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6.21.2012

O QUE FAZER COM A LÍNGUA


A propósito da Declaração de Amor à Língua Portuguesa que por aí anda a circular, pus-me a pensar no assunto, concluindo que sim, o ensino do Português ou da Língua Portuguesa exige ser repensado; sim, o acordo ou desacordo é uma inutilidade mas não vem daí mal maior ao nosso mundo; sim, as aulas podem ser uma grande chatice para o professor que tem de ensinar Padre Antonio Vieira às oito da matina; sim, a literatura portuguesa tem muito mais e melhor do que Os Lusíadas, desculpem lá... A idiotice a que a situação do ensino da nossa língua chegou é tão grande, que hoje nas indicações para exame nacional numa escola portuguesa, lia-se: Os alunos devem utilizar a Língua Portuguesa para responder às questões da Prova de Exame"...
Pois, não fossem eles, atrevidos, escrever em mandarim... 



6.20.2012

FILOSOFIA CÓDIGO 714

Filosofar às nove da matina após uma noite má dormida não indicia boa coisa  mas hoje foi assim  mesmo e eu tinha de me manter acordada em mais uma vigilância...
Tudo começa com Spinoza e a sua correlação entre o homem e a pedra no que à consciência dos seus desejos ou à ignorância das causas que os determina diz respeito. Somos nós que nos mantemos em movimento ou, qual pedra, só descemos colina abaixo empurrados pelo vento? Como a pedra, pensamos ser nós os impulsionadores da nossa própria ação acreditando sermos livres: "Assim, (reza o dito texto) é esta liberdade humana que todos os homens se vangloriam e que consiste somente nisto, que os homens são conscientes dos seus desejos e ignorantes das causas que os determinam."
SERÁ?
Adiante...
Kant surge no grupo seguinte com a MORAL... e o texto, de grande utilidade nacional, deveria servir de cartilha aos políticos e ser a oração matinal na Assembleia da República... "Age de modo que a tua regra de conduta possa ser adotada como lei por todos os seres racionais". Tal como deveria ser a teoria da Justiça de Rawls (John Rawls) leitura obrigatória em todas as escolas e empresas, igrejas e hospitais... Mais do que nunca, parece-me urgente voltar aos princípios de conduta que se vão perdendo pelo caminho...
Seguiu-se Platão. Sobre o mau uso da retórica. Que grande atualidade de temas! "Quem se quer orador não tem necessidade de conhecer o que realmente é justo, mas o que aparente sê-lo à multidão que deve julgar: não o  que na realidade é bom e belo, mas quanto dá dessa aparência, já que daí deriva a persuasão, e não da verdade!" Perigoso! E real! O eterno jogo ser/parecer mesmo à nossa frente, a saltar da vida para a folha de exame... Um exame sobre normas de conduta, valores (ou a falta deles), verdades e menturas, mau uso da palavra, falácias de todo o tipo... Que atualidade! E tudo termina em grande quando se pede aos alunos para testarem a validade do seguinte argumento:
Todos os pedantes são enfadonhos.
Alguns intelectuais não são enfadonhos.
Logo, alguns intelectuais não são pedantes...
Proponho que se troque "pedante" por "político" e "enfadonho" por "corrupto" a ver o que dá...
EU, PROF FARTA DO SISTEMA, ME CONFESSO!

6.19.2012

FAMÍLIA

"Às vezes penso que, possivelmente, não precisamos de pai e mãe. A mim a família só me atrapalhou. Tive que começar tudo pela outra ponta."

