Após ler-te e reler-te e voltar a ler-te, concluo que não me canso de ti. Quando me sinto escurecer, agarro num dos teus livros e transformo-me em ti. Ora fico por casa ora saio em busca do nada que acabo, inevitavelmente, por encontrar. O telefone toca e é sempre a mesma voz desconhecida a oferecer-me o mistério da minha própria vida numa bandeja de prata. I don't panic. I count to ten. Then I panic! É sempre assim desde que te comecei a ler. Não consigo parar de fazê-lo. E muito menos esquecer as tuas palavras. Como posso eu esquecer-te se, és afinal, a minha infância?
Porque a vida não é um fenómeno lógico e a criatividade é um produto derivado do sonho...
4.08.2011
ENTRE CONTINENTES
Sempre que reaparece o sol, agarro no meu livro e vou-me instalando nas esplanadas do meu bairro. Por momentos, dou por mim a olhar em volta e a observar.
A esplanada a norte tem sol pela manhã e uma população essencialmente constituída por casais e os seus rebentos mais ou menos barulhentos. Surgem sempre aos pares, acompanhados de carrinhos de bebé ou de crianças de 2, 3 anos pela mão. De vez em quando, aparece uma avó ou outra. Nada mais acontece por ali. Escolho este local apenas pelo sol. Nada tenho contra as crianças. Mas os pais aos berros, clamando pela Carolina, pelo Bruno e pelos Ricardinhos enervam-me. E ainda mais irritante é a terrível abelha-maia que desata a grunhir sempre que recebe uma moeda de 1 euro e onde aqueles seres passam uns momentos de plena felicidade, encavalitados em cima da dita abelha. Resisto. Aguento. Fumo mais um cigarro. O fumo espalha-se. Ai, o fumo!, - pensam alguns pais embora se mantenham em silêncio. Bebo mais um café.
A outra esplanada tem sol pela tarde. É habitada por uma gente diferente. Observo-os de vez em quando. Porra, são giros. E vestem-se bem. Invariavelmente, usam jeans de marca, ténis puma e t-shirt coladinha ao corpo. Perceberam? Coladinha ao corpo... Pois! São eles mesmo. Instalam-se por ali aos pares. Outras vezes sós. Transportam consigo o seu laptop com internet wireless e são uns heróis. De quando em vez atendem o seu telemóvel de terceira geração.
Sorrio. Sorrio-me. Sou uma ilha entre estes dois continentes que nunca se cruzam
A esplanada a norte tem sol pela manhã e uma população essencialmente constituída por casais e os seus rebentos mais ou menos barulhentos. Surgem sempre aos pares, acompanhados de carrinhos de bebé ou de crianças de 2, 3 anos pela mão. De vez em quando, aparece uma avó ou outra. Nada mais acontece por ali. Escolho este local apenas pelo sol. Nada tenho contra as crianças. Mas os pais aos berros, clamando pela Carolina, pelo Bruno e pelos Ricardinhos enervam-me. E ainda mais irritante é a terrível abelha-maia que desata a grunhir sempre que recebe uma moeda de 1 euro e onde aqueles seres passam uns momentos de plena felicidade, encavalitados em cima da dita abelha. Resisto. Aguento. Fumo mais um cigarro. O fumo espalha-se. Ai, o fumo!, - pensam alguns pais embora se mantenham em silêncio. Bebo mais um café.
A outra esplanada tem sol pela tarde. É habitada por uma gente diferente. Observo-os de vez em quando. Porra, são giros. E vestem-se bem. Invariavelmente, usam jeans de marca, ténis puma e t-shirt coladinha ao corpo. Perceberam? Coladinha ao corpo... Pois! São eles mesmo. Instalam-se por ali aos pares. Outras vezes sós. Transportam consigo o seu laptop com internet wireless e são uns heróis. De quando em vez atendem o seu telemóvel de terceira geração.
