguém falasse Inglês à minha volta?
Não sei se fiz a escolha certa ao afirmar que a India foi a minha melhor viagem. Entãoo e as coisas simples que fazem uma vida? Como comprar pão quente em Paris? Ou navegar nos canais de Amesterdão? Ou descer o Reno? E a noite de Berlim? E Londres, para sempre a minha cidade? Esta lista fica interminada porque há muitos outros sítios onde fui feliz pelo mundo, essa casa gigante que me recebe sempre de braços abertos.

No meio destes pensamentos que me assaltam a esta hora, penso no que dizia uma  amiga minha: gosto tanto de viajar como gosto de voltar a Lisboa, esta cidade de luz. Mas a luz verdadeira eu encontro-a em Nova Iorque. Passear pelas ruas, deitar-me a ler no Central Park, ir às compras, andar a pé em Brooklyn...ou simplesmente acordar no Plaza Hotel e ser feliz...

Ah, the plaza Hotel. Naquele tempo em que eu tinha dinheiro e o gastava sem remorsos, instalei-me no The Plaza NYC! Entre o Central park e a 5.º Avenida, é um dos melhores símbolos da hotelaria nova-iorquina e mestre na arte de bem-estar. Melhor do que o Plaza? Não conheço... Gosto do edifício antigo a cheirar a história com uma pitada (grande...) de requinte e de elegância... O The Plaza abriu as suas portas dia 1 de Outubro de 1907 e era, na altura, considerado o maior hotel do mundo. Está na zona mais fashionable da Big Apple e é, sem sombra de dúvida, o mais elegante hotel de todo o mundo onde, ao acordar, nos apetece vestir bem e sair para as compras. Ou simplesmente passar a manhã no SPA...

Gosto de extremos! E da adrenalina que viver os extremos me transmite... Sou tão feliz no The Plaza Hotel NYC a tocar o chique, como no meio dos excrementos das vacas sagradas nas ruelas de Udaipur, Jaipur, Nova Deli ou Bombaim, a tocar o choque!
THAT'S ME!

5.05.2012

MÁXIMAS DE OURO SOBRE OS GATOS




  1. Nunca interfiram nos assuntos pessoais dos gatos. Eles são espertos e irão fazer xixi no vosso computador.
  2. Se souber como fazer amizade com um gato, é uma pessoa de sorte.
  3. Não há botão algum que cale um gato, quando ele quer o pequeno-almoço.
  4. No horizonte de um gato, tudo lhe pertence.
  5. Os cães pensam que são humanos. Os gatos pensam que são Deus.
  6. De todas as criaturas de Deus, uma só existe que não pode ser subjugada com o chicote. Essa criatura é o gato. Se pudéssemos cruzá-lo com o homem, melhoraria o homem, mas pioraria o gato.
  7. Os gatos são muito mais espertos do que os cães. Nunca conseguiremos encontrar oito gatos que, na neve, nos puxem o trenó.
  8. Os gatos têm personalidade a mais para não terem coração.
  9. As pessoas que detestam os gatos irão ser ratos na próxima reencarnação.
  10. Os cães respondem de imediato quando os chamamos. Os gatos, guardam a mensagem para mais tarde e aparecem quando bem lhes apetece.
  11. O meu marido dizia que ou era ele ou o gato. Às vezes tenho saudades do meu marido.
  12. Há muitas pessoas inteligentes na vida. Todas elas têm gatos.
  13. Há milhares de anos atrás, os gatos foram comparados aos Deuses. Eles nunca esquecerão isso.
  14. O tempo gasto com os gatos, nunca é tempo perdido.
  15. Como qualquer dono sabe, nunca se é dono de um gato.

The world is full of homes...



For me moving and staying at home, travelling and arriving, are all a piece. The world is full of homes in which I have lived for a day, a month, or much longer. How much I care about a home is not measured by the length of time I lived there. One night in a room with a leaping fire may mean more to me than many months in a room without a fireplace, a room in which my life has been paced less excitingly.


Margaret Mead (1901-1978)(1972). Blackberry Winter: my earlier years. New York: Washington Square Press. p.7.



Cuba...Um país velho num mar azul


“Já lá estou antes de chegar e ainda ficarei depois de ter partido.”
                                                                                                                                                     Diderot 

A Cuba não tinha ainda resolvido ir. O mundo é tão infinitamente vasto e a sensação que me assalta é que não vou conseguir conhecer senão uma ínfima percentagem.
Surgiu esta oportunidade. Não se nega nunca a possibilidade de conhecer algo de novo. E muito menos numa altura em que os dias são cinzentos,  escolher roupa de verão, comprar um protector solar e partir para praias de areia branca e mar azul é rejuvenescedor.