António Alçada Baptista, O Tecido do Outono

A HIPNOSE DA EDUCAÇÃO

"À maneira que passaram os anos dei-me conta que toda a educação é uma forma de hipnose, de lavagem ao cérebro, de endoutrinamento donde é difícil sair com os sentidos intactos!"

in António Alçada Baptista, O Tecido do Outono

NÃO SEI VIVER COM ISTO

Não sei viver com isto...quero tudo e não tenho nada. E hoje não tive nada e uma vida não chega para viver tudo o que quero viver contigo. E depois há os dias como o de hoje em que desapareces e eu perco o discernimento. Atrapalhas-me a vida com o teu silêncio. Caso contrário viveria os meus dias como se não tivessem fim. Parece que é de um momento para o outro e de repente que a gente leva um golpe e hoje foi o dia... feito de silêncios perturbantes porque me cheguei a ti e não estavas lá.
E os dias correm e desaparecem... e a este vazio que fica quando o dia chega ao fim, que lhe faço?

EXAME DE MATEMÁTICA B

Só almas mesmo muito elevadas, a roçar o estado Zen é que aguentam... e mesmo essas, tremem perante uma vigilãncia de exame. Não se aguenta! Entras na escola às oito da matina para às oito e meia te darem um envelope selado com as provas... Se te atrasas e chegas ao Secretariado de Exames às oito e trinta e dois ou trinta e cinco, levas com uma falta a encarnado só justificável com um atestado médico... o que signfica que vais perder  a tarde no agradável Centro de Saúde de tua zona a pedinchar o dito atestado à tua médica de família, isto se ela não tiver ido já de férias... Porque se a gaja foi de férias, tás literalmente lixado/a... Caso o dia seja de sorte e a gaja esteja por lá e bem disposta, vai mentir com os dentes todos, pondo no papelinho que tu estiveste doente nesse dia quando o que aconteceu foi que te atrasaste dois ou três minutos embora o exame propriamente dito só comece às nove horas e  tu tenhas chegado às oito e trinta e cinco e os alunos só entrem na sala às oito e quarenta e cinco e o toque de cortar o envelope com a tesoura só apite às nove.
Se não entenderam façam de conta ou eu explico de novo!

Ultrapassada esta primeira fase, estás na sala, os alunos entram, são distribuídos pela ordem de pauta, preenchem o cabeçalho da folha de exame, conferes a sua identidade, cortas o dito envelope, distribuis os enunciados e sentas-te. Na rifa, hoje saiu-me Matemática B, 12º Ano, Código 335, Duração 150 minutos.

150 MINUTOS? Não queres acreditar que são tantos minutos... nunca imaginas o tempo que demoram cento e cinquenta minutos a passar... uma verdadeira epopeia da eternidade. O que significa que até às onze e meia, não existes! A única coisa que podes fazer é respirar! É então que tentas distrair-te a tentar decifrar o enunciado da prova que exame que para uma prof de Português surge em forma de hieróglifo: o comprimento de um arco de circunferência mais a área de figuras planas com volumes e progressões e sucessões e sistemas de restrições e círculos de valores de variáveis e espaços percorridos e taxas de variações de função, trapézios isósceles e os quadriláteros obtidos.

Durante duas horas e meia pedem-te que não tujas nem mujas, como se o mundo acabasse ali. Mas não acaba... Sai dali convencida de que a taxa média de variação da função N pedida(sendo, neste caso, função N o tempo disponibilizado aos alunos para realização do dito exame e aos profs para suportarem a hercúlea missão) não é nem positiva nem negativa: é sempre, sempre excessiva!

6.17.2012

SÍNDROME DE ESTOCOLMO

São mais, muitos e muitas mais, aqueles e aquelas que dela sofrem Tenho andado mais atenta ao fenómeno desde que me apercebi de que isto se passava com pessoas próximas e de quem eu nunca esperaria algo semelhante. Claro que para isto acontecer, o estado psicológico da vítima tem de ser particular pois uma pessoa que se identifica com o seu agressor, de certeza que não estará muito bem da tola.

A designação deste fenómeno surge em referência ao famoso assalto de Norrmalmstorg do Kreditbanken em Norrmalmstorg, Estocolmo que durou de 23 de agosto a 28 de agosto de 1973 durante o qual as vítimas ganharam simpatia pelos seus captores, defendendo-os mesmo perante a justiça. E parece que a coisa se desenrola assim: primeiro, as vítimas começam por identificar-se emocionalmente com os sequestradores, a princípio como mecanismo de defesa, por medo de retaliação e/ou violência e pequenos gestos gentis por parte dos captores são frequentemente amplificados... Em segundo lugar, é importante observar que o processo da síndrome ocorre sem que a vítima tenha consciência disso. A mente fabrica uma estratégia ilusória para se proteger...