Sorrio. Sorrio-me. Sou uma ilha entre estes dois continentes que nunca se cruzam
SOU COMO UM GATO
"Sou como um gato. Atirem-me ao ar e cairei sempre de pé." Bette Davis
Atirou-se da janela do 5.º andar. Pela segunda vez. Apanhei-o de dentro de uma poça de sangue. Olhava-me com os seus olhos ternos e suplicantes. Amo-o. Amei-o desde a primeira vez que o vi. Pequenino, hesitante. Agarrei-o ao colo e trouxe-o comigo para casa contra todas as expectativas. Desde esse dia que me apoio nele. Um ser arisco e ternurento, de uma ternura extraordinariamente independente mas que me prende, me conforta e me dá prazer.
Levei-o às urgências. Disseram-me: "se for coluna vertebral, terá de mandar abater." Assim, nua e cruamente, como se eu pudesse mandá-lo abater e continuar na posse de todas as minhas faculdades. Mas não era. Parecia apenas. Fractura da bacia. Ficou no hospital. Regressou ontem para casa. Agora está aqui ao meu lado, imóvel e questionante, com os seus olhos suplicando mimo e festas. Safou-se desta! Mas só já lhe restam 5 vidas. Sinto-o próximo de mim. É como se, solidário comigo e com os meus momentos de atracção pelo abismo, se atirasse da varanda em meu lugar.
Atirou-se da janela do 5.º andar. Pela segunda vez. Apanhei-o de dentro de uma poça de sangue. Olhava-me com os seus olhos ternos e suplicantes. Amo-o. Amei-o desde a primeira vez que o vi. Pequenino, hesitante. Agarrei-o ao colo e trouxe-o comigo para casa contra todas as expectativas. Desde esse dia que me apoio nele. Um ser arisco e ternurento, de uma ternura extraordinariamente independente mas que me prende, me conforta e me dá prazer.
Levei-o às urgências. Disseram-me: "se for coluna vertebral, terá de mandar abater." Assim, nua e cruamente, como se eu pudesse mandá-lo abater e continuar na posse de todas as minhas faculdades. Mas não era. Parecia apenas. Fractura da bacia. Ficou no hospital. Regressou ontem para casa. Agora está aqui ao meu lado, imóvel e questionante, com os seus olhos suplicando mimo e festas. Safou-se desta! Mas só já lhe restam 5 vidas. Sinto-o próximo de mim. É como se, solidário comigo e com os meus momentos de atracção pelo abismo, se atirasse da varanda em meu lugar.
EM BUSCA DO CARNEIRO SELVAGEM
EM BUSCA DO CARNEIRO SELVAGEM
De novo, a viagem iniciática. A procura do que se perdeu algures. O contacto com a morte e o que daí resulta para cada protagonista de Murakami. Mais fragmentos dispersos da consciência de um "eu", dos nossos "eus", porque é difícil falar das coisas que realmente nos importam, Murakami vai intercalando na sua quest pelo sentido da existência, personagens que apresentam em comum o contacto com o mar, o refúgio em locais distantes e isolados, o nonsense do que depois se torna essência.
Em Busca do Carneiro Selvagem: tudo o que faz uma vida... acordar, trabalhar, perder, amar, sofrer, chegar, partir. Há coisas que se esquecem, outras desaparecem, outras ainda morrem. não é preciso fazer nenhum drama por isso. (p.32) Pois não. Morte, vida, sonho, sexo, amor, traição, gatos, mar, cabana, mistério, obcessão, rotinas... No aquário da minha imaginação é sempre fim de Outono, diz o protagonista. O mesmo Outono que se sentiu em Kafka Kamuri, o mesmo Outono do próprio Murakami, o nosso próprio Outono...