Dou por mim enroscada já numa manta azul e a ouvir a rota prevista: Açores, Bermudas, Nassau e Varadero. Neste momento, a sensação infernal e trepidante pelo corpo e pela cabeça, provocada por este monstro a levantar voo para 9 horas de viagem. Continuo a escrever, a caneta tomba, os ouvidos palpitam e pela minha mente passa algo indecifrável, ruído, mal-bem estar, receio, prazer. Tudo isto me assalta em catadupa como a um barco sem almirante. O meu coração está cheio e a minha mente repleta. Todas as sensações do mundo se misturam em mim neste momento. 

A visão de Havana enternece e revolta. Uma vaga de tristeza passa por mim. As cores esbatidas das casas contrastam com o colorido das roupas de quem passa.  Lembro-me da rumba e da salsa, do ritmo vertiginoso de quem dança num país que vive devagar. Passo pelo município da Playa, um dos 15 que tem Havana. Alguns hotéis de 5 estrelas ferem a paisagem. A zona rica de Havana, dizem-me. O bairro de Miramar fora o bairro das pessoas ricas que o abandonaram aquando da revolução na esperança de aí voltar. Hoje essas casas são, na maioria, embaixadas. Cruzo a 5ª avenida; parece irónico como Cuba suporta o legado cultural dos E.U.A.: o dólar, a 5ª avenida ou Avenida de las Americas.
Desespero calmamente com as longas esperas para entrar e sair do país. Pouco ou nada comprei. E ainda bem. Senti-me, bruscamente, menos consumista. Tudo teria sido pago só e apenas em dólares americanos num país embargado pela América do Norte.

Em Cuba não há grandes diferenças sociais. A grande elite é formado pelo Governo. Fico com vontade de rir.Fundada em 1519, já em 1492 Cristovão Colombo tinha alcançado o oriente de Cuba. O povo cubano resulta de uma miscigenação entre três culturas diferentes: a espanhola, a indígena e a africana. É isto o creolo. Aquele que se passeia vagarosamente pelo Malécon, os sete quilómetros à beira-mar
Onde namorados, crianças, velhos, turistas e prostitutas se misturam indiscriminadamente.
É como se tivessemos parado no tempo. Mais precisamente nos anos cinquenta. Havana move-se calmamente. Os Lada e alguns Cadillac deslizam sem businar. Fidel Castro discursa horas indefinidamente no seu tom cadenciado e monótono.

Os velhos sentam-se nos portais, fumam charuto e deixam os dias passar.
As praias são muito azuis. O sol brilha todos os dias, embora nem sempre com a mesma vontade. Os hotéis vivem. O resto não. Varadero, a Playa Azul, é o destino preferencial dos turistas. É pecaminoso ver as lojas de jóias do Hotel quando lá fora o leite é racionado e o ordenado mínimo escandaloso.
Observo as prostitutas que nada pedem em troca. Lembro-se de São Cristovão de Havana cujo centro histórico é património da Unesco, dos pedintes de olhar sorridente e canso-me de ali estar. Lembro Hemingway. O Velho e o mar. 

É isso Cuba – um país velho num mar azul.

O que eu queria...

- E o que eu queria é que não aparecesses e desaparecesses tão de repente, pões-me doida de todo! - disse Alice.
- Está bem. - disse o Gato, e dessa vez desapareceu muito devagarinho, a começar pela ponta do rabo e a acabar pelo sorriso, que ficou ainda um bocado depois de tudo  o resto ter sumido
- Bonito! - disse Alice... Já vi muitos gatos sem sorriso... mas um sorriso sem Gato é a coisa mais curiosa que já vi e toda a minha vida!

Lewis Carroll, Alice nos País das Maravilhas

11.11.2011

O SEXTO SENTIDO

Hoje escrevo-te, sentido último, para mim primeiro... que sem ti não sobrevivo...
És o sexto e pressinto-te na mente, corpo, na pele e no som destes dias que passam amarelos.... Avisas-me sempre, à mesma hora, para me quedar na viagem...
Mas eu avisei-te que sem rede, me atiro ao abismo, que sem esse voo rasante isto não presta...
E do alto das colinas, do cimo dos montes, sobrevivo à passagem dos dias porque espectadora do que vejo... Sabes tu, que vês mais longe e sabes mais...que vê sempre mais do que é preciso... que a tua visão alcança o longe sem lentes de aproximar...
Acato-te de olhar travesso, quando me apetece partir... num riso que bem conheces... num riso de perceber tudo o que me dizes e mais ainda... num riso de saber que sem mais o teu sentido, sairia de mansinho e sem chorar...
Mas não... porque existes e te partilhas, vou navegando sem bússola os mares revoltos embora tu queiras o navio preso no cais...
Por ti, embriagada de palavras... procuro manter o tino... sim, esse estranho e limitador tino ... e só por ti, por vezes páro esta  bebedeira de palavras... se o quiser manter...
Tempus fugit, dizes-me ao ouvido quando me tento esquecer...
....Como é viver com um coração esburacado, amigo de jornada?
Não sei quem te dá crédito...
Sei que não tenho nada para ti excepto o que sou nos meus impulsos...
Eu que me não recomendo a ninguém... eu que não sei fazer mais nada do que ser ...
Tu me mostras que talvez tudo isto que sou eu não passe de uma banal vulgaridade, tão banal quanto vulgar...
Talvez pouco elevado face à tua dimensão a qual, suspeito eu, vá muito para além do que por aqui se passa.
Mais que tudo, e agora não digo talvez, sobram-me letras onde me faltam sons.
Por isso, te persigo e te escuto... sexto sentido...
Texto escrito a pedido e num momento em que o sexto sentido se me escapa ou quer escapar... 11/11/11