Mas de todas as situações em que a síndrome de Estocolmo pode acontecer (sequestro, cenários de guerra, sobreviventes de campos de concentração, pessoas submetidas a prisão domiciliária por familiares, vítimas de abusos pessoais, como mulheres e crianças), aquela que mais me tem intrigado é o caso de violência doméstica e familiar em que a mulher é agredida pelo marido e continua a amá-lo e a defendê-lo junto da família e dos amigos como se as agressões fossem normais. Em bom português: ela leva uma tareia do camandro, aparece de olhos negros, nós sabemos o que aconteceu mas ela diz que tropeçou e que caiu.

A melhor maneira de tratarmos esta síndrome de Estocolmo surge cedo, logo na escola primária. E pode, a meu ver, muito bem ser identificada na literatura infantil, no clássico conto francês, escrito por Marie le Prince de Beaumont, "A Bela e o Monstro" que conta a história de uma menina muito bonita e inteligente que é vítima de cárcere privado por um MONSTRO, e por fim desenvolve um relacionamento afetivo e casa-se com ele.
Atenção, MUITO IMPORTANTE: este conto tem de ser trabalhado como deve ser ou as crianças ainda ficam a adorar o Monstro e depois correm o risco de vir a casar com ele...

6.16.2012

ZEN AND THE ART OF HOUSEKEEPING


“I try to think of housekeeping as a short mental vacation — let my mind freewheel like I do on a walk or a swim.  
I sometimes come up with solutions to problems I didn’t even know I had.”  

Housekeeping is repetitive, monotonous and makes ME feel miserable. But can be very conducive to pondering the questions of life while, I can assure you. I took the day out for cleaning and putting things into order and as I go about my house, I get overwhelmed at everything that needs order... So, I stop a bit and come to the laptop or to the window or to the terrace or to another cigarette... The fact is that I realized I had clothes waiting for ironing since last summer... and that's a... real terrible fact! 

Staying home in a mission like this is also a very powerful way to send away some trash... and any piece that's broken, ugly or irritating goes straight to the trash bag... This saturday mission is also strong to lead me to the chocolate boxes I have been hiding from myself but, who cares? Today I do not care too much... like Scarlett O’Hara, will think, “Tomorrow is another day.”




HISTÓRIA

Esta é uma simples história de um incêndio emocional vivido entre duas cidades com uma terceira a fazer de amante.

AS PALAVRAS

Hoje acordei com palavras...a pensar em palavras... nas palavras...
Sei o crime da palavra, da fatalidade do sim e do não... Sei que os atos valem mais do que as palavras e sei que elas nos condicionam o pensamento. Sei que lutar com palavras é a luta mais vã, sei de palavras com poucas ideias, palavras vazias e frases-feitas... e sei mesmo que, em última instância, quando estamos irremediavelmente sós, as palavras não servem para nada.

Mas eu preciso de palavras como do ar... Sim, há palavras que nos beijam e há as outras, as palavras que nos matam (melhor, as que me matam...) como se fossem punhais.

Falávamos há dias entre amigas e algumas gargalhadas sobre o tema e recordei de imediato a minha profunda sensibilidade às palavras quando, após falar cerca de quarenta e cinco minutos com um meio conhecido, amigo de uma amiga, ele encerrou o diálogo com a frase: - Boa noite, vou nanar! Ora, eu que nem com crianças aprecio particularmente a infantilização discursiva, arrepiei-me e, sim, encerrei ali e para sempre aquele processo dialogante que o dito sujeito inutilmente tentou prosseguir nos dias seguintes. O mesmo se passou tempos mais tarde com o indivíduo sensato e sensível, de boas famílias e intenções que, sentindo-se jà à vontade no discurso, desejou-me boas noites por sms acrescentando: 
- Boa noite! Banhoca tomada, leitinho bebido...
Pum catrapum pum pum... Foi o fim do que não tinha começado. Aquela frase entoou horas a fio pela minha cabeça e, os diminutivos usados, ainda hoje fazem efeito... 