O carneiro selvagem que todos possuímos dentro de nós mas deixámos fugir. Ou o carneiro selvagem que todos procuramos porque toda a gente tem alguma coisa que não quer perder: Nem essas células dos nossos corpos que se renovam todos os meses e que levam consigo parte de nós. Tornamo-nos carneiros tresmalhados... Sim, que à força de vivermos rodeados de gente estúpida, acaba-se por desconfiar e tudo e de todos. Quem me dera, também eu, partir em busca de qualquer coisa. Precisamos de ir em busca de qualquer coisa, algo que dê significado à vida. É isso, a vida: uma busca permanente. (p.240)
Em Busca do Carneiro Selvagem: tudo o que faz uma vida... acordar, trabalhar, perder, amar, sofrer, chegar, partir. Há coisas que se esquecem, outras desaparecem, outras ainda morrem. não é preciso fazer nenhum drama por isso. (p.32) Pois não. Morte, vida, sonho, sexo, amor, traição, gatos, mar, cabana, mistério, obcessão, rotinas... No aquário da minha imaginação é sempre fim de Outono, diz o protagonista. O mesmo Outono que se sentiu em Kafka Kamuri, o mesmo Outono do próprio Murakami, o nosso próprio Outono...
O carneiro selvagem que todos possuímos dentro de nós mas deixámos fugir. Ou o carneiro selvagem que todos procuramos porque toda a gente tem alguma coisa que não quer perder: Nem essas células dos nossos corpos que se renovam todos os meses e que levam consigo parte de nós. Tornamo-nos carneiros tresmalhados... Sim, que à força de vivermos rodeados de gente estúpida, acaba-se por desconfiar e tudo e de todos. Quem me dera, também eu, partir em busca de qualquer coisa. Precisamos de ir em busca de qualquer coisa, algo que dê significado à vida. É isso, a vida: uma busca permanente. (p.240)
3.20.2011
CARTA DE DESPEDIDA (PODEM COPIAR LOL LOL LOL)
Às vezes tenho tendência para as inseguranças, as incertezas, as imbecilidades, as infantilidades... às vezes esqueço-me de que não tenho assim tão mau feitio e deixo que me pisem. Mas hoje apercebi-me de que era hora de me tornar visível. Vou deixar-te proque estou cansada da tua imaturidade, dos teus jogos... Mas até lá vais perceber que, apesar do meu metro e sessenta, uma pessoa é alta quando sente que é alta e está provado que podemo-nos sentir altos se olharmos para os outros de cima para baixo, coisa que nunca me habituei a fazer.
Hoje acordei com a sensação de que poderia, com facilidade, largar a minha vida sem fazer barulho e meter-me noutra. Tudo no silêncio das 6h da manhã e perante uma total ausência de gravidade.
Tenho isto a dizer-te: és imaturo, inseguro, indeciso e pouco empenhado. Não é que eu quisesse um lambe-botas. Nem tenho nada contra aqueles homens que lêem nos olhos das suas mulheres... Mas tu és impressionantemente atrofiado emocionalmente...
Sei que o meu grande defeito tem sido a minha total incapacidade de ser bruta... mas só até aqui. A partir de hoje vou tornar-me, com a tua preciosa ajuda, uma verdadeira cabra. Por isso, "get your tongue out of my mouth, I'm kissing you goodbye."
VIDA EM FORMA DE PATCHWORK
A minha vida - se calhar como todas as vidas - é feita de retalhos, um patchwork nem sempre perfeito mas repleto de momentos que certamente me dão muitas razões para sorrir.