10.23.2011

O PONTO NEGRO

Um professor entra na sala de aula e diz aos alunos:
- Vamos ter um teste. 

Entregou então a folha da prova com a parte do texto virada para baixo e só depois pediu que a virassem. Para surpresa de todos, não havia uma só pergunta ou texto, apenas um ponto negro, no meio da folha. O professor pediu que todos escrevessem um texto sobre o que viam na folha. Os alunos, confusos, começaram, então, a difícil e inexplicável tarefa. Terminado o tempo, o professor recolheu as folhas e começou a ler as respostas voz alta. Todas, sem excepção, definiram o ponto negro, tentando dar explicações por sua presença no centro da folha. 
Terminada a leitura, a sala em silêncio, o professor disse:
- Esse teste não será para nota, apenas serve de lição para todos nós. Ninguém na sala falou sobre a folha em branco.
Todos centralizaram as suas atenções sobre o ponto negro. Assim acontece nas nossas vida. Temos uma folha em branco inteira para observar e aproveitar, mas só nos centramos nos pontos negros.

(Autor desconhecido)

PEDIDO URGENTE

Querido Deus...


Tudo o que eu peço para estes últimos meses de 2011 é uma gorda conta bancária e um corpo magro.
Favor não misturar as coisas, como fez no semestre passado.

AMÉN!

OS FILHOS SÃO DO MUNDO...

Devemos criar os filhos para o mundo.
Torná-los autônomos, libertos, até de nossas ordens.
A partir de certa idade, só valem conselhos.
Especialistas ensinaram-nos a acreditar que só esta postura torna adulto aquele bebê que um dia levamos na barriga.
E a maioria de nós pais acredita e tenta fazer isso.
O que não nos impede de sofrer quando fazem escolhas diferentes daquelas que gostaríamos ou quando eles próprios sofrem pelas escolhas que recomendamos.
Então, filho é um ser que nos emprestaram para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos,
de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem.
Isto mesmo!
Ser pai ou mãe é o maior ato de coragem que alguém pode ter, porque é se expor a todo tipo de dor, principalmente
da incerteza de estar agindo corretamente e do medo de perder algo tão amado.
Perder?
Como?
Não é nosso, recordam-se? Foi apenas um empréstimo!
Então, de quem são nossos filhos?
Eu acredito que são de Deus, mas com respeito aos ateus digamos que são deles próprios, donos de suas vidas,
porém, um tempo precisaram ser dependentes dos pais para crescerem, biológica, sociológica, psicológica e emocionalmente.
E o meu sentimento, a minha dedicação, o meu investimento?
Não deveriam retornar em sorrisos, orgulho, netos e amparo na velhice?
Pensar assim é entender os filhos como nossos e eles, não se esqueçam, são do mundo!
Volto para casa ao fim do plantão, início de férias, mais tempo para os filhos, olho meus pequenos
pimpolhos e penso como seria bom se não fossem apenas empréstimo!
Mas é.
Eles são do mundo.
O problema é que meu coração já é deles.
Santo anjo do Senhor...
É a mais concreta realidade.
Só resta a nós, mães e pais, rezar e aproveitar
todos os momentos possíveis ao lado das nossas 'crias', que mesmo sendo 'emprestadas' são a maior parte de nós !!!
"A vida é breve, mas cabe nela muito mais do que somos capazes de viver " 


JOSÉ SARAMAGO

 

SOCORRO, SOU PROFESSOR


Se um médico, um advogado ou um dentista tivessem, de uma só vez, 26 pessoas no seu gabinete, todas elas com diferentes necessidades e algumas que não querem estar ali, e o médico, o advogado ou o dentista tivessem que tratá-las a todas com elevado profissionalismo durante dez meses, então poderiam fazer uma ideia do que é o trabalho do professor na sala de aula.
 