É claro que temendo o elevado exagero do meu espírito crítico, pedi imediata ajuda às experts na matéria. Duas amigas. Uma, como eu, referiu apenas, sorriso largo e olhar manhoso: - Compreendo! A outra, mais benevolente, usou da sua capacidade engenhoso-discursiva para tentar explicar que, em determinados contextos, um homem maduro pode dizer que tomou banhoca e bebeu leitinho... mas não nos convenceu...

Pronto! Chego assim ao cerne da questão... Será que o amor ou a falta dele nos infantiliza? Será preciso dizer ao outro Gosto de Tu? E aqui confesso-me assustada com a minha galopante perda de sentido crítico... Julgo até ter respondido com um também Gosto de Tu, só talvez justificável porque, de facto, indubitável e inesperadamente, também gosto de ti!

6.15.2012

O TEMPO DA TRAVESSIA

"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos. " 

Fernando Pessoa

6.14.2012

MÉXICO

- Uma vez, quando era pequena, o meu pai levou-me ao México.
- Mas tu nunca foste ao México...
- Não, não fui. É verdade... tens razão... Mas não é preciso ir aos sítios para se estar lá. Nem é preciso ter pai.

DIAS QUE CORREM DEPRESSA

Há dias que correm muito depressa... E quando isso acontece, podemos fugir à frente do tempo mas ele persegue-nos e já não nos podemos esconder. Há quem viva além da conta... há quem se permita excessos sem precaução...há mesmo quem prefira sentar-se numa cadeira com tempo e alma e ficar ali, à espera que o turbilhão passe. Se passar... 
E há quem precise de olhar para trás para ver de onde vem porque simplesmente não sabe para onde vai... 
Por isso, te digo: há alturas na vida em que temos de voar...

O DRAMA DE PORTUGAL

Já todos os homens de letras o escreveram, de Garrett,  Eça,  Antero, a Pessoa e a Saramago... Trazemos desde o início uma fragilidade endémica que não conseguimos superar. Por momentos, parece que vamos conseguir... construímos velas e lançamo-nos ao mar... E até navegamos... Mas o barco acaba sempre por parar. É este o drama... o nosso drama, o drama do nosso atraso e da nossa dependência. Somos demasiado passivos face aos tempos... Precisamos de ideias novas e de alternativas, precisamos de pensar... Não precisava vir o Roosevelt dizer que a democracia se funda em coisas simples.  Nós sabemos que são as coisas básicas e simples que definem um povo e lhe dão a sua identidade. Essas duas coisas fundamentais e básicas, o trabalho e a educação, perderam-se em Portugal. E sem eles, perdemos o caminho...
Não nos iludamos, de facto. Ou nos salvamos ou ninguém nos virá salvar... Nem o D. Sebastião...

DE DUBLIN A GALWAY

Hoje de manhã a caminho do trabalho,  ouvi que a Aung San Suu Kyi vem à Europa após mais de vinte anos de ausência e que, no seu périplo, vai encontrar-se com Bono Vox em Dublin. Recordei de imediato a cidade e o país...
Decidi passar o meu último aniversário na Irlanda. Estava de férias e sair de Lisboa para um outro local pareceu-me interessante. Num ápice, procurei e mal dei por mim já tinha colocado o código do  cartão de crédito. Há impulsos a que não se consegue resistir...