Pequenos almoços de nan e laci em terras da Índia, as ruelas de Udaipur atravessadas por elefantes, as cores e cheiros de Jaipur, o mistério do Ganges em Varanasi, o Outono em Londres, deambular pelos mercados de Portobello e Camdem, percorrer as ruas de Oxford, entrar nas suas muitas livrarias, ver teatro em Stratford-Upon-Avon, perder-me em Nova Iorque, ver nevar no Central park, horas perdidas em Manhattan, o fim do ano no Hogmanay de Edimburgo com muitos kilts à minha volta e onde a tradição ainda é o que era (nada por debaixo dos kilts), as danças índias na Cidade do México, o sol do Olodum em São Salvador da Baía, a beleza estonteante do Rio de Janeiro, as pontes de Praga, os bares e música cigana de Buda e de Peste, os bombons de chocolate Mozart de Viena de Aústria, a música de Salzburg, as gentes de Cuba e os seus sorrisos, um café na Bodeguita del Medio em Havana, os cachimbos de água fumados no Cairo, o Khan Al Kha-lili, o deserto de Siwa, a biblioteca de Alexandria, atravessar o Atlas de carro em Marrocos, jantar por 50 cêntimos na praça Jam Al Fna em Marrakesh, perder-me na medina de Fes, um passeio de bibicleta em Amesterdão, o ferragosto na Sicília, uma spagetada com uma família siciliana, percorrer os canais de Veneza a ouvir a banda sonora do filme O Piano, uma bebida numa esplanada da praça S. Marcos, conduzir em Nápoles, o Coliseu de Roma, a Torre de Pizza, as ruínas de Pompeia, o mar revolto de Génova, a arte pelas ruas em Barcelona, os canais de Bruges, as ilhas gregas, as compras na Plaka em Atenas, as ruelas de Jeru´salém ou as praias de Telavive, ou do Mar das Caraíbas, o Oceano Pacífico ou o Índico... banhar-me em Saona e não querer voltar, dançar até cair para o lado em Cabo Verde, percorrer de barco os locais das filmagens do Platoon, um hamam na Turquia, o Hotel PÊRA PALAS e o quarto de Agatha Christie, navegar rios e canais na selva silenciosa da Costa Rica, ver os navios passar o Canal do Panamá, Petra ao fim da tarde, um jantar em Miami Beach, a colorida Sidi bou Said na Tunísia, e Palolem, sempre sempre Palolem...
3.15.2011
O CASAMENTO

A instituição do casamento, como a (re)conhecemos hoje é indubitavelmente a maior estupidez deste mundo e, provavelmente, do outro.
DA COSTA RICA AO PANAMÁ
Dia 1 - TAP AIR PORTUGAL, TP 121, destino - CARACAS, aeroporto Simon Bolivar. Viagem de 8h 05m. Aterrei eram 14h15, hora local na Venezuela. Dali, seriam ainda mais 3h para Sao José, capital da Costa Rica. Hostal Pangea, indicada pela Lonely Planet, foi o lugar escolhido para pernoitar: 23 dias de viagem para limpar a mente e relaxar.
Dia 2 - Mal dormi na primeira noite na Costa Rica. Ou do Jet Lag ou o lado emocional da viagem a falar mais alto. Passei toda a noite a olhar o tecto. Por volta das 5h da matina levantei-me e saí para a rua. A cidade de S. José acorda cedo. Ainda que aparentemente calma àquela hora, por volta das 8h o movimento era já intenso. Mas as pessoas respiram calma, um certo ar de relax, como se a palavra stress lhes fosse estranha. Respira-se tranquilidade. O lema dos ticos parece fazer aqui todo o sentido. Que PURA VIDA!
Deambulei pelas ruas da cidade depois de um delicioso pequeno almoco costariquenho constituido por Gallo Pinto (arroz com feijão e ovos e tomate, tudo acompanhado pelo mais delicioso cafe que se possa imaginar. Pequenos prazeres que fazem a delícia de um viajante. O contacto com os locais , com os seus cheiros e sabores, enfim, a vida na sua maior simplicidade. O povo afectuoso, trata nos com carinho e sem qualquer tipo de pressão. Visita ao Mercado Central de S. José. Dia 2 de Agosto, dia feriado. Dia da Virgem de Los Angeles, conhecida como LA NEGRITA. Milhares der romeiros visitam a Basílica situada em Cartago, antiga capital situada a 22 km de S. José, vindos de toda a Costa Rica. Reza a lenda que esta santa teria aparecido a uma menina em forma de uma pedra negra no local onde hoje se encontra a igreja. A menina pensou ser uma boneca e levou-a para casa. Mas a pedra negra, em forma der santa, tornava a aparecer sempre no local onde surgira pela primeira vez. Perante tal facto, a Igreja permitiu ali o aparecimento de uma basilica que hoje recebe milhares de fiéis.