MORRER SEM TESTEMUNHAS...

"...Um dos erros do ser humano é tentar tirar da cabeça
aquilo que não sai do coração...'

Um dia, um rapaz pobre que vendia mercadorias de porta em port para pagar os seus estudos, viu que só lhe restava uma simples moeda de dez centavos e tinha fome.
Decidiu que pediria comida na próxima casa.
Porém, seus nervos o traíram quando uma encantadora mulher jovem lhe abriu a porta. Em vez de comida, pediu um copo de água.
Ela pensou que o jovem parecia faminto e assim lhe deu um grande copo de leite.
Ele bebeu devagar e depois lhe perguntou:
-Quanto lhe devo ?
-Não me deves nada - respondeu ela.
E continuou: - Minha mãe sempre nos ensinou a nunca aceitar pagamento por uma oferta caridosa.
- Ele disse:
- Pois te agradeço de todo coração.
Quando Howard Kelly saiu daquela casa, não só se sentiu mais forte fisicamente, mas também sua fé em Deus e nos homens ficou mais vigorosa e vibrante.
Ele já estava resignado a se render e deixar tudo.

Anos depois, essa jovem mulher ficou gravemente doente. Os médicos locais estavam confusos.
Finalmente a enviaram à cidade grande, onde chamaram um especialista para estudar a sua rara enfermidade.
Chamaram o Cardiologista Chefe Dr. Howard Kelly. Quando escutou o nome do povoado de onde ela viera, uma estranha luz encheu seus olhos.
Imediatamente, vestido com a sua bata de médico, foi ver a paciente.
Reconheceu imediatamente aquela mulher.
Determinou-se a fazer o melhor para salvar aquela vida. Passou a dedicar atenção especial àquela paciente. Depois de uma demorada luta pela vida da enferma, ganhou a
batalha. O Dr. Kelly pediu a administração do hospital que lhe enviasse a
factura total dos gastos para aprová-la.´Ele a conferiu, depois escreveu algo e mandou entregá-la no quarto da paciente. Ela tinha medo de abri-la, porque sabia que levaria o resto da sua vida para pagar todos os gastos.
Mas finalmente abriu a factura algo lhe chamou a atenção, pois estava escrito o seguinte:

'Totalmente pago há muitos anos com um copo de leite ass. : Dr. Howard Kelly.'

'VIVER SEM AMIGOS É MORRER SEM TESTEMUNHAS.'

O QUE NÃO NOS MATA...


Já não tenho dúvidas quanto a isto?

O QUE NÃO ME MATA, TORNA-ME MAIS FORTE!

CONHECIMENTO EXPLÍCITO DA LÍNGUA - AULA DE PORTUGUÊS

 O " filho da puta........."

1. Filho da puta é adjunto adnominal, quando a frase for: ''Conheci um político filho da puta".
2. Se a frase for: "O político é um filho da puta", aí, é predicativo.
3. Agora, se a frase for: "Esse filho da puta é um político", é sujeito.
4. Porém, se o gajo aponta uma arma para a testa do político e diz:
- Agora nega o roubo, filho da puta! - aí é vocativo.
6. Finalmente, se a frase for: "O ex-ministro, aquele filho da puta, arruinou o país e não só" - daí, é aposto.
Agora vem o mais importante para o aluno. Se estiver escrito:
"Saiu de ministro e foi viver para França e ainda se acha o salvador da Nação." 
O "filho da puta" aqui é sujeito oculto...

O HOMEM DAS VIOLETAS ROXAS - UM MÊS

Faz hoje um mês que O Homem das Violetas Roxas foi publicado.

PÃO...

Expliquem-me, por favor. Eu sei que que sou limitada em matérias de alcançar temas difíceis, mas prometo que se me explicarem devagar e com as palavras certas, eu tentarei compreender.

20H30 - protagonista da história em casa; 20h 40 - dá-lhe a aflição dos domingos à noite e decide ir ao Pingo Doce. A estrear. Abriu recentemente. Foi.  20h 45 - Deambulou pelos corredores em busca de compota de pêra e gengibre (não há no Pingo Doce) e parou no pão. 20H 50 - Ia para pagar quando reparou que umas funcionárias agarravam no pão de diferentes variedades que tinha embelezado a vitrine e, à bruta (acreditem - à bruta e com desprezo) - atiravam o pão para enormes sacos de plástico e diretamente com as mãos desprotegidas. Protagonoista fez contas de cabeça e rebuscou algo que lhe tinham dito sobre este assunto: que as sobras do pão dos supermeracdos ia diretinho para o lixo.
20:55 -Afoita e curiosa, pergunta à caixa o que vai acontecer àquele pão ao que esta responde: LIXO!

10:50 - Pronto, expliquem-me...