Cheguei ao aeroporto de Dublin por volta das sete horas da tarde. Pequeno, confortável e suficientemente acolhedor. Apanhei o autocarro da Airlink por 6 euros para o centro da cidade, mais propriamente para O'Connell Street, de onde seria fácil encontrar outro transporte para o meu hotel. Saí na O'Connell, uma das mais largas avenidas da Europa (desenhada por Luke Gardiner em 1740) e apanhei o tal autocarro conduzido por uma senhora que andou literalmente comigo à procura do hotel. Insólito, sim! Mas aconteceu. Ela ia conduzindo o autocarro devagarinho até o encontrar e garantir que me deixava à porta. E era um autocarro público! Começou aqui a minha simpatia pelos irlandeses. Desde a faculdade que me recordava das anedotas dos ingleses para os irlandeses, algo semelhante ao que acontece com as anedotas sobre alentejanos.

Povo afável e festivo, os irlandeses celebram a vida a todo o momento. Andei por Dublin como se fosse uma pequena cidade do interior de Portugal, parando obrigatoriamente todos os fins de tarde no Temple Bar para uma pint de Guineess ou duas, a aquecer a alma que em Dublin faz frio em fevereiro. O Temple Bar é a catedral de Dublin, onde tudo acontece e ponto de encontro de locais e estrangeiros... mas há centenas de pubs em Dublin, basta escolher.
Dublin é uma cidade para se percorrer a pé. Rica em edifícios de estilos georgiano muito bem conservados, visitar as suas catedrais é obrigatório (a St. Patrick Cathedral  é a maior igreja protestante da Irlanda e considerada a catedral do povo e a Christ Church Cathedral foi a primeira igreja de Dublin fundada em 1038) mas acabamos quase sempre por acabar no Trinity College, cuja livraria tem mais de três milhões de livros... ou para dar de frente com a estátua de Oscar Wilde ou de James Joyce. Eu que gosto de cafés, tento explorá-los nas cidades por onde passo e em Dublin, o Bewleys em Grafton Streer é um sítio a não perder, onde podemos observar as senhoras irlandesas a beber o seu chá. Claro que quem visita Dublin ou qualquer outra cidade daquelas paragens não resiste à oferta de livros fantásticos em segunda mão a 1 euro ou 50 cêntimos nas muitas lojas Charity que se encontram a cada rua. Os irlandeses são verdadeiramente um povo de escritores e de leitores... Dublin, cidade calma e acolhedora, onde a literatura paira no ar assim como o espírito de sobrevivência dos muitos milhares que tiveram de emigrar aquando da Grande Fome (The Great Famine foi um período de fome, doenças e emigração demassas que dizimou a irlanda entre 1845 e 1852).

Mas Dublin não é a Irlanda. E o comboio é uma das melhores formas de conhecer o país. Da estação de Heuston, a viagem demore cerca de 3 horas e custa cerca de 45 euros.  Optei por Galway em vez de Cork. Qualquer dos sítios serviria para me deixar sentir o outro lado... Mas Galway, uma pequena vila costeira e considerada por muitos um dos locais mais descontraídos do oeste da Europa Ocidental, tem um estilo de vida sereno e boémio, indo todas as suas ruelas dar ao mar. Conhecida com o terra das tribos durante a Idade Média (por ter sido governada por 14 tribos bárbaras), realiza uma feira semanal onde a música celta é soberana e os fish and chips também.

Regressei de Dublin no dia do meu aniversário com a frase do Bernard Shaw em mente:
 "Ireland, sir, for good or evil, is like no other place under heaven, and no man can touch its sod or breathe its air without becoming better or worse."
- George Bernard Shaw

AT THE END EVERYTHING WILL BE OK

"At the end everything will be ok!
And it it's not ok it's because it's not the end!"

in The Best Exotic Marigold Hotel

6.12.2012

QUANDO...


Pediu-lhe para definir o que sentia e ela respondeu-lhe:

" - Sabes, quando, de repente, tudo aquilo a que estavas habituado, deixa de fazer sentido? Quando te apetece parar os relógios e ficar abraçado para sempre? Quando sentes o teu mundo desabar porque, de súbito, esse deixou de ser o teu mundo? E quando olhas em redor e a pessoa que tu amas não está e não percebes porquê? Quando te sentes incompleto, estranho, inseguro, carente... porque simplesmente te apavora a ideia de não seres amado desta forma louca e brutal? Quando qualquer sinal é suficiente para te fazer vibrar outra vez? Fazes ideia do que é amar de novo, quando já nem te lembravas como era? E querer tudo do outro, sem concessões? Sabes o que é não querer restos nem migalhas mas querer dar e receber tudo, tudo, tudo...? 