Dia 3 - Partimos de S. José com destino a Quepos. 4h de viagem em autocarro. Delicieime com uma paisagem luxuriante que me deu o feeling de estar a visitar um jardim botãnico em tamanho gigante. Em Quepos, o Parque Nacional Manuel António era o nosso destino. Escolhemos o inesquecível Hotel Costa Verde cujo lema se rege pela frase "still more monkeys than people". O que posso confirmar ser absolutamente verdade. Vi mais macacos a trepar e a saltar de galho em galho do que pessoas por ali. Passei o dia na piscina virada ao mar azul entre palmeiras e em plena floresta tropical. Adormeci ao som das muitas aves, do som dos insectos e dos gritos dos macacos. O jantar foi em frente ao mar, depois de algumas horas de deleite na varanda do nosso quarto, ao som de uma tempestade tropical. A chuva intensa e os relãmpagos que iluminavam o céu transportam-me para outro mundo. Estava nos trópicos, virada ao oceano pacífico.
Dia 4 - Deambulei pelo Parque Nacional Manuel António, a 7km de Quepos. Macacos, preguicas, jacarés, aves, insectos, tudo embrenhado numa paisagem de perder o fôlego. Praias de capa de revista, de areia imaculadamente branca e águas quentes com palmeiras a baloiçar. E desertas!
De regresso e rumo a outras paragens, pernoitámos novamente em S. José pois perdemos o autocarro para Cariari. Depois de um saboroso jantar, conhecemos o Bairro Amon, repleto de prostitutas e travestis e bares suspeitos, tudo misturado com normais estudantes que por ali passavam.
Dia 5 - Partimos de S. José com destino a Cariari de onde apanhámos um autocarro para um lugar estranhíssimo, ponto de partida do barco que nos levaria a Tortuguero. Duas horas e meia de bote em plena selva. Descemos o Rio Tortuguero entre margens repletas de vegetação virgem habitada por espécies variadas. Macados saltavam de galho em galho e nas margens do rio vi jacares e crocodilos. Em plena noite, caminhámos horas para chegar a uma praia onde as tartarugas vem desovar. Depois tapam os ovos e rumam ao mar. Verdadeiramente tocante. Adormeci cansada.
Dia 6- Acordei ao som da chuva. Muita chuva. Intensa. Tropical. Quente. Após uma deliciosa panqueca com doce e manteiga, mais uma viagem de bote. Desta vez pelos Canais de Tortuguero rumo a Puerto Limon. Alguns crocodilos repousavam tranquilamente nas margens do rio, ao longo dos canais, enquanto árvores estranhas e aves de todas as cores pairavam sobre nos.
Almocei em Puerto LImon, cidade de espirito tipicamente carribenho. Seguimos para Cahuita.
Dia 7 - Conhecemos Cahuita, uma vila com uma praia de areia branca e palmeiras mas a chuva impediu-nos de ficar. Seguimos para Puerto Viejo de Talamanca. Estivemos nas Cabanas Yucca, em frente ao mar e ouvimos muito reggae nos bares da vila.
Dia 8 - O dia foi passado em Puerto Viejo e na sua Playa Negra. Habitam esta vila pessoas de 44 nacionalidades diferentes e sente-se o espírito internacional. Malta de todo o lado passeia a pé, de bicicleta, a cavalo. Um mundo!
Dia 9 - Partimos de Puerto Viejo rumo a Sixaola, ultima localidade na Costa Rica antes de entrarmos na Panamá. A fronteira para o Panama surge a seguir a uma ponte apodrecida que se atravessa a pe. Guabito, no Panamá, fica do outro lado do rio e da ponte. Dali, fomos de taxi para Changuinola de onde apanhariamos o barco para Bocas del Toro, capital da Isla Colon. Uma ilha virada ao mar de um lado e, do outro, ao rio, com casas de madeira sobre a água, pintadas de todas as cores imagináveis. Escolhemos um hotel com uma vista soberba sobre o mar e jantámos camarões no El Pirata. Adormeci a ler Falling Angels e a personagem da Avy May nunca mais me saiu da mente.
Dia 10 - Acordei por volta das 9h e instalei me no magnifico terraço do hotel a beber café e a saborear a paisagem. Fomos a Bocas Del Drago, uma praia de aplmeiras e cocos a cair de quando em vez.
Dia 11 - Visitamos a Isla Bastimentos, um local difícil de descrever. Pobre, sem turismo, isolado e repleto de potencialidades. Imagino como será este local dentro de 10 anos. Um caminho íngreme pelo meio da selva levou-nos a uma praia idílica de areia branca, mar azul, aguas quentes e sol, muito sol. Antes do regresso a Bocas del Toro, saboreámos uns momentos de descanso no único bar da ilha, com música reggae e fotos do Bob Marley por todo o lado.
Dia 12 - Viajámos durante todo o dia. De Bocas del Toro, de barco para Almirante.De Almirante para David, 3h 30 de autocarro. Daqui para Penonome, 5h de autocarro. Chegamos a Penonome e optámos por dormir no hotel mais proximo.
Dia 13 - Saimos para El Valle de Anton, uma cidade pitoresca no vale de uma montanha onde, todos os Domingos, se realiza um célebre mercado de artesanato onde indígenas de locais distantes aproveitam para vender os seus produtos. Da varanda do hotel deliciei-me com uma fantástica paisagem sobre a montanha. Andámos de bicicleta e comemos pizza ao jantar.
Dia 14 - Após um passeio pela Feira de Artesanias de El Valle, seguimos de autocarro para a Cidade do Panamá, cerca de 2h de viagem. Visitámos a zona de Casco Viejo, zona antiga da cidade e andámos a pé como forma de conhecermos um pouco a cidade. Cansados, optamos por um tour pelos principais destinos turisticos: Causeway, Ponte de Las Americas, Marbella, Panama La Vieja, Casco Viejo e La Catedral.
Dia 15 - Visita ao Canal do Panamá. Fiquei impressionada com a fabulosa obra de engenharia que ali se encontra. Imaginem que estava no Canal do Panama, a ver os navios passar! A Julia Pinheiro, marido e filhos! lol Dali, perdemos o juizo nas muitas lojas do Allbrook Mall pois o consumismo e o cosmopolitismo de um centro comercial já estava a fazer-nos alguma falta. LOL
Dia 16 - Fui conhecer Panama La Vieja, as ruinas da antiga cidade do Panamá. Ficámos numa esplanada a olhar ao mar na zona antiga da cidade. De regresso, visitei o Multicenter e o jantar foi no Planet Hollywood.
Dia 17 - A Causeway representa uma maravilhosa zona de recreio para os habitantes da cidade. Dali avista-se mar de todos os lados e que bom ver os navios de recreio atracarem. Vive-se bem ali.
Dia 18 - Andamos nos coloridos e folclóricos autocarros da cidade do Panamá. A Avenida Central, repleta de comeárcio, lembra outras baixas de cidades sul americanas como o Rio de Janeiro, Santo Domingo...
Dia 19 - Dia passado na Piscina do luxuoso Hotel Panamá, um bónus merecido após tantos dias de mochila as costas.
Dia 20 - ibidem
Dia 21 - Despedida da Cidade do Panamá. Olhei o mar e os arranha-céus desta pequena Manhattan da America Central. Um gelado na Baskin Robbins transportou-me para a realidade que se aproximava. O regresso no dia seguinte.
Dia 22 - Viagem pela Copa Airlines da Cidade do Panamá, aeroporto Tocumen, para Caracas, 2h 15m. Depois vôo da Tap 130 para Lisboa, partida de Caracas as 17h e chegada prevista a Lisboa às 6h da manha do dia seguinte.