Achas que algum dia vais entender o que é sentir tudo isto ao mesmo tempo?"

EXCÊNTRICO


meu pai era um homem alto, magro, de olhos azuis cristalinos e rosto perfeito. Era um homem estranhamente elegante que me habituei a ver à distância nos seus espaços de eleição: a sua secretária, onde lia e escrevia avidamente, e o canto do quintal, sob aquela imensa amendoeira que nunca, que me lembre, deu algum fruto.

Era um homem excêntrico, de uma excentricidade que incomodava. Na forma de agir, de falar, de viver. 

Os seus hábitos escandalizavam. As suas palavras, sempre novas, deixavam-me inquieta. Era demasiado diferente dos demais... 

Mas as suas leituras, os seus livros, os seus poemas permanecem em mim. 

Sinto saudades de o ver. Acordo todas as noites a olhar para os seus olhos azuis a devolverem-me um sorriso.

Não o vi morrer. Morreu sozinho como morrem todos os HOMENS. Só espero que tenha sido devagarinho, como se estivesse a adormecer.

CICATRIZES


Não tentes enterrar a dor... Porque ela estender-se-á pela terra, sob os teus pés; infiltrar-se-á na água que tenhas de beber e envenenar-te-é o sangue. 

As feridas fecham-se, mas ficam sempre cicatrizes mais ou menos visíveis que voltarão a incomodar quando mudar o tempo, lembrando-te na pela a sua existência e, com ela, o golpe que as originou. 

E a recordação do golpe afectará as decisões futuras, criará medos inúteis e tristezas vis, e crescerás como uma criatura apagada e cobarde. 

Para quê tentar fugir e deixar para trás a cidade onde caíste? Pela vâ esperança de que, noutro local, num clima mais benigno, já não te doerão as cicatrizes e beberás uma água mais limpa? 

Em teu redor erguer-se-ão as mesmas ruínas da tua vida porque para onde quer que vás, levarás a cidade contigo.

Não há terra nova nem mar novo; a vida que não aproveitaste ficará por aproveitar em qualquer parte do Mundo.

A HISTÓRIA DO DESEJO

Um homem estava muito doente e experimentou todos os tipos de terapia, mas nada o ajudava. Então foi a um hipnotizador e este deu-lhe um mantra para ele repetir continuamente: 

"Eu não estou doente." Durante pelo menos quinze minutos de manhã e quinze minutos à noite. "Eu não estou doente, eu sou saudável." E durante todo o dia, sempre que se lembrasse, deveria repeti-lo. Ao fim de alguns dias ele começou a melhorar. Dentro de algumas semanas 
ele estava completamente bem de saúde.


Então o homem contou à sua mulher:
 - Isto foi um milagre! Achas que devo ir a este hipnotizador pedir outro milagre? É que ultimamente não tenho sentido desejo sexual e a nossa relação sexual está quase estagnada. Já não há desejo.
A mulher ficou contente. Ela disse:
 - Vai, porque começava a sentir-me muito frustrada.
O homem foi ao hipnotizador. Quando regressou, a mulher perguntou-lhe:
 - Que mantra, que sugestão é que ele te deu agora?

O homem não lhe contou mas ao fim de algumas semanas começou a recuperar o desejo sexual. Ele começou a sentir desejo novamente. Então a mulher ficou muito intrigada. Ela perguntava-lhe constantemente, mas o homem ria-se e não dizia nada. Então um dia, enquanto ele estava na casa de banho de manhã a fazer a sua meditação, ela conseguiu ouvir o que ele dizia: 

"Ela não é a minha mulher. Ela não é a minha mulher. Ela não é a minha mulher."