O fascino de uma viagem permanece muitos dias, meses e anos depois de ter acabado.
HEMODIÁLISE AFECTIVA
"Quando, numa daquelas noites mágicas em que conseguimos abrir o coração e revelar os nossos segredos mais inconfessáveis, lhe contei a minha história, ele agarrou-me a cabeça com cuidado, trocou o olhar com o meu como se tivesse entrado na minha cabeça e disse-me uma das coisas mais queridas e belas que alguma vez ouvi: meu amor, o que tu precisas é de uma transfusão emocional.
Graças a ele, estive dois anos em hemodiálise afectiva (...)."
in Pessoas como Nós
VIDA EM FORMA DE PATCHWORK
A minha vida - se calhar como todas as vidas - é feita de retalhos, um patchwork nem sempre perfeito mas repleto de momentos que certamente me dão muitas razões para sorrir.
Pequenos almoços de nan e laci em terras da Índia, as ruelas de Udaipur atravessadas por elefantes, as cores e cheiros de Jaipur, o mistério do Ganges em Varanasi, o Outono em Londres, deambular pelos mercados de Portobello e Camdem, percorrer as ruas de Oxford, entrar nas suas muitas livrarias, ver teatro em Stratford-Upon-Avon, perder-me em Nova Iorque, ver nevar no Central park, horas perdidas em Manhattan, o fim do ano no Hogmanay de Edimburgo com muitos kilts à minha volta e onde a tradição ainda é o que era (nada por debaixo dos kilts), as danças índias na Cidade do México, o sol do Olodum em São Salvador da Baía, a beleza estonteante do Rio de Janeiro, as pontes de Praga, os bares e música cigana de Buda e de Peste, os bombons de chocolate Mozart de Viena de Aústria, a música de Salzburg, as gentes de Cuba e os seus sorrisos, um café na Bodeguita del Medio em Havana, os cachimbos de água fumados no Cairo, o Khan Al Kha-lili, o deserto de Siwa, a biblioteca de Alexandria, atravessar o Atlas de carro em Marrocos, jantar por 50 cêntimos na praça Jam Al Fna em Marrakesh, perder-me na medina de Fes. um passeio de bibicleta em Amesterdão, o ferragosto na Sicília, uma spagetada com uma família siciliana, percorrer os canais de Veneza a ouvir a banda sonora do filme O Piano, uma bebida numa esplanada da praça S. Marcos, conduzir em Nápoles, o Coliseu de Roma, a Torre de Pizza, as ruínas de Pompeia, o mar revolto de Génova, a arte pelas ruas em Barcelona, os canais de Bruges, as ilhas gregas, compras em Atenas, as praias do Mar das Caraíbas, o Oceano Pacífico ou o Índico... banhar-me em Saona e não querer voltar, percorrer de barco os locais das filmagens do Platoon, um hamam na Turquia, o Hotel PÊRA PALAS e o quarto de Agatha Christie, navegar rios e canais na selva silenciosa da Costa Rica, ver os navios passar o Canal do Panamá, a colorida Sidi bou Said na Tunísia e Palolem, sempre sempre Palolem...
A ROTINA QUOTIDIANA DO CONCUBINATO
Há qualquer coisa de errado nas famílias ou será apenas impressão minha? Não encontro nada de mais irritante do que as obrigações impostas por esta instituição criada não sei bem com que fim e, cada mais, subscrevo o que diz o MEC:
"A família é um equívoco. A família está a dar cabo das pessoas. Há algo de promíscuo na maneira como as pessoas vivem. As pessoas vivem umas em cima das outras. São obrigadas a ver o mesmo canal de televisão, a comer o mesmo arroz de polvo, a ouvir as mesmas discussões, a ver os mesmos roupões... É pouco saudável. Não admira que toda a gente queira bater a asa à primeira oportunidade. (...) Se se quer conservar a família, é preciso mantê-la separada. A distância facilita o respeito. marido e mulher deveriam ser obrigados a convidar-se diariamente para jantar. As refeições obrigatórias sabem sempre mal. O convívio forçado à mesa não é uma prova de amor, é um refeitório de penitenciários. Só separada a família pode sobreviver. Contígua mas não comunitária. Adjacente mas não jazente. Se um casal for impelido, por razões habitacionais, a tocar à porta, a levar flores, a convidar para jantar, a fazer a corte para poderem dormir juntos, o amor pode durar muitíssimo mais. (...) Para uma família ser feliz tem de haver sedução. (...) Marido e Mulher, caso queiram permanecer juntos, têm de passar a vida a engatar-se. (...)
O Amor é demasiado raro e difícil para se estar a esbanjar na rotina quotidiana do concubinato."
PÉSSIMOS AMANTES
No fundo, e pensando bem, à distância de algumas boas doses de lágrimas, nós mulheres, somos as verdadeiras e únicas culpadas do sofrimento que os homens nos infligem. Porque, se o mundo está tão cheio de péssimos amantes, a culpa é nossa, é da imensidão de mulheres porque, na maioria das vezes, não nos atrevemos a dizer-lhes onde é que eles falham e que o sexo com eles é uma verdadeira merda, e que já tivemos amantes fantásticos juntos dos quais eles não têm absolutamente valor nenhum. Mas não... Somos peritas em enganá-los, iludi-los, fazendo-os acreditar que, sendo pro vezes vergonhosamente ridículos, são os maiores amantes do planeta. Estúpidas... estúpidas e grandes cabras que nós somos.
SÓ DESGRAÇAS LOL LOL
(...)
Se, uma noite, numa festa, me acho irresistível, posso ter a certeza de que, na manhã seguinte, me nasce uma borbulha no queixo. Uma daquelas que doem, mesmo que não lhe toques.
Se, depois de uma fogosa noite de sexo desenfreado, e decido sair de casa sem dizer uma palavra, como mulher verdadeiramente emancipada, é certo e sabido que me roubaram o carro.
Se vou cedo para a cama, é certo e sabido de que não ouvirei o despertador na manhã seguinte.
Se me apaixono, é pelo homem errado.
Se sou traída, é pelo homem certo.
Se perco peso, é só água.
Em mim, há sempre qualquer coisa que não bate certo. Sou eu que não sei agir de outra maneira. Mal resolvo um problema, arranjo outro."
Por isso, continuo à espera que Jesus abra uma fenda no céu e diga: "Bem, meus meninos, desta vez, chegou a hora daquela pequena, ali, ao fundo."
in Ildiko von Kurthy, Coração à Deriva
PARA QUÊ BARRICAR AS EMOÇÕES?
Comecei a apreciar a manhã e a brisa que me despenteia os cabelos já de si pouco penteados. Agora... ler e meditar, observar os pequenos nadasmatinais, sentir o valor de cada pequena coisa ganharam sentido. A calmia emocional tende a instalar-me, pouco a pouco, após tantas noites de luta desenfreada contra a sensaçáo de vazio e de mal estar. Percebi que de nada vale tentar barricar as emoções que, inevitavelmente, cabam sempre por se derramar. Só o tempo pode ajudar à tranquilidade. É preciso tempo. Tempo para viver. Tempo para esquecer. Tempo para escutar.
Agora aprecio as diferentes tonalidades que o Tejo toma até o sol surgir por completo no horizonte. Agora usufruo finalmente do prazer da manhã ao sol do Alentejo. Agora estou numa pausa da minha viagem em busca do sol.
GATO DESLUMBRADO
Há dias dei por mim perplexa perante o louco corropio do meu mimado gato citadino face aos pequeninos seres esvoaçantes que habitam o meu jardim alentejano. Nunca tinha visto um gato deslumbrado. E também eu me senti deslumbrada perante a vida naquela manhã de quase Priumavera.
SO WHAT?
Subscrever:
Mensagens (Atom